Amor entre Pessoas que Nunca se Viram
Entre tantos silêncios que a vida traz, encontrei um colo que me envolve com doçura. No seu cuidado, sinto-me rara, amada e guardada como princesa.
Entre espadas, corregos e estradas.
Noite perfeita no nosso país.
Somos iluminados, pela aurora,
Que outrora brilha além do mar
A gente às vezes está tentando
colocar limites entre nós em certas coisas, né...
E quando a gente menos espera,
Estamos feito bobos
olhando um pro outro 🤤
(05 de Setembro de 2025)
O infinito não está nas estrelas que contemplamos, mas no intervalo entre o olhar e o que é olhado; ali, nesse espaço invisível, mora o mistério que une carne e espírito, como se cada respiração fosse um fio sutil ligando o efêmero ao eterno.
O vento batia no meu rosto com tanta rapidez quanto as pernas entre 2 rodas da motoquinha, nesse momento só tinha 1 única rota onde o final era sair correndo e voltar ao início dela, inúmeras vezes. Eu podia falar de coisas que não existem e fugir dos monstros que a gente via, podia falar por horas e também não conseguirem arrancar nem se quer uma palavrinha minha, meu nome.
O vento batia em nosso rosto com tanta rapidez quanto as pernas que faziam força para descer mais rápido, em um morro, nesse momento o final da rota podia ser um céu estrelado ou bem azul. Eu podia falar do mundo dentro da minha cabeça enquanto o mundo explorável de fora aparecia e você corria, ás vezes mais longe que eu nem ser quer poderia te ver nem falar, seu nome.
O ar e o fogo. Quanto mais vento mais fogo. O vento soprava meu rosto, o vento soprava seu rosto, nesse momento não tinha mais rota, você é o vento, eu o fogo. Enquanto o vento quer ir, o fogo que ficar, enquanto o vento derruba, o fogo consome, enquanto o vento refresca, o fogo aquece. Juntos existem, separados existem. Eis a vontade do fogo que queima. Eis a vontade do vento que sopra. Quanto mais vento mais fogo. O sol batia em seu rosto enquanto com tanta rapidez nossas pernas pedalavam e o vento batia em meu rosto, do meu lado está você. Em um dia de verão. Em um dia divertido. Em um dia não tão divertido. Lá está você.
“O mais rico e sábio entre os homens pagou com sangue e levou consigo os pecados da humanidade. Existe, sim, um valor inestimável nos erros quando aprendemos com eles e valorizamos o sangue que corre em nossas veias.”
“Converse longa e sinceramente consigo mesmo. Cultive uma amizade genuína entre o Id, o Ego e o Superego. Forje sua personalidade e molde conscientemente seus comportamentos.”
“Entre os extremos da infância e da senescência, ergue-se um risco: a senilidade. Não é destino inevitável, mas, muitas vezes, o reflexo silencioso de escolhas negligentes ao longo da vida.”
“Quem navega entre a luz e as sombras conhece a desolação de se perder em pensamentos insólitos e no vazio de sentido frente a um mundo que é ao mesmo tempo concreto e ilusório.”
“A chuva desperta uma melancolia saudosista que não distingue entre dor e alegria: ambas são marcas do tempo. E, paradoxalmente, recordar é também aliviar.”
Entre Duas Marés
Há caminhos que se fecham
muito depois de termos partido.
Ficam a respirar atrás de nós,
como portas que não sabem aceitar o silêncio.
Tu voltaste quando eu já era
memória dobrada dentro de mim,
um eco que a vida tentou apagar
mas que insistia em pulsar
como uma luz antiga de farol
a procurar um barco que já não volta.
E eu, que tantas vezes te esperei,
aprendi a caminhar com os pés feridos,
aprendi a ser terra firme
depois de ser tempestade.
Mas quando disseste “volta”,
o tempo abriu-se como um rio dividido.
Toquei-te ainda, como quem toca
uma fotografia viva,
mas o meu destino já tinha nome,
e a minha palavra já tinha dono.
Ainda assim, há noites
em que o teu nome sobe à superfície,
como uma ilha perdida
que o mar insiste em mostrar.
Não é arrependimento.
É apenas o coração a lembrar
que algumas histórias,
mesmo quando acabam,
continuam a respirar dentro de nós
como marés que não sabem
deixar de voltar.
“Ser feliz é saber fazer a distinção entre seus próprios acertos e erros, e conviver em paz com suas escolhas.”
Entre a primeira inspiração e a última expiração, viva a travessia, celebre o tempo e honre as companhias que dão sentido à jornada.
A vida é dividida entre:
A razão e
A vontade,
Quando o coração
Transborda
De vontade
Nem sempre
Haverá razão
Neste Dia dos Pais, o coração se volta para aqueles que já não estão mais entre nós.
A saudade aperta, mas o amor que deixaram permanece vivo, guiando nossos passos.
Hoje não há abraço, mas existe a certeza de que, onde estiverem, continuam sendo nossos heróis para sempre.
O que você vê nem sempre é real. Distinguir entre o verdadeiro e o falso às vezes é só uma questão de tempo e paciência.
ENTRE O SONO E O DESEJO
No limiar da noite, ela surgia,
e vinha envolta em véus de claridade;
seus olhos, dois abismos de saudade,
tinham a cor da dor que não se esfria!
Jamais tocada, sempre se esvaía,
na dança lenta da minha ansiedade;
mas sumia, ao toque da verdade,
como a bruma que o sol desfaz ao dia!
Então, já no fim da madrugada, volta
e me sussurra um verso derradeiro:
“— O amor é sonho imortal e constante”!
Então desperto só, mas sem revolta,
com seu perfume preso ao travesseiro,
cheio de esperança daquele instante!
Nelson de Medeiros
08/03/2023, no auge da pandemia.
Entre o Coração e o Vazio
Há um abismo entre a boca e o coração,
um espaço onde os sons nascem e morrem
antes de alcançar o ar.
A língua repousa como um animal adormecido,
com medo de morder a própria carne.
Ele caminha entre rostos como quem atravessa um campo minado,
sabendo que cada gesto pode ser a explosão
que revelará a dor que carrega.
Prefere a distância à confissão,
prefere o eco vazio ao risco de ser visto.
As noites tornam-se longas
quando se guarda demais.
Os pensamentos crescem como raízes cegas,
procurando saída por frestas
que nunca se abrem.
O corpo aprende a calar antes da mente decidir,
uma disciplina antiga, quase cruel,
como um monge que jejua até esquecer o sabor.
O coração se torna um cofre de ferro,
sem chave e sem promessa de resgate.
Há uma ciência amarga em fingir normalidade,
em sorrir como se nada fosse urgente.
A arte de sobreviver está em parecer intocado,
mesmo quando por dentro
a própria alma se despedaça em silêncio.
Afastar-se é mais fácil do que explicar.
A ausência não exige justificativa,
apenas se instala como neblina,
apaga contornos
e esconde o que nunca foi dito.
Mas o que se evita pesa.
É um fardo que se acumula nos ombros,
uma sombra que cresce e acompanha os passos,
lembrando que todo silêncio é também
um grito sufocado.
O funeral acontece sob um céu pesado,
o cheiro de flores murchas e terra úmida
envolve os que choram com um peso invisível.
Ele observa de longe, sem se aproximar,
como se a morte fosse apenas mais um lugar
de onde é melhor se manter distante.
O caixão desce lentamente,
e todos ao redor murmuram despedidas
que ele jamais conseguiria dizer.
Os sinos soam como o eco de tudo que ficou preso,
e naquele instante,
ele percebe que enterra junto o que nunca teve coragem de oferecer.
Ele caminha sozinho pela rua deserta,
o corpo frio como pedra,
e pela primeira vez entende que não é o mundo que o abandona,
é ele que se abandona ao vazio
até que o próprio coração pare de chamar por socorro.
