Bruno Ramalho
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poesia: há no que não está, está no que não é e é no que não há.
viver é herdar os mortos.
sem ter ido,
desde que fui
tenho sido.
escrever é entrar em casa.
ao norte, o medo de morrer,
não nos deixa perceber
que quem morre mata a morte.
amor que trata e cura
não tem tarja nem bula.
olhares anoitecidos
têm fome de horizonte.
entender que carrego segredos
que ainda não me revelei.
oferecer o ócio às saudades
e esperar que elas se deitem.
entender o que é preciso esquecer
para não ter mais saudade de mim.
amar para adoçar a vida
com sal escorrendo dos olhos.
o que me dói verdadeiramente nas espáduas é o peso de não ter asas.
ninguém cala a boca dos olhos.
haja poesia para tanta ferida.
que cada leitura do outro
faça de mim um novo escrito.
mudei o que me fez mudo e me fiz muda.
a conta não
fecha, se,
em um par,
um é ímpar.
fazer com que eu ame amanhã
quem serei ontem.
ilação
no lugar comum
de explicar por que escrevo,
não pretendo achar motivo
que, por outro,
já não se tenha dito:
escrevo só mesmo porque é bonito
e, assim, alento os meus dilemas;
escrevo porque,
embora sangrem mais,
as feridas doem menos
quando abertas em poemas.