Caio Fernando Abreu

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Tem um poema da Florbela Espanca que diz assim: "As coisas vêm a seu tempo/ quando vêm, essa é a verdade". Um dia a coisa sai. E eu acredito no mecanismo do infinito, fazendo com que tudo aconteça na hora exata.

Dói e é incômodo. Vontade de não saber perdoar, de não ser compreensivo, tolerante — de não me contentar com o pouco.

Reconheço, estou em desequilíbrio, estou me distanciando cada vez mais. Faço este esforço até quem sabe alcançar um ponto tão remoto que não saberei jamais encontrar o caminho de volta, se existe um, e penso que não. Ao pé da escada ele me espera, braços abertos, parado sobre o tapete. Tem o peito largo, sinto, ao afundar de encontro a ele essa parte minha sem forma a que acostumei chamar de face, seus braços podem dobrar-se apertando minhas costas enquanto sinto seu cheiro, esse cheiro espesso de sal, algas, corais, medusas, águas-marinhas. Quero perder-me nele, como o que nunca terei... fecho também meus braços em torno de suas costas, aproximando-o de mim para que nossos dois corpos se confundam, para que nossos cheiros se misturem, para que pelo menos por um segundo sejam, eu, ele, uma coisa única...

Ando me preocupando demais por alguém que está longe de merecer qualquer tipo de afeto.

Existe sempre alguma coisa ausente.

Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como "Eu gosto de você". Gosto de mim.

Enfim, tenho agradecido por estar vivo e ter andado por onde andei e ter vivido tudo o que vivi e ser exatamente como sou.

(...) e é assim que cada dia começa: desejando que não tivesse começado, desejando viver no mundo dos sonhos, ou transformar meu mundo real num lugar que eu possa viver, não sobreviver.

Inserida por biancavasconcelos

Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara.

Não quero me tornar uma pessoa pesada, frustrada, amarga. Não vou me tornar assim.

Sempre fui um pouco áspero, fechado, sempre tive dificuldade de receber amor. (…) Na verdade, eu sempre precisei de afeto, só que antes eu não admitia.

Sossega, o que vai acontecer, acontecerá.

A única pessoa a quem devo dar satisfação é a mim próprio. Entenda isso.

Livrai-me de tudo que me trava o riso.

As coisas acontecem do jeito que acontecem e estão certas assim. Não me arrependo de nada. Mas de vez em quando passa pela cabeça um "ah, podia ter sido diferente".

(…) o inverno chegando depressa, um frio de rachar. Na alma mesmo.

Abaixo a razão e o pensamento! O negócio é só sentir, meu irmão, só sentir.

As coisas bonitas já não acontecem mais.

Mas de que adianta sair para festa e voltar para casa sempre com o coração vazio?

Não negue, apareça. Seja forte. Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto.

Já não sei quantas vezes eu disse que não voltaria atrás e voltei.

O ridículo é que só no chão você percebe que caiu. Então é tarde demais.

Eu tenho pedido força pra me lembrar de como é ruim sofrer por algo que já tá predestinado a dar errado e de como cansa tentar ser feliz sozinho, e cansaço da alma, meu bem, é pior que não poder dormir depois de várias raves e horas de viagem.

Até hoje eu não sei se o nosso grande problema é o seu apego idiota a sua liberdade, ou a minha bipolaridade maldita que na nossa história, de alguma forma, é abafada por essa sua escolha de ter a mim e ao mundo, sem abrir mão de nenhum dos dois. Também não sei se o que me prende tanto a você é justamente essa impossibilidade de sermos, finalmente, nós. Mas alguma coisa me prende, e me prende demais.

Pois hoje emergi calçando salto 15, ombros muito para trás, porte ereto e saia justíssima. Nariz arrebitado. Pisando duro. Pensam que vão acabar comigo? Nunca!