Felipe Mateus Alessi
O Nada e o Tudo
No princípio, antes do verbo, o vazio,
Um espaço sem cor, sem forma, sem fio.
No nada, o silêncio é um grito mudo,
E o tempo, ausente, não é nem um segundo.
No nada, a mente flutua, perdida,
Angústia e paz, em dança indefinida.
É negro, é branco, é o oposto do ser,
Um espelho que reflete o não-acontecer.
Deus, talvez, sentiu o mesmo vazio,
Um universo sem alma, sem rio.
E no nada, em sua solidão infinita,
Criou o amor, a conexão bendita.
Somos reflexo de Sua criação,
Mas também criadores, em nossa condição.
No nada, buscamos sentido e essência,
E o tudo emerge da nossa presença.
O nada é pausa, mas não permanência,
Um sopro que dá vida à consciência.
Do vazio, surgimos, e a ele voltamos,
Mas no intervalo, amamos, criamos.
Então, se no nada Deus nos encontrou,
Foi porque no vazio o amor brotou.
E no eterno mistério de tudo e nada,
Está a verdade jamais revelada.
Da mesma forma que senti angústia no nada, acredito que Deus também, quando ele ainda não tinha criado nada, se sentiu só e sem sentido, criando a conexão de amor entre criatura e Criador.
A natureza não é um recurso infinito. Ela é um reflexo das nossas escolhas. Quando permitimos o retrocesso ambiental, estamos escolhendo o desequilíbrio, não só do planeta, mas da nossa própria humanidade.
O plástico que descartamos hoje não desaparece; ele vira um fardo para o futuro. A verdadeira liberdade está em escolher o que preserva a vida, não o que a sufoca.
A virtude não está em dominar a natureza, mas em viver em harmonia com ela. Retroceder em políticas ambientais é negar nossa conexão com o todo. Que legado queremos deixar?
O Equilíbrio do Progresso
No campo vasto da criação,
onde a mente voa sem fronteira,
liberdade e igualdade se entrelaçam,
como luz e sombra na mesma esteira.
A inovação precisa de espaço,
mas também de solo fértil e abrigo,
pois o talento não floresce ao acaso,
e sim onde há sustento e sentido.
Que o Estado seja o guardião,
não a muralha que prende a estrada,
mas a ponte que liga a ambição
ao direito de cada jornada.
Diversidade é uma riqueza,
a essência viva de uma nação,
quando cada voz tem o seu tom,
Tecemos juntos a inclusão.
E assim, entre o livre sonhar
e a mão que protege a esperança,
cresce um mundo a prosperar,
onde justiça e progresso caminham juntos.
A inovação prospera onde há liberdade de criação, mas também suporte para que todos possam participar e contribuir.
Liberdade e igualdade não são opostos, mas complementos necessários para uma sociedade equilibrada.
O homem é um ser consciente e reflexivo, capaz de perceber o mundo, atribuir significados e transformar tanto a realidade externa quanto sua própria interioridade.
A natureza humana é uma teia dinâmica de pulsões inconscientes, arquétipos ancestrais e consciência reflexiva, onde o ser humano — simultaneamente moldado por forças ocultas e capaz de ressignificá-las — emerge como artífice de sua própria transformação, entrelaçando história, símbolo e ação.
Amar pela metade é como tentar acender uma vela sem chama.
É como entregar um cálice vazio e chamar isso de vinho.
Ou se ama com todo o ser — ou se deve ter coragem de admitir: não é amor.
Às vezes, um homem deve fazer o que tem que ser feito. Razão e livre-arbítrio não são opostos, mas se conectam: a razão ilumina e o livre-arbítrio decide. É justamente nessa obediência à razão que o homem se torna verdadeiramente livre.
Quem teme a morte já assinou contrato com a própria rotina: acorda, respira, se condiciona e chama isso de vida. A dignidade não está em durar, mas em incendiar o instante com presença. Morrer não é o perigo; o perigo é sobreviver intacto, sem nunca ter sido de verdade.
PARECE O ÚLTIMO DIA
(por Felipe Mateus Alessi)
Hoje parece o último dia,
mas aprendi que o fim é só o início visto por dentro.
Acordo não para amar alguém,
mas para ser amor — o que resta quando tudo parte.
Ser descomunal não é fazer o bem sempre,
é fazer o bem mesmo quando o bem não volta.
E suportar a dor sem torná-la bandeira.
Quando a prisão é a mente,
não se escapa — se observa.
O vazio é só a casa antes da mobília nova.
Colorir a mente não é negar a sombra,
é permitir que o escuro prove o valor da luz.
A felicidade não se escolhe — se compreende.
Será que dei o melhor de mim?
Talvez dei o que pude.
O resto era defesa, medo de ser comum.
Poderia ter sido diferente,
mas só quem aceita mudar continua sendo.
Ganhar e perder —
os dois mentem, se vistos com pressa.
A vida não é uma disputa,
é um ritmo que se aprende ao tropeçar.
Chuto o balde e descubro:
ele estava vazio porque esperava que o mundo o enchesse.
Hoje sei: o destino não é lugar, é presença.
O futuro não é sonho — é direção.
E até a tristeza é um convite para renascer.
Quis não precisar de ninguém,
mas o universo se revela nas relações.
Somos peças de um mesmo organismo,
ninguém evolui sozinho.
Amo porque preciso —
e preciso porque amo.
Teimoso? Convicto?
Sou ambos.
Há dentro de mim um grito que recusa a mediocridade,
mas agora sei: ser extraordinário
é aceitar a própria humanidade sem máscaras.
Não fui escolhido — escolhi permanecer desperto.
Perder ainda me dói,
mas entendo que a vitória não é o resultado:
é a consciência que fica depois do erro.
Deus ainda me habita,
não como consolo, mas como espelho.
A música me equaliza,
porque traduz o indizível —
a vibração entre fé e carne,
entre lágrima e perdão.
Deus meu, meu Deus:
não preciso que me faças vencer,
basta que me mantenhas inteiro.
O livre-arbítrio é o templo do amor —
não a posse, mas a permissão.
E se desejo uma mulher,
que seja para encontrá-la livre, não para tê-la.
Amar é sentir medo e não fugir.
É cair e continuar vendo beleza no chão.
Nenhum tempo é melhor gasto
do que aquele em que aprendemos a cuidar —
mesmo sem retorno.
Escolho sentir, sim,
mas agora sei que o sentir também me escolhe.
Às vezes me destruo, às vezes me integro,
mas já não chuto o balde com raiva:
coloco nele a água que sobrou
e lavo meu rosto para recomeçar.
A liberdade precisa ser alimentada pela Vontade.
Sem disciplina interior, o livre-arbítrio não passa de um mito reconfortante — e o homem, um prisioneiro que acredita caminhar, enquanto repete os gestos que o mundo lhe ensinou.
Ser livre é escolher, consciente e reiteradamente, mesmo quando tudo ao redor conspira para o automático.
É quebrar o ciclo dos hábitos cegos e reacender, a cada aurora, a chama do querer.
Só aquele que acende o fogo interno governa o próprio destino.
Da Teoria do Pêndulo (Dualismo Hermético)
“O universo não se dobra à vontade de ninguém — é o homem quem deve aprender a mover-se com ele.”
“O pêndulo é o coração do universo; quem encontra o centro em si governa o movimento do Todo.”
“A sabedoria consiste em observar o movimento sem ser arrastado por ele.”
“A felicidade excessiva é vertigem; a tristeza prolongada, cegueira — ambas são portais, não moradas.”
“Saber aplicar o pêndulo é deixá-lo mover-se, sem deixá-lo governar-te.”
“A verdadeira alquimia é transformar a dor em palavra doce.”
“Quem planta sombra colherá frio.”
“O segredo da Alta Magia não é dominar o pêndulo — é tornar-se o centro dele.”
Da Subdivisão do Ser (Anatomia da Consciência)
“O ser humano é um templo de múltiplos andares; sua consciência é o sacerdote que ascende e descende entre os pavimentos da alma.”
“Toda ideia repetida com fé tende a tornar-se forma viva.” — (Papus, retomado)
“Divide para compreender, une para reinar.”
“O inconsciente é a terra, o subconsciente é a água, o consciente é o ar — o espírito é fogo que anima.”
“O corpo é o altar; a mente, o templo; o espírito, a chama eterna.”
“O passado aconselha, o futuro inspira, o presente consagra.”
“Quem conhece os próprios andares pode ascender sem se perder.”
Da Inércia do Êxtase (Força Criadora e Destrutiva)
“As feras do espírito não lutam por destruição, mas por lembrança.”
“Ser forte não é dominar o outro, mas suportar-se inteiro.”
“A felicidade é uma força perigosa; os ignorantes a temem, os medrosos a chamam de soberba.”
“A força que se agita é ruído; a força que repousa, cria.”
“O poder é descanso; a luz, modéstia; o prazer, quietude.”
“Ser mago é existir sem provar nada.”
“O mais alto poder não é voar, mas permanecer imóvel enquanto o universo se move.”
Da Sala do Templo (O Escudo e o Veículo Interior)
“A sala do templo é o espelho onde o espírito aprende a dominar a si mesmo.”
“Quem governa sua sala, governa os mundos.”
“A oração verdadeira não é repetida — ela brota do coração como centelha do Espírito Santo.”
“O mago não viaja no universo — o universo viaja dentro do mago.”
“O verdadeiro altar é o silêncio onde o pensamento se curva diante do amor.”
“Quem edifica a própria morada interior está protegido mesmo no meio do caos.”
“A fé é o escudo que dobra o espaço e sustém o tempo.”
