Andar na Linha
Depois do que coloquei na minha linha do tempo, perto de certas pessoas,me sinto rico, mas completamente miserável!
Eis a filosofia da Arara Azul (Anodorhynchus hyacinthinus): Abraçar a linha que cruza o Equador. Beijar o Atlântico. E guardar no peito um único Amor.
Minha cabeça vai de chuva á sol,
De norte a sul,
Do capitalismo ao socialismo,
DO frenético ao pacato,
Do bem ao mau...
Não existe uma linha tênue que separa meus pensamentos.
Eis de ser sempre a linha ?
DESERTO SECO
Nado em terras secas, cheias de cactos
Despidas cegas como uma toupeira
Em breves rasgos onde descrevo o mar
Deserto seco de areia fértil ou estéril
Ninguém pode dar aquilo que não tem
Sou pó, ao pó eu voltarei a desfazer-me
Onde a vida tira-me as lascas, que importa
Nasce o sol e não dura mais que um dia
Depois da luz, segue-se a noite escura
Sombras que morrem na sua formosura
Tristezas transfiguradas pela ignorância
Nado no deserto de cactos em terra seca.
ENGANAR O TEMPO
O tempo corre nos retalhos da nossa vida
Dos nossos corpos já fragilizados de dor
Acumula-se na poeira dos olhos sem ver
Embaça os nossos próprios pensamentos
Escondendo todos os sentimentos doces
De cada um de nós, espalhando os medos
Deixando a descoberto os nossos segredos
Marcam para sempre as páginas envelhecidas
Do livro dos nossos sonhos mais perversos
As memórias são um velho espelho abstrato
Porta-retratos escondido na mente pela alma
O tempo marca o rosto de qualquer humano
Engana-se o tempo, mas é ele que nos engana
Cada lágrima perdida no chão é uma esperança
Talvez em cada dor uma pequena doce lembrança.
Lagrimas escorrem em meu rosto, pensamentos se espalham em uma linha de tempo no qual nem sei quando posso parar.
VIAGEM EXÓTICA SABORES EXÓTICOS
A boca, o beijo são o paladar dos sentidos
Bebamos o café com chocolate e hortelã
Tu já sabes que desejo-te na penumbra da noite
No entrecosto assado com limão, louro e alho
Eu não sei por onde anda o teu perfume de dia
De noite sinto-te no bolo de azeite, mel e nozes
Sei de ti na espera interminável, num dia de trabalho
Nas batatas assadas com bacon, alecrim e míscaros
Onde os gestos gritam de prazer na incerteza da dor
Do forno das peras assadas com mel e vinho do porto
Desejo-te só a ti e percorro cada cantinho da tua doce pele
Como se de um bolo de abóbora com laranja tratasse
Prometes-me a lua e eu acreditei na tua promessa
Entre o salmão assado com açúcar mascavo e cominhos
A tua respiração engole os meus doces suspiros
No borrego grelhado com o molho de iogurte e hortelã
Desejo-te só a ti como nunca desejei alguém
Como tu desejas o bife com molho de cerveja e ovo
Os teus lábios abrigam a minha boca do frio
No pato com laranja ou nos figos com amoras com vinho tinto
À noite fizemos o que mais gostávamos de fazer, perdermo-nos
Nos olhos um do outro entre a canela, gengibre e pimenta
Os olhos são a janela da tentação, o corpo a porta do prazer
O passaporte é o amor, ele é fundamental para a viagem pelos sabores exóticos.
SE EU FOSSE TALVEZ UM POETA
Se eu fosse talvez um poeta
Faria em magia todas as páginas
Livres sem lágrimas, sem dor
Refeitas de sonhos coloridos
Vestidas com tinta da liberdade
Pintadas com dignidade e vida
Se eu fosse talvez um poeta
As letras tornar-se-iam em magia
Cobririam as páginas em branco
Já vazias, esquecidas, perdidas
Que de negro se vestiram
Pelas mágoas, dores e sofrimentos
Se eu fosse talvez um poeta
Escreveria somente poesia
Na autenticidade de um verso
As letras tornar-se-iam em magia
Cobriam as letras de toda felicidade
Neste mundo de dor sem amor
Se eu fosse talvez um poeta.....
DESLIZAS AMOR
As tuas mãos deslizam
- Sobre a minha pele
No calor do verão
- Entre os ventos outonais
- Acalentando o meu refugio
E o teu toque umedece
- A minha alma
Nos sons que ecoam
- Uma eternidade inteira.
Quero perder-me
- Nas curvas do teu sorriso
Onde deslizas no meu corpo e eu no teu.
PÉS DESCALÇOS PASSOS FURTIVOS
Pés descalços em passos furtivos
A chuva cobre-me na indecisão do tempo
Horas reprimidas na sonolenta noite
Instantes de esperas que escraviza a força
No silencio estremece o caminho da alma
Reticências cúmplices nos passos furtivos
Beijo faminto de um solitário ceifador
Que prega na escuridão da nossa mente
Amanhece por caminhos desconhecidos
Nas esquinas dos pensamentos sombrios
De devaneios surdos em pérolas perdidas
Insensatez desejada entre as rimas das palavras
Tatuada no contorno da alma dos pés descalços
Passos furtivos do lobo refém no corpo adormecido
Entre por leves caminhos nas margens do rio que tenho
Palavra sussurrada de gestos, de anseios noturnos
De estrelas, nas noites e nas manhãs desvanecidas
Pés descalços horas reprimidas na sonolenta noite
A chuva cobre-me os meus passos furtivos.
MÁGICO LIVRO
Sou um livro mágico
Que tu nunca leste, nem iras ler
Páginas recheadas de amor
Sou uma história que não conheceste
Disfarcei-me num livro de amor
Mas tu nem te deste ao trabalho
De olhar, de o abrir de o tentar ler
Se ao menos o tivesses lido
Terias amado e entendido o meu amor
Recebi abraços, sem ser os teus
Afinal escolheste outro caminho
E morreste sem teres lido
Ou vivido esse amor.
Amor é quando o tempo apaga a linha tênue entre razão e emoção, e tudo o que era confuso ganha um novo sentido.
Brincando de cai não cai tem uma lágrima presa a minha linha do tempo. Ora quer ela despencar sem para quedas. Mas, antes presa a algo que ainda não sei o que é, ela deve estar escrevendo nas paredes do peito com a ponta de um compasso....a palavra dor.
Pense... Pense mais... E agora pense mais um pouco.. Escolha o seu caminho,escolha o seu futuro, faça o que for preciso e jamais, digo jamais deixe a vida atrapalhar os seu planos. Podemos ter a alegria todos os dias, mas a felicidade se conquista.
AMO-TE
- Amo-te
Tenho tantas palavras para te dizer
- E procura-as
Nos espaços fechados, abertos
- Onde guardo-te
Na solidão perfeita das palavras
- Amo-te
Nos versos alinhados da poesia.
AMOR
Costuro todos os meus sonhos
Bordo todas as lembranças doces
- E desato os nós de toda a minha vida
Espanto do olhar nas fluidas avenidas
Tardes que oscilam nas obscuras vidas
- No limiar dos campos com os seus novelos
Na procura eterna da luz de quem precisa. (---)
VAGABUNDO
Vagabundo que viveu e vive nas sombras
Esquecido treme de frio nas noites sem fim
Com fome, sede sacia o cansaço na sua própria solidão
Imerso no seu silêncio, na escuridão senil
Alma solitária, vinda do escuro da luz
Queima o inferno na coincidência da vontade divina
Esquece tudo, até mesmo as suas próprias deficiências
Solidão compartilhada no seu silêncio desligado do mundo
Vagabundo nas ruas da vida, encontrou um lugar para brilhar
O seu próprio coração magoado, senil, triste e maltratado.
COMO CARNE CRUA
Andas ancorado à minha cintura
Como um barco que se apega ao mar
Eu velejo como que se o silêncio
Me dissesse tudo o que sei
Vivi entre as ansiedades mais profundas
Na sede intensa, de um suor quente
Da fome súbita, consumida por luas
Devasto os sentidos através dos dedos
Segurando a cruz do teu amado corpo
Velejo nas sombras da nudez do oceano
Como carne crua onde nos amarrámos
A nós mesmos, no convés do nosso navio
Entre a escravidão do nosso salgado beijo
Somos fome, somos desejo, cegos de nós
Com a verdade nos olhos de quem vê com fé.
FLORES FELIZES
- Sejamos felizes sem mentira
Sem desafeto, sem ilusão, sem amor
Afinal amamos todas aquelas flores
Aquelas que nascem entre rochedos
Flores que não hesitam em desafiar
A secura das folhas na brutalidade das pedras.
Sejamos livres de todas as palavras que nos ferem
- Da angústia que chega sem aviso
E da maldade que nos assombra todos os dias.
