António Prates

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Neste mundo há duas maneiras de não cabermos em lado nenhum: se formos demasiado grandes, ou demasiado pequenos.

Inserida por AntonioPrates

⁠Às vezes penso que poderia ter tido uma vida mais saudável. Fumo vinte cigarros por dia a pensar nisso.

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⁠Penso o mundo a circular
Com verdade e com justiça,
Quando me ponho a pensar
Junto ao tronco de cortiça.

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⁠As pessoas discordam cada vez mais porque entendem cada vez menos.

Inserida por AntonioPrates

⁠Qualquer amor pode durar um ano e trezentos mil euros.

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⁠Quem gosta de lambe botas tem o que merece.

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⁠No Natal o bem faz-se no pão, e o resto é circo.

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A inflexibilidade religiosa e o extremismo político nunca produziram bons filhos.

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O estado normal da Humanidade é a loucura e o resto é conversa.

Inserida por AntonioPrates

⁠De todas as vezes que me tentaram censurar as palavras acrescentei sempre mais uma, duas, ou três. Não por teimosia, por altivez, ou por sobranceria, mas apenas para tentar escutar o eco das palavras que ninguém me disse, mas que sempre escutei com gritos.

Inserida por AntonioPrates

⁠Tanto Abril, tanta fartura,
tanta falta de verdade,
onde a nova ditadura
não deixa de ter censura
pra quem não tem liberdade.

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⁠Alentejo, o velho truque
dos romanos ancestrais
dá-nos pão nos olivais
e o circo no Facebook.

Inserida por AntonioPrates

⁠Nem na grande filosofia
da cultura mais perfeita
haverá boa colheita
onde é grande a rataria.

Inserida por AntonioPrates

⁠Chegam as colheitas, arregaço as mangas,
a cresta, o simpósio de tantos afins;
colmeias perfeitas, abelhas sem zangas,
mais o Santo Ambrósio na Casa Martins.

A vida é dos fortes que assim se alimentam,
sem medo ou receio dos bons dias maus,
benditas as sortes, as lidas que aventam
um homem no meio de quarenta graus.

Na fruta madura, com risos e queixas,
subo ao escadote, meto mãos à obra,
em grande cultura apanho as ameixas
e faço um pinote com a força que sobra.

Depois a vindima, depois do granizo,
no fino entrelinho de parra alquimista,
pra baixo, pra cima, há sempre um sorriso
feliz é o vinho que dá Boa Vista.

Faço o que ninguém aqui quer fazer,
levanto a enxada a dois metros de altura,
e vou mais além, onde a terra quer,
desde madrugada nesta vida dura.

No contrabalanço sem logro, sem preço,
colho esta virtude vivida a retalho,
e pra ter descanso que também mereço,
só peço saúde, respeito e trabalho.

Inserida por AntonioPrates

⁠Cuidado com as abelhas que poisam em cima das colmeias.

Inserida por AntonioPrates

⁠Num mundo como este acho perfeitamente normal que as crianças chorem quando nascem.

Inserida por AntonioPrates

⁠Quanto mais me tentaram colonizar mais eu me senti inadequado para ser escravo.

Inserida por AntonioPrates

⁠Quando a festa é mais bravia
segue em frente e desarmado;
como é grande a valentia
na coragem de um forcado.

I
Hoje é dia de tourada
à velha moda portuguesa,
toda a praça é uma beleza
e os magotes dão chegada.
Vai começar a garraiada,
sobe a míni em euforia,
o descaramento da Maria
faz olhinhos para o moço,
o orgulho do que é nosso
quando a festa é mais bravia.

II
Ela entra e vai a trote
pra contemplar o grande artista,
quer fazer jus à conquista
com a pega e com capote.
E olha lá pró camarote,
o trompete é afinado,
ele num ar de avalentado
está ali de pedra e cal,
e quando entra o animal
segue em frente e desarmado.

III
Os amigos dão-lhe a mão,
a primeira é do mais forte,
outros mais vão dar-lhe sorte
e é tremenda a ovação.
Raspa o bicho pelo chão
a testar qualquer fobia,
entre o pó e a gritaria,
há arrojo e muita graça,
e os rapazes estão na praça,
como é grande a valentia.

IV
Chegou a hora anunciada,
cresce o touro em prontidão,
quando avança o valentão
entra o bicho em derrocada.
Ela toda entusiasmada
ele no touro encaixado,
grita o povo extasiado
a boa sorte do pegador,
e ela assina o seu amor
na coragem de um forcado.

António Prates

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⁠Quando um dia eu for poeira e for a minha despedida, tratem-me da mesma maneira que me trataram nesta vida.

Inserida por AntonioPrates

⁠Quem caminha por lugares
onde poisam aves raras,
hoje vê painéis solares
onde um dia viu searas.

Inserida por AntonioPrates

⁠A minha liberdade de expressão é limitada desde o tempo em que o meu pai dizia palavras que eu não podia dizer.

Inserida por AntonioPrates

⁠Onde há preconceitos não há paz nem justiça social.

Inserida por AntonioPrates

⁠O que canto em abundância
são retratos de saudade...
És a flor da minha infância
E um cartão de identidade.

I
Nas passagens do rossio
o colorido do ervado,
velhas eiras, algum gado
e cem anos de pousio...
Na riqueza do teu brio
eu vivi sem importância,
sem o vício da ganância,
no carinho do teu leito,
é sincero e por direito
o que canto em abundância.

Ii
Para sempre a minha escola,
o meu teste de memória,
professora dona Vitória
e mil sonhos na sacola...
Sua imagem me consola
num padrão de eternidade,
vi em ti a liberdade,
muita força e muito medo,
e as promessas dum brinquedo
São retratos de saudade.

III
Aquela imensa multidão,
as promessas arrojadas,
com pessoas encantadas
oferecendo a exaustão...
Boa-Nova e devoção
demonstrados na constância,
o teu povo em abundância
vê passar mais um petiz,
mas que hoje ainda diz:
És a flor da minha infância.

IV
És a página mais amena
no meu livro desfolhado,
o sentimento emocionado,
a nostalgia que me acena...
Neste abraço para Terena
há carinho e amizade,
e aquela fraternidade
que eu guardo de criança...
foste tu a minha esperança
e um cartão de identidade.

Inserida por AntonioPrates

⁠Eu bebo de qualquer maneira,
não me nego à diversão,
e durante a tarde inteira
só vou beber um garrafão.

I
Essa coisa do beber
vos conto meus amigos,
é este o destino que sigo
só para me entreter...
Já estou quase a ferver
por uma bela macieira
ou então uma bagaceira
daquela que não se fez,
bebo-a toda de uma vez,
eu bebo de qualquer maneira.

Ii
Essa é só a primeira
porque o vinho vem a seguir,
e o prazer do engolir
parece que tem cegueira...
A cerveja tem dianteira,
e o whisky, pois então,
bom é tê-lo sempre à mão
seja de noite ou de dia,
com um jarro de sangria
não me nego à diversão.

III
Bebo tal qual um leão,
não rejeito o absinto,
meus amigos, não vos minto
que é quase uma paixão...
pois bate-me o coração
por uma pinga de primeira,
penso só na bebedeira,
quase chego a estar morto
por uns litros do bom porto,
e durante a tarde inteira.

IV
O meu estômago é uma feira
de tanta mistura que faço,
desde o vodka ao bagaço,
do gin à aldeia velha,
bebo tudo o que me dá na telha...
Chego a não ter um tostão,
peço fiado na ocasião,
disso não me envergonho
e para provar o medronho
só vou beber um garrafão.

Inserida por AntonioPrates

⁠Entre trilhos e artérias,
neste terço da nação,
o Alentejo está de férias
desde o Tejo ao rio Vascão.

Inserida por AntonioPrates