Arrancar do meu Peito
Falar de amor virou ato de contrabando entre a dureza do mundo. Levo-o escondido no peito como quem leva pérolas em bolsos rasgados. Quando entrego, minhas mãos tremem, não por medo de perder, mas por saber que a dádiva pode curar lugares onde o sol não entrou.
As lembranças desfilam como cartas nunca enviadas. Cada envelope carrega um peso que cansa o peito. Algumas palavras queimam quando as leio de novo. Outras, surpreendentemente, consolam como um cobertor velho. E então percebo que cuidar de si é aprender a costurar as próprias roupas rasgadas.
Amar é cantar uma ópera sem ensaio, deixar o peito reger a orquestra, enquanto o destino escreve, em lágrimas, o último acorde.
Quando a saudade alcança, não nos dá esperança, só dá pancada, vem sem aviso, acerta o peito, desorganiza o fôlego e nos lembra, com brutal delicadeza, que houve amor onde hoje só mora o vazio.
Escrever é o gesto desesperado de quem tenta colocar um curativo em um rasgo que atravessa o peito de lado a lado. A caneta é a agulha, o papel é a pele, e a tinta é o sangue que insiste em vazar toda vez que lembro de quem eu poderia ter sido.
Trago no peito a lembrança de um tempo simples, onde o riso corria solto e a vida cabia inteira na inocência de dois caminhos que ainda não conheciam despedidas. Éramos feitos de chão, de poeira e de afeto bruto, desses que não se explicam, apenas se vivem, como se o mundo fosse pequeno demais para nos separar. Mas o tempo, silencioso e inevitável, foi abrindo distâncias onde antes só havia presença, transformando parceria em memória. Hoje carrego comigo aquilo que ficou, não como peso, mas como parte de quem me tornei, marcado pelas ausências que ensinaram mais que qualquer permanência.
Porque existem laços que nascem lado a lado, mas o destino insiste em escrever em caminhos diferentes, deixando na alma a saudade do que poderia ter sido eterno.
- Tiago Scheimann
Escrevo para que o sangue não estanque dentro do peito, transformando a dor em tinta para que ela pare de corroer os órgãos e passe a habitar o papel, onde o sofrimento se torna arte e o peso do mundo parece, por um breve segundo, um pouco mais fácil de suportar.
O vazio que você sente no peito não é um buraco a ser tapado, mas um espaço que se abriu para que algo novo possa nascer, uma espécie de terreno baldio da alma onde, se você tiver paciência, as flores mais estranhas e belas começarão a crescer no tempo certo.
Nem toda batalha digna de nota faz barulho, as mais definitivas ocorrem no claustro do peito, em um silêncio absoluto onde o mundo não enxerga o esforço hercúleo de apenas manter-se de pé. Existe uma dignidade profunda naqueles que insistem sem garantias, que habitam mentes difíceis e ainda assim escolhem a permanência. Algumas vitórias são tão íntimas que não precisam do aplauso alheio para serem consideradas divinas.
- Tiago Scheimann
A razão é uma lâmpada silenciosa acesa no fundo do peito. Quando o mundo se cobre de sombras, quando as vozes se confundem e a escuridão tenta convencer a alma a desistir, é ela quem permanece de pé, iluminando o caminho com firmeza serena. A razão não grita, não implora aceitação e nem se curva ao barulho da multidão. Ela apenas continua brilhando, pequena e imensa ao mesmo tempo, guiando aqueles que ainda têm coragem de pensar com a própria consciência.
- Tiago Scheimann
Há pessoas que carregam oceanos dentro do peito e, ainda assim, passam pela vida fingindo ser apenas pequenas poças de silêncio.
Algumas pessoas carregam tanta dor dentro do peito que acabam desenvolvendo uma delicadeza quase sobrenatural ao tratar o sofrimento alheio.
O amor é gostoso demais! A gente sente lá no peito, mas não consegue guardar só pra si, quer sair gritando por aí. É a nossa festa contra a solidão!
Igual torcida que comemora gol com fogos e cantoria, a gente quer celebrar ter alguém que faz o coração disparar.
Por isso, mesmo quem não curte bagunça, torce pra que todo mundo possa amar à luz do dia. Amar escondido até pode ter graça, mas dividir o amor com o mundo? Ah, isso é alegria pura e em dobro!
Coisa de Gente...
Alexandre Sefardi
"Assoreamento"
Marcio Melo
Sou rio corrente,
arrasto o que me dói.
Mas no peito se assenta
a lama que corrói.
Assenta devagar,
soterra o que eu sou.
Cobre o leito antigo,
apaga o que jorrou.
Sou só correnteza
sem fundo pra voltar.
Peso no meu peito
que não deixa amar
"O cérebro finalmente descansaria, mas o peito viveria em uma eterna insônia, tentando decifrar por que o sangue insiste em voltar para onde foi ferido."
"Se o peito tivesse o dom da análise, ele pararia de bater no exato momento em que a vida perdesse o sentido, por pura conclusão lógica, sem esperar pelo tempo."
"Um peito gentil não perde para o mundo, ele apenas vence em uma frequência que os rasos não escutam."
