Freitas Júnior - Poeta
Tudo tem um tempo certo,
Não adianta s'avexar,
Pois tem gente do seu lado
Tentando te derrubar!
Torcendo por sua queda
Por ver sua luz brilhar!
Não se entregue a tristeza,
E nem se atreva a chorar
Quem não gosta de você
Amaria festejar,
O pranto que empataria
A sua luz de brilhar!
Levante sua cabeça,
Não se deixe abalar
Não viva amargurado
E não vá se envenenar
Com aqueles que se entrevam
Por ver sua luz brilhar!
Vivi muito tempo tentando me adaptara essa fluidez,
acreditando que era preciso correr,
produzir, seguir sem apego.
Com o passar dos dias, fui entendendo
que alguns sonhos pedem espera,
outros se desfazem,e há aqueles que só surgem
quando o cansaço já ensinou demais.
Não era perda, era mudança de direção,
o rastro natural das escolhas feitas
em outros tempos de mim.
o tempo passou por mim
semelhante ao trem
que serpenteava
a cidade de Alexandria.
Fazia barulho
e levava um pedaço do que eu era.
Mesmo assim continuo,
não sei se por esperança
ou por pura teimosia.
Muitas coisas já não me pertencem.
Silêncios que antes doíam
agora apenas passam,
como o fim de um ciclo
que não anuncia chegada,
mas se revela
quando o coração deixa de insistir
e aprende a viver um cansaço manso.
Hoje o céu parece mais perto,
como se quisesse me apertar um pouco.
As nuvens quedas lembram daquelas promessas
que ficaram por aí.
Não foi falta de fé;
foi apenas o cansaço de esperar demais.
Trago as asas apagadas em pleno voo.
Há dias em que o espírito
quer largar tudo,
e o corpo, teimoso, segue respirando.
É uma conversa muda
entre o querer ir
e o ter que ficar.
