Amigas de Escola
“A escola se torna viva quando o aluno deixa de decorar respostas e começa a investigar o mundo com pensamento crítico, criatividade e propósito.”
Do livro BNCC Aplicada na Prática — Conectando a Educação com a Realidade para Despertar o Interesse dos Alunos, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O protagonismo estudantil começa quando a escola reconhece que o aluno não é recipiente vazio, mas sujeito ativo da própria aprendizagem.”
Do livro BNCC Aplicada na Prática — Conectando a Educação com a Realidade para Despertar o Interesse dos Alunos, da autora Nina Lee Magalhães de S
"Reflexão de vida: "Conhecimento."
“Sábio é aquele que se forma na escola das perguntas; porque erra menos quem pergunta mais.”
@Suednaa-Santos
No quadro negro da escola da vida, só passamos o apagador, naquilo que não nos serviu para nada, foi inútil.
O discurso da inclusão garante o direito de estar presente na escola. A convicção inclusiva mobiliza ações para aprender, participar e pertencer.
O compromisso abre a porta da escola para os estudantes com deficiências; a convicção remove as barreiras que impedem a aprendizagem e a participação.
Você sabe que quando os meninos na escola não querem ler poesia, até riem dela, a desprezam como um esporte de maricas, eles não estão totalmente errados.
A Sala de Aula do Mundo Moderno
Outro dia me peguei pensando em como a escola mudou.
Não falo apenas das lousas digitais, dos computadores, dos aplicativos ou dos celulares que hoje parecem extensão das mãos dos alunos.
Falo das pessoas.
Dos comportamentos.
Das responsabilidades.
E, principalmente, da forma como passamos a enxergar educação.
Pertencente a uma geração que aprendeu que nem sempre a vida diria "sim", confesso que às vezes me sinto um turista perdido visitando o admirável mundo novo.
Hoje tudo parece delicado.
Tudo parece urgente.
Tudo parece motivo para preocupação.
Uma palavra mal colocada vira trauma.
Uma crítica vira perseguição.
Uma cobrança vira opressão.
Um conselho vira ofensa.
E o simples ato de contrariar alguém pode ser interpretado como um atentado contra a felicidade universal.
Não estou dizendo que os problemas emocionais não existam.
Eles existem.
E merecem atenção, respeito e tratamento sério.
Mas também me pergunto se, em alguns casos, não estamos transformando dificuldades normais da vida em diagnósticos automáticos.
A tristeza virou doença.
A frustração virou síndrome.
A ansiedade virou identidade.
E a responsabilidade, curiosamente, parece ter desaparecido da conversa.
Muitos pais, sobrecarregados pelas próprias rotinas, acabam transferindo para a escola funções que antes pertenciam à família.
Esperam que a escola eduque.
Ensine limites.
Corrija comportamentos.
Resolva conflitos.
Forme caráter.
Desenvolva valores.
Enquanto isso, o professor recebe mais uma missão para sua coleção já bastante extensa.
Porque o professor moderno não é apenas professor.
Ele é educador.
Mediador.
Conselheiro.
Psicólogo informal.
Assistente social improvisado.
Pacificador de conflitos.
Especialista em tecnologia.
Preenchedor de relatórios.
Participante de reuniões.
Executor de projetos.
E, quando sobra algum tempo, tenta ensinar a matéria.
A escola de antigamente tinha seus defeitos.
Muitos.
Mas existia uma compreensão mais clara sobre papéis e responsabilidades.
Hoje, frequentemente, o professor precisa justificar uma nota, uma advertência, uma cobrança e até mesmo uma orientação pedagógica.
A autoridade tornou-se suspeita.
A disciplina tornou-se questionável.
E a exigência acadêmica muitas vezes parece competir com uma cultura que valoriza resultados rápidos sem esforço proporcional.
O mais curioso é que aqueles que raramente entram numa sala de aula costumam ter opiniões muito firmes sobre o trabalho de quem está lá todos os dias.
— Professor reclama demais.
— Tem muitas férias.
— Trabalha poucas horas.
Quem diz isso normalmente vê apenas o horário da aula.
Não vê as correções.
Não vê os planejamentos.
Não vê os relatórios.
Não vê os cursos.
Não vê as formações.
Não vê as noites preparando atividades.
Não vê os finais de semana organizando conteúdos.
Não vê a exaustão silenciosa acumulada ao longo dos anos.
E, principalmente, não vê o desgaste emocional.
Porque ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimento.
Ensinar é lidar diariamente com expectativas, conflitos, desafios e realidades completamente diferentes.
Há professores que chegam em casa carregando problemas que não cabem nos livros didáticos.
Problemas de alunos.
Problemas de famílias.
Problemas do próprio sistema.
Falando em sistema, este merece um capítulo especial.
A cada ano surgem novas plataformas.
Novos formulários.
Novos procedimentos.
Novas exigências.
Novas metas.
Novas estatísticas.
Novos indicadores.
Parece que tudo muda.
Exceto aquilo que realmente deveria melhorar.
E assim o professor segue.
Preenchendo documentos.
Participando de reuniões.
Atualizando sistemas.
Respondendo questionários.
Enquanto tenta encontrar espaço para aquilo que deveria ser o centro de tudo: ensinar.
O resultado é um profissional cada vez mais cansado.
Mais pressionado.
Mais responsabilizado.
E, muitas vezes, menos valorizado.
Ainda assim, algo impressionante acontece.
Apesar de todas as dificuldades, milhares de professores continuam entrando em sala de aula todos os dias.
Continuam acreditando.
Continuam tentando.
Continuam explicando pela décima vez o mesmo conteúdo.
Continuam incentivando quem quer aprender.
Continuam estendendo a mão para quem precisa.
Continuam lutando contra a maré.
Talvez porque saibam de uma verdade simples.
Sem professores não existem médicos.
Não existem engenheiros.
Não existem advogados.
Não existem cientistas.
Não existem administradores.
Não existem governantes.
Não existe profissão alguma.
Todas passam primeiro pela carteira de uma sala de aula.
Por isso, quando alguém pergunta se ainda existe solução para a educação, respondo que sim.
Mas ela não nascerá de um único decreto, de uma nova plataforma ou de mais um discurso otimista.
Ela surgirá quando família, escola, sociedade e governo compreenderem que educar é uma responsabilidade compartilhada.
Até lá, o professor continuará fazendo o que sempre fez.
Entrará em sala.
Respirará fundo.
Abrirá o diário.
Preparará a aula.
E seguirá tentando iluminar caminhos.
Mesmo quando o próprio caminho parecer cada vez mais escuro.
Autor: Sandro Sansão da Silva Costa
Não existe escola sem aluno, nem sem educadores, muito menos sem professores. Também não existe sem um ambiente acolhedor que promova o pertencimento e a existência. Afirmo: a estrutura é importante, mas não essencial. Se houver um educador apaixonado pelo ato de educar, não importará o lugar; sempre haverá mentes e horizontes preparados para reivindicar sua cidadania, exercendo força nas mudanças e inovações para o bem comum.
Uma escola que protege e acolhe, onde cada pessoa existe, pertence e floresce; uma escola de liberdade, dignidade e vida.
" As coisas simplesmente acontecem e forçar a barra pode ser a escola, para aprender o que é sim e o que é não...
Hoje a escola fala em forma de gratidão.
Danielle,
doçura firme,
sabedoria que guia,
exemplo vivo de quem ensina
até quando silencia.
Ana Clara,
movimento que não para,
coração inquieto,
corre porque se importa,
acerta porque é correta.
Susi,
passo forte,
decisão sem medo,
postura arrojada,
ética que nunca se dobra.
Gabi,
menina no sorriso,
mulher no compromisso,
doce no trato,
séria no propósito.
Quatro nomes,
quatro forças,
um só legado:
uma escola melhor
porque vocês passaram por ela.
Nossa homenagem.
Nosso respeito.
Nossa gratidão.
By. Prof. Cranon
A inclusão não acontece apenas pela matrícula do estudante na escola regular. Ela se concretiza quando há diálogo, planejamento conjunto, compartilhamento de responsabilidades e compromisso com o desenvolvimento integral de cada aprendente.
A única escola que ensina a ser pai chama-se filho(a).
Não se preocupe, as experiências te moldarão.
Sala de Aula Ferida
Helaine Machado
Dizem que escola é caminho,
mas tem sido desvio de dor.
Onde a voz do aluno se cala,
e o medo fala mais alto que o amor.
Cadernos fechados pelo grito,
sonhos interrompidos no chão.
Não se aprende sob ameaça,
nem cresce quem vive em tensão.
Farda não pode ser resposta
pra quem só quer existir.
Educação não é confronto,
é ponte pra construir.
Se a escola perde o sentido,
algo precisa mudar com urgência…
porque lugar de aprender é com respeito,
e não com violência.
Helaine Machado
Quando uma escola empurra seus problemas com a barriga, a aparente tranquilidade é apenas a desorganização escondida nos bastidores. Sem planejamento, responsabilidade e compromisso, aquilo que hoje parece estar dando certo poderá ser a causa do fracasso de amanhã.
O meu aniversário é dia 1/9/2018.
Quando eu tenho 5 anos e começo
a ir pra escola, em 2023: "Escola Oásis".
2024: "Escola CEI"
2025 e 2026: "Escola Sandoval"
"Eu odeio a minha escola. Eu odeio todo mundo. Eu odeio minha vida."
A Mulher da Mão Grande
No segundo ano primário, em 1955, eu estava muito mal na escola. Tinha muitas dificuldades com letras e números. Só notas baixas.
Naquela época — não sei se ainda é assim hoje — os alunos tinham que levar o boletim para casa, mostrar para os pais, recolher a assinatura e devolvê-lo para a professora. Era assim que os pais acompanhavam a vida escolar dos filhos.
No meu caso específico, quem cuidava dessa parte era minha irmã. Era ela quem assinava o boletim. Para piorar a situação, trabalhava no Grupo Escolar Carmela Dutra e me controlava no dia a dia também.
Num determinado mês, a coisa, que já estava ruim para o meu lado, ficou pior. Meu boletim vermelhou de vez.
Aí tive uma ideia brilhante.
Transformei tudo que era três em oito. Bem fácil. E os quatro viraram nove. Fácil também. Só que as notas continuaram vermelhas, infelizmente.
Esperei minha irmã ficar ocupada com os afazeres da casa e, no momento certo, pedi para ela assinar o boletim. Ela nem percebeu a besteira que eu tinha feito.
No dia seguinte, cheguei à classe e coloquei o boletim sobre a mesa da professora.
Depois de um tempo, ela me olhou, pegou o boletim e saiu da sala. Voltou acompanhada da diretora e da minha irmã.
Fui guinchado, literalmente, pelas orelhas. A diretora de um lado e minha querida irmã do outro. Levaram-me até a sala da diretora.
Depois de confessado o crime, veio o veredito.
A diretora, uma mulher com a mão maior que a minha cabeça, parecendo um pão caseiro, desferiu um tapa na minha cara com tanta força que, mesmo passados todos esses anos, ainda sinto o impacto da bofetada.
As lágrimas molharam o piso da sala.
Depois do castigo físico, veio o psicológico: tive que ficar grudado na parede, exposto para que as outras crianças me vissem.
Mas existe a lei do retorno. Ou pelo menos eu gosto de acreditar que existe.
Meu pai, um homem abrutalhado e pouco dado a conversas com os filhos, vez ou outra contava algumas histórias. A maioria delas era de fantasmas.
Naquele momento de sofrimento físico e psicológico, lembrei-me de uma delas.
Ele falava de uma "reza brava" que conhecia. Era tão perigosa que não podia ser rezada diante de um espelho. Podia dar um revertério e virar contra quem a rezasse.
Segundo ele, aquela oração espantava todos os tipos de assombração: mula-sem-cabeça, Saci-Pererê, Boitatá. Também matava cobra venenosa, curava cachorro louco, amansava cavalo xucro e mais um monte de coisas.
Naquele instante, tudo o que eu desejava era saber aquela reza.
Queria fulminar aquela mulher da mão grande e, de lambuja, a minha irmã também.
Mas o que fazer?
Eu não sabia a oração. Meu pai nunca a ensinou aos filhos.
Então tentei outras rezas domésticas, improvisadas mesmo, implorando às entidades que castigassem aquela mulher.
Nada.
Ela entrava e saía da sala, olhava para mim, ria da minha situação e comentava o caso com as outras professoras. E elas riam também.
Algumas até diziam que o castigo deveria ter sido maior.
O tempo passou.
Repeti de ano.
E eis que a lei do retorno resolveu trabalhar.
Aconteceu uma tragédia na cidade.
Os sinos da igreja ficaram mudos.
O padre desapareceu.
E eu nunca mais vi a mulher da mão grande.
A mulher da mão de pão caseiro.
