Amor de Vida Passada
Com a alma tão cansada,
Caminho sem rumo certo,
A tristeza me acompanha,
E eu sigo sempre incerto.
As lágrimas escorrem pelo rosto,
E o coração aperta de dor,
A vida parece um peso imenso,
E eu já não sinto mais amor.
Ela é a cara da mãe,
que em tudo puxou de sua avó.
A avó, por sua vez,
é idêntica à mãe que um dia teve,
que vejo em apagados retratos,
e que, conforme antigamente contavam,
era cópia fiel da bisavó da mãe
da mulher que hoje amo,
e que é a cara esculpida da minha sogra.
Creio que me apaixonei
foi por uma mulher do começo do século XIX
Já experimentei dois tipos de amores: o que cura e o que dói. Curiosamente sinto saudade do último.
Um dia eu sonho um vestido branco usar, de noiva na igreja poder entrar, no altar me ajoelhar e o "sim" poder falar. Contigo ao seu lado vou estar e todos os dias te amar.
A QUATRO MIL METROS DE VOCÊ
Rarefeito é o ar apesar do vento
Entra em mim como água no deserto
O diafragma em soluços, tento
A atmosfera que és tu, liberto.
Respiro fundo e olho a queda
A tristeza escarlate-artéria depreda
O sangue azul-veneno em mim enreda
Teu cheiro em meus alvéolos já não degreda.
Almejo as habilidades dos pássaros
Invejo os leves pulmões caros
Desprender-me dos limites bárbaros
A chegada ao topo é para os raros.
Meus ouvidos me falam dos teus ecos
Martela em meus tímpanos apáticos
Destoam além dos meus instintos poéticos
Seus ecléticos pensamentos sarcásticos.
Uma demonstração de carinho é essencial para a manutenção de uma relação de confiança e compromisso; ser frio traz uma certeza de que algo não está certo.
Precisei parar de carregar fardos que não me pertenciam e só assim comecei a caminhar com mais leveza e tranquilidade.
A vida não é fácil, princesa, mas você pode aproveitar o melhor que ela tem a lhe oferecer. E não se esqueça: VOCÊ É PRIORIDADE!
Atestado poético
Tão longe,
Tão perto
Como te desperto?
Às vezes, me consome,
Noutras, esconde-se
Por que some?
Hoje, faz falta,
Amanhã, transborda
Por que meu peito ainda salta?
Somos dois,
Um.
Dias depois, nenhum?
Tão cedo, tão tarde,
Descubro que não é paixão,
Mas patologia: crise de saudades.
Refletida no vidro embaçado da janela, as linhas que marcavam meu rosto se revelavam como nunca, um baú de recordações: uma nostalgia de tudo o que sou. Hoje, ainda tenho muito a dizer, mas, talvez, não precise de tanto enquanto meus abraços e versos continuarem tão cálidos. Contemplando a garoa cair, numa manhã fria de outubro, atípica assim como eu, percebi que me acomodei nesta pitoresca deformidade d’alma: do riso espontâneo às lágrimas de saudade ou vice-versa.
POR TRÁS DO METAL
Oh, coração em armadura de ferro,
A postura de quem cavalga com destemor,
A espada, fiel companheira, jamais se ausenta,
Mas esqueço da tradição que ergueu os cavaleiros.
Descendentes de um romantismo já trilhado,
Ah! Como sempre me reconheço romântico,
A postura de ser o abrigo em carinho,
A espada, guardiã de proteção e cuidado.
A armadura, símbolo dos meus valores e honra,
Eis a honra daquele que se compromete a uma bela dama,
O cavalo, fiel amigo nas escolhas que faremos,
Assim, galopamos errantes ao rumo,
A dama que conhece um cavaleiro sempre será amada.
"Quando estou com você o tempo insiste em correr e quando me assusto já não estamos mais ali só eu e você. O tempo não para."
