Edna Frigato
Gosto dessa gente que no bem me quer de cada dia se despetalam totalmente e, ainda assim se mantém plenas e envolvidas docemente nessa aura de perfume.
Somos uma construção delicada, um mosaico de erros e acertos; vitórias e derrotas; lágrimas e sorrisos; encantamentos e frustrações; gritos e silêncios; dor e alegria.
É impossível amar o todo sem amar a parte, sem ser grato a cada um dos elementos que nos edificou, independente de serem eles bons ou ruins.
É impossível tirar um desses tijolos da nossa construção sem que todo o resto venha abaixo. É o conjunto das nossas partes que sustenta o todo. São os nossos erros e acertos que dão suporte e mantém de pé o edifício todo: o corpo, alma e coração.
Nunca achei que querer fosse poder. Muito pelo contrário, mas também nunca duvidei que querer seja o único veículo de transporte dos sonhos, a ponte que liga a impossibilidade ao plausível.
A vida não tem caminhos. A vida é o caminho e, somente caminhando é possível abrir espaços nessa vastidão que há em nós.
Não é novidade para ninguém que as mulheres falam mais que os homens. O que as pessoas não sabem é que elas possuem 30% mais que os homens da proteína responsável pela articulação da fala. Por isso, os bebês do sexo feminino começam a falar antes dos bebês do sexo masculino. Falar faz parte de uma necessidade biológica da mulher.
Se não fosse essa diferença biológica, ainda assim nós mulheres falaríamos mais porque nós temos um arquivo de uns 10 mil teras de memória. Até um olhar que o homem deu para vizinha às 14:59 numa terça-feira do dia 12 de maio 2000, nós lembramos, logo não há necessidade deles ficarem repetindo as coisas. Basta uma palavra e nós mulheres puxamos o arquivo completo.
Eu não tenho exageros, tenho vontades impulsionadas por uma determinação gigantesca que talvez você desconheça.
Se existe uma coisa que a vida não é, é justa e do seu aprendizado ninguém consegue fugir. Se você não aprendeu com leveza, vai aprender na porrada.
Às vezes, a gente não sabe que é borboleta e rasteja triste pelo chão, maldiz o isolamento do casulo, acha que a vida terminou ali, mas não terminou! Um belo dia a metamorfose acontece, a borboleta abre a asas e linda no seu esplendor de cores voa livre pelo céu.
Bola na trave não altera o placar
Viver é driblar as dificuldades, desviar-se do desânimo, superar as dúvidas e correr atrás do prejuízo;
Viver é esquivar-se do mau humor e dar uma goleada na tristeza;
Viver é caminhar no campo contrário com a ousadia de quem sabe que, enquanto houver jogo, é sempre possível virar o placar;
Viver é respeitar como craque a dor do adversário independente do time que você esteja representando, um dia você pode estar no lugar dele;
Viver é não se entristecer quando por algum motivo a vida te colocar para escanteio;
Viver é se conformar com as derrotas com a mesma maturidade que você recebe as vitórias;
Viver é manter os pés no chão com firmeza e matar, com coragem, a bola do sofrimento no peito;
Viver é o exercício constante de persistência mesmo que a torcida esteja contra ou principalmente quando ela está;
Viver é não se empolgar com os olés da galera e nem desanimar com as vaias;
Viver é fazer embaixadinha com a lágrima quando o peso de uma partida embaçar o nosso riso;
Viver é não desistir com o primeiro cartão vermelho da vida, mas aprender com ele a nunca entregar os pontos;
Viver é arte, é a troca constante de passes, é oferecer o seu melhor em campo mesmo que a única pessoa que esteja assistindo ao jogo seja a sua mãe;
Viver é treino, concentração e, sobretudo, superação;
Viver é a sabedoria de não contar com a prorrogação, pois pode ser que ela não aconteça;
Viver é aquela força que vem não sei de onde quando a única alternativa que a vida nos dá são os pênaltis.
Não conheço lugar mais seguro que o sorriso para se esconder a dor. Por mais que procurem nele, ninguém a encontra.
A humildade nos torna mais sábios. Não com a soberba dos que acham que já não têm mais nada a aprender, mas com a simplicidade dos que sabem que é sempre possível aprender algo novo.
