As Pessoas Sao como Ondas
Noites de infância
Lembranças que não são nem minhas
Crianças tem o poder
De volta e meia
Alegrar-se de alegria alheia
Janela da varanda
Noite, lanternas, neblina
A luz do mundo é uma vela acesa
Gente conversando
Sob as luzes do poste da esquina
Conversa que não dá pra ouvir
Eu na varanda
Esperando pai que não chega
Quando a mãe manda ir dormir
E quando mãe manda, ela manda
Mais outro dia
Menos um dia de infância
Noite quente
Amanheceu
E o pai já foi trabalhar
Vou esperar outra noite, ainda
Pois criança tem essa maneira, muito linda
Volta e meia
Ficar triste de tristeza alheia
Sentir tanto medo do inexistente
A ponto de não perceber
Que realmente ele existe.
Edson Ricardo Paiva.
Existe tanta coisa nesta vida
Enquanto eu a tenho uma só
Escolhas são sempre as nossas
Portanto eu não posso perder meu tempo
Reclamando da imperfeição na paisagem
Quando eu sei que é uma viagem só de ida
E nada se deixa e nada se leva
A não ser saudade
Tudo mais não me pertence
Aquilo que tens hoje ao teu redor
Não o olhe como a uma conquista
Pense que são como estrelas
Assim como eu, todos podem vê-las
Sem jamais tocá-las
Pense no presente como uma lembrança
Uma fotografia de um tempo
Em que havia ou não havia esperança
A vida é algo tão breve
E não há ninguém que leve nada
Não vou desperdiçá-la sentindo medo
Não tenho direito de me queixar
Se o limão era azedo
Quando ele esteve em minhas mãos
e sei que deixei ficar passado e amargo
Hoje eu não trago mais nada comigo
Além daquilo que possa sempre carregar
Pois eu tenho o mundo todo
Sabendo que nenhum lugar me pertence
Vivo o presente agora
Sem chorar passado e nem futuro
O tempo jamais esteve ao alcance da vista
Diferente das estrelas, que eu posso ver.
Edson Ricardo Paiva.
O Labirinto da Alma.
As coisas
Elas sempre são
do jeito que as coisas são
Pode até parecer-te redundante
Mas é algo a entender no final
Interessante é o sentido
Intenso
E que de alguma forma
Você sempre procurou
no ruído do silêncio
A lava incandescente
Que você pensa escondida
Sob a paz aparente da rocha perene
A estrela na ponta dos dedos
E em segredo reluz, lá no Céu
A alma humana é um lugar
Um labirinto que esconde
As peças de um quebra-cabeças
Que ninguém jamais
Poderá montar
ou remontar completamente
Simplesmente porque as peças
Já estavam no lugar desde o início
Mas você
Na sua ânsia pela vida
As espalha
Pro depois declará-las perdidas
É por isso
Que desde o tempo da infância
Tem gente que fala
E tinha a gente, que não entendia
de que havia muita coisa
Pra aprender com as crianças
A máxima desse paradoxo
É que só depois
de percorrer o labirinto
A gente percebe as informações
Que por parecerem redundantes
A gente deixou passar
Pra mais tarde descobrir
Que a chave da porta
Sempre esteve no mesmo lugar
dentro das nossas casas
Mas a imaginação
Com suas impiedosas asas
Nós leva a pensar
Que estavam lá no quintal
E são infinitos
Os quintais existentes no mundo
E imensos portões
Que admitem apenas a saída
Uma vez a pedra lançada
A alma arrependida
Lição aprendida
Não há que fazer mais nada
Após a palavra falada
Pois as coisas, elas são
do jeito que as coisas são
Um dia uma dor aborrecida
Vem doer dentro do peito
Mas veja que você
Só vai perceber lá no final
A oportunidade que foi perdida
Nem que seja o final da vida.
Edson Ricardo Paiva.
A razão da vida
São as diferenças
Vivemos distraídos
Em prol de quem pensa igual
O grande mal da vida da gente
É que morremos sem ter conhecido
A opinião de quem pensa diferente
Ou que tenha outra crença
Ou que se mostre propensa
A discordar da gente
Vivemos querendo agradar
E querendo ser agradados
Muita gente vive sem viver
Pois os Universos mais imensos que existiam
Não estavam além da estratosfera
Nem nos livros
No olhar desperto ou na alma deserta
Não estavam depois do horizonte que o olhar alcança
Estavam em tudo isso
E estavam em quem sempre esteve perto
Sempre estiveram no compromisso que assumimos
Muito antes de ter nascido
Pois a vida é um grande aprendizado
Mas pouco se aprende
Quando as palavras só concordam
Pois palavras são só palavras
Não dizem nada
Não tem medo e nem coragem
São só coisas inventadas, muitas vezes para inverdades
A grande marca que se deixa, são sempre atitudes
Para aprender com a vida
É preciso chegar lá no fim
Satisfeitos com nossa casa
Em paz com as pessoas
E agradecidos pela mesa e a comida
Um sorriso no coração
Vale também uma oração, com palavras boas
E o aprendizado adquirido
Nas verdades que não eram nossas
Pois qualquer um que disser para a própria consciência
Que cometeu mais acertos do que erros
Viveu errado
Mente
E não tem consciência
Pra bem viver a vida
É preciso chegar lá na hora da morte
E sentir-se feliz, porque vai ver a Deus
Ao invés de sentir-se assustado e com medo
Pois não existem segredos
Que pra sempre permaneçam ocultos
O segredo era a mente tranquila
Um coração sincero
E a certeza de ter aprendido alguma coisa
Com quem tivesse dentro de si outro Universo
Diferente do nosso
Pois a vida não é uma festa
Em que a gente vai embora com a mesma roupa que chegou
Infeliz quem busca ouvir apenas
Opiniões que sejam belas e iguais às suas
Chegaram na vida sem nada
No final, partiram dela, nuas.
Tudo um dia se desmonta
Exceto as contas, que serão prestadas.
Edson Ricardo Paiva.
Há silêncios
Que são preces verdadeiras
Mas que devem ser apenas
Uma breve comunhão
Conosco mesmos
Um leve abalo sísmico
Ridículo de pequeno
E minúsculo de breve
Que sejamos simples
Em silêncio
Juntos
Não passamos de pergunta
Difícil de ser respondida
Perdidos num pequeno espaço
Assentados numa rocha
Olhando estrelas
Em silêncio no Universo
Sua graça
Seus quasares
Nebulosas
Pilares de fumaça
Nós, seres efêmeros
Vivo estardalhaço
À Lua, prantos
Silvos
Uivos
Enquanto a caravana passa.
Edson Ricardo Paiva.
Vermelhas
Eu não sei se elas são rosas
Se são versos
Elas são apenas sonhos
E eu me ponho nessa ansiedade
Pois não sei se são ainda
Tão lindas assim, de verdade
Posso imaginá-las
Mas a voz do coração se cala
Quando eu penso em vê-las
Eu não sei se elas são velas
São divinas engrenagens
A moverem mundos
Acendendo luzes
Sóis etéreos
Enquanto isso
Nós aqui, tão sós
Compromissados
Sob o prisma
Dessa mesma luz
Que chove e move
E faz mover as velas
São rotores
Essas dores engrenhadas
Que tiramos nós
Do nada
E fazemos delas
Nossas vidas
Belas
Como estrelas rosas
Eu não sei se elas são prosas
São vermelhos sonhos
Ansiosas
Lindas de verdade
Não se pode vê-las
Não podemos nem ainda imaginá-las
Mas suponho que elas sejam lindas
É uma pena que meus olhos
Sejam feitos
Apenas para ver
Cores iguais
No mais
Eu aprendi que nesta vida
Não se pode vê-las.
Edson Ricardo Paiva.
Luz do Sol que se vai
E a que veio
As verdades da vida
São imagens disformes
Peças finas, delicadas
Desbotadas, distorcidas
Cristalinas e reais
A que vieram?
Vieram
De um translúcido quebra cabeças
O berço rude do universo
Um peso de papel
E uma tormenta pra se atravessar
A opinião diversa
Ausência de atitude
Mais nada, além do tempo e do lugar
A fala do engano
Se finge calada
E abrange a todas as cadeiras
Da fileira lá da frente.
É se afastar do tempo
Um mantra, uma oração pungente
Um pensamento na hora certa
Pode ser que seja o último
Olhar atento ao destino
Pode ser que dois
Num primeiro momento bate palmas
Pra depois, então, dançar
Um sorriso canino em primeiro plano
Um só momento e a tudo desmancha
Não basta segurar um mar nas mãos
O mundo descontenta
E o medo aflige
E exige a lágrima também
Pra abrir teus olhos
Puros e exigentes
Sempre
A mínima simplicidade
Ausente
O maior enigma da vida
É o que revela a verdade
Guardada em segredo ainda
É uma caixa que já foi aberta
Tanto barulho ela fez
Que quando era a da vez
Ela passou despercebida
A cara calcinada à luz do Sol
Tanto a que foi
Quanto a que veio
E que passou e que se foi
No meio
Entre o começo e o fim.
Edson Ricardo Paiva.
Minha casa
São asas que saem de mim
Que me cabem nos bolsos
Mesmo que bolsos não tenha
São brasas que aquecem
Ventos frios que arrefecem
Minha casa é palavra guardada
Das coisas vazias que eu ouço
Meio termo, meio-dia
Meio morna
Fria totalmente
Não importa exatamente a forma
É tudo aquilo que eu sou
Mesmo
Que jamais eu tenha sido tudo
Pois eu tenho tudo isso em mente
Minha moradia é uma semente
Um nada, um pé na estrada escura
É uma luz acesa que me ilumina
E mesmo assim, não tendo nada
Minha casa é meu abrigo
Que sou só eu mesmo que vejo
Porque sou só eu mesmo que sei
Que o endereço dela é em mim
E tem sido assim desde o começo
Pra poder um dia levá-la comigo
Por mais longo que seja o dia
Há sempre o momento
Em que o dia termina
Edson Ricardo Paiva.
Eu fico aqui pensando
Acreditando
Todas minhas dúvidas
São tantas as que eu gosto
Assuntos meus, que creio
Coração alheio é campo inóspito
Eu fico aqui com pensamentos
São só pensares, pesarosos amiúde
Sobre um terreno desconhecido
Chamado amanhã
Pensando em que será que o mundo agora pensa
Será que a hora é mesmo de ir dormir
Porque sonhos não fazem ruido?
Hoje eu vou tentar sonhar
Sonhar que eu leio alguma previsão
Que diga sobre algum lugar melhor
Pra poder guardar a minha crença vã e sem pleno sentido
Um lugar melhor
Que os campos e terrenos que eu vi neste mundo
Até amanhã!
Edson Ricardo Paiva.
Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia
Pode ser que elas voltem
E que nos contem por um momento
O que era que estava escrito
Numa manhã de Sol qualquer
Poder ser manhã de um Sol que se sente só
Sentindo um nó na garganta
Por ver-se só, lá acima da tempestade
Numa tarde de chuva que nos invade
Só que é aquela chuva que não chove
Poesia de quê?
Poesia de tarde, poesia que vem de cima
Que não faz chorar e nem sentir
Poesia de nuvem, que não comove
E esconde o Sol que nos olha
Sem nada nos olhos, nem no olhar
Cada dia é outro dia
Pode ser que hoje, ainda
Elas chovam sobre nós por um momento
Trazendo uma noite estrelada, uma noite linda
Dia de esperar, não era
Era dia de espera só
De olhar o Sol detrás da nuvem, igual criança
Com o todo nos olhos, tendo estrelas no olhar
Escrevendo poesia de esperança.
Edson Ricardo Paiva.
"Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia"
Edson Ricardo Paiva
"Agora é tarde
Não se podem chorar
Cebolas descascadas
Olhos de ontem
Eles não são pra sempre
Nem podem arder no presente"
Edson Ricardo Paiva.
Penso em amigos
Aqueles desconhecidos
Que nos são às vezes próximos
E que conhecemos mais que a nós
Porque somos como as andorinhas
Que não voam sós
Mas só nós, que temos corações vazios
Como os céus matinais, que são só azuis
Azuis de tão vazios, frios, claros, sombrios
Caros amigos distantes
Que cruzam o céu do pensamento
Como andorinhas que cruzam a azul por momentos
Eu nem sabia que podiam voar tão alto assim
Quem sabe a gente se encontre
Lá no fim do caminho profundo
Nos fundos desse claro infinito
Vazio, infinito e azul crescente
Num traço descendente e meridional
Onde não existe espaço para o vazio da solidão
Vidas tristes, amiúde
Olhos rudes, apertados, mirando uma linha
Eu não sabia que voassem tão alto
Mas sempre atentei para o fato
De, amigas ou não
Jamais voarem sozinhas
Quem sabe elas também não conheçam
As amigas de jornada
Mais que a si mesmas
Sobre quem não sabem nada.
Edson Ricardo Paiva.
A Magia da Vida.
Não basta que mundos se movam
São precisos girassóis também
Outras coisas e, além disso
Pra que nós estejamos aqui
O tempo e seus feitiços
Magia que faz pensar
Um dia ter estado acima
É preciso que lhe caiba
Algum lugar terá sempre
Sob a tempestade que desaba
Após o estio, seguir adiante
Novamente, sempre se levante
Mas, que em algum instante
Enxergue que tem gente lá
Isso é bem mais importante
É preciso haver calor e frio
e noite e dia
São precisos sonhos
Coisas invisíveis
Nunca foi pelo sal
Nem por causa do açucar
Que assim seja
Ponha alguns "améns" na lista
E receba os parabéns
Por todas as conquistas
As mais importantes
Não são feitas pra serem vistas
Tão vasta tem sido essa lista
Lealdade e merecimento
Lá no fim da estrada
Pouco as terá merecido
Não basta os girassóis
E campos abertos
Noites estreladas
Chuvas na vidraça
Tempestades tardias
A vida perde a graça
Se nós não as virmos
Noite e dia
Lágrima, alegria
Sem coisas assim
Não há poesia
Não se esqueça dos sonhos
Esperanças e verões
Do tempo da juventude
Novamente, sempre se levante
Mas procure enxergar
Em algum instante
A quem você
Deixou ficar, esquecido.
Porque
Lá no fim da estrada
Pouco terá merecido
Edson Ricardo Paiva.
Saudades são vidas roubadas pelo tempo.Deixando apenas uma absoluta certeza que nunca será encontrada.
O tempo é o nosso escultor
O ambiente e as circunstâncias são as ferramentas que dão formas.Formatos perfeito ou imperfeito; essa é a nossa escultura que o senhor do tempo esculpiu.
Nunca fomos senhores de nós mesmos, mas suditos do acaso.
Quando as melhores intenções são esmagadas pelo peso do verbo julgar
E a malícia sentimento estranho bate na sua porta e entra sem ao menos pedir licença e rouba à inocência, o bem mais precioso, que o homem não supunha imaginar
Alma pequena
Alma pobre
Que o mundo gire 262 dia$ e te mostre ao vivo e as cores que você não é nada nessa vida, além de pó.
Três coisas que me deixa entediado nessa vida: o ânimo do Carnaval, a alegria do São João e a solidariedade do Natal. Para mim são os dias mais falsos que homem já inventou.
A águia é protagonista e não espectadora de sua vida. Assim são as mulheres interessantes e inteligentes.
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