As Coisas Nao Acontecem por Acaso
Ilusão do tempo
O tempo não é senhor de tudo —
não traz respostas, nem resolve caminhos.
Não constrói certezas,
nem garante destinos.
O tempo não pesa a dor,
não a aumenta, nem a faz cessar.
Não nos torna mais conscientes,
nem nos ensina, por si só, a mudar.
Seguimos acreditando em suas promessas,
como se nele houvesse redenção.
Mas, no fundo, nos enganamos —
é nossa a escolha, não sua, a direção.
E às vezes, silencioso e sutil,
o tempo apenas nos distrai...
um intervalo disfarçado de cura,
onde nada realmente se transforma — só passa.
Com a sua ausência, aprendi: não dá pra escolher não sentir…
e, no fim, sentir é tudo que nos resta.
Pra quem sempre evitou sentir,
a sua partida foi um vendaval por dentro.
Sentimentos que não cabem, não obedecem, não se escondem…
E no fim, o maior aprendizado:
sentir nunca foi fraqueza —
nem algo pra disfarçar.
Eu sabia que um dia você iria partir…
mas não imaginei o tamanho do vazio.
Que a dor faria morada,
silenciosa e constante.
E que a saudade viria assim —
avassaladora, sem pausa, sem aviso…
tomando tudo que ficou de você em mim.
Engraçado como me ensinas, mesmo depois de partir.
Logo eu que desde menina aprendi a não demonstrar o sentir.
Mais, hoje tudo o que não consigo é esconder o sentir.
Vivo entre ruínas e reconstruções.
Sou a mistura de emoções!
Vivo, mas não mais por inteiro.
Sinto, mas não mais com compreensão.
Vejo, mas não mais com a razão.
Sem exato discernimento, sigo com o turbilhão de emoção.
Me vê, mas não me enxerga.
Me ouve, mas não me escuta.
Me ama, mas não me quer de verdade.
Promete, mas não cumpre com propriedade.
A desculpa pra tudo, mas não há ação de verdade.
Amor sem prioridade, não é amor: é conveniência, é comodidade e é apenas existência sem verdadeira cumplicidade.
Não confunda minha paciência e leveza com ignorância.
Vejo mais do digo e observo mais do que notam.
Tornei-me minha melhor versão
não porque a vida tenha sido leve,
mas porque, mesmo sob o peso da dor,
das marcas e de tudo que ainda não sabia,
continuei caminhando.
Aprendi tropeçando,
cresci entre dúvidas
e descobri, pouco a pouco,
que também havia força
naquilo que pensei ser fragilidade.
A cada dia, aprendo mais.
A cada limite, encontro uma fronteira
que posso atravessar —
não para provar algo ao mundo,
mas para não abandonar a mulher
que ainda estou me tornando.
Hoje, quando olho para dentro,
reconheço aquela menina
que sonhava em ser alguém
e percebo:
sou a mulher que ela esperava encontrar.
Não sou perfeita,
nem terminei de florescer.
Mas sigo tentando ser melhor
do que fui ontem —
com mais coragem, mais ternura
e um pouco mais de mim.
Quando eu era pequena, sonhava
em encontrar um príncipe encantado.
Você não veio num cavalo branco,
não mora num castelo,
nem precisa de coroa para ser especial.
Você me trata como princesa
nos pequenos gestos de todos os dias:
na gentileza que aparece quase sempre,
no cuidado que se revela até
no suco escolhido para acompanhar minha marmita.
Você me protege —
às vezes até quando não preciso —
e faz das piadas parte da nossa rotina.
Mas, quando o riso dá lugar ao choro,
seu braço continua ali,
pronto para me acolher.
Você percebe minhas emoções,
cuida da minha vulnerabilidade
e me oferece colo e palavras
quando preciso encontrar forças outra vez.
Eu não sou princesa
e a vida não é um conto de fadas.
Mas, do alto do castelo que construí dentro de mim,
há algo que sempre reconheço:
quando o mundo pesa,
é você quem vem me encontrar
e me lembra que não preciso enfrentar tudo sozinha.
