EdsonRicardoPaiva
Deve ser legal ser Deus
E ficar lá de cima
E ficar aqui de dentro
Ficar em todo lugar
Ficar de perto
Estar bem longe
Estar no centro
Estar em tudo
Estar distante
E ver o que acontece
Enquanto a saudade nasce
Saber exatamente aonde
Se esconde a verdade
E virar a vontade ao avesso
desde o começo de tudo
Saber de todas as respostas
E simplesmente
Ficar aqui e ali
Quieto e mudo
Pousando no veludo impermeável
de todas as pétalas invisíveis
existentes nos jardins distantes
Saber de tudo que acontece
No instante que aconteça
Saber por onde anda
Tanto a maldade
Quanto a bondade
Muito antes
Que a criança cresça
E conhecer a forma mais correta
de trazer
mil pensamentos
Formando as coisas confusas
pra depois colocá-las
Nas cabeças dos cientistas
dos pedintes, dos vigaristas
das musas e seus poetas
Ser a chave de todas as portas
A altura de quantas janelas
e outras mais
por onde queiramos nós
simples mortais
fatalmente um dia saltar
e sentir a resistência
do ar que nos rodeia
E do Deus, que a tudo permeia
e que anda sempre acima
Tanto do mal
Quanto do bem
Não ter que dar jamais
Explicações a ninguém
Simplesmente ser Deus
Estar antes e estar após
Mandar dizer
e ficar de longe olhando
Esperando pra ver
Saber muito antes
O momento e o nome de quem vai
Um dia encontrar nas palavras
O argumento mais correto pra provar
Que nós somos deuses também.
Edson Ricardo Paiva.
O melhor pedaço de chão
Ninguém sabe dizer
Qual ele é
Muito menos onde fica
O melhor sorriso da vida
O dia mais bem vivido
A risada mais rica
Ninguém nunca poderá dizer
Qual foi
E muito menos
Se existiu realmente
Talvez esteja ainda em teu futuro
Quiça no passado
Mas uma coisa todo mundo sabe
Eles não te cabem no presente
Seja seu agora
Simplesmente o hoje
Momento
Onde tudo que desejas
Anda em movimento constante
Se evadindo de você a cada instante
Pois você
Com seus pés, palavras e mãos
Afasta a tudo
Pra depois, abarrotado de esperança
e reclamando da inverossimilhança
de tudo que deu errado em sua vida
Colocar a alegria de lado
E procurar onde se escondem
A todas as alegrias não vividas
Creio que agora, como sempre
Não te cabem
E é bem provável
Que tão louváveis momentos
Estão perdidos presentemente
Em alguma esquina da vida
Iluminado dia esquecido
Num futuro
Que agora não mais virá
No passado
Onde tudo de errado fizeste
Neste momento presente
Onde tudo tua mente afasta
Enquanto te arrasta ainda muito mais
Pra algum lugar bem distante
Do chão, do riso, do dia e da risada
Que a vida toda
E de todo coração
Afastaste
desejaste
Jamais
Encontraste.
Edson Ricardo Paiva
Num dia a gente nasce
Noutros dias cresce
E vive
Vive coisas tão incríveis
Simplesmente
Sem saber-lhes
Quais as causas
A vida vai passando
desde quando a gente nasce
O tempo simplesmente
Jamais faz uma pausa
Na verdade o tempo mente
Enquanto a vida nos esconde
Quando e onde
Uma brisa muito branda
Chega assim, tão de repente
E vem bater na cara da gente
Enquanto manda
Manda a gente se dar conta
Que um tempo sem monta
Cercado de requinte
E um certo acinte
Fez nascer no coração
Uma saudade um tanto incerta
do tempo que a gente vivia
E não via
Que devia ter parado,
Olhado pros dois lados...
Antes de atravessar
Uma rua do passado
E visto o que estava escrito
Nas entrelinhas de uma esquina
Pois, daquela vez
Talvez fosse a hora
de simplesmente prosseguir
Pela mesma calçada
Pra ver onde ela termina
Há ruas que ainda estão lá
Pra sempre nos aguardando
Nos caminhos do passado
Mas não saberemos jamais
Quais serão e onde estão
Nesta vida sem tamanho
Infestada
de uma grande quantidade de palavras
que jamais foram verdades
E de sonhos
E tantas alegrias verdadeiras
Perdidas
Pra sempre esquecidas
Pelos caminhos da vida.
Edson Ricardo Paiva
Ruas
Caminhos por onde passei
Lugares
Tristes e alegres lugares
Onde eu vivi
Momentos iguais
Ruas por onde passei
Locais
Onde sei que não sei voltar
Mas sei
Sei que não verei nunca mais
Aquelas ruas
Não me lembro de todas
Alguma esqueci
Uma ou duas, quem sabe
Não me cabe
Sentir tamanha saudade
Nem sei por quê choro
Melhor seria voltar pra casa
Anoitece, talvez esse Céu desabe
E então eu me lembro
Que já faz alguns dezembros
Que moro na rua.
Edson Ricardo Paiva
A vida é algo
Mais os menos assim
Quando amanhece
Você abre a janela
e tem ali um jardim
Mas de nada vale ele estar lá
Se você não o vir
E nem perceber o perfume sutil
Como às vezes pode ser sutil
O Próprio Sol
Que parece encoberto
Mas aquela nuvem, na verdade
a você encobriu
As flores do jardim percebem a Sua Luz
Sem possuir olhos de ver
A vida só pode ser vivida
Se você a viver
e pra vivê-la
Não é preciso ter dinheiro
Nem jardim, nem nada disso
A alegria e a gratidão por viver
é que dão à vida aquele viço
E te fazem sentir vontade
de ter com aquele teu pedaço de chão
Um compromisso que você vai cumprir
Quando a gente conseguir
Compreender que a vida é isso
Poderemos então
Bem vivê-la, enfim
Começaremos por viver aquele dia
E quem sabe
Até cultivar um jardim
Onde, antes
Nada havia.
Edson Ricardo Paiva
Acordo de madrugada
Muito cedo despertei
Quando aprendi nas lições da vida
Que quanto mais palavras conhecesse
Menos eu compreenderia
A noite lentamente
Desvenda seu véu
Pra revelar que o Céu
Anda encoberto
Muito cedo compreendi
Que as respostas certas
Estão abaixo das nuvens também
desde que a minha mente
não obstrua a verdade
Escondida
Não pedras do Céu e do chão
Nas quedas que eu não caí
Nos restos de comida
Que o mendigo deixou pela calçada
Nas palavras ditas
Por quem definitivamente
Não tem noção do que diz
Mas segue a dizer
Constante e eternamente
Compreendi
Que não devo exigir
de mim mesmo a aprender
Com quem não aprende
Ouvem, mas não escutam
Falam demais
Fazendo cara de inteligentes
Escondendo a incompreensão
Por trás de um sorriso mudo
A vida me ensinou
Que todo mundo sabe tudo
E dizem que própria sombra
As abandona no escuro
Quando na verdade
A escuridão as persegue
Na mais intensa claridade
O dia prossegue
Vento e Sol de inverno
Eu penso no fogo eterno
Queimando pra eles
Que se deram
Quando pensavam se vender
Mentem
E chegam a crer
nas próprias inverdades
Concluo, então
que do muito que eles sabem
Cada um na própria
Arrogância e prepotência
Me descabe querer
Ser e saber igual a eles
Fico feliz
Em não ser nada
Tampouco melhor que ninguém
Ainda bem!
Edson Ricardo Paiva
Desejos são gotas de chuva
Aliados aos raios do Sol
Numa tarde de melancolia
A voltar sempre e sempre
Todo dia
São vontades felizes
Que surgem nas horas tristes
Bolhas de sabão
Flutuando em caracol
Que às vezes permanecem
nos lugares onde eu vejo
por muito mais tempo
Que a gente esperava ver
Insistentes
Desejos são a lenha que alimenta
Aquele fogo pálido, lerdo e lento
Que insiste em permanecer
No tímido coração
Lampejos vem surgindo lentamente
Te fazendo
Pensar constantemente
Em algo que não se esquece
Desejos tristes
dos quais o coração padece
Quanto mais você se esquiva
Navegando só
O oceano de sonhos...e vai
Flutuando à deriva
Num triste abandono
Não existe mais nada
Inexiste alma viva
Que em dado momento da vida
Não encontre na rua
Enquanto voltava pra casa
Com aquela voz que vem no vento
E a faça sentir uma imensa saudade
Daquilo que
De tanto querer
Foi perder na tempestade
Seguida de um vento suave
e palavras que não se escreve
E foram ditas
E agora
Passada a hora
Se esforça em tentar entender
O que foi que te fez
Querer
Edson Ricardo Paiva.
Vivemos
Dormimos e acordamos
e sonhamos
e cumprimos compromissos
e enquanto isso vivemos
Vivemos
e enquanto vivos
Precisamos
Vencer diária e constantemente
Todas as lutas
As quais
Queríamos tanto
Que não fossem tantas
E quanto mais queremos
(não vencê-las ou perdê-las)
Desejamos somente
Que não fossem assim
Tão duras, frias...tão sombrias
Poderia ser somente
dias felizes da vida da gente
Mas a vida vai passando
Corre inteira
Chegando às raias da loucura
Simplesmente porque a gente
Certamente
Tem muito de louco
Vivemos
E o nosso tempo
é tão curto...tão pouco
Desperdiçamos muito
das poucas alegrias
Com coisas que certamente
Vão valer
Pouco mais que nada
Pois é assim que serão vistas
Tão tolas e inúteis conquistas
Edson Ricardo Paiva
A Perfeição do Mundo.
Veja o mundo
Pelo vidro da janela
Recebendo a luz distante
No instante em que a luz se move
Tudo em seu lugar, tudo perfeito
No jeito que a chuva chove
Há infernos pra todos os Céus
E desertos pra tantos ventos
Milhões de lamentos futuros
Pra tantos obscuros fingimentos
Tudo no lugar, puro e perfeito
De objeto a manifestar
A cura pros teus defeitos
E passam-se os anos
Abraços distantes
Olhares despercebidos
Tão perto e jamais se cruzam
Lágrimas fogem dos olhos
Fazendo a vez da alegria
A noite a engolir o dia
No Céu a Lua
Míngua transbordantemente
E é quando a gente percebe
Que nada
Exatamente nada
Necessita ser assim
Tão gritante ou eloquente
Quanto raios de Sol
Ou malhos do martelo
Desde que a gente aprenda
Que poder ser
Que lá na frente se arrependa
Por não ter compreendido
A beleza do poema simples e singelo
Está tudo no lugar, mundo perfeito
Pois
Está tudo
Exatamente onde devia estar
Antes que a gente
Mude tudo, pra melhorar
Perceba
Desde a enorme cegueira
Causada pela luz do Sol
Até a imensidão no ruído
Aprenda a enxergar tudo isso
E a vida
Surpreendentemente
Passa a fazer sentido.
Edson Ricardo Paiva.
"A pior cegueira é aquela Onde só se enxerga aquilo que quer ver e só vê aquilo que não quer. "
Edson Ricardo Paiva
"A pior cegueira é aquela Onde só se enxerga aquilo que quer ver e só vê aquilo que não quer. "
Edson Ricardo Paiva
Quem é você
Neste mundo imperfeito?
Uma boa pessoa
Carregada de virtudes
A personificação do bem
e ao mesmo tempo do bom
Uma alma tão boa
Que chega a destoar
do restante das gentes
Pessoa
Que não se encontra facilmente
Visivelmente superior
E que quando sente dores
São sempre maiores
Assim como melhores
São e sempre serão
As suas verdades
Suas vontades são sempre urgentes
E quando sobe o tom de voz
Talvez seja porque nós
Os demais
Somos sempre
Infinitamente incapazes
de compreender-te
Entre bilhões de galáxias
E outros tantos bilhões de planetas
E todas as almas
Que aqui passaram
Estão aqui
ou ainda vão nascer
Deus escolheu você pra guiar
O mundo que viu Generais
Cientistas e artistas
Reis e profetas
Pobres poetas
Cuja poesia você não perdeu
Seu tempo pra ler
Nenhum deles era
Tão perfeito quanto você
Um dia
O mundo há de reconhecer
A grande alma
E o talento que perdeu
Quando você se for
Você
Que ainda podia melhorar-se
Sempre que quisesse
Mas cujas qualidades
O mundo só reconhecerá ao perceber-te
Pessoa iluminada
Perfeita
Portadora de todas as verdades
E constantemente injustiçada
Que foi
É logico que um dia
Deus há de nos castigar tudo por isso
Mas nem de longe
Esse dia é hoje.
Edson Ricardo Paiva
Em algum lugar
Deve estar escrito
A quantidade dos passos
E também a de nossas preces
Com o tempo aprendi
Que não preciso me adiantar ou correr
Fatalmente
O mundo sempre gira mais depressa
Mas os caminhos contrários
Não podem favorecer-se
Tempestades ou brisas acontecem
Acostume-se a isso
A vida é um tanto efêmera
E sempre por demais incerta
Os volumes inconstantes
de tantos cântaros que existem
Carregam quantidades diferentes
de lágrimas a ser choradas
Mas todas elas serão tristes
Os dias se alternam
As nossas vontades tresvariam
branda ou intensamente
A mente alça voos
A lugares mais altos
Que os olhos alcançam
Nem sempre a verdade se cala
O silencio
Nos revela mais danos
Que enganos causados
Por milhões de mentiras bem contadas
Em algum lugar deste Universo
Alguém está contando
Quais e quantas elas são.
Edson Ricardo Paiva
Em algum lugar
Deve estar escrito
A quantidade dos passos
E também a de nossas preces
Com o tempo aprendi
Que não preciso me adiantar ou correr
Fatalmente
O mundo sempre gira mais depressa
Mas os caminhos contrários
Não podem favorecer-se
Tempestades ou brisas acontecem
Acostume-se a isso
A vida é um tanto efêmera
E sempre por demais incerta
Os volumes inconstantes
de tantos cântaros que existem
Carregam quantidades diferentes
de lágrimas a ser choradas
Mas todas elas serão tristes
Os dias se alternam
As nossas vontades tresvariam
branda ou intensamente
A mente alça voos
Por lugares tão altos
Que os olhos sequer alcançam
Nem sempre a verdade se cala
O silencio
Pode esconder mais enganos
Que os danos causados
Por milhões de mentiras bem contadas
Em algum lugar deste Universo
Alguém está contando
Quantas e quais elas são.
Edson Ricardo Paiva.
Uma brisa mais leve
Um breve pensamento
E talvez eu me lembre
Onde foi que perdeu-se o brinquedo
Da criança que um dia eu fui
Mas o tempo prossegue fluindo
Nesta vida da gente
Pouca coisa existe realmente
Portanto não vale a pena
Carregar lembranças tristes
Quando a fruta apodrece
A semente germina
E assim que termina
Algo mais acontece
Pois nem sempre uma queda
Fatalmente
Vai representar ruína
A gente pode sempre
Não lançar a pedra
Nem dizer palavra
Porém se não o fizer
Morrerá sem descobrir
Por que as coisas estão
Aqui e ali
E mesmo assim
Todos prosseguimos caminhando
A caminho de um fim
Porém
Ninguém afirmou, sem dúvida nenhuma
Que o nada
Realmente represente um nada
Creio
Que talvez seja difícil agora
Compreender a tudo isso
Mas prossiga tentando
Intuitivamente a gente sabe
Que não nos cabem certas perguntas
Pois, nem todas elas
Juntas e mescladas
Poderão um dia
Responder a qualquer coisa
Que seja pouco mais que nada
A paz tão procurada
E aquele brinquedo perdido
Que a lembrança carregou na leve brisa
Continuam sempre lá
Tudo, com toda certeza permanece
Escondido nas dobras do tempo
E o tempo jamais se esquece
Portanto
Se de fato nada existe
Pense que isto traz a conclusão
da impossibilidade
de realmente inexistirem
Afinal, você pensa
E é nisto que tudo consiste
E, se tristeza não há, então
Nada pode ser assim... tão triste
Edson Ricardo Paiva
Alma leve
Pensamento suave
Coração em paz
de repente a lembrança:
brinquedo esquecido
da criança que eu fui um dia
Sem querer algo me pesa
Uma certa tristeza
Vem sempre junto à saudade
e o tempo prosseguiu fluindo
Nesta vida da gente
Pouca coisa existe realmente
Pensamento é quase tudo
Portanto não vale a pena
Carregar lembranças que entristeçam
Quando a fruta apodrece
A semente germina
Uma coisa termina
Algo mais acontece
Pois nem sempre uma queda
Fatalmente
Quer dizer ruína
A gente pode sempre
Não lançar a pedra
Nem dizer palavra
Mas as coisas prosseguem
Estando aqui e ali
A vida rumando
A caminho de um fim
Talvez tudo simplesmente
Seja nada a caminho de nada
Porém
Ninguém afirmou, sem dúvida nenhuma
Que o nada
Realmente seja isso
Creio
Que talvez seja difícil agora
Olhar a tudo e compreender
Mas prossiga tentando
Intuitivamente a gente sabe
Que não nos cabem certas perguntas
Pois, nem todas elas
Juntas e mescladas
Poderão um dia
Responder a qualquer coisa
Pois a paz tão procurada
Quanto o brinquedo esquecido
Que a lembrança carregou na leve brisa
Continuam sempre lá
Tudo isso um dia a gente vai achar
Escondido nas dobras do tempo
Portanto
Mesmo que não sejam
Aquilo que imaginamos vazio
Precisa ser e estar
em equivalência com o Todo
O tudo e o nada
de forma a permanecerem
Perene e eternamente
Perfeitamente equilibrados
E é nisto que tudo consiste
Universo Perfeito
Alegria demais inexiste
e em contrapartida
nada pode ser assim... tão triste
Edson Ricardo Paiva
Pode ser que lá distante
Nem por isso tão longe assim
Pode ser que seja perto
Nem por isso diante de mim
Pode ser que em outra cidade
Seja algo que não se sabe
Mas somente desconhecemos
Até que nos contem
Pode ser em lugar distante
Porém, não assim...tão longe
Ou quem sabe
A gente até que conheça
A notícia de amanhã
de coisa ocorrida ontem
Assim vai passando a vida
A vida passando assim
A chuva que pode ser
Mas também pode ser que não chova
E pode ser que chova assim
Pode ser que a chuva nem caia
Pode ser que chova, sim
Porém, pode ser que não chova
Quem sabe ela caia em mim
Pode ser que a chuva desabe
Não nos cabe saber tanto assim
Pode ser que a chuva nem chova
Pode ser que me molhe, sim.
Edson Ricardo Paiva
Foge
pode ser que hoje chova
pode ser que chova, sim
também pode ser que nem chova
não nos cabe saber tanto assim
quem sabe
talvez hoje chova
e a chuva até molhe em mim
pode ser que a chuva desabe
talvez até chova, sim
pode ser que nada se mova
e talvez a chuva nem venha
mas não tenha certeza assim
Porém, pode ser que chova
olhe pro Céu, enxergue assim
enfim
se chove ou não chove
a vida se move assim
Edson Ricardo Paiva
O gosto do sal
Importa muito mais
que a qualidade
da importância que o conferimos
Nem tudo que a vida traz ou faz
Se percebe exatamente
Na hora em que acontece
Pensamentos vão surgindo
Pra poder ou não ficar
Nisso consiste
Um pouco do que a gente é
Não é tudo que pode ou precisa
Ser vivido, falado ou escrito
O lado bom
e realmente honesto da vida
É ter a consciência que a viveu
Tanto nos bons
Quanto nos maus momentos
Tentando sempre e pelo menos
Se manter em pé quando acabarem
Pois às vezes eles são exatamente inversos
E a vida engana por diversas vezes
Não é tudo que se acaba onde termina
Dai você vai perceber
que as maiores dores nascem
por haver grande alegria
A imaginária linha do tempo existe
e nada permanece
No lugar onde deixamos
viver pode ser
Sentir saudade
De lugares e pessoas
que há muito passaram
Prosseguir caminhando
Sem jamais acompanhar seus passos
pois, enquanto houver vida
Não saberemos
se correram à frente
ou simplesmente deixaram-se
ficar pelo caminho
de vez em quando os sentiremos
No carinho da brisa e no calor do Sol
Sonharemos com isso
Estando a alma acordada
É preciso fé pra prosseguir
Pois caminhamos cegamente
e ninguém sabe onde vai
Aqueles que jamais te olharam de frente
Serão os mesmos a te acusar
de não ter olhado pra trás
A vida é futuro, passado e presente
numa coisa só
Pouca coisa chega ao seu destino
do jeito que saiu do peito
Continue amando
Nesta vida
Nem você, nem as coisas
e nem mesmo a própria vida
Nada
Nunca sairá perfeito
A maior propriedade do ar
está no fato de existir e não ser visto
e é triste, muito triste precisar correr,
Pra perceber a existência
do que existe
E saiba que a forma inversa
Sempre vai estar lá também
Pra maioria das gentes
Muito pouco interessa realmente
Não enxergam nem mesmo
O que lhes vai à frente
O tempo caminha
numa linha, qual se fosse equilibrista
A vida, um malabarismo
O mundo uma fera
Que exige que você
Faça sempre um pouco além
daquilo que ninguém quer
Porém, todo mundo espera
Portanto
A resistência do ar
O gosto do sal
E o pobre domador que ninguém via
Um dia, fatalmente serão sentidos
Seja, no final da vida
Inverossímil, incrível e mirabolante
Enquanto inexistente
E mesmo que seja triste
Não faz mal
Plante flores que não vai colher
e as frutas que não vai ver
Viver
É escrever a poesia que ninguém vai ler
Além de você
as coisas são assim
Num instante e simplesmente
Haverá de ter passado
Acabou-se a vida inteira, só isso
A única pessoa
Que vai prestar contas por tê-la vivido
é você.
Edson Ricardo Paiva
Creio não ser bom sonhador
Apesar de ter sonhado algumas vezes
Isso me fez apenas parecido
Com outros que sonharam
E tantos que ainda sonham
Mas a semelhança com eles
não passa disso
Sonhei sem sonhar concreto
Incluindo em meus sonhos
A quem estivesse na lista
dos pronomes pessoais do caso reto
Sonhei dividir conquistas
Enquanto outros sonhavam sozinhos
Sonharam melhor e sonharam perfeito
Meus sonhos foram à esmo
Qualquer coisa além disso
São falácias e aforismos
Por outro lado
Apesar de não saber sonhar
de uma coisa eu sei
Sei que nunca fui bom em nada
Pois vivo num Mundo
Em que todo mundo é bom em algo
Enquanto alguns são bons em tudo
Eu consigo ser razoável
Em ser ruim
Por mim eu creio que basta
Perante tão vastas grandezas e talentos...
Me contento com a pouca beleza
E talvez curtos momentos de alegria
Que minh'alma singela
Porventura possa dividir
Botando cores nos dias
E pedindo a quem me ouça
Que coloque uma flor na janela
Abra sua bolsa
e dedique algumas moedas
À alguma fome que encontrar na rua
E que sonhem um pouco menos
Pra si mesmos
Pratiquem desprendimento
dividindo com a vida
Nem que seja
Um simples sorriso
Que alguém certamente precisa
Nunca fui bom sonhador
Acredito que nem sonho é
Tento não manchar ainda mais o mundo
Tão repleto de egoísmo
E é este o meu compromisso
Mas não sou muito bom com palavras
Portanto, eu não sei
Que nome se dá a isso.
Edson Ricardo Paiva
De vez em quando eu me vejo perdido
Acordo esquecido e descubro
Que despertei justamente no momento
Que os sonhos talvez revelassem
O dobro de passos acertados
Eu ouço o ponto de vista das paredes
Espero a voz da chuva
A cada dia uma coisa nova
A cada tarde a mesma coisa
De vez em quando eu me lembro
de um outubro esquecido
E percebo quanto tempo foi perdido
E sei que não sei
Tanta coisa que sabe Deus
Um dia eu pensei ter sabido
Edson Ricardo Paiva
"O Mundo é muito ruim
E a vida não é bonita
Deus é um cara muito distante
e não vê o que eu faço
nem sabe o que eu penso
hoje há de ser um dia
bem pior que ontem
não tenho nada pra agradecer"
E foi por pensar assim
Que passaram-se os dias
E muita gente parou no meio...
a vida seguiu sozinha
tornou-se vazia
Um dia o pano cai
mas a mente não muda
Os sonhos são varridos pela chuva
Os livros que foram lidos...esquece
agora as preces são apenas
pra que o dia não tivesse amanhecido
ou que o rio não tivesse passado
Em momentos assim
Saltam aos olhos as diferenças
Entre a mente aberta e a cabeça vazia
A vida da gente
Chega a ser inexistente
O presente é apenas
Algo que alguém desejou
A cortina se abriu
O rio correu
de gota em gota
pensamento em pensamento
palavra em palavra
o veneno transborda
e não existe outro veneno
pra curar ou ferir
Foi só abrir a janela pra saber
Que novamente não havia Sol
Pois o Sol que irradia mais forte
É o que brilha lá dentro da gente
O caminho tornou-se uma trilha
Perceba
Que as voltas do mundo
vão mudando tudo de lugar
E o passado Deus não muda
Perceba que a paz
não se resume a uma palavra
quem planta mentiras não colhe verdades
e quem semeia ilusão
há de colher desilusões.
Edson Ricardo Paiva
Margarida.
O ponto de mutação
Um canto de pássaro
Aquele traço profundo
Meus passos cada vez mais lentos
Quatro ventos
Quatro pontos
Quatro estações
Não sei em qual delas eu desço
desde o começo eu desconfiava
Que essa estrada
Não leva a lugar nenhum
Pressinto o quinto dos infernos
Resumindo tudo isso
Eu meço a distância
e concluo
a relevância do nada
E é nisso
Que tudo consiste
Sigo mudo e cego
Ouvidos ouvindo absurdos
A cada dia mais corretos
E cada vez menos lerdos
Á minha esquerda
Jaz a margarida
Quase apagada
Semi-desenhada na parede
Milhões de Céus
Bilhões de mundos
Eu no chão
É quando chego ao ponto
Porém este
de interrogação
Edson Ricardo Paiva
Evite escolher demais
Nunca chegue antes no lugar
Por medo de se atrasar
Um dia teus olhos
Haverão de perceber
Que tanto quem fez
Quanto quem não fez
Ambos
Não fizeram nada
Nada bom
Nada perfeito
Somente aquilo
Que ninguém queria feito
...além de ter feito errado
Mas isso você só vai saber
Quando tudo estiver pronto.
...e tudo estiver perdido
Cedo demais ou atrasado
O fato é
Que seria melhor não ter ido
Não importa quantos lugares
existem neste mundo
Um dia, pra você
Todos eles vão estar ocupados
Evite fazer escolhas
Nem se deixe ser escolhido
Viva a sua vida
Aprendendo sempre e todo dia
Mas procure esconder o que sabe
e chorar no escuro
e... se for pra sorrir
Sorria em lugar reservado
O mundo odeia quem sabe,
e despreza quem chora e quem ri
Evite ser odiado
Este mundo tem ódio
e desprezo demais
Procure não ser o culpado.
Edson Ricardo Paiva.
A tantas pressas que tive na vida
Tento entender meus motivos
A vida há de passar
E realmente passou
Hoje eu olho pros lados
daquilo que vivi
Não se revive um instante
Hoje
Simplesmente vivo
Não adianta correr de nada
Nem vale a pena se apressar
A gente nunca sabe onde começa
Não dá e nem recebe a devida atenção
Enquanto ali no meio
Mas por meio de alguma coisa
Um dia isso tudo termina
Já me entristeci
Por causa de muitas causas
Faço uma pausa pra pensar
Elas tinham morrido no início
Foi meu vício em tentar vivê-las
E minha pressa
Em crer em promessas
Que não me permitiu viver
Enquanto vivo
Hoje o meu viver
Tornou-se facultativo
E meu tempo
de comum acordo com a ciência
Continua sendo relativo
Portanto
Procuro não mais viver
Tentando causar alívio
O dia inicia e termina o dia
Enquanto isso
eu vivo.
Edson Ricardo Paiva
