Amigos Nao Precisa ser do Mesmo Sangue
Nos momentos de necessidade
restarão ao seu lado somente os verdadeiros e serão poucos.
E mesmo com toda dificuldade.
Isso lhe proporcionar os melhores momentos da sua vida.
Onde a de felicidade será plena.
Ali estará as pessoas que realmente
merecem todo seu respeito e sua admiração!
O jornal na soleira do dia
Um embrulho na porta
Até mesmo Deus entregou
As gotas de orvalho durante a madrugada
Num jardim de flores mortas
Um caminho solitário além do portão
Solidão apressada e insistente
Vem gritar na janela
Aquela palavra que eu tanto fugia
Assim começa outro dia
Não me basta trocar de endereço
Neste vasto mundo
O preço que pago é tão alto
Que tudo isso me alcança amanhã
As portas sempre abertas pra sair
Mas fechadas, quando a gente quer entrar
Tanto faz
O jeito é viver a vida
Como ela vier
Pois qualquer lugar é lugar
Qualquer coisa é ruim.
Edson Ricardo Paiva
Boa é a sensação que vem
Quando a gente se sente só
E mesmo estando assim sozinho
Só faz assim porque sabe
Que em algum lugar deste mundo
Tem alguém que sente saudade
E se sente só também
Bom é quando a gente
Não se cabe de alegria
Quando começa ou termina o dia
Tendo em mente que está lá
E que aquele coração
é outro que se apressa
Pra depois arrefecer, sereno
Aguardando que um mais um
Sejam dois
E que dois seja um só
Bom saber que ela queria
Em grata, simplesmente se molhar
Na tempestade que aqui choveu
Olhar pro mesmo Sol que eu vejo
Saltaria aos olhos dela
Se me visse a rir à toa
Sentindo essa coisa boa
Só por saber que ela existe
Lá, sem saber onde esconde
A alegria que lhe vem ao rosto
Por saber que é querida
E só por ela eu penso assim
Em tê-la até o fim da vida
Aqui, muito perto de mim.
Edson Ricardo Paiva.
Nos momentos
Em que penso
Nas coisas que penso
Chego mesmo a pedir
A opinião do silêncio
Que se cala
Ouço a voz do vento
Vejo a sombra que vem lá de fora
O gato do telhado
Nada fala mais alto nesse instante
Que a luz da Lua
Sobre o desencanto
que me causa a noite
Não existe mais
A beleza do mistério ou espera
Quisera ...não há mais nada além
Que o Fogo da vela, por demais tremulante
Mas se a gente olha direito
De fora pra dentro
Pode ser que seja a hora
De cerrar pra sempre essa janela
E mandar a Lua ir embora
Aqui dentro do peito
A opinião do silêncio
Faz sentido e fala mais alto
E num ato propenso à mudanças
Quando a Luz me alcança
Há essa dança bruxuleante
Essa sombra felina
Essa bagunça progressiva
Ao mesmo tempo
Mansa e silenciosa
Coração deserto
A vida desmorona
E se torna em ruinas
Eu penso em silêncio
No ruído ausente
A conclusão é nada
Sozinho nessa confusão
Fraterna
Mas que não termina
A falta de paz
Que a quietude tanto traz
Há essa eterna madrugada
Em que tornou-se a vida.
Edson Ricardo Paiva.
A gente briga
Até mesmo com a barba que cresce
Olha a própria cara no espelho
Pára, fita ...se encara
Meu Deus
Acho que conheço esse cara!
Eu já vi esse rosto numa foto antiga
...esquece!
Diacho!
Não lembro com quem parece
Devagar, me afasto
Me bastam os apelos jamais atendidos
E tantos pedidos
Perdidos no silêncio
Me arrependo por ter esquecido
Foram só ruídos de passos
Que deixei pelo chão
Igual a mim
A cada qual
A solidão igual e contrária
Um baú lotado dela
Aquela
Que ninguém sabe por que merece
Sem mesmo caber merecê-la
Em cada noite sua escuridão
Em cada escuro uma estrela
Edson Ricardo Paiva
Eu quero a chuva
Num dia de Sol
No mesmo Sol
De uma manhã de inverno
Eu quero a sorte
de noite estrelada
Que seja hoje
e de novo amanhã
Calor de Sol
Numa blusa de lã
Espero
A curva lá da ventania
Eu quero vida na vida
E se eu pudesse querer
Outra coisa qualquer
Desejaria que ela fosse
Linda
Linda como a chuva
Num dia de Sol.
Edson Ricardo Paiva.
"Vale o escrito
Desde que tal ato
A ninguém seja dito
E assim segue a vida
Mesmo que ninguém saiba pra onde
E no fim se descobre
Que o maior alívio é viver sem motivo
Evitando o desconforto
De saber-se vivo
Apesar de morto"
Edson Ricardo Paiva.
Hoje eu fiz café
E desfiz a amizade
da saudade que eu sentia
de mim mesmo
Parece a semana passada
Mas faz muito tempo...
Eu sentia um perfume
Que até hoje eu não sei ao certo
A vida não era
Um caminho de estrelas
A vida era o nada
Onde a trilha era delas
Meus pés vão pisando outro chão
Onde o brilho são vagalumes
Hoje eu fiz café só pra mim
Hoje eu vi que tinha
Borboletas coloridas
Bordadas
Na única xícara que não quebrou
A vida ilude
Mas não faz feliz
Acordo outra vez
Agora não sou mais
Um menino de giz
Desenhado num muro
Novamente me vi de pé
Transbordando o café na pia
Acordo de novo
Dessa vez
No mesmo dia
Percebo que nunca mais
Quero estar perdido
O poema de hoje
Ainda nem foi escrito
O dia de ontem
Escurece no esquecimento
Borboleta que pousa na minha mão
Minha única xícara
Linda... e última vida.
Edson Ricardo Paiva.
"Desde muito cedo
Antes mesmo de nascer meu Sol amigo
Me prestei e esquecer meus medos
E me emprestei a um ser só
Que era eu
Trazendo nas mãos, nada mais que dez dedos
Escondi no coração muito mais que vinte medos
Do lado da minha paz
Minha paz, há muito esquecida, espalhei
Meu Sol se pôs
Meu medo escondido, só pra mim guardei
Pra depois do fim da vida."
Edson Ricardo Paiva.
"No silêncio a alma grita
Porém, é tão grande esse silêncio
Que nem mesmo a própria alma escuta
Mas ele é assim, tão lancinante
Que eu sei que o próprio Deus garante
A alma o sente."
Edson Ricardo Paiva.
Você nunca mais poderá estar lá
Mesmo estando nas quaresmas
As mesmas coloridas
Granulosas, do início das nossas vidas
Hoje surge um novo Sol
Sendo ainda o velho Sol de sempre
Daquela hora linda, mas que a gente esquece
Quando Deus criou o acaso
E a semente germinou num vaso
Como coisa que acontece
Como talvez nunca mais
Nem natais, nem carnavais
Dois dias iguais na semana
Pensamento que perdura
De um momento que se nega
e que nunca acontece
Uma rede de pescar, correnteza levou
Deixando a saudade de olhar
Que de olhar se via
Eram horas iguais no mesmo dia
Onde eu estava e pra sempre vou estar
Fica a escassez de detalhes a esbanjar riqueza
Pra sempre estaremos ausentes
Fica aqui a dor que se sente e pela qual se vive
Igual a tudo que se foi
Mesmo sem jamais ter sido.
Edson Ricardo Paiva.
Liberdade
Andar descalço ao entardecer
Caminhar no mesmo passo
Içar a vela
Perfume de outrora
Hoje é pranto de estrelas
Saudades são vagalumes
E sorrir sem vontade
Estrelas que brilham porque a luz mandou
Te parecem ser bem mais felizes
Navega perdida a verdade de agora
Só o tempo é livre
Arguto, ele passa sem te olhar
Calçar os sapatos, pisar diferente
Fui olhar a flor que foi bonita
Na leveza do vento
Como quem caminha lento agora
Gruda na roupa da gente uma luz de garoa
Uma gota a mais, transborda
Acorda tua eterna vontade
Não sabe de quê
Qual canoa se afasta a vagar
Essa estrada que se vive, ela tem fim
Não se pode segurar o tempo, ele não fica
Só que isso não significa
Ao tempo que ele seja livre.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje amanheceu chovendo
O pássaro dormia, ele partiu
Meu dia amanheceu calor
Olhando o mesmo mundo
O vejo mais distante
Desejo ao pássaro
Uma boa viajem somente
Não tem como sentir
A dor de fazer tudo igual, diferente
Meu dia amanheceu
Tão quente
Sem motivo pra calar
Não faz mal estar tudo bem
Quando estar tudo bem
Não é, nem de longe, importante
O ar quente do balão
O vento forte contra a asa do avião
O tempo breve, cuja vida abrange
A grandeza do anjo
A beleza do jardim lá fora
O pássaro que há muito adormecido
Fez uma curva no céu
Acenou-me um adeus
Era a hora de partir
A corda do violão
Arrebentou, quando eu não estava perto
Se fez algum ruído ou não
Não sei
Somente o anjo, coração deserto
Decerto estava lá pra ouvir.
Edson Ricardo Paiva.
Respeito Próprio.
Por respeito a si mesmo
Dias haverá
Que te seja necessário
Permitir aos teus olhos
Ver o ouro
Mas que esse não reluza
Permitir aos teus sentidos
Saber que o vento sopra
E não ouvir o farfalhar das folhas
Abandonar a condição humana
Não amar, em amor próprio
Por amar-se em primeiro lugar
e não mais apegar-se a nada
por honrar a vida
Deixar-se ficar
e, não mais permanecer
Saber o escuro da noite
O brilhar das estrelas
O canto dos grilos
Compreender aquilo que não te cabe
e o que te cabe também
Mas apenas calar-se num pranto
Calar-se por respeitar-se
E deixar que as águas fluam
Sem jamais delas beber
Belas serão as paisagens
Das janelas, das sacadas
Belas sem as querer
Mantenha tuas portas fechadas
Tua mente calada
Gosta antes de ti mesmo
Por respeito próprio
Sê tu teu universo.
Edson Ricardo Paiva.
Tem sempre alguma coisa.
Um dia
Mesmo o coração de olhar mais duro
Lança um olhar à estrada
Depois de muito ter partido
Porque nada a paisagem lhe diga
Quanto ao começo
Tem sempre um pedaço que fica
Esse é o preço da vida
Num mundo onde tudo é de graça
Passa tudo, passa o tempo
Passa toda e qualquer ilusão
Não mais me iludo
Mesmo o coração mais puro
Não foge a ter o olhar endurecido
Mesmo que a paisagem lhe diga tudo
Tem sempre alguma coisa que não fica
Porque nada é de graça
Um passo deixa sempre rastro
Um mastro ao longe, uma pegada
Mentira acreditada, conta que não fecha
A estrela errada que te orientou
Tem sempre alguma coisa a ser lembrada
No pouco que se traz ou deixa
Esse é o preço da vida.
Edson Ricardo Paiva
Muitos de nós passarão a vida a frente de causas nobres sociais e eclesiásticas, e mesmo assim continuarão como trapos.
A verdadeira felicidade de um homem pousa sobre ele, quando o mesmo resolve depositar tudo no que realmente rende frutos eternos, a família...
A cada dia que passa, o tempo diminui, mas cada dia passado, é o mesmo somado, desde anos passados, e de outros a serem amados estando sempre ao seu lado!
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