Amor entre Pessoas que Nunca se Viram

Cerca de 391849 frases e pensamentos: Amor entre Pessoas que Nunca se Viram

"O que nos torna especiais,
entre os outros bichos,
não é o raciocínio,
é a luta de ego."

Inserida por EvandoCarmo

“O artista é um pássaro de asas quebradas que persiste em voar entre os abutres.”

Inserida por EvandoCarmo

Qual é a grandeza que procuras? É fácil ser grande entre almas pequenas. No contexto social e político em voga, basta ter mais dinheiro, a mulher mais cara, feita artificialmente, o carro mais potente, ou ser partidário dos que comandam o estado, mesmo que provisoriamente... Passam as gerações e os homens de mentalidade carnal são esquecidos...

Inserida por EvandoCarmo

"Só sobreviveremos ao absurdo do mundo, se formos capazes de entender e de viver entre o Apolíneo e o Dionisíaco."

Inserida por EvandoCarmo

"Forjei o poeta que sou, num crisol de muitas dores. Entre elas a mais cruciante foi a ignorância do meu semelhante."

Inserida por EvandoCarmo

O QUE PODE UMA PAIXÃO

Disse certa vez um tolo,
um tolo bem conhecido entre os sábios
que estava enjoado da sua estupidez
assim como a abelha enjoa do mel.

Assim me sinto hoje em dia
depois de tantas tentativas em vão
para encontrar o sentido da vida
ou como dizem outros mais sábios, a felicidade
que para mim é a mesma coisa.
Contudo agora posso afirmar,
como só um tolo afirma
que a vida sem paixão não faz nenhum sentido.

A paixão, paixão parece algo proibido
quem diz estar apaixonado
geralmente fala pelo coração.

Então por que razão a paixão é tão essencial para nos manter vivos?
A paixão só é verdadeira e proveitosa quando liberta
se a paixão não pode ser vivida vira febre delirante
o homem que tenta esconder uma paixão não será feliz
nem será bem-sucedido em esconder
a paixão não pode ser guardada sem grandes prejuízos.

Inserida por EvandoCarmo

⁠O que sou, hoje tenho convicção, sei perfeitamente, entre tantos personagens que as circunstâncias me proporciona ser. Sou homem, pai, marido, irmão, poeta, escritor, jornalista, músico, compositor, cozinheiro, livre pensador, cristão dedicado, cidadão. Mas nenhum desses me representa plenamente, pois há uma pessoa secreta entre mim e Deus, quando me afasto de todos esses, sou plenitude de liberdade, neste ambiente livre, sereno e seguro posso alcançar uma unidade sublime que se comunica com o divino eterno. Neste mundo livre tenho paz e esperança, serenidade para executar minha função de ser pensante sem credo ou etnia, nessa condição superior posso discordar de tudo ou acreditar, não há condenação prévia como há no sistema humano comum.

Este estado pode ser alcançado por qualquer humano, basta que encontre por livre escolha o silêncio onde habita a liberdade suprema de Deus.

Inserida por EvandoCarmo

⁠"O melhor e mais antigo código de ética usado entre os humanos é a hipocrisia"

Inserida por EvandoCarmo

⁠"O mundo ta cheio de idiotas que vivem
tentando ensinar como ser
o idiota-mor entre todos"

Inserida por EvandoCarmo

⁠UM AMIGO

Poetas em erros e acertos
tentam descrever a amizade,
fazem comparações
entre um amigo e outras coisas
com severa vaidade.
Quando a vida nos arrasta
para um vendaval profundo
é normal pensar que tudo é vazio,
sem importância no mundo.
Aí surge um velho amigo,
que nos conhece tão bem
simplesmente diz: estou aqui
estende a mão e nos puxa
daquele poço sem fundo.
Poetas sempre ficarão devendo
a definição perfeita de um amigo
é coisa que vem do alto
palavras serão sempre curtas
ineficazes, falíveis
posto que um amigo
é um irmão, um ser invisível
como um sorriso de criança
mesmo que esteja ausente
pela simples lembrança de que ele existe
pode nos tirar do abismo
e nos acordar com um fio de esperança

Inserida por EvandoCarmo

⁠Soneto ao vinho

Entre os espinhos dessa vida agreste
O vinho nos conforta a dor do peito
Um cálice, um brinde ao amor celeste
Que acalma e nos traz paz em seu deleite

Em nosso ninho, aconchego e carinho
Onde o amor floresce como trigo
Em noites frias, ao som do pinho
Aconchega e aquece nosso abrigo

E assim, entre espinhos e flores
A vida segue seu curso sem temores
Ainda temos fé para amainar os dissabores

E que o vento esteja ao norte e a favor
Que em nosso ninho habite luz e calor
E que a vida seja sempre um brinde ao amor

Inserida por EvandoCarmo

⁠Assim pensa o poeta, em meio ao dilema entre fé e razão. Às vezes, ele anseia por acreditar, mas sua razão o leva a questionar a insensatez da fé. De forma inconsciente, a própria razão nega o que a fé propõe. E assim permanece a pergunta eterna: o que se esconde além do horizonte? O que existe atrás dos montes, sejam eles de retóricas ou metafísicos? Essa indagação, por sua mera existência, é capaz de gerar incerteza e dúvida.

No entanto, é justamente essa dúvida que impulsiona a pesquisa, a busca e a procura incessante por respostas. O ser racional se lança nessa jornada para compreender tanto o universo material em que está inserido quanto o metafísico em que foi gerado. Embora as respostas possam ser um simples "sim" ou "não", é essa ambiguidade que nos motiva a continuar. Afinal, na mente matemática, há um estímulo em explorar o que reside entre o "sim" e o "não".

Inserida por EvandoCarmo

⁠Nas sombras dos morros, histórias cruas,
De uma cidade que dança entre luzes e breus,
Violência oculta nas vielas, ruas,
Rio de Janeiro, onde o sonho perdeu.

No alto, palácios de zinco e saudade,
Onde a vida resiste, à margem do olhar,
Em becos estreitos, o grito da cidade,
Ecoa silencioso, difícil de calar.

As crianças brincam, sem medo do perigo,
Num mundo que esconde, um caos desmedido,
Entre balas perdidas e o amor bendito,
Semeiam esperança, num terreno erguido.

Nos olhos dos jovens, a revolta brota,
Uma guerra invisível, sem fim, sem derrota,
Onde cada esquina, guarda uma história rota,
De um futuro incerto, que a fé não adota.

O caos social, um monstro adormecido,
Desperta a cada aurora, faminto, destemido,
Na luta diária, um povo esquecido,
Busca na poesia, um refúgio perdido.

O Rio de Janeiro, ferido, encantado,
Contrastes que brilham, num cenário desenhado,
Onde o belo e o feio, num quadro mesclado,
Retratam a cidade, num verso apagado.

Os morros que cercam, são guardiões da verdade,
Espelhos de um Rio, que clama liberdade,
Entre becos e tiros, mora a realidade,
De uma cidade partida, em eterna dualidade.

Inserida por EvandoCarmo

FRAGMENTOS DO CAOS


⁠O caos é um fio entre os dedos,
uma dança sem coreografia,
onde o silêncio e a tempestade
se encontram no mesmo passo.
Eu, que procurei a ordem,
agora deixo os dias caírem
como folhas ao vento.
Os sonhos, feitos de estrelas quebradas,
se constroem nas fissuras do instante.
Cada erro é uma vitória secreta,
cada dúvida, um caminho escondido
na curva do tempo que escorre lento
como água por entre os dedos.
E, quando o mundo grita seu peso
em vozes de aço e de dor,
me perco no sereno vazio,
onde as pedras sabem o segredo
de como ser eternas sem esforço.
Assim, encontro a paz não em um canto,
mas na ousadia de me espalhar
pelos espaços entre o tudo e o nada.
Deixo que o caos me pinte
de cores que nunca imaginei,
e, sem pressa, aprendo
que não há fim onde tudo começa.

Inserida por EvandoCarmo

⁠ O Limiar

No limiar, a eternidade espreita,
não como promessa, mas como ameaça.
Entre o passo seguro e o salto no abismo,
o homem hesita, petrificado
pela vertigem do possível.
Afundar na mediocridade é fácil:
um declive suave,
onde cada escolha não feita
é um alívio que pesa mais que o risco.
Ali, a eternidade morre devagar,
como uma vela esquecida na escuridão.
Mas o abismo – ah, o abismo! –
clama com sua garganta infinita,
oferecendo a vertente do desconhecido,
um eco que promete não respostas,
mas expansão.
É nele que a eternidade vive,
não como certeza,
mas como um desejo sem fim.
No limiar, somos tudo e nada,
um suspiro preso na garganta do universo,
um instante que decide se a alma
se desintegra na poeira do comum
ou se arde no fogo insaciável do eterno.
E então, ao olhar para trás,
quem ousou saltar verá não o chão,
mas o infinito que o acolheu.
Quem recuou, verá não o conforto,
mas as grades de sua própria fuga.
No limiar, a escolha é simples,
mas o peso é eterno:
morrer na margem
ou viver na queda.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Poema para Matheus Nachtergaele

No palco, ele não pisa — ele flutua,
entre o sagrado e o profano, entre o verbo e o silêncio.
Carrega nos olhos a vertigem dos séculos,
no peito, a febre dos que fazem da arte um destino.
A dor não o curva, o abismo não o afoga.

Ele dança sobre os cacos da ausência,
recolhe os vestígios de um nome que nunca partiu,
e os devolve ao mundo em cena, em chama, em fúria.
Seu corpo é verso, sua voz, uma carta esquecida,
um eco de todos que amaram sem resposta.

Ele encarna o que o tempo desfez,
e do esquecimento faz rito, faz oferenda.
E quando as cortinas se fecham, a luz permanece,
porque há almas que não pertencem ao mundo,
mas insistem em iluminá-lo,
como se viver fosse um último ato de redenção.

Inserida por EvandoCarmo

O CANTO DAS RUÍNAS


Caminho entre escombros,
não de pedras, mas de ideias
que o tempo julgou inúteis,
mas que em mim ainda acendem velas.
Ouço o eco do silêncio
das vozes que não quiseram calar,
perseguidas, vencidas, vencendo
na memória de quem ousa pensar.
Vejo no cinza dos muros
as cores que negaram pintar.
Tantos tentaram impor moldes,
mas o pensamento há de escapar.
Não há grilhão que contenha
a febre de um verso solto.
A mente livre é tempestade
que não se embala no mesmo porto.
Se tudo o que nos resta é o caos,
se viver é administrar abismos,
que ao menos o verbo seja nosso,
mesmo entre os ruídos dos cinismos.
Pois há beleza em ser falho,
em não saber, em não caber.
A arte não é conforto:
é um espinho doce de se ter.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Sobre ser poeta

Ser poeta
não é escrever.
É sangrar sem ferida visível.
É andar entre os vivos
com os pés fincados no invisível.

Ser poeta
é ouvir o que não foi dito,
ler o que o tempo omitiu,
beber da fonte que seca os outros.

Não há descanso para o que vê demais.
Não há paz para o que sente em excesso.
Ser poeta é dormir com as cicatrizes abertas
e acordar com palavras grudadas nos olhos.

É saber que nada dura
e ainda assim amar —
como quem beija o rosto da água
antes que ela escorra.

Poeta não descreve.
Poeta desvela.
Poeta não tem vocação.
Tem maldição.

É escolhido pelo silêncio
pra dizer o que mata
e, ao dizer,
sobrevive.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Vida sem Fim — O Tempo em Paz

Eu caminhei por entre os dias como quem pisa vidro.
Havia um relógio enterrado no peito e toda manhã era ferida.
Mas então... o tempo morreu.
E no exato momento em que o tempo expirou, nasceu a paz.

Viver sem fim é como dormir sobre nuvens de silêncio.
O céu já não cai. O chão já não ruge.
As horas não nos perseguem mais com sua foice sutil.
Tudo repousa. Tudo canta.
E o homem, enfim, contempla.

Sem a urgência do fim, a alma se deita no colo da eternidade.
E sonha desperta.
A arte deixou de ser grito.
Agora é sopro.
O gesto não busca o depois — ele floresce no agora como um lírio que jamais murcha.

Ah, viver sem fim...
É ver a infância reaparecer no rosto dos antigos.
É caminhar em jardins que se abrem só quando o espírito está limpo.
É colher frutos que não apodrecem e ouvir árvores sussurrando segredos que esperaram séculos para serem ditos.

Ninguém corre.
Porque tudo vem.
E tudo é.
A morte virou lembrança. Um vulto que se afastou devagar... até desaparecer.

Agora se ouve o som das estrelas.
Agora se escuta o pensamento dos rios.
Agora se entende o silêncio.

Há os que escrevem poemas sem fim — versos que se alongam como rios de luz,
e há os que leem o céu como quem lê um livro antigo, com os olhos marejados de compreensão.
Não há pressa em aprender.
Nem medo de esquecer.
Pois tudo o que é verdadeiro permanece — como o nome gravado no coração da Terra.

E eu, que um dia temi o escuro...
Hoje acendo lâmpadas na alma dos outros.
Porque viver sem fim é isso:
transformar cada instante em eternidade.

Por Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

⁠O Encantamento

A princípio, ele acreditou tê-la visto entre as colunas do templo. Não um templo de mármore — mas o da própria mente. Ali, onde as musas habitam como sombras antigas, ela surgiu. Seus olhos, tão serenos, pareciam conter os astros. Seu gesto mínimo, de afastar os cabelos do rosto, era um ritual solar. Ele pensou: É Ariadne. A filha dos deuses. A que guarda o fio do caos.

Ele era artista. Não dos que vendem quadros em feiras nem dos que frequentam coquetéis. Era daqueles que se perdem no traço de uma linha, ou em uma frase que nunca termina. Vivia no exílio da lucidez, no limiar entre o sagrado e o delírio.

E ela apareceu assim. Simples. Com um vestido qualquer. Mas para ele era sacerdotisa. Musa. Mistério. Sua mente parecia dançar sobre os abismos como uma acrobata dos ventos — e ele se encantou por aquela inteligência sem nome, por aquele silêncio que parecia conter todas as palavras do mundo ainda não ditas.

— Você não é daqui — ele disse, certo de que falava com uma mulher vinda de outra esfera.

Mas os dias passaram. E o que era véu foi tecido. O que era bruma, forma. A musa, aos poucos, se revelava humana. Com certezas comuns, opiniões previsíveis. Não havia abismo: apenas convicções. Ela acreditava em causas, em partidos, em fronteiras morais. Entre o sim e o não, ela nunca hesitava. Entre o bem e o mal, escolhia com pressa.

Ele, que vivia das nuances, das contradições, do absurdo, sentiu uma dor sem nome.

— Ela é binária — pensou.
E doía. Não porque ela fosse assim — mas porque ele havia amado nela o que ela nunca fora.

E então compreendeu: sua arte sempre fora isso — um esforço patético de ver divindade em quem só carregava o peso da humanidade.

Inserida por EvandoCarmo