Amor entre Pessoas que Nunca se Viram
"Não despreze a agulha e a linha quando a roupa nova chegar; nunca se sabe quando a vida vai lhe rasgar novamente."
E quem não me viu
nunca teve coragem
de me descobrir por dentro
como realmente sou.
Nunca teve coragem de me olhar
para além das frases curtas dos jornais,
das ruínas levantadas,
das estampas de adesivos cruéis
que insistiam em ficar sobre mim
como se fossem parte de quem sou.
Mas não eram.
Não precisei escrever jornais,
nem inventar novas artes,
nem ferir outra poesia
para desfazer a sua pior história criada.
Eu sou o que sou.
Digno...
Merecedor de mim.
Isso nunca foi segredo.
Isso nunca foi medo.
Isso sempre foi verdade.
Caminhada.
Consciência.
Orgulho de seguir
na direção da minha melhor versão,
nascida de dentro,
sem me quebrar
pelos gritos de quem sempre veio
e ainda virá
anunciar medos comprados,
medos ganhos,
medos repartidos
em tirinhas de jornais.
"Eles tentam te diminuir porque o seu tamanho os assusta. Quem vive rastejando na maldade nunca entenderá a visão de quem nasceu para olhar o mundo do topo."
"Podem torturar o corpo e tentar travar o destino, mas nunca conseguirão confiscar a paz de quem caminha com a verdade."
"A história nunca esquece o nome dos algozes, mas ela eterniza o caráter dos que resistiram à sua crueldade."
Nunca desejei a morte de ninguém, mas já li alguns obituários com muita satisfação.
Em silêncio, imploro. Almejo o que nunca será meu. Talvez o que mais rejeito seja o que tenho de sobra, esse excesso de pensamentos, vagando como sombras num silêncio gritante, me prendendo às noites que não sabem dormir.
No silêncio dos sonhos, encontro alegrias que a realidade nunca ousou me dar. Mas, ao despertar, tudo retorna ao vazio, e o sonho se perde como outro inalcançável sonho.
Ao longo da minha trajetória, muitos se foram, mas não sinto falta, o que partiu, na verdade nunca me pertenceu.
