As poesias mais Bonitas do Mundo
Dia - 17: Onde posso encontrar meu lugar de pertencimento hoje?
- Eu pertenço ao mundo com minha voz e pele.
- Eu pertenço onde meu gesto encontra reciprocidade.
- A pertença dá abrigo e lança futuro.
- A pertença firma no solo da vida.
- A pertença nutre e enraíza.
- A pertença torna responsável pelo cuidado.
- A pertença permite crescer com outros.
Tu és a fonte, o início e o caminho,
O colo que sustenta o mundo inteiro,
Pois onde houver um gesto de carinho,
Ali se faz o teu altar primeiro.
Tu és Maria, Ana, Paula, Julia,
Tu és quem ama, quem cuida e quem guia,
A luz que vence qualquer noite escura
E transforma o cansaço em poesia.
És a raiz que nutre a esperança,
O porto seguro em mar de incerteza,
Trazendo no olhar a paz da confiança
E no coração a maior das riquezas.
Não importa o nome que a vida te dê,
Ou a trilha que o tempo insista em traçar,
O universo se curva para entender
A força infinita que existe em amar.
O problema de enxergar demais
é perceber que quase todo mundo
vive atuando uma versão editada de si.
Como se a alma tivesse assessoria de imprensa.
Cara n sei real
Olho para os lados e vejo novamente o mundo escurecendo,
Já estive por aqui antes,
Já vaguei anos só pela escuridão.
Já vaguei por aqui anos só!
Depois de anos a vagar, encontrei minhas luzes, e esqueci como era o escuro.
Mas de repente sinto-me aproximando novamente da escuridão.
Sinto que estou perdendo aos poucos eles, meus amigos, meus pais, meus parentes e a pessoa que eu amo.
E o pior sinto-me perdida.
Vagarei pelo vale da sombra da morte novamente e desta vez completamente só, completamente perdida, cega.
Me acostumei tanto com a luz que eu temo ver novamente a escuridão
Guarda isso
Em um mundo onde as conversas andam rasas e apressadas, falar “por muito” com quem você ama é quase um abraço na alma. Às vezes não é nem sobre resolver algo… é só sobre sentir que a conexão ainda existe. ❤️
Há momentos que o mundo nos educa pelo silêncio.
Não te chamaram? — isso já fala por si.
Não te contaram? — o silêncio, às vezes, é mais eloquente que qualquer discurso.
Mentiram para você? — toda mentira revela muito mais sobre o mentiroso do que sobre quem a escuta.
Não te incluíram? — há portas que, por sua própria miséria, não merecem ser abertas.
Não te responderam? — insistir pode ser um desperdício da tua energia vital.
Segue, então, ao lado daqueles que reconhecem teu valor e se alegram com a tua ascensão.
E, se faltarem tais companhias, escolhe a presença rara de ti mesmo:
a solidão instrui; a inveja corrói.
Veja o mundo
com olhos que ainda sabem sonhar.
Nem tudo é dor,
mesmo que às vezes a tristeza fale mais alto.
Há beleza escondida
no nascer do sol,
na chuva tocando a janela,
no abraço que chega sem aviso.
O mundo também é feito
de recomeços.
De pessoas tentando sobreviver
às próprias batalhas em silêncio
Helaine machado
A busca na noite e a força do amor
nas fendas do rochedo, onde o mundo nos procura, é lá que a nossa voz se torna suave e a nossa figura é vislumbrada em sua máxima pureza.
Ser sensível não é fraqueza, é habilidade de sentir o mundo além da superfície, é perceber dores escondidas e amores silenciosos, é ser intensidade pura em um corpo limitado,
e isso, por si só, é superpoder.
A maior resistência em um mundo feito de guerra fria e navalhas é o músculo tenro da ternura, ela é a revolução mais difícil, a bandeira branca erguida com
a força de um soco.
Aprendi que solidão não é castigo, é ferramenta. É na distância do mundo que a consciência afia sua própria lâmina. E com ela, cortamos ilusões que sempre nos mantiveram presos. A liberdade começa quando deixamos de ter medo de
estar conosco.
O mundo passa com pressa e leva pedaços da gente como folhas ao vento. Resta um bilhete amassado no bolso: “sobrevivi por pouco”.
Não é glória, é quase legenda de uma fotografia torta, mas serve para lembrar que ainda posso olhar e contar.
Há amores que não partem, apenas se retiram do mundo visível, recolhendo-se às fissuras mais íntimas da alma, onde permanecem como um eco teimoso que o tempo não consegue dissolver. A saudade, então, deixa de ser ausência e se torna uma presença densa, quase palpável, feita daquilo que não se pode mais tocar, mas que insiste em existir com uma força silenciosa. Trago em mim os vestígios do que fomos, vozes que já não soam, sorrisos que o tempo apagou, promessas que agora repousam como ruínas dentro da memória.
E nesse vazio paradoxal, onde tudo falta e ao mesmo tempo transborda, compreendo que amar nunca foi possuir, mas resistir à permanência daquilo que se perdeu. Porque há histórias que se encerram no mundo, mas se recusam a terminar dentro de quem aprendeu a sobreviver carregando eternidades em forma de dor.
- Tiago Scheimann
24 Prelúdios, Op. 28, de Frédéric Chopin.
Naquela noite em Valldemossa, o mundo parecia ter sido reduzido ao som da água.
O mosteiro respirava um silêncio antigo, quebrado apenas pelo insistente cair das gotas — como se o céu, cansado de sustentar seus próprios pesos, decidisse chorar sobre a pedra fria. Dentro de um quarto úmido, Frédéric Chopin não dormia. O corpo frágil repousava, mas a alma permanecia desperta, inquieta, à beira de algo que não se pode nomear.
Dizem que a chuva o atravessou.
Não por fora — mas por dentro.
Cada gota que tocava o telhado encontrava eco em seu peito, como um pulso repetido, uma lembrança que se recusa a morrer. E então, entre a febre e o silêncio, ele viu — ou sentiu — a si mesmo afundando lentamente em um lago escuro, onde o tempo não corre, apenas escorre.
Gota.
Gota.
Gota.
Não era mais o mundo que chorava.
Era ele.
Quando George Sand voltou, encontrou um homem que já não estava inteiro. Havia nele algo que tinha ficado naquela água imaginada, submerso entre sombras e sons. Mas sobre o piano, quase como um reflexo involuntário da dor, nascia uma sequência de notas que insistiam em cair — sempre a mesma, sempre igual, como se a música tivesse aprendido a imitar a chuva… ou a memória.
Ele negaria depois.
Diria que não era chuva.
Que não havia gotas.
Que a música não descreve, apenas existe.
Mas há verdades que não pertencem ao compositor — pertencem ao abismo de onde a música vem.
E naquele prelúdio, escondido entre luz e tempestade, ainda é possível ouvir:
não a chuva do céu,
mas a que cai dentro de alguém.
- Tiago Scheimann
A felicidade é um ato de resistência política e espiritual contra um mundo que lucra com a nossa angústia e que se alimenta da nossa sensação de incompletude constante. Sorrir diante do abismo é a forma mais refinada de protesto, pois prova que o espírito humano possui uma fonte de luz que nenhuma treva externa é capaz de sufocar totalmente. Que a nossa alegria seja profunda e fundamentada na lucidez, nunca na ignorância, sendo o farol que guia outros náufragos para a praia da dignidade.
- Tiago Scheimann
O momento mais devastador não é quando o mundo te quebra, mas quando você percebe que a pessoa gentil que você costumava ser morreu nas mãos de quem você mais amou, e agora, no lugar dela, resta apenas uma carcaça fria que sorri para o próprio desastre enquanto enterra, em silêncio, os restos do que um dia foi o seu coração.
- Tiago Scheimann
Existe uma coragem que o mundo não vê, que reside no ato de levantar todos os dias sem saber se o sol brilhará para nós, mas indo ao encontro dele de qualquer maneira. O progresso, muitas vezes, é invisível aos olhos apressados, ele se manifesta nas pequenas decisões de não se render à apatia. Não sou feito apenas de acertos, sou um mosaico de tentativas frustradas e recomeços audazes que me tornam alguém real em meio a tantas máscaras de gesso.
- Tiago Scheimann
Tem gente que carrega o mundo nas costas e ainda encontra força para tocar. O piano não reproduz apenas melodias, ele revela saudades, cicatrizes e verdades que o coração guardou em silêncio. O pianista aprende cedo que a vida nem sempre oferece descanso, mas ensina sensibilidade e coragem. Porque existem dores que ninguém entende, apenas quem transforma solidão em música e sofrimento em arte. E no fim, entre notas, lembranças e emoções, permanece de pé aquele que nunca deixou sua essência desaparecer.
- Tiago Scheimann
Quando o mundo parece ruína, lanço sementes de promessa nas fendas do concreto. Não me contento com o “menos-mal” trabalho para que o bem floresça realmente.
Minhas palavras são pontes, não muros, para que o outro encontre abrigo e seja visto. A cada gesto, reivindico a grandeza que habita no simples, um olhar, um toque, uma ponte. No silêncio que resiste, descubro a força de quem escolhe erguer, em vez de apenas sobreviver.
Obrigada pai, pela chuva que cai
Um pássaro a planar lindamente pelo ar.
Lá fora, existe um mundo real; e aqui dentro, um surreal.
De repente, uma conexão, projeção, por sob meus olhos e coração.
Como naquele dia em meio aos prantos, o céu estava lá para me confortar, aquelas todas estrelas a me iluminar. E sua presença a chegar.
(Poema para Deus)
