Ame mas Nao Seja Trouxa
Sou feita de coragem tímida
e de timidez corajosa.
A minha coragem
não sabe, e tampouco necessita,
gritar, espernear, brigar, atacar...
Ela dispensa o espetáculo,
rejeita o barraco,
não se alimenta de plateias
nem de aplausos ruidosos.
A minha coragem
age em silêncio,
sustenta-se de coerência,
permanece inteira
mesmo quando ninguém vê.
E a minha timidez
não conhece o medo
nem a insegurança.
Ela desconhece o exibicionismo,
não precisa se expor para existir.
A minha timidez é escolha,
é recuo consciente,
é abrigo do essencial,
é a dignidade de quem sabe
que nem toda força
precisa ser anunciada.
Sou essa contradição harmônica,
quem caminha baixo
mas não se curva
e paira alto,
quem fala pouco
mas não se omite
e diz o necessário,
quem escolhe emudecer
quando dialogar
não tem valor,
quem é silêncio por fora
e convicção por dentro.
✍©️@MiriamDaCosta
Serviços essenciais não são mercadoria.
São direitos, vendê-los
é vender a própria dignidade coletiva.
Serviços essenciais
não devem ser privatizados.
Água, saúde, educação, luz e vida
não cabem em planilhas de lucro.
Quando viram negócio...
o povo vira moeda de troca
com juros, correção monetária
e dívida constante...
privado de direitos, dos consumos
e da dignidade ...
✍©️@MiriamDaCosta
A crise climática não existe.
A crise é humana
com sua ganância míope,
sua ignorância ruidosa
e sua estupidez organizada.
O clima apenas reage
com atividades perplexas,
com mudanças radicais,
com a fúria de quem foi violentado
e já não pede licença.
Tempestades não são castigo.
Secas não são acaso.
Enchentes não são surpresa.
São respostas!
A Terra não está em colapso,
ela está se defendendo.
Quem colapsa é o humano
que confunde progresso
com devastação e lucro imediato
com eternidade.
O clima não erra,
ele devolve
na mesma medida.
Chegará o dia em que aqueles
que depredam a Natureza ...
por Ela serão depredados.
✍©️@MiriamDaCosta
Os cacos de vidro não sabem
que a inveja que demonstram
pelos diamantes, no fundo,
esconde uma profunda admiração.
✍©️@MiriamDaCosta
A minha felicidade é autônoma e independente.
Não pede licença,
não mendiga afeto,
não negocia solitude
em troca de migalhas emocionais.
Ela não se apoia
em promessas frágeis,
nem se pendura
no humor alheio dos dias.
Aprendeu a caminhar sozinha
sobre cacos,
sobre ausências,
sobre o que veio
e partiu para o além
e o que não veio...
Não confunde companhia
com salvação,
nem presença
com pertencimento.
A minha felicidade
não nasce dos sorrisos e risos,
não necessita de aplausos e frases feitas
nem morre na minha solitude.
Ela existe.
Inteira.
Mesmo quando algo me falta.
✍©️@MiriamDaCosta
Antigamente se dizia assim:
“Ano Novo, vida velha.”
Não espere mudanças nem milagres apenas porque o ano é novo, sem lutar para mudar
os próprios hábitos e, assim, favorecer o “milagre” das transformações.
Não há milagre no calendário!
O ano não muda nada e ninguém.
Mudam-se os dias,
mas os vícios permanecem,
os hábitos se repetem,
as desculpas ganham roupa nova.
Quem não enfrenta a si mesmo
atravessa o réveillon
carregando as mesmas correntes.
Transformação não nasce da virada do tempo,
nasce do atrito, da renúncia,
da coragem de romper consigo
todos os dias.
De nada vale pular as famosas
“sete ondas” na virada do ano
se não se dão saltos reais
de mudança no dia a dia.
✍©️@MiriamDaCosta
* Mensagem ao povo brasileiro
e aos demais povos da América do Sul *
Não se iludam com a ideia de que haverá apoio concreto ou defesa verdadeira da ONU, da União Europeia ou do chamado “resto do mundo”.
Virão, sim, discursos inflamados, notas oficiais de “profunda preocupação”, manifestações protocolares de indignação contra os EUA e contra Trump.
Mas tudo isso, como tantas vezes na História, se dissipará no vento e no tempo.
Quando os interesses geopolíticos e econômicos das grandes potências entram em jogo, a retórica humanitária se cala, os tratados se relativizam e a soberania alheia vira moeda de troca.
Foi assim com outras nações.
Foi assim com outros povos.
Foi assim com líderes e presidentes que acreditaram em alianças que nunca se sustentaram na prática.
A lição é dura, mas necessária:
não haverá salvadores externos.
A defesa da soberania sul-americana só pode nascer da consciência política, da organização popular e da unidade regional.
Quem espera proteção do império, acaba governado por ele.
✍©️@MiriamDaCosta
Existe uma contradição, fruto da ignorância
do não saber/conhecer e também do caráter,
no afirmar que Trump liberou a Venezuela de um ditador.
Óh, céus da ignorância!!!
Onde um ditador pode liberar
um Nação de outro ditador?!!
Essa ignorância nasce tanto da ignorância política quanto da má-fé discursiva.
Dizer que Trump “libertou” a Venezuela de um ditador é um nonsense conceitual.
A resposta é simples e incômoda:
- Em lugar nenhum.
Isso só existe na propaganda, na ignorância política ou na conveniência ideológica.
E acreditar nessa narrativa exige ignorar o óbvio , ou seja, o autoritarismo não se
combate com autoritarismo.
Isso não é libertação , é pura propaganda política de parte.
✍©️@MiriamDaCosta
Escrevo porque não sou
muito propensa a falar
e porque escrever
é a forma que encontrei
de me manter sã
em um mundo doente.
Escrevo porque a fala me fere,
me atravessa,
me expõe demais
num mundo quase surdo.
Escrevo para não adoecer
junto de um mundo enfermo
que normaliza a loucura
e estranha quem ainda sente.
Escrevo porque o silêncio
me entende e traduz
melhor que a voz.
Escrevo para permanecer inteira
enquanto o mundo
adoece de si mesmo.
✍©️@MiriamDaCosta
A indignação seletiva
não nasce da justiça,
mas do interesse
bem vestido de virtude.
Quem se indigna por conveniência
não defende valores,
defende posições.
✍©️@MiriamDaCosta
Oh! Outono!
Volta para os meus braços.
Já não suporto o calor excessivo do verão.
Vem, refresca os meus dias
e embala as minhas noites com frescor.
Oh, Outono,
retorna ao abrigo do meu colo.
O verão me exaure
com seu fogo insistente.
Vem com teus ventos mansos,
refresca esses dias febris
e derrama silêncio fresco
sobre minhas noites.
Oh! Outono…
volta para os meus braços sedentos.
O verão arde demais em minha pele e na alma.
Preciso do teu sopro âmbar,
das folhas que caem como suspiros,
do frio suave que acalma o corpo
e adormece os pensamentos.
Vem…
refresca meus dias abafados
e devolve às minhas noites
o direito de respirar.
✍©️@MiriamDaCosta
A Medalha Ajoelhada e Profanada
Não foi um gesto de paz.
Foi uma reverência.
Maria Corina não ofereceu uma medalha,
ofereceu-se.
Despiu-se da dignidade
e a deixou no mármore frio
da Casa Branca,
ajoelhada diante de um homem
que nunca carregou a paz
nem no discurso,
nem nas mãos.
Uma medalha do Nobel
(símbolo que deveria arder
como consciência)
foi reduzida a adorno político,
a chave dourada
tentando abrir portas
que se movem por interesse,
não por justiça.
Há algo de profundamente indecente
em entregar a “paz”
a quem cultiva muros,
ameaças, sanções
e guerras travestidas de ordem.
A medalha não caiu das mãos:
foi arrancada da ética.
Não houve altivez,
não houve soberania,
não houve respeito ao próprio povo.
Houve submissão encenada,
gesto calculado,
dignidade trocada
por um aceno imperial.
Quando a paz é usada
como moeda de barganha,
ela deixa de ser símbolo
e se torna farsa.
E quem a entrega assim,
sem pudor, sem vergonha,
não "enobrece" o destinatário,
empobrece a si mesma,
perdendo cada vestígio de dignidade,
e trai o sentido da palavra
que fingiu honrar.
Vergonha para todo o Universo feminino!
✍©️@MiriamDaCosta
O mundo carece da fluência do silêncio,
essa língua antiga que não grita,
mas ensina.
Falta-lhe a pausa da fala
onde o sentido aprende a existir.
O mundo é deficiente da fluência do silêncio
porque fala demais para sentir.
Grita certezas ocas, tropeça em ruídos,
e esquece que é no silêncio
que a verdade afia as cordas vocais
e harmoniza os fonemas.
O mundo é carente da fluência do silêncio,
esse oásis onde as palavras descansam
e a alma, enfim, consegue se ouvir.
Dizer:
“Falta-lhe a fluência do silêncio.”
é uma excelente alternativa,
educada e sutil,
para o brutal:
“Cale a boca!”
✍©️@MiriamDaCosta
⚖ 🐕 Justiça pelo cão Orelha!
Estátua não, Justiça sim! ⚖ 🐕
Construir uma estátua é um gesto vazio
quando a impunidade segue sendo defendida
a unhas, dentes e poder financeiro
pelos próprios envolvidos no caso.
Antes da pedra, do bronze e do verniz simbólico, que se construa a Justiça.
A verdadeira,
a que não negocia vidas,
a que não se curva ao privilégio,
a que não transforma crime
em nota de rodapé.
Depois, só depois,
falamos em estátua, em memória,
em homenagem ao cão Orelha.
E ainda assim,
que seja um dever ético
que cada centavo dessa homenagem
seja custeado por seus assassinos,
como lembrança permanente
do que fizeram
e do que tentaram apagar.
Santa Catarina,
estado que os fatos insistem em denunciar
como o mais xenófobo do Brasil,
agora amplia sua lista de intolerâncias:
além das pessoas, volta-se também
contra os cães de rua.
Quando a violência escolhe os mais vulneráveis
e a Justiça escolhe o lado do silêncio
e do poder de famílias abastadas...
não há estátua que absolva,
não há homenagem que repare,
não há memória que se sustente
sobre o alicerce da impunidade.
✍©️@MiriamDaCosta
Olho o mundo com lentes que não são minhas,
e chamo de meu o que ecoa do outro,
como quem tece, no fio imaginário,
uma pele compartilhada.
Ambiguidade
Não confunda alhos com bugalhos!
Ontem eu encontrei você.
Estava linda,
pronta pra sorrir.
E lembrei da carta
que lhe escrevi.
Eram só palavras,
sem qualquer significado especial.
Mas você nem leu.
Nem sorriu pra mim.
Era só um sonho.
PORQUE
Gosto tanto de você,
Mas não consigo entender,
Porque razão tudo teve que acabar
Com nosso amor sem fim;
Preciso compreender, mas não consigo,
Sei que também prefere ser só meu amigo;
Mesmo com tudo que o que conversamos,
Não aprendi a dizer que eu não te amo.
Porque, meu amor, porque,
Porque tudo tem que ser assim
Porque, minha vida, porque,
Porque não consigo tirar você de mim
Eu sou um Espirito no corpo, não sou o corpo, mas estou no corpo, e por estar no corpo, o corpo se torna parte do que sou, momentaneamente o corpo faz parte do que eu sou, mas eu não sou apenas o corpo, mas um todo, ligado a uma consciência superior, pelo Espirito que sou, ainda que no corpo me manifesto em vida, em um processo transitório, não sou o corpo, mais parte de uma consciência eterna.
No tempo ou fora do tempo, no corpo ou fora do corpo, a consciência eterna que sou, se manifesta de forma transitória,
pelo o Espirito, em espirito, tenho consciência da minha limitação no espaço tempo, cujo corpo que estou se limita, mas em consciência ligado ao todo, minha capacidade infinita de criação se manifesta, não apenas no corpo, para o corpo, mas através do corpo em que habito.
Não habito só, há em mim diversas partes do que não sou, de um corpo que estou, conscientemente co-existimos em uma mesma matéria, Eu o Espirito em espirito, confronto incessantemente os desejos do que não sou, um desejo transitório de um corpo, uma alma que anceia os desejos do corpo,e que em suas vontades anceia todas suas necessidades corpóreas, Mas minha consciência de Espirito em espirito, transcende tais vontades, ainda que meu corpo trabalhe em função de suas próprias necessidades, eu em espirito ligado ao Espirito do todo, transcrevo minha existência eterna através de um corpo temporal, por que Eu sou o Espirito que habita no corpo, mas não o corpo, ainda que o corpo seja parte, de minha transição não o sou.
Tenho plena consciência, de estar ligado ao todo, pelo Espirito em espirito.
