Arrancar do meu Peito
Há pessoas que no lugar de um músculo de carne a bombear sangue trazem no peito uma granada a estilhaçar por onde andam resquícios de mágoa e ressentimento.
Homem de fé
Carrega no peito uma força invisível,
Um sonho gigante, um espírito invencível.
Mesmo quando o mundo tenta desacreditar,
Ele encontra motivos para continuar.
Passos firmes diante da caminhada,
Alma fortalecida depois de cada jornada.
Não se perde no medo, não foge da missão,
Tem esperança acesa dentro do coração.
As batalhas chegam para ensinar,
Cada queda mostra que é possível levantar.
Com humildade segue a direção,
Construindo o futuro com fé e dedicação.
Porque quem tem propósito não anda perdido,
Mesmo no silêncio sabe que é ouvido.
A fé é a chama que nunca se desfaz,
E a luz de Deus é o que traz sua paz.
Mataram as borboletas no estômago,
Não perceberam,
Que no peito eu tinha uma fênix,
E na mente uma águia.
O Comboio do Coração
Há, dentro do peito, um viajante antigo,
um maquinista de névoas e memórias,
que percorre trilhos invisíveis
entre o que sentimos
e o que ousamos dizer.
Chamam-no coração.
Mas ele não é apenas carne e pulsação:
é um comboio de corda,
movido pelas mãos secretas do sonho,
avançando entre estações de ausência
e plataformas de esperança.
Por vezes, canta.
Por vezes, range como ferrugem esquecida.
Ainda assim, segue.
O poeta observa, da janela da alma,
e traduz o movimento dos vagões
em palavras que parecem verdade,
embora sejam apenas o reflexo
da verdade vestida de imaginação.
Porque sentir é uma chama indomável,
mas escrever é transformá-la em estrela.
E toda estrela, ao nascer no papel,
perde um pouco do fogo original
para ganhar a eternidade da luz.
Assim, o verso parte,
como uma locomotiva atravessando a noite,
levando passageiros feitos de lembranças,
saudades sem destino
e amores que nunca desembarcam.
O poeta sabe.
Sabe que a dor escrita
não é a mesma dor sentida.
É uma irmã mais elegante,
que aprende a dançar com as sombras
e sorri diante do abismo.
Sabe também que a alegria,
ao vestir-se de poema,
deixa de pertencer a um único coração
e passa a habitar milhares deles.
Por isso, escreve.
Não para explicar o mistério,
mas para torná-lo ainda mais belo.
E o coração, esse velho comboio de corda,
continua a sua viagem interminável,
cruzando pontes de silêncio,
atravessando túneis de pensamento,
colecionando paisagens que ninguém vê.
Até que, um dia,
na derradeira estação do tempo,
os trilhos desapareçam no horizonte.
Então, permanecerão apenas os versos:
essas pequenas locomotivas da eternidade,
que seguem viajando sem fim
pelos territórios da alma humana,
enquanto o poeta, já ausente,
continua chegando.
Rô Montano
O impossível é a montanha que desafia o peito, um grito contra o abismo, a prova crua da coragem que não se rende.
O medo ronda, mas não governa, é sombra frágil diante do peito em chamas, um invasor que nunca tomará morada.
O amor é oração quando a boca se cala, no peito, o pedido vira ponte e passo, sentir atravessa o desejo e a graça, assim o coração faz igreja silenciosa.
A verdadeira celebração não faz barulho, ela acontece dentro do peito. O reencontro com a própria alma é o mais silencioso e poderoso dos milagres. Deus festeja em silêncio, e o céu se abre no instante em que você se perdoa.
Quando o peito aperta até sufocar, Ele não só vira abrigo, mas sussurra a paz e sincroniza o ritmo da minha respiração.
Quando a vida contrai e sufoca, a fé em Seu amor dilata o peito e me impele, irresistivelmente, a continuar.
A tragédia íntima nunca é fotografada para a posteridade, aquele momento exato em que o peito se transforma em zona de guerra sísmica, onde o coração não pulsa, mas sim explode em mil estilhaços contra as paredes da carne, é um espetáculo reservado apenas para o sofredor e, talvez, para a entidade maior que nos assiste do alto, as palavras que hoje soam como testemunho de vitória nasceram da gagueira desesperada de quem acreditava ter chegado ao ponto final irreversível, onde o único horizonte visível era o negrume denso da ausência total de saída, um beco escuro com a placa de "Fim da Linha" piscando incessantemente.
O coração que ameaçava explodir no peito era o alarme sísmico do teu limite, o grito final de um corpo que não suportava mais o peso da mentira social de que "estava tudo bem", esse terremoto interno foi o que pavimentou a estrada para o Encontro, pois a rendição total é o único passaporte válido para a intervenção divina, não foi a tua força que o trouxe, mas sim a qualidade devastadora da tua fraqueza, um paradoxo sagrado onde a perda completa de controle se torna o portal de entrada para a Graça reordenadora.
Você carrega mundos no peito, e ainda assim continua. Isso é resistência pura. É a prova de que você nasceu para mais.
O amor verdadeiro não sufoca, ele expande, ele abre espaço dentro do peito, e transforma feridas em
janelas, quem ama cura.
Desça à caverna sombria e abrace o pequeno náufrago que ainda treme em seu peito, a cura é o ato primal de autopiedade feroz, o afeto que, negado, cria a ferida e, oferecido, a estanca.
O mundo lhe oferece mapas falsos e destinos impostos, mas a bússola de carne reside no peito, ignore a cartografia externa e siga o ímã silencioso do seu centro, o único ponto onde a paz tem endereço.
Puxe o ar até o fundo da alma, que o caos ululante do mundo seja um som distante, pois seu peito é um santuário autônomo onde a tempestade externa não tem permissão para entrar.
