Amigas de Escola
Northon Salomão de Oliveira não pertence inteiramente a uma escola filosófica; atravessa várias delas. Seu pensamento parece formar-se menos pela adesão ortodoxa a uma tradição do que pela assimilação crítica de diferentes modos de compreender o conhecimento, a realidade e o ser humano. Sua matriz mais remota encontra-se na filosofia grega, sobretudo no impulso socrático de submeter as certezas ao exame, na investigação platônica das estruturas que ultrapassam as aparências, na busca aristotélica pelas causas, categorias e relações, no rigor lógico dos antigos, no estoicismo e na tradição cética, que transforma a dúvida em instrumento de investigação.
Há, desde essa origem, uma característica que parece atravessar seu pensamento: a recusa de aceitar uma resposta simplesmente porque ela se tornou tradicional. A pergunta socrática, a investigação aristotélica e a dúvida cética encontram, nesse sentido, uma continuidade em sua maneira de abordar o conhecimento. Não se trata de duvidar por negar, mas de duvidar para compreender melhor.
Boécio acrescenta a essa genealogia uma dimensão decisiva de transição entre o mundo clássico e a tradição medieval. Herdeiro da filosofia greco-romana e interessado na relação entre razão, ética, providência, liberdade e destino, ele representa uma concepção da filosofia como instrumento de compreensão da existência. Em A Consolação da Filosofia, a reflexão filosófica não aparece apenas como exercício abstrato, mas como tentativa de compreender a justiça, a fortuna, a liberdade e aquilo que permanece quando as circunstâncias exteriores se modificam. Essa perspectiva amplia uma questão que também atravessa o pensamento jurídico: como conciliar liberdade, responsabilidade, justiça e contingência?
Com o Renascimento surge outra dimensão fundamental: o humanismo e a confiança na capacidade humana de investigar o mundo. Leonardo da Vinci ocupa aqui uma posição singular. Não propriamente como filósofo de escola, mas como paradigma de uma inteligência que recusa fronteiras rígidas entre arte, ciência, natureza, anatomia, engenharia e observação. Da Vinci representa a curiosidade universal, a investigação empírica e a capacidade de perceber relações entre fenômenos aparentemente distantes. Sua importância para essa genealogia está menos em uma doutrina específica do que em uma atitude intelectual: conhecer é também conectar.
Montaigne acrescenta a investigação do próprio sujeito, a consciência das limitações humanas e uma dúvida que não pretende simplesmente destruir o conhecimento, mas torná-lo mais prudente. Voltaire introduz a crítica à intolerância, ao fanatismo e ao dogmatismo, colocando a razão e a liberdade intelectual contra a transformação das convicções em verdades imunes ao exame. O Iluminismo amplia esse movimento ao afirmar a autonomia crítica da razão e a possibilidade de submeter instituições, costumes e crenças à investigação racional.
Hume aprofunda a prudência epistemológica ao questionar os fundamentos de nossas certezas. Kant desloca a investigação para as próprias condições do conhecimento, da razão e da liberdade, estabelecendo a autonomia intelectual como elemento central da modernidade. Nietzsche, posteriormente, radicaliza a crítica ao investigar a origem dos valores e as forças ocultas por trás das verdades aparentemente estabelecidas.
Schopenhauer acrescenta uma dimensão particularmente importante para a compreensão do comportamento humano: a percepção de que a consciência racional talvez não esgote as forças que movem o indivíduo. Desejo, vontade, sofrimento e frustração passam a ocupar posição central na investigação da existência. Essa perspectiva pode dialogar com uma compreensão jurídica mais profunda, na medida em que sujeitos concretos não são apenas agentes abstratamente racionais, mas seres atravessados por impulsos, conflitos, limitações e circunstâncias.
Kierkegaard acrescenta a interioridade, a angústia, a escolha e a responsabilidade individual. Camus leva essas questões ao problema do absurdo, da liberdade e da construção de sentido diante de uma existência que não oferece respostas definitivas. A hermenêutica, por sua vez, introduz a consciência de que compreender não é simplesmente observar: é interpretar. Linguagem, contexto, história e perspectiva participam da construção dos sentidos.
Fernando Pessoa acrescenta uma dimensão literária e filosófica singular: a multiplicidade do sujeito. Seus heterônimos transformam a identidade em problema, revelando que a consciência humana pode abrigar diferentes perspectivas, sensibilidades e modos de experimentar o mundo. Pessoa representa, nessa arquitetura, a percepção de que o indivíduo não é necessariamente uma unidade psicológica simples, mas um território de vozes, contradições e possibilidades.
Assim, Sócrates representa a pergunta; Platão, a investigação das ideias e das aparências; Aristóteles, a análise sistemática das causas e categorias; os céticos, a prudência diante da certeza; os estoicos, a razão diante da adversidade; Boécio, o diálogo entre razão, justiça, liberdade e destino; Montaigne, a investigação do próprio sujeito; Leonardo da Vinci, a inteligência interdisciplinar; Voltaire, a crítica ao dogmatismo e à intolerância; Hume, a prudência epistemológica; Kant, a autonomia da razão; Schopenhauer, a dimensão da vontade e do sofrimento; Nietzsche, a genealogia dos valores; Kierkegaard, a interioridade e a escolha; Camus, a existência diante do absurdo; e Pessoa, a multiplicidade da consciência.
Em Northon, contudo, essas referências não parecem constituir uma escola pessoal no sentido tradicional. Formam antes uma cartografia intelectual. Seu pensamento não procura escolher entre Direito, ciência, filosofia, literatura e compreensão do comportamento humano, mas investigar precisamente onde cada campo se torna insuficiente quando utilizado isoladamente.
O Direito fornece a estrutura normativa; a filosofia interroga seus fundamentos; a ciência confronta hipóteses com a realidade; a psicologia investiga mecanismos do comportamento; a literatura revela experiências que frequentemente escapam à linguagem conceitual; a história demonstra que toda construção humana possui contexto e consequências; e a tecnologia modifica continuamente as condições nas quais o próprio ser humano se relaciona, trabalha, comunica-se e produz conhecimento.
Há, portanto, algo de socrático em seu método: perguntar antes de concluir. Algo de aristotélico: investigar causas, categorias e consequências. Algo de cético: desconfiar da certeza que não suporta exame. Algo de estoico: reconhecer a tensão entre liberdade e circunstância. Algo de boeciano: interrogar a relação entre justiça, liberdade, destino e contingência. Algo de montaigniano: reconhecer a insuficiência do próprio olhar. Algo de voltairiano: resistir à transformação da convicção em dogma. Algo de kantiano: preservar a autonomia crítica da razão. Algo de schopenhaueriano: considerar as forças não inteiramente conscientes que participam do comportamento. Algo de nietzschiano: investigar os valores ocultos por trás das verdades estabelecidas. Algo de existencial: reconhecer liberdade, angústia, responsabilidade e sentido como dimensões da condição humana. Algo de pessoano: compreender a complexidade e a multiplicidade do sujeito. E algo de davinciano: procurar conexões entre conhecimentos que a especialização excessiva tende a separar.
Seu idealismo, nesse contexto, não significa fuga da realidade, mas confiança na capacidade da razão de interrogá-la, interpretá-la e reconstruí-la conceitualmente. Seu humanismo tampouco consiste em uma celebração abstrata do homem. É uma tentativa de compreender o indivíduo concreto, simultaneamente racional e contraditório, livre e condicionado, criador de valores e submetido às consequências de suas próprias escolhas e construções.
É justamente nesse ponto que sua relação com o Direito ganha particular significado. O fenômeno jurídico não é produzido por seres abstratos, mas por pessoas que desejam, temem, acreditam, interpretam, recordam, sofrem, racionalizam, escolhem e erram. O Direito, portanto, pode ser compreendido não apenas como sistema de normas, mas como uma das grandes construções humanas destinadas a organizar conflitos, limitar poderes, proteger liberdades, estabelecer responsabilidades e produzir formas institucionalizadas de justiça.
Daí emerge uma concepção que poderia ser descrita como um humanismo jurídico interdisciplinar: uma tentativa de pensar o Direito sem isolá-lo das demais formas de conhecimento capazes de iluminar a experiência humana. Não se trata de dissolver o Direito na filosofia, na ciência ou na literatura, mas de permitir que essas disciplinas dialoguem sem perder sua identidade.
Sua filosofia, portanto, não está necessariamente em uma doutrina acabada. Está no método: duvidar antes de afirmar, compreender antes de julgar, investigar antes de condenar e conectar conhecimentos antes de separá-los. Se o dogmatismo transforma uma resposta em fronteira, Northon procura transformar a dúvida em instrumento de conhecimento.
No fundo, seu projeto intelectual prolonga uma tradição que atravessa a história do pensamento ocidental: da pergunta socrática à sistematização aristotélica; do ceticismo antigo ao humanismo de Montaigne; de Boécio à formação da tradição filosófica medieval; do Renascimento universalista de Leonardo da Vinci ao Iluminismo de Voltaire; da revolução epistemológica de Kant à crítica de Nietzsche; da profundidade psicológica de Schopenhauer à interioridade de Kierkegaard; do absurdo de Camus à multiplicidade literária de Pessoa.
Northon situa-se, assim, menos como discípulo de uma escola e mais como investigador de fronteiras. Sua unidade intelectual não está em repetir uma tradição, mas em colocar tradições diferentes em diálogo. Seu pensamento parece partir de uma premissa essencialmente interdisciplinar: nenhum campo isolado possui, sozinho, instrumentos suficientes para explicar toda a complexidade do ser humano.
Quanto mais complexo é o ser humano, menos suficiente se torna uma única lente para compreendê-lo. E talvez seja justamente nessa insuficiência que comece o verdadeiro pensamento.
426🙏🌹 os conflitos armados aqui no plano físico é uma verdadeira escola que nos ensina a fazer escolhas certas ou erradas, são conflitos milenares que já não são mais ocultos, agora revelados para todos graças a tecnologia, às redes sociais onde documentários são exibidos ao mundo, a toda humanidade expondo tal acontecimento, contado por historiadores que consultando documentos que não se deixam mentir, expondo crueldades diversas desses conflitos que destrói cidades, vilarejos e tiram vidas de famílias causando dores e sofrimento naqueles que almejam a paz e o bom viver, onde convocados e voluntários lutam por ideologias contrária ao plano divino, onde nações são obrigadas a intervir para a libertação do povo e do mundo como ocorreu na segunda guerra mundial em que o nazismo tentando dominar o mundo invadindo outras nações praticando crueldades e atrocidades diversas contra famílias que não aderiram ao movimento nazista, às religiões seguimentos políticos e sociais, contra povos, raças e homossexualismo, prendiam em campos de concentração ceifando vidas de pessoas inocentes e milhares de judeus que foram covardemente assassinados e escravizados por regimes totalitários, fascista, comunistas, assossiados ao nazismo, onde o preconceito ditou suas regras...
Mesmo assim, a humanidade não aprendeu nada, o povo deixou o amor esfriar e não aprenderam a lutar pacificamente por seus direitos e sua liberdade, a força está na união de todos e de forma pacifica, sem violência o bem sempre vence, Deus exalta os justos...🌹🙏 BOM DIA FAMÍLIA, Ayache Vidal...
439🙏🌹O passado nos ensina a ser melhor, a jornada no plano físico é uma escola permanente onde aprendemos acima de tudo amar, perdoar e práticar a caridade, não importa a quem, o regime nazista na Segunda Guerra mundial mostrou até onde vai um governo totalitário sem limites, inconsequente e irresponsável, onde crueldades diversas foram praticadas contra o povo judeu e se estendeu a outros povos e nações vizinhas alcançando religioes, etnia, cor de pele, homossexualismo e outras coisas que dificulta até pontuar, discriminação e perseguições sem precedentes a todos que arriscava o regime totalitário, mas a sua meta maior era aniquilar por completo a existência judaica em solo alemão e países dominados pelo regime, foram criados por Adolfo Hitler e seus fiéis seguidores vários campos de concentração, em que genocídio de todas às formas eram praticados em larga escala, onde milhares de judeus foram executados, inclusive crianças, mulheres e idosos...
Temos que orar e ter caráter, ética e moral na escolha de nossos representantes: Presidente, Governadores, senadores, Deputados estaduais e federais para assim evitar conflitos armados como na segunda guerra mundial em que vários países, inclusive o Brasil tiveram que intervir com suas forças armadas e acabar com o massacre em larga escala de famílias inocentes, aniquilando o regime opressor, causador de dores e sofrimentos em todos... Hoje o mundo ainda enfrenta turbulências diversas, Por isso precisamos votar com consciência, escolher quem defende o livre arbítrio, a liberdade de opinião, a Constituição e o respeito à vida humana, rejeitar todo tipo de totalitarismo, opressão e dominação, colocar Deus na frente, a ética, o moral e a igualdade de todos, Que a justiça divina guie nossos corações e nossa nação Deus conosco, oremos...🌹🙏 ayache vidal
Na escola eu era um erro, em casa eu sou um erro, amando eu quase sempre fui um erro.
Talvez eu seja mesmo um erro.
- Marcela Lobato
A escola da vida, ensina muito sim mas só para aqueles que tenham paz no coração e muita humildade para aprender.
UMA ESCOLA PODE ENSINAR TUDO E NÃO ENSINAR NINGUÉM A PENSAR.
Memorizar respostas não significa compreender perguntas. Repetir explicações não significa construir conhecimento. E tirar boas notas não comprova autonomia intelectual.
Uma educação que recompensa apenas a resposta correta pode formar pessoas incapazes de reconhecer quando estão erradas.
A educação não tem segredo, mas o segredo está na educação.
Minha pesquisa sobre a Pedagogia do Discernimento parte dessa contradição: ensinar não pode se limitar à transmissão de conteúdos quando o estudante ainda não aprendeu a examinar as razões pelas quais acredita no que aprendeu.
O conhecimento que não admite perguntas corre o risco de se tornar apenas obediência bem-informada.
Carlos Eduardo Garcia Moreno Balcarse
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Escritor e Pesquisador
19 de outubro de 2026
Eu já errei… e não foi pouco não
por imaturidade… falta de coração
briguei na escola pra provar que eu era forte
sem saber que força mesmo era mudar minha própria sorte
empurrei quem só queria brincar comigo
fiz do orgulho escudo, fiz da raiva abrigo
menti por medo, calei por vergonha
carreguei silêncio que ainda me acompanha
feri com palavras que eu nem lembrava mais
quem ouviu guardou… cicatriz não volta atrás
quis ser adulto sem saber ser homem
confundi aplauso com valor do meu nome
andei com quem brilhava… mas por fora
e deixei de ouvir quem me alertava por hora
amei errado, por carência, por impulso
jurei futuro com sentimento avulso
casei sem amor achando que era destino
de novo rsrs, e era medo de ficar sozinho
erros que arrependemos profundamente
erros de ser jovem demais, inconsequentemente
erros de amar sem saber o que é amar
de falar demais, de não saber calar
mas se hoje eu penso diferente
é porque ontem eu fui imprudente
cada falha virou aprendizado
cada tombo me deixou mais preparado
fingi que tava bem quando tava quebrado
sorri na foto mas por dentro devastado
não pedi ajuda, quis ser invencível
mas todo herói também é falível
pedi desculpa tarde demais
perdi pessoas que não voltam jamais
e entendi que o tempo não negocia
ele ensina… ou cobra um dia
no meio dos meus erros encontrei direção
meus filhos viraram norte, mais opção
uma me traz luz, outro me traz chão
o caçula me ensina força na decisão
três motivos vivos pra eu ser melhor
três espelhos dizendo pra eu ser maior
e no amor eu parei de correr
hoje é amor, e não é preencher
ela é paz quando o mundo faz guerra
é firme quando desmorona a terra
se ontem eu errava tentando provar
hoje eu acerto só por saber amar...
15:41 06 de setembro de 2024 sonhos dos últimos 3 dias...
Sonhei comigo em uma escola em que meu sogro aparecia, mas foi tão aleatório que não lembro detalhes.
Hoje, seria para eu ir para o postinho de saúde me consultar das dores que estou sentindo, mas tive um sonho com a prima do meu marido me dizendo que não era um boa ideia e ela saiu andando.
Resolvi acreditar e não fui!
Sonhei com a minha sogra que ela havia feito cirurgia e estava todo mundo triste, incluindo o pastor que é meu sogro, como se ela não tivesse mais entre nós.
Esse sonho é de hoje 06/09/2024
Que Deus faça tudo dar certo! E que eu também me recupere de todos os meus problemas, pois estou toda inflamada por dentro.😢
9 de junho de 2024... 21:02
"Sonhei que estava em uma escola e ao querer sair, uma menina negra, de cabelos bem curtos, alta e magra, ela me segurou forte e ela fedia muito, suas axilas exalavam um odor muito forte. Eu tentava fugir dela, mas ela não deixava, e me puxava, próximo às suas axilas, eu estava com medo dela, e passando mal.
Foi quando chegou o TJ, um amigo meu dos tempos da adolescência, me resgatou dela e saiu me levando.
Ele era advogado nesse sonho e dizia enquanto me levava, que processaria a escola, por esse acontecido.
Fiquei surpresa ao ser resgatada por ele e então acordei."
Na escola, eu era chamada de bruxinha, simplesmente porque eu não tinha recursos financeiros para ir bonita para a escola, era tudo doado pelas colegas da minha mãe. Então, eu ia vestida de menino, anos 90. Tudo muito difícil, era o que tinha. Raider do Seninha, blusa regata com carrinho da hot Wheels!! Bom, na adolescência, meu uniforme era camisa de vereador, com um número e um nome bem grandão!! Escrito NATAN! Era o que tinha pra usar. Quando fiquei jovem... Todos viraram meus amigos.
Nenhum ressentimento. Um dia era prova de português, na esquina da escola, a tal raider que eu usava, quebrou. Eu fui descalça mesmo assim. Enfrentei a fila do pátio, para entrar na classe, todos me olhavam e riam. Eu não voltei para casa, lá não tinha nenhuma outra sandália para eu calçar. Nem minha mãe tinha dinheiro para comprar. Ela quebrava pedra brita o dia inteiro, para ganhar 0,50 centavos por lata. Mal dava pra comprar arroz que era também na época, 0,50 centavos o quilo. Eu nunca reclamei, eu sentia vergonha? sentia. Mas desde aquela época, sempre soube que nunca seria fácil.
Eu estava adolescente de novo, voltando da escola, o caminho que conheço tão bem, o chão de terra batida, as casas ainda sendo construídas, o terreno baldio que eu cortava para chegar em casa. Tudo exatamente como era, mas agora eu via com os olhos do sonho, que parecem ser mais vivos do que qualquer memória. Eu tinha medo, um medo que me apertava o peito, aquele tipo de medo que faz o corpo encolher antes de chegar perto de alguém que você ama e teme ao mesmo tempo. E lá estava ele, meu pai, sentado, cabisbaixo, triste, a tristeza transbordando do corpo dele e entrando pelo chão, pelas paredes, pelos poros do meu próprio corpo. Eu sabia o que poderia ter acontecido, não precisava que ele falasse nada. Ela havia fugido de novo, minha mãe, meus irmãos talvez nem estivessem mais lá, e o mundo parecia menor e mais pesado por isso.
Passei por ele com cuidado, cada passo pensado, cada olhar desviado, torcendo para que ele não falasse comigo, para que meu silêncio fosse suficiente para me proteger. Atrás da casa, pelo quintal, eu saí de mansinho, como quem tenta escapar de uma sombra que poderia me engolir. A sensação de perigo era familiar, algo que eu sentia há anos, mas que naquela idade parecia ainda maior, mais cruel, mais absoluto. Eu não podia ficar ali, não podia enfrentar aquilo sozinha, então aprendi a fugir, aprendi a cuidar de mim mesma mesmo quando não havia ninguém para me proteger.
O sonho me mostrou que essas cenas não eram apenas memórias, eram marcas, mas também eram força. A menina de 16 anos correndo pelos fundos da casa, cheia de medo, era a mesma que saiu de casa para se proteger, que aprendeu a se virar sozinha, que sobreviveu a tudo isso. Hoje, olhando de fora, vejo aquela garota como alguém incrivelmente corajosa, alguém que carrega não apenas medo, mas também uma resiliência que a faz sorrir diante do absurdo do mundo. Eu podia sentir o peso do passado, mas também sentia a leveza de quem se libertou dele, de quem aprendeu a caminhar em silêncio pelo quintal do medo e sair inteira do outro lado.
É engraçado como a memória volta com tanto detalhe, como se cada casa, cada pedra do terreno baldio, cada olhar do meu pai, estivesse esperando para ser revisitados. E ao mesmo tempo, é uma oportunidade de abraçar a menina que fui, de reconhecer a coragem que existia nela, de rir um pouco da própria vida que nos coloca em situações que parecem impossíveis. Eu saí de casa aos 16 anos, mas cada passo que dei depois, cada escolha, cada risco, cada fuga silenciosa, me trouxe até aqui. A menina de ontem e a mulher de hoje se encontram nesse sonho e percebem que o medo não é mais absoluto, que a dor foi sobrevivida e que a força acumulada nesses caminhos de terra é imensa, invisível, mas real.
E talvez seja isso que sonhos assim fazem, nos lembram do que fomos, do que sentimos, do que superamos, e nos mostram que mesmo na mais profunda escuridão, mesmo quando parece que não há saída, há sempre um caminho, mesmo que seja pelos fundos, silencioso, mas cheio de vida, cheio de coragem, cheio de sobrevivência.
Um sonho do dia 25/03/2026
Desde a escola, aprendemos sobre guerras, conquistas, impérios, invasões, traições e disputas por poder. Decoramos nomes de reis, generais e governantes que mudaram o rumo da história através da força, do medo ou da dominação. Mas pare para pensar: quantas aulas foram dedicadas às pessoas comuns que salvaram vidas em silêncio? Quantas vezes nos ensinaram sobre aqueles que dividiram o pouco que tinham, que escolheram a honestidade quando a corrupção parecia mais fácil, que construíram pontes enquanto outros levantavam muros?
A ESCOLA É UMA PIADA. NÃO ENSINA DIREITO AS 4 OPERAÇÕES E NEM A LER O DICIONÁRIO PARA EXPANDIR VOCABULÁRIO. SÓ FALA DE VILÕES QUE MASSACRARAM A HISTÓRIA!! SACANAGEM. AS 4 OPERAÇÕES, ENVOLVE EMPREENDEDORISMO. ENSINAR A SE COMUNICAR COM AS PALAVRAS CORRETAS, FAZ AS PESSOAS SEREM EDUCADAS E CIVILIZADAS. O SISTEMA NÃO ENSINA CONCORRENTES. ELE ENSINA OBEDIÊNCIA, NADA MAIS!!
TUDO O QUE APRENDI NA VIDA ADULTA, FOI DEPOIS DE PESQUISAR E APRENDER SOZINHA.
ATÉ LER E ESCREVER, EU APRENDI COMPLETAMENTE SOZINHA. TODOS OS DIAS, CHEGAVA DA ESCOLA E TENTAVA LER UM LIVRINHO DA PREFEITURA, SOBRE CÓLERA, EM UMA SEMANA, EU CONSEGUI. NUNCA VOU ESQUECER DISSO.
TIVE UMA ÓTIMA PROFESSORA NO JARDIM. A ELIETE. ELA ME DEU MEU PRIMEIRO CADERNO BONITO, E A MINHA PRIMEIRA CARTILHA, COM A PERSONAGEM LAILA, NA CAPA AMARELA. FOQUEI TANTO A ATENÇÃO NAS LETRAS QUE ELA ENSINAVA, NAS CHAMADAS EM SUA MESA, QUE LER, FOI COMO ANDAR DE BICICLETA PELA PRIMEIRA VEZ SOZINHA, ENQUANTO SE SOLTA OS BRAÇOS.
OBRIGADA PROFESSORA ELIETE!! SEMPRE DIGO QUE A AMO, PORQUE É VERDADE. ELA NÃO FOI O SISTEMA. ELA REALMENTE AMAVA O QUE FAZIA. OBSERVAR AQUELES QUE NUNCA SERIAM IGUAIS AOS DEMAIS, ERA O QUE ELA FAZIA.
Quando ensinar já não basta
Há dias em que a escola pesa mais do que a mochila dos professores em semana de avaliações.
Não por causa das aulas. Nem das provas. Nem da burocracia, embora ela exista e cresça a cada ano. Pesa porque, em algum momento, ensinar deixou de ser apenas ensinar. Hoje, espera-se que o professor seja gestor de conflitos, mediador familiar, psicólogo improvisado, agente social, produtor de relatórios, alimentador de plataformas, responsável por índices, motivador permanente e, de alguma forma, o último elo de uma corrente que começou a se romper muito antes de sua chegada. Tudo retorna ao professor. Se o estudante aprende, cumpriu sua obrigação. Se não aprende, pergunta-se o que o professor fez, ou deixou de fazer. Essa lógica revela uma das maiores distorções da educação contemporânea: individualiza-se a responsabilidade por um problema que é estrutural.
Nesta semana, sentei-me diante de um estudante do sexto ano que não lê. Não escreve. Não domina habilidades que deveriam ter sido construídas nos primeiros anos da escolarização. É educado, prestativo, participa, tem vontade de agradar, mas a linguagem escrita ainda não lhe pertence. Foi nesse momento que a palavra "avaliação" perdeu o sentido. Como avaliar alguém que não consegue acessar aquilo que é condição para realizar a própria atividade? Que nota representa essa realidade?
A escola, então, oferece caminhos conhecidos. Recuperação. Nova oportunidade. Trabalho substitutivo. Mais prazo. Mais uma atividade. Mais uma tentativa. O RAV. Até que, quase sempre, chega-se ao mesmo destino: a aprovação. Não porque as dificuldades desapareceram, mas porque o sistema precisa continuar funcionando.
É uma engrenagem curiosa. Cobra-se do professor uma avaliação criteriosa, instrumentos diversificados, registros, evidências e lançamento de notas. Ao mesmo tempo, espera-se que os resultados finais não contrariem o fluxo esperado. A avaliação precisa existir, mas suas consequências nem sempre podem existir. Talvez seja por isso que tantos professores experimentem a sensação de correr sem sair do lugar.
O sociólogo Zygmunt Bauman escreveu que vivemos tempos líquidos, marcados pela fragilidade dos vínculos e pela dificuldade de sustentar compromissos duradouros. A escola não ficou imune a essa condição. A responsabilidade pela aprendizagem tornou-se cada vez mais difusa. Quando tudo é responsabilidade de todos, frequentemente acaba não sendo responsabilidade de ninguém. E, no fim, sobra para quem está diante da turma.
Também me vem à memória Paulo Freire, quando afirmava que ensinar exige rigor metodológico e compromisso ético. Curiosamente, quase sempre lembramos apenas da palavra "amor". Esquecemos do rigor. Ensinar também exige reconhecer quando uma aprendizagem ainda não aconteceu. Fingir que aconteceu não é inclusão; é apenas adiar um problema que se tornará maior no ano seguinte.
Há algo profundamente injusto nisso. O estudante é privado de um direito fundamental: aprender. O professor é privado da possibilidade de avaliar com honestidade. A família, muitas vezes, acredita que a aprovação significa desenvolvimento. E a escola produz documentos que atestam competências que, na prática, ainda não existem.
Não escrevo estas linhas porque acredito que reprovar resolveria o problema. Não resolveria. Mas aprovar sem garantir a aprendizagem também nunca resolveu. Entre essas duas margens existe um vazio que temos insistido em chamar de política educacional.
Enquanto isso, seguimos preenchendo planilhas, lançando notas, organizando recuperações, respondendo questionários sobre estratégias, justificando ausências, explicando conflitos que nasceram em segundos e tentando provar, diariamente, que estamos fazendo o suficiente.
Talvez a pergunta mais incômoda não seja por que tantos estudantes chegam ao sexto ano sem ler. A pergunta é outra: em que momento nos acostumamos com isso?
Talvez seja esse o maior retrato da crise educacional. Não a existência do problema, mas a naturalidade com que passamos a conviver com ele.
Há dias em que a escola não cansa apenas pelo excesso de trabalho. Ela cansa porque obriga bons profissionais a escolher, diariamente, entre registrar a realidade ou alimentar a ficção de que ela já foi transformada.
E essa talvez seja uma das violências mais silenciosas da educação brasileira.
Há dias em que a escola não cansa apenas pelo excesso de trabalho. Ela cansa porque obriga bons profissionais a escolher, diariamente, entre registrar a realidade ou alimentar a ficção de que ela já foi transformada.
E essa talvez seja uma das violências mais silenciosas da educação brasileira.
