Ana Gelma Lopes
Voz de Mulher
Somos muitas.
E mesmo quando tentam nos calar,
nossa voz aprende a nascer de novo. Somos as que caíram e também as que levantam outras mulheres do chão.
Somos cicatriz, mas também cura.
Num mundo que ainda insiste em nos ferir com o machismo, com o racismo, com o silêncio que tenta nos apagar, nós respondemos com existência.
Porque cada mulher viva é um ato de resistência.
Somos corpo, memória e luta.
Somos grito contra o feminicídio, contra a violência, contra todo medo que quiser nos prender.
Mas somos também poesia, ternura, inteligência, ancestralidade e futuro.
Quando uma mulher levanta a voz, outras mil encontram coragem.
Esse assunto é longo e com camadas, só queria expressar um pouco meus pensamentos soltos.
E assim seguimos de mãos dadas, de pé e vivas.
Porque ser mulher não é apenas existir.
É resistir, florescer e transformar o mundo.
Sigo aqui…
Inteira nos meus pensamentos, num sábado qualquer que carrega mais verdade do que muita gente por aí.
Abril passa, o tempo passa e eu?
Eu fico mais afiada, mais consciente, mais dona de mim.
Quanto mais eu envelheço, menos tolerância eu tenho pra drama barato.
Minha cota acabou e sem chance de reposição.
Hoje eu não discuto, não explico, não insisto.
Eu simplesmente me retiro.
Em silêncio, com classe, porque quem complica o simples não merece nem o meu cansaço.
Tô numa fase perigosa pra quem não soma. Seletiva, tranquila e completamente em paz com minhas escolhas.
Prefiro meu canto, minha taça de vinho e gente leve porque problema a vida já serve.
E eu não repito prato sigo nos pensamentos soltos.
