EdsonRicardoPaiva

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Eu olho pro mundo e penso
No quanto me sinto propenso
A não ver
Muita coisa que me alegre
Tempos tristes
Gente sem graça, mérito e nem talento
Tento entregar às estrelas
Todo o crédito dos meus olhares
Milhares de brilhos
Crias de Deus
Emanando alegrias aos pares
Purpurinas com as quais
O Nosso Grande Criador
Põe beleza no espaço
Em nosso derredor
Nos ensinando em silêncio
Que por menos maus um dia sejamos
Jamais faremos nada igual
nem perto de parecido
Me sinto perdido
Nesse pequeno pedaço
de espaço esquecido, em meio ao nada
Satisfeito
e ao mesmo tempo triste
Por saber que existe
Um número imensurárel de quasares,
Incontáveis bilhões de Pulsares emersos
Em um imenso Oceano de Estrelas
Todas elas pra lá de belas
Porquanto inversamente
Permanecem simples e singelas
Quais divinas aquarelas
Retratadas lá no Céu
Antes de fechar minha janela
Eu penso
Que em tamanho e infinitude
Três grandezas serão comparáveis:
A Perfeição do Deus,
Em sua explicação silenciosa
A Beleza do Universo
Justificando a razão de o ser
E a estupidez Humana
Sem razão e nem porquê.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu fico aqui pensando
Pra onde será que vai
E de onde será que veio
Aquilo que compõe a vida
Pois a cada instante que passa
A gente tá sempre
em meio a dois tempos
Não há nada que nos faça
Nem ir junto e nem voltar
Um dia acaba, outro começa
O horizonte sai do prumo
Os assuntos tomando outros rumos
O vento sopra, a folha cai
E qual fosse uma espécie de magia
Haverá de nascer amanhã
Outro e outro e outro dia
Sem se dar conta ou atenção
A gente vai vivendo isso
E, enquanto vivo
Nem tenta entender o motivo
Simplesmente vai vivendo
Com tristeza ou alegria
Tudo depende
Se aprendeu
A enxergar o que olha
Quando vê que lá vem outro dia
Simples e prosaico
Rotineiro e nem por isso, menos raro
Raro, porque não volta
A vida parece
Nem sair do lugar
Mas a cada uma
dessas voltas que o mundo dá
Conta outro dia vivido
Você simplesmente o vive,
mas não compreende a vida
Num momento
Está de chegada
E num instante
Está de partida
Maldito presente
Sempre a dividir o nosso tempo
Em antes e depois
Além desses dois
Há outros dois milhões
de pedaços do seu coração
Que você despedaçou
Ao tentar juntar
As peças que não se encaixam
Tamanha pressa de viver
Os dois tempos
Trocando de lado
Você perdido lá no meio
Sem saber se vai ou já veio
No âmago da questão
Se esconde o encanto, o triste encanto
Em saber que a vida existe
Mas passa depressa como um relâmpago
Um raio que cai distante e de madrugada
Sempre na hora
Em que a janela estiver fechada
E quando decide olhar
descobre que não viveu
E nem há mais tempo pra nada.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Aquilo que não tem remédio
Morreu de esperar
Na procura pela cura que não veio
Portanto
Está tudo certo e no lugar
Não faz mal ser preterido
E de vez em quando ser o último
Muitas vezes na vida
Eu fiquei lá no canto, esquecido
Sem pranto e nem lástima
Não sou dono de nada
e nem ninguém
O ar que respiramos é empréstimo
Uma concessão que Deus nos faz
Estou olhando
O mundo e a vida
do lado de fora
Qualquer hora é hora da partida
Não faz mal
Nem ter sido chamado pra festa
Dentro em pouco
Termina essa história louca
E todos se vão
Sim, é assim
Nós todos indo embora
E ninguém vai levar nada
A Inês é morta
Pouco importa o que fiz ou não fiz
O último a sair, por favor
Apague a luz
e feche a porta.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

"Meu Deus, me ensine a ser um imbecil; para assistir televisão domingo à tarde no Brasil "

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Anoitece outra vez
Acaba mês, começa dia
Se eu conhecesse a verdade
Contava pra todo mundo
O valor de cada segundo corrente
Existente roda do tempo
Onde cada momento
Representa a uma ínfima engrenagem
Um fragmento de fração
Eu penso em nem pensar, mas penso
No silêncio do relógio, que tiquetaqueia
Permeando o bojo da vida
Fortalecendo o fraquejar da vontade
Que eu sei, haverão de ecoar
Por toda uma eternidade
Perdidas, irremediavelmente perdidas
Por detrás do vidro convexo
Que expõe pra todos nós
E ao mesmo tempo nos afasta
Dessa relógio gigante, chamado Universo.
Impedindo-nos de tocar nos ponteiros
E parar, nem que fosse por um único instante
O tempo que se vai ...e nos arrasta
Pra algum lugar muito além
de qualquer coisa que talvez
Alguém pense em chamar de fim
E enquanto isso
Amanhece outra vez.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Não há felicidade eterna
Mas pode existir alegria
na medida exata
E nada menos que isso
Pois a gente pode sempre
Procurar adquirir e manter
Equilíbrio e sabedoria
Nem que seja um pouco
Pra entender as coisas que tem nome
Mas a gente nunca sabe qual é
E dessa maneira
Não tratá-las por um nome qualquer
Se houver qualquer forma
de ódio ou de amor
Que seja pelo menos
Conforme as normas das coisas normais
Pra não crescerem excessivamente
Pois eles costumam trocar de lugar
Pra depois se revelar demais pequenos

Inserida por edsonricardopaiva

"Devia ser proibido gente feia ter grana e a gente, que é bonito, ficar duro."

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eis que eu aqui
Calado, esquecido
Perdido e desarvorado
Eis que eu
Escondido às sombras
Nas penumbras do passado
do qual eu me escondia
Sem nem saber
Que o presente também sabia
Brincar de pique-esconde
E mais do que todo mundo
Sabe onde procurar
Por certo
Apesar de distante
Diante dos resultados
Agora a gente também sabe
Que ele esteve sempre perto
Pois
Perante a rapidez da vida
Não havia como estar tão longe
ou se esconder
da hora de ir embora
quando a mãe chamar
Só agora a gente vê
A inútil futilidade
do lugar onde se esconde
Eis-me aqui.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Se fez
Faz segredo
Se fizer errado
Sinta medo
Saiba
Que no fundo
Tudo é raso
Não há malfeito que se oculte
O que a gente chama acaso
É somente o Universo corrigindo
os incidentes de percurso
Pra que tudo corra entre dois trilhos
O rio da vida segue um curso
e cumpre um prazo
Todo desconhecido
Tem nome e endereço
e é pesado e medido
e tem preço definido
O deus do justo é um andarilho
Um pedinte, um giramundo
Pra que assim
Possa chegar perto da gente
Invisivelmente , sem que se atente
Que pra tudo existe
um custo a pagar
Triste ou contente
Pois, por mais que se fuja ou se faça
O tempo enferruja
E não permite nada
Sem limite
Cada minuto é contado
E nada na vida é de graça.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A pensar
na ciência da existência
Me peguei me perguntando
No veneno mais mortal
Que veneno de folha ou de cobra
E o espinho que fere
Inteligência que afere e calibra
O mecanismo
que faz avançar, simulando marasmo
E rodar a cada engrenagem
Que faz doer o que não doía
Enxergar o que não via
E querer que volte
A aquilo que queria
Que fosse e não ia
Será que serão
Exatamente iguais
Nem menos
Nem mais
Todas as horas
Que agora sabemos
Que compõe o dia?

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Viver a vida
E enquanto vivê-la
Não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme o peito da gente
Num solo infértil
Igual a esse enorme deserto infecundo
Existente num local incerto
Que por não saber
Chamamos Mundo
Insistente qualidade obsoleta
Em querer a qualquer preço
dar à essa existência qualquer meta
E depois, mesmo assim
Vivê-la
Pelo mero fato de viver
Botando prazo de validade pra tudo
E estudando a melhor maneira
de piorá-la
A vida pode ser uma pálida passagem
Bólide e sem rastro
Nave que flutua suave, ao sabor do mastro
Não permita que essa vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
Um compromisso com Deus
e ninguém mais
Se houver razão pra estar em paz
Pense no poeta que escreveu a vida
Sem meta
Direção ou seta
Nem justa ou injusta medida

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Viver a vida
E enquanto vivê-la
Tentar não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme a vida da gente
Num solo infértil e infecundo
Parecido com o lugar
Que por não saber seu nome ao certo
Chamamos o lugar de Mundo
Insistente invalidade
Inverdade obsoleta
Tenta a qualquer preço
Exigir-lhe alguma meta
Sem que seja necessário dar a ela
Norma ou forma
Pra depois, infeliz, vivê-la
Pelo mero fato de viver
Pensamento
Abstratamente concreto
Piorando a essa pálida passagem
Bólide e sem rastro
Nave que flutua suave, ao sabor do vento
a soprar-lhe o mastro
Maestro da sinfonia
Não permita
Que a vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
Um compromisso com Deus
e ninguém mais
Se houver razão pra estar em paz
Pense no poeta que escreveu a vida
Sem meta
Direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Portanto, enquanto houver
Estrelas pra ver no Céu
Aproveita a chance de olhar pra elas
Um dia há de restar
Somente a lembrança
do quanto um dia foram belas.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Viver a vida
E enquanto vivê-la
Tentar não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme a vida da gente
Num solo infértil e infecundo
Parecido com o lugar
Que por não ter
um nome a lhe dar
Chamamos de Mundo
Nosso inválido lar
Sem saber de verdade
O que fazer dele ou da vida.
Viver é a parte complicada
Sofrida e difícil da existência
Tudo mais vai se tornando fácil
Conforme a experiência adquirida
Desde que a gente não queira
a qualquer preço
Exigir-lhe alguma meta
Nem que seja necessário dar a ela
Norma ou forma
Pra depois, infeliz, vivê-la
Pelo mero fato de viver
Pensamento
Abstratamente concreto
Piorando a essa pálida passagem
Bólide sem rastro
Nave que flutua suave
Com o vento a soprar-lhe o mastro
Se eu puder pedir
Eu imploro
Que o Maestro da sinfonia
Não permita
Que a vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
E mais nada
Um compromisso com Deus
Se houver razão pra estar em paz
Agradeço ao Poeta que escreveu a vida
Sem meta, direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Portanto, enquanto houver
Estrelas pra ver no Céu
Aproveito a chance de olhar pra elas
Um dia há de restar
Somente a lembrança
do quanto um dia foram belas.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Triste luz da manhã.

Bela manhã de Sol
Lindo Sol
de uma manhã tão triste
de tristeza daquela que mata
Esconde a morte
entre os cortes
da arte de natureza morta
sete cores escondidas
no branco da luz do Sol,
Triste Sol de branca luz
Manhã de borboletas voando
exibindo seu voo manco
Manco voo à branca luz de Sol
Luz de hemorragia
Branca luz do dia
O sangramento estanca
Hemofílica alegria
Luz que na verdade mente
e mente com propriedade
Quisera me esconder da luz do Sol
Ah, meu Deus
Como eu queria
Que esse manco voo de alegria
tornasse uma tristeza verdadeira
Quando do Céu despontasse
A derradeira luz da tarde
desse branco Céu
Sangrando de falsa alegria
Que voa e não voa
A vida correndo a toa
Ardendo de verdade
doendo com qualidade
Prenúncio de tempestade
Pálida verdade
Triste Sol de uma manhã que arde.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

"A beleza sutil
Desta vida é
Saber que não existe
A certeza de nada
Mas até
Que se prove o contrário
Eu, na dúvida ...
Mantenho minha fé"

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Tramas.

Tenho meus pés pesados
Olhos cansados
Trago em mim mãos calejadas
Sei a letra de alguns poemas
Fora isso não tenho nada
Já tive no passado
O meu gancho de rede
Onde eu matava
A saudade e a sede
Tempos idos
Era mais fácil desvelar
A trama
do tecido daquela rede
Era mais provável
Ter vencido
Ao tempo que me venceu
Que compreender
O mistério das tramas da vida
Que me faz sentir vencido
Fora isso
Não sinto nada.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje, assim como era antes
Eu cheguei ao lugar
Onde prossegue a espera
Mas agora eu entendo
Que não há como chegar
Ao final da jornada
Simplesmente porque
Ela não tem um fim
Me faltava saber
Que eu só preciso encontrar
O caminho que leva até mim
Neste momento eu contemplo
As dobras que fizemos
Nas mangas do tempo
Pensando em pôr as mãos à obra
Enquanto não sabíamos
Que nos cabia saber
Mas agora eu sei
Que não nos cabe ainda
Porque nunca saberemos
Antes que o tempo derrube
As colunas do Universo
E o Céu desabe sobre nós
E acabe por fazer
O que não foi feito
Do jeito perfeito
Que tanto queremos
Pode ser que ali na esquina
Debaixo daquela escada
Esteja escondido
O segredo da vida.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

"A vida vai passando ... o tempo continua correndo. Pode ser que as coisas não pareçam eternas, ainda bem; isso faz parte do aprendizado, pois é preciso que o tempo passe, pra que a gente perceba que só o tempo não é eterno, ele apenas corre eternamente. Se as coisas que vivemos serão eternas, se as pessoas que passam pela vida da gente, se as amizades serão eternas ... tudo isso vai depender das nossas atitudes perante a vida. Tudo isso vai depender da gente e da maneira que a gente aprender, ou não, com a passagem do tempo. Mas o tempo vai continuar correndo eternamente."

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Agora, assim como era antes
Não posso chegar
Ao lugar que se espera
Hoje eu entendo
Que não vou alcançar
O final da jornada
Porque
O final sou eu
Entre tudo mais que existe
Só o tempo não é eterno
Ele apenas corre eternamente
As fronteiras erigidas
Estão todas em mim
Como o vento
A soprar por sob as asas
A sustentar o voo
Enquanto a vida passa
As dobras que fizemos
Nas mangas do tempo
São apenas pra descobrir
Que existem coisas bem pequenas
Que não nos cabe saber
Nunca as saberemos
Até que o tempo corroa os alicerces
Que sustentam a esse
E a tantos outros Universos
Pra que o Céu desabe sobre nós
E acabe por tornar perfeita
A perfeição corrompida
Pelos nossos olhares tortos
Quero crer que ali na esquina
Debaixo daquela escada
Pode ser que esteja
Escondido
O segredo da vida.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"Entre todas as coisas que existem
Só o tempo não é eterno
Ele apenas corre eternamente"

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Enquanto isso,
O motorneiro vai tocando o bonde
Espetáculo de sombra e luz
Que num instante desaba
Nunca mais tentei parar o tempo
Depois que ele se foi
A impressão que dá é que ele acaba
Em todo lugar onde há começo
A vida é que corre ao avesso
E ninguém vê
Se esquece que o Sol se põe
No momento em que nasce
Desse modo é que tudo se dá
Só não dá pra mudar nada
Mas eu teimo em transformar
Poesia em sonho
Pra não ter que dizer adeus
Confesso o pecado alheio
Coisa estranha
Os sonhos não eram seus
E aos poucos se foram
Deixando ficar
Sem altos, sem baixos
Nem perdas e ganhos
Enquanto isso
Um violeiro louco vai tocando no deserto
O sonho parece mais perto
Que o lugar bonito que vejo, quando acordado
Passo a noite pensando e quase rio
Quase rio, quase todo dia
Quase dia, quase poesia
Enquanto isso
O timoneiro vai tocando o barco
A vista alcança o invisível
E durante o caminho
A vontade de aço fraqueja
A gente erra
E os sonhos parecem naufragar
Em um Mar tão distante daqui
Nada mais que o pó da estrada
Dá um nó na garganta
Só de pensar
Na pena de não sonhar
Pois hoje é dia de semana
Te aparta de mim
Eu sou um cara por demais comum
Enquanto isso
O coração que vai tocando a prece.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Vivo, enquanto vivo
Sem vinho e nem uva
Nem terra e nem chuva
Rio, enquanto houver riso
Vivo porque preciso
Erro por não saber
Errar é a única ciência
Que tenho certeza que tenho
Mas não existe certeza de nada
Pode ser que eu esteja errado

Edson Ricardo Paiva

Eu me lembro
Que quando em criança
Eu morei pertinho
de um pé de pitanga
Eu olho que passou-se
A vida inteira
Mas o cheiro das folhas fica
Se Deus nos fizesse alados
Quem sabe a gente não sofresse tanto
E se Deus nos quisesse atrelados à terra
Teria nos dado raízes
Assim, de certa forma, estariamos bem mais felizes
Mas quis Deus nos dar pensamento
Qualidade irracional
que nos dota de um medo
Medo da mentira e da verdade
E então Deus nos viu
Inventar a pedrada
Criar o machado e fazer a gaiola
Pra depois usar em nós mesmos
Se olhar direito
O resumo da vida é isso
e mais nada
Hoje eu vejo
Passarinho e a pitangueira
Bem mais contentes que nós,
De alguma maneira compreendem
Que a vida é algo mais além
Mas aquilo que eles sabem
Ninguém nunca vai saber
A coisa engraçada da simplicidade
É exatamente perceber
O quanto ela pode ser complicada
Me resta a esperança
de um dia acordar
Novamente criança
E voar como um passarinho
Pro ninho da pitangueira
Sem medo de pedrada
Que não há de importar em nada
E ser feliz por toda uma vida

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu queria saber
Por que é que eu insisto em me perguntar
Sobre coisas que não tem resposta
É como morrer mil vezes
Enquanto se vive uma vida
Que nem chega a ser assim ...
Tão longa
O mundo esconde o valor das coisas
Enquanto a vida vai vendendo
O que não vale quase nada
Até que um dia
Vem o tempo e nos desvenda
A esses e a tantos segredos
Carregados de mais perguntas
Somos cegos
Seguindo os caminhos traçados
Guiados pelas vozes de lobos vorazes
Que a bem da verdade sempre foram
Muito mais cegos do que nós
Não percebem, não sabem
Que aquilo a que se busca
Não se pode alcançar
É como um raio de luz colorido
Caindo do Sol pela manhã
E o azul do Céu, que desaparece
No momento em que a gente o toca
Felicidade, uma ilusão
O brilho da Estrela deixou de estar lá
E a vida não é como se pensa
Durante a guerra sempre os rios congelam
E os seus invernos são mais frios
Parece que foi sempre assim
A vida nos nega um sorriso
Justamente nos momentos
Em que tudo que mais se precisava
Era de um sorriso, simplesmente
Eu queria ter palavras
Pra explicar que não tenho respostas
Tem dias que o que mais desejo
É saber a verdade das verdades
Mas a única palavra que me vem
Me causa o querer e a vontade
de não querer saber mais nada.

Edson Ricardo Paiva.

Dúvida
Não raro
Necessária e boa
No momento oportuno
Justifica o cinismo egoísta
Existe uma voz gritante
Nos dizendo em brados surdos
Mas não temos tempo
Para ouvir e nem pensar
É urgente viver
Enquanto isso os sinos tocam
Lentos ponteiros de areias ao vento
Os seus olhos, sempre abertos
Não veem
Com qual velocidade
O Universo se move
A dúvida se esconde
Por detrás da cortina fechada
E passa completamente
Veloz e despercebida
Vidas e vidas
Talvez a gente as viva muitas
Apesar de alguém dizer
Que não existe a certeza de nada
A ciência a explica
Mas somente a existência de um Deus
A justifica
Não dá pra juntar dia com noite
Nem se pode os separar também
Mas a luz existe
Quando a mente se permite
A gente pode
Acendê-la e apagá-la a qualquer instante
O pensamento é uma uma obra do acaso
Diferente dos pássaros
Que foram feitos pra voar
E voam
Gente feita pra pensar
Destoa da multidão, quando pensa
E quando pensa
Pensa que voa
Persiste aquela voz, que nos fala
E outra, que a manda calar
Qual delas, dentro de nós
Seremos nós?
É como olhar pelo espelho
Através de um outro espelho
Saber que existe algo infinito
É o princípio de qualquer insanidade
Insistente em querer-lhe alcançar
Enquanto isso os sinos tocam
Seus ouvidos atentos não ouvem
Você crê só naquilo que vê
Mesmo que não veja
Que aquilo eram somente sombras
Projetadas pelas próprias mãos
A vida e o mundo
Se curvando e obedecendo
A cada vontade sua
Quem sabe, um dia a gente acabe
Ou não
Passando pela morte
de olhos fechados
O "olhar para o nada "
É finalmente perceber
a quase tudo
Mas creio ser esse
Aquele momento, que efetivamente
Costumamos dizer
Demasiado tarde.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva