Às Vezes
Você pode errar mil e uma vezes, mas se for paciente, vai ter a chance de cometer o erro de número mil e um.
Há vezes que acho que no ponto de vista científico a humanidade foi um grande erro de cálculo, sua existência é totalmente acidental e super estimada. Não somente somos desnecessários para o planeta, como somos péssimos hóspedes, a possuir a mais fantástica habilidade de construir e que por fim, vota pela destruição. Do ponto de vista religioso, fazer o que né? Deus vê potencial no ser humano, por isso ele é Deus e e eu sou um cara comum que só consegue ver o quanto desperdiçamos nosso potencial.
Muitas vezes, elevamos o pensamento até a reflexão. E ela nos alcança em lugares improváveis, até. Certa vez, estava eu em um ônibus vazio, avistei dois casais. Um era formado por dois jovens que pareciam ter brigado, e o outro era de dois idosos que pareciam estar juntos a décadas. Notava-se ali a voracidade do tempo. A beleza efêmera e passageira, em mãos um pouquinho enrugadas e cuidadosas que seguravam uma a outra, se dispuseram assim por todos os anos de suas vidas. Os jovens notaram aquilo, se olharam e mantiveram silêncio. E mesmo assim a mensagem parecia ter alcançado o coração.
As coisas de momento passam, mas sempre terminariam ali, como aquele casal de idosos que ainda se namoravam como na primeira vez.
A ausência de felicidade nem sempre significa a presença de tristeza, as vezes, é só ausência de felicidade. É não saber o que se é.
Pessoas ficam no mesmo trabalho por anos, as vezes décadas, somente pelo comodismo. Sentem que não vão arranjar coisa melhor, que não possuem capacidade para serem felizes em outro lugar, e assim o tempo passa. Ah, isso também se aplica ao amor.
As vezes cumprimos certos "sacrifícios" dignos de um super herói. Infelizmente jamais entrarão no conhecimento de todos. O único expectador dos meus feitos, sou eu.
Perdi as contas de quantas vezes pensei que morreria.
Mas então raiou o dia
E eu estava de pé outra vez.
Confesso que não defini com clareza o papel da memória.
Muitas vezes uma aliada fiel, e em outras uma ingrata companhia.
Lembrei-me do fogão aceso um pouco antes de sair, imagine o tamanho do estrago se não lembrasse. Dentro de um ônibus lotado, reconheci um rosto familiar, uma amizade da infância que me fez recordar ótimos momentos, e acredito que seria muito fácil não reconhece-lo na correria da vida. Chegando no meu destino, lembrei que precisava passar no mercado, e que antes da meia noite, tinha que felicitar meu tio pelo aniversário.
Uma grande aliada minha, a tal da memória.
Até colocar a cabeça no travesseiro, e ela me recordar alguém do passado, como vinha fazendo todas as noites antes de dormir.
Então me perguntava se a saudosa memória era mesmo uma amiga.
As vezes, gostaria de ter uma mente mais supersticiosa, que me deixasse voltado a pensamentos improváveis como se fossem possíveis. Infelizmente uma mentalidade muito lógica inevitavelmente é quase mecânica. A razão é naturalmente mais fria.
Às vezes, a gente fica tão focado naquilo que perdeu que acaba não dando chances para o que virá.
Os livramentos acontecem silenciosamente, a todo instante, e mesmo sem compreender, é preciso confiar.
Acreditar que algumas perdas não são prejuízos, e sim bênçãos disfarçadas.
Obrigado Senhor por ter mais do que mereço.
Às vezes, ficamos remoendo erros do passado porque pessoas que deviam nos ajudar não nos deixam esquecê-los.
