Ausência
O que faz de alguém um seguidor de Jesus não é a ausência de falhas, mas a coragem de admitir que precisa, a cada instante, de um Salvador.
O maior escândalo não é a ausência da Bíblia no púlpito, mas sua presença nas mãos de quem distorce o Evangelho.
O grande drama da igreja contemporânea não é a ausência de fervor, mas a profundidade de sua ignorância. Estamos erguendo uma geração de corações inflamados por uma paixão superficial, cujas mentes permanecem vazias da verdade bíblica. Eles professam um amor ardente por um Jesus que, na realidade, desconhecem, pois adoram um reflexo de suas próprias imaginações, e não o Cristo revelado nas Escrituras.
A cura bíblica não é a ausência de cicatrizes, é a presença do Redentor reescrevendo o significado de cada uma delas.
A decepção não é a ausência do cuidado de Deus, mas o colapso dos nossos ídolos; um esvaziamento necessário das expectativas humanas para que sejamos preenchidos pela graça divina.
A Estranha Geometria da Ausência
Existem pessoas que a gente assume como parte da paisagem. Como a poltrona velha da sala, o barulho da chuva no telhado ou o cheiro de café passado às sete da manhã. Não precisamos olhar diretamente para saber que estão lá; elas apenas ocupam o espaço, garantindo que o mundo permaneça em ordem.
Ela era essa presença. A única que esteve lá o tempo todo.
Na mudança de apartamento, ela carregou as caixas mais pesadas não as de papelão, mas as da alma. Nas noites em que a ansiedade vinha, era a luz constante no fim do corredor. Conhecia minhas piadas sem graça e suportava meus silêncios de homem de poucas palavras, aquele mutismo típico de quem tenta resolver o universo sem usar verbos. Ela não cobrava explicações; apenas ocupava o espaço, segura.
Sempre achei que, se tudo ruísse, ela ainda estaria ali, segurando a última viga para que eu não fosse soterrado. Acreditava piamente na perenidade daquela âncora.
Mas a vida tem um jeito irônico de nos ensinar sobre a efemeridade. A pessoa que mais permaneceu foi a primeira a encontrar a porta de saída.
Hoje, quando chego em casa, a poltrona está no mesmo lugar, o café ainda tem o mesmo cheiro, mas o ar... o ar está leve. Leve demais. A ausência dela não é um grito, é um sussurro contínuo, uma frequência de rádio fora do ar que eu ainda tento sintonizar.
A única pessoa que esteve lá o tempo todo, é a única pessoa que não faz parte mais da minha vida.
Olho para o lado e há um vazio inabitado. Aprendi, da maneira mais seca possível, que presença não é garantia de permanência. E que o silêncio dela, agora, fala mais alto do que qualquer "adeus" que eu jamais ouvi. O tempo segue, as coisas mudam, e eu, um homem de poucos verbos, me vejo tentando aprender a gramática da solidão.
A dor causada pela ausência de qualquer ajuda é traumatizante, mas vencer sozinho é uma das maiores bênçãos que Deus pode nos ensinar.
Há quem possua inteligência superior à dos grandes filósofos da Antiguidade, mas a ausência de busca pelo saber o rebaixa ao nível de um ignorante munido de alguma informação.
Inversão dos valores éticos e morais.
sensatez ganha moldes fakes news.
Dando ausência ao valor da sensatez.
Baseando em achismo e novas verdade dentro das meias verdades.
Moralidade e corrompida pelas correntes dos rumores de novas crônicas da desconexão da realidade.
Essa vertente faz divisão entre linhas de pensamentos sendo sensatez ser sábio e obediente ao sistema de alienação.
A escravidão desconectou o ser pensante da realidade ambígua.
Tão ocupados que cegueira a surdez fazem parte da evolução dão dominação onírica da alienação social.
" A ausência não educa o coração de ninguém. Ela apenas revela o que já está nele. Quem valoriza, percebe. Quem não valoriza, acomoda-se. "
ENTRE DOIS AMORES, O RASGO INVISÍVEL DA ALMA.
Há uma dor que não nasce da ausência, mas do excesso. Não é a falta que dilacera, mas a coexistência de dois afetos que se recusam a morrer dentro do mesmo coração. Amar dois seres é habitar uma encruzilhada onde cada passo é uma perda irreparável.
O rompimento, nesse cenário, não é apenas uma decisão. É uma amputação íntima. Ao escolher, não se abandona apenas alguém. Abandona-se uma possibilidade de si mesmo. Uma versão da própria existência que jamais se cumprirá. E isso pesa. Pesa como aquilo que poderia ter sido e não foi.
Entre dois amores, não há inocência. Há consciência aguda. Cada gesto torna-se cálculo moral. Cada silêncio, uma confissão. A alma divide-se entre o dever e o desejo, entre o que acalenta e o que incendeia. E, no instante da ruptura, nenhum dos lados vence. Ambos deixam marcas.
A dor que surge não é simples saudade. É uma espécie de eco contínuo. O amor que permanece não desaparece. Ele se recolhe, torna-se subterrâneo, mas continua a existir como uma presença velada, insistente, quase espectral. E aquele que parte carrega consigo duas ausências. A de quem deixou e a de quem nunca poderá ser plenamente.
Há, porém, um rigor inevitável nesse processo. A vida não sustenta indefinidamente duas verdades afetivas em conflito. Em algum momento, a realidade exige unidade. E essa unidade cobra um preço. Romper é aceitar esse preço sem garantias de alívio imediato.
Com o tempo, a dor não desaparece. Ela se reorganiza. Deixa de ser ferida aberta e torna-se memória estruturante. Ensina sobre limites, sobre responsabilidade emocional, sobre a gravidade de envolver destinos alheios em nossas próprias indecisões.
E talvez a compreensão mais difícil seja esta. Amar, em sua forma mais elevada, também exige renúncia. Não apenas do outro, mas de si mesmo enquanto centro absoluto do desejo.
Porque entre dois amores, não se escolhe apenas quem fica.
Escolhe-se quem se terá coragem de perder para sempre.
A CATEDRAL DAS AUSÊNCIAS.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
Nas naves do crepúsculo sombrio e profundo,
Velava meu espírito num claustro fecundo.
A saudade erguia seu véu de marfim,
Tecendo silêncios sem princípio ou fim.
Teu nome, relíquia de um tempo perfeito,
Habitava as criptas secretas do peito.
Qual lâmpada antiga de fulgor celeste,
Ardia nas brumas que o destino reveste.
A noite derramava seu manto de ametista,
Sobre a melancolia de minha alma mista.
E os astros, em coro de expressão sidérea,
Cantavam tua graça na amplidão etérea.
Percorri catacumbas de memória e paixão,
Buscando teus vestígios na desolação.
Mas somente encontrei, sob a sombra dispersa,
A liturgia muda de uma dor submersa.
Os lírios pendiam na neblina invernal,
Como páginas frágeis de um missal espectral.
E cada pétala morta que tombava ao chão,
Era um verso perdido da nossa afeição.
Contudo, entre ruínas de severa grandeza,
Floresceu uma estranha e magnífica beleza.
Pois o amor que atravessa a distância e o abandono,
Transforma o sofrimento em áureo trono.
Agora contemplo o horizonte distante,
Com olhar resignado e coração constante.
Porque certas partidas, embora fatais,
Convertem-se em jardins espirituais.
E se a eternidade ocultar teu semblante,
Guardarei tua essência em relicário vibrante.
Pois quem ama verdadeiramente, sem temor,
Faz da própria ausência uma forma de amor.
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" Tu te tornaste uma ausência com nome. Uma ausência com perfume. Uma ausência com olhos. Cada silêncio teu é um sacramento sepulcral. "
Não há Ausência de Paz mais contraditória que sugerir ceder às chantagens a pretexto de Pacificação.
Não há ausência de sentimento maior e mais medonha do que a dos que se atrevem a julgar o sentimento alheio.
Há uma estranha soberba em quem se coloca como árbitro da dor do outro, como se emoções fossem fatos mensuráveis, passíveis de perícia tão gélida.
Julgar o sentimento do outro é, antes de tudo, ignorar a vastidão invisível que cada pessoa carrega — histórias não contadas, cicatrizes que não se exibem, batalhas travadas no silêncio.
Quem invalida o sentir alheio, muitas vezes, não o faz por força, mas por ausência — ausência de empatia, de escuta, de profundidade…
É mais fácil desqualificar do que compreender; mais confortável rotular do que acolher.
Afinal, reconhecer a dor do outro exige, inevitavelmente, encarar as próprias limitações emocionais.
Mas sentimentos não obedecem à lógica dos tribunais.
Eles não precisam de provas, tampouco de aprovação.
Sentir é, por si só, um ato muito legítimo.
E cada emoção, por mais incompreensível que pareça, nasce de um lugar real dentro de quem a vive.
Talvez a verdadeira humanidade resida menos em explicar o que o outro sente e mais em respeitar que ele sente — mesmo quando não entendemos, mesmo quando não concordamos.
Porque, no fim, a maior pobreza não está em sentir mais ou sentir menos, mas em sentir tão pouco a ponto de negar a existência do sentimento alheio.
