Ana Gelma Lopes
Voz de Mulher
Somos muitas.
E mesmo quando tentam nos calar,
nossa voz aprende a nascer de novo. Somos as que caíram e também as que levantam outras mulheres do chão.
Somos cicatriz, mas também cura.
Num mundo que ainda insiste em nos ferir com o machismo, com o racismo, com o silêncio que tenta nos apagar, nós respondemos com existência.
Porque cada mulher viva é um ato de resistência.
Somos corpo, memória e luta.
Somos grito contra o feminicídio, contra a violência, contra todo medo que quiser nos prender.
Mas somos também poesia, ternura, inteligência, ancestralidade e futuro.
Quando uma mulher levanta a voz, outras mil encontram coragem.
Esse assunto é longo e com camadas, só queria expressar um pouco meus pensamentos soltos.
E assim seguimos de mãos dadas, de pé e vivas.
Porque ser mulher não é apenas existir.
É resistir, florescer e transformar o mundo.
Sigo aqui…
Inteira nos meus pensamentos, num sábado qualquer que carrega mais verdade do que muita gente por aí.
Abril passa, o tempo passa e eu?
Eu fico mais afiada, mais consciente, mais dona de mim.
Quanto mais eu envelheço, menos tolerância eu tenho pra drama barato.
Minha cota acabou e sem chance de reposição.
Hoje eu não discuto, não explico, não insisto.
Eu simplesmente me retiro.
Em silêncio, com classe, porque quem complica o simples não merece nem o meu cansaço.
Tô numa fase perigosa pra quem não soma. Seletiva, tranquila e completamente em paz com minhas escolhas.
Prefiro meu canto, minha taça de vinho e gente leve porque problema a vida já serve.
E eu não repito prato sigo nos pensamentos soltos.
Zombie paradoxo humano
O maior paradoxo da humanidade talvez seja evoluir tanto intelectualmente, enquanto continua falhando emocionalmente.
A música "Zombie", da banda irlandesa The Cranberries foi escrita por Dolores O' Riordan em 1994 pela vocalista.
Ela expressa sobre dor, a violência e as consequências dos conflitos armados na Irlanda do Norte, especialmente após o atentado do grupo IRA que matou duas crianças inocentes na Inglaterra.
A música é um desabafo contra o ciclo de ódio e violência que parecia nunca acabar.
A letra escrita em 1994, continua atual porque mostra como a violência e o ódio seguem atingindo pessoas inocentes.
O termo "Zombie" demonstrou na letra pessoas que vivem presas à raiva, ao trauma e a violência, quase como se estivessem "mortas por dentro". Como se estivesse repetindo guerras e conflitos sem consciência do sofrimento causado.
A letra reflete ao retrato da humanidade, ela nasceu nos anos 90, porém poderia ser escrita hoje. Me trouxe a reflexão que em pleno 2026, que ainda convivemos e o mundo infelizmente, ainda presencia guerras, ataques, discursos de ódio, violência nas redes sociais, conflitos políticos, religiosos e sociais.
Se observar, mudou o cenárario da situação anos 90 comprado ao hoje, mas a dor humana continua muito parecida.
Um mundo dividido por intolerância, pessoas emocionalmente destruídas por conflitos que muitas vezes nem escolheram viver.
É aquela velha conexão funcional, que a música não fala apenas de um fato específico, porém da repetição histórica da violência humana.
É uma música que revela o paradoxo de uma sociedade que aprende sobre a paz, porém continua produzindo guerra.
Memórias olfativa e afetiva.
Hummmm cheirinho de café e junto dele uma panqueca doce cujo o nome que minha mãe chamava era "bruaca".
Tem lembranças que moram no cheiro da cozinha…
No barulho do café passando, na mesa simples, no cuidado de mãe servindo tudo quentinho.
A “bruaca” talvez nem fosse só uma comida… era carinho em forma de receita.
E o mais bonito da nostalgia é isso: às vezes a infância volta inteira através de um sabor.
Minha mãe fazia bruaca pra mim e meus irmãos comer com café… e sem perceber, ela estava criando memórias que hoje aquecem o coração.
