As Pessoas Sao como Ondas

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Assim como a necessidade reúne os homens espontaneamente, o tédio faz o mesmo depois que ela é removida.

Médico e o monstro da solidão

Era “neuro”, como dizem. Já nem sabia mais se queria aquela profissão porque não tinha escolhido a medicina para “salvar pessoas” e sim para “salvar sua conta bancária”. Trabalhava que nem um condenado para tirar 6, 7 paus por mês, o que não era péssimo mas estava longe de ser enriquecedor. Pra piorar, não agüentava mais a vida real com toda aquela galera doente e queria virar cineasta.
Ela era “neuro” também, como dizem também. Já estava no décimo ano de terapia e continuava igual, fazia parte da sua alma, não tinha jeito. Era poeta, tinha até um site onde vomitava textos pesados e sem rima. Detestava os poetas tuberculosos que tinha estudado para o vestibular.
Em comum, além da abreviação, eles tinham a vontade de deixar de ser singular. Foi aí que ele, um dia, depois de tomar banho e não ter vontade nem de se vestir (pra quem?), digitou no google a palavra “solidão”. Caiu direto no site da garota neurótica. Era uma poesia que se chamava “solidão o cacete”.
Essa internet expõe mesmo as pessoas, ele pensou. Ainda bem, ele pensou quando viu a foto dela e achou a mistura daquele texto com aquele rosto algo merecedor de mais exposição:
-Ei, figura, tudo bem? Caí aqui no seu site, nessa noite quente por fora e fria por dentro. Sou neurocirurgião, posso abrir sua cabeça. Não que você seja limitada.
Ela, que não estava acostumada a responder esse tipo de e-mail (sua mãe moderna sempre dizia “naum tc com estranhos”), resolveu abrir uma exceção porque achou o máximo falar com um neurocirurgião e também porque pensou que ele devia ganhar bem:
-Ei, figura, tô precisando muito que alguém me faça uma lavagem cerebral. Conta mais.
-Só se for ao vivo.
-Fechado.
Se encontraram na Fnac da Paulista, ele era alto demais pro gosto dela, ela baixa demais para o dele. Foto engana. E o pior é que nem o papo manteve-se à altura do esperado.
-Sabe, sou louca. Odeio o mundo.
-Você é mais normal do que imagina.
-Nunca saí com um fã.
-Isso não é um encontro.
-Eu sou feia?
-Linda, mas não faz meu tipo.
-Ótimo, uma amizade dura mais que um amor, nunca mais vamos sofrer de solidão.
Ela foi falsa com as palavras cheias de rapidez empolgada, ele com o consentimento cheio de sorrisos encantados. Conversaram amenidades, comeram pão de queijo, falaram mal de um casal freak que se beijava na frente de crianças, ensaiaram um beijo desconexo para manter viva a chama do teatro e não decepcionar a tarde que se despedia esperançosa, desceram as escadas rolantes e deram graças a Deus quando tudo acabou.
Por trás daquele e-mail morava o homem da vida dela, sensível, engraçado e charmoso. Ela não podia perdoá-lo por não ser ele. Por trás daquele e-mail morava uma loira gigante, corpulenta e que fala “cacete”, aquela menina metida a intelectual merecia a morte.

- Maldição! - Dizia ele. - Eis como é preciso ser! Basta ser belo e nada mais!

Como é que ela pode esperar que seus filhos sonhem em chegar às estrelas se não podem erguer a cabeça e olhar para elas?

Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Trecho da crônica A perfeição.

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As suas mágoas queimavam-lhe a alma como uma fornalha.

Não importa como você está se sentindo hoje: levante-se, vista-se, brilhe.

Ninguém faz noção de como ele muda meu humor durante um dia inteiro apenas com uma sms, um oi ou um sorriso.

Julguei que o Homem resumia os homens, tal como a Pedra resume as pedras. Confundi catedral e soma de pedras, e, pouco a pouco, a herança desvaneceu-se. É preciso restaurar o Homem. Ele é a essência da minha cultura. Ele é a chave da minha Comunidade. Ele é o princípio da minha vitória.

A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber.

Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao teu lado
Sem saber dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver.

Por que ela estava tão ardente e leve, como o ar que vem do fogão que se destampa?

Clarice Lispector
Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Ir na casa da família dela
e descobrir que sua namorada
é como se fosse o teu sogrão de saia!
#tenso

rsrs

Essa criança vivia na ausência de afeição como as ervas daninhas que nascem nas covas.

É por isso que na graça eu me mantive sentada, quieta, silenciosa. E como em uma anunciação. Não sendo porém precedida por anjos. Mas é como se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

E como eu faço pra chamar a atenção de alguém que parece estar nem aí pra mim?

Um dia, quando eu tiver mais vontade e se você ainda quiser, eu lhe falarei de como me mexo dentro de Deus.

Clarice Lispector
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Trate seus amigos da forma como faria com uma conta no banco - evite retirar demais.

Vou mostrando como sou e vou sendo como posso.