Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Poeta português
26 - 50 do total de 935 pensamentos de Fernando Pessoa

Deus é o existirmos e isto não ser tudo.

Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Fernando Pessoa PESSOA, F. O guardador de rebanhos. Porto : Civilização. 1997.

Considerar a nossa maior angústia como um incidente sem importância, não só na vida do universo mas da nossa mesma alma, é o princípio da sabedoria.

Fernando Pessoa , Livro do Desassossego. Lisboa: Assírio & Alvim, 2008.

Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.

Fernando Pessoa , Alguma prosa. Editora Nova Aguilar. 1976.

O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte do desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente com uma insubordinação inconsciente e feliz.

Tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa. Tudo que cessa no que vemos é em nós que cessa.

Fernando Pessoa PESSOA, F. Livro do Desassossego, por Bernardo Soares. São Paulo: Montecristo, 2012

Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.

Fernando Pessoa SOARES, B. Livro do Desassossego. Vol.II. Lisboa: Ática. 1982. 101p.

Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.

Fernando Pessoa , Autobiografia sem Factos. Lisboa: Assírio & Alvim. 2006

Exteriorizar impressões é mais persuadirmo-nos de que as temos do que termo-las.

Ver e ouvir são as únicas coisas nobres que a vida contém. Os outros sentidos são plebeus e carnais. A única aristocracia é nunca tocar.

Fernando Pessoa SOARES, B. Livro do Desassossego. Vol.II. Lisboa: Ática. 1982. 264p.

Sábio é quem monotoniza a existência, pois então cada pequeno incidente tem um privilégio de maravilha. O caçador de leões não tem aventura para além do terceiro leão. Para o meu cozinheiro monótono uma cena de bofetadas na rua tem sempre qualquer coisa de apocalipse modesto. Quem nunca saiu de Lisboa viaja no infinito no carro até Benfica, e, se um dia vai a Sintra, sente que viajou até Marte. O viajante que percorreu toda a terra não encontra de cinco mil milhas em diante novidade, porque encontra só coisas novas; outra vez a novidade, a velhice do eterno novo, mas o conceito abstracto de novidade ficou no mar com a segunda delas.

Correr riscos reais, além de me apavorar, não é por medo que eu sinta excessivamente - perturba-me a perfeita atenção às minhas sensações, o que me incomoda e me despersonaliza.

Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo.

Fernando Pessoa Bernardo Soares, "Livro do Desassossego"

O pensamento pode ter elevação sem ter elegância, e, na proporção em que não tiver elegância, perderá a ação sobre os outros. A força sem a destreza é uma simples massa.

Fernando Pessoa Bernardo Soares, "Livro do Desassossego"

O mais alto de nós não é mais que um conhecedor mais próximo do oco e do incerto de tudo.

Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos).

Fernando Pessoa , Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II. Lisboa: Ática. 1982. p. 453

O campo é onde não estamos. Ali, só ali, há sombras verdadeiras e verdadeiro arvoredo.

Todo o homem de ação é essencialmente animado e otimista porque quem não sente é feliz.

Fernando Pessoa Bernardo Soares, "Livro do Desassossego"

Tudo que existe existe talvez porque outra coisa existe. Nada é, tudo coexiste: talvez assim seja certo.

Fernando Pessoa Bernardo Soares, "Livro do Desassossego"

A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.

Fernando Pessoa Bernardo Soares, "Livro do Desassossego", 1982

Tudo em nós está em nosso conceito do mundo; modificar o nosso conceito do mundo é modificar o mundo para nós, isto é, é modificar o mundo, pois ele nunca será, para nós, senão o que é para nós.

Fernando Pessoa Bernardo Soares, Livro do Desassossego.

Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças.

Podemos morrer se apenas amámos.

Pode ser que nos guie uma ilusão; a consciência, porém, é que nos não guia.

O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é

Fernando Pessoa PESSOA, F. Poesias. Rio de Janeiro : Livraria Agir Editôra, 1968.