Alma
Não deixe que adoeçam sua saúde mental.
A alma também cansa.
A mente também grita em silêncio.
E há dores que ninguém vê,
mas destroem por dentro lentamente.
Proteja sua paz.
Proteja sua essência.
Porque o mundo já tenta endurecer pessoas boas todos os dias.
E mesmo depois de tudo,
não perca a capacidade de sentir,
de amar,
de ser luz.
Quem tenta apagar você
já perdeu a própria luz faz tempo.
— Jordeane Lemes
ABRAÇO QUE EU NÃO TIVE
Eu já sorri quando a alma chorava
Pra ninguém perguntar se doía
Já fui presença quando me faltava
Um ombro, uma voz, uma companhia
Eu já ajudei quem caiu no caminho
Enquanto eu caía por dentro também
Fiz do meu peito um lugar de carinho
Mesmo sem ter onde pousar em alguém
Eu sou o abraço que eu nunca recebi
Sou a palavra que ninguém me falou
Sou o cuidado que faltou pra mim
Mas que em mim nunca faltou amor
Eu sou sorriso em dia de tempestade
Sou força quando o peito desabou
Quem vê coragem não vê a metade
Do tanto que essa alma suportou
Eu já enxuguei lágrimas alheias
Com as minhas presas no olhar
Já disse “fica, vai ficar tudo bem”
Quando eu queria alguém pra ficar
E fui aprendendo no silêncio da vida
Que ser forte também cansa demais
Por trás de toda mão estendida
Tem um coração pedindo paz
Ecos da alma, capazes de nos levar para tão longe, mas também de nos trazer para mais perto quando nos permitimos compreendê-los.
Na dimensão mais rara da alma, a Catedral permanece erguida como uma utopia esquecida entre o tempo e o infinito.
"Algumas pessoas de alma estreita dizem: "Por isso ou aquilo, que é meu objetivo de vida, eu abro mão de tudo..."
Abrir mão de algo é se negar a plenitude da existência, assim estas pessoas não vivem, só existem, por um curto período de tempo....
"Quando nos for permitido conhecer a alma de alguém, em suas mais profundas nunces e possibilidades, logo teremos acesso irrestrito a todos os seus segredos e desejos inconfessáveis..."
Clair de Lune
(Paul Verlaine)
Tua alma é um jardim escolhido
onde andam mascarados e bergamascos
tocando alaúdes e dançando,
meio tristes sob seus disfarces.
Cantando ao tom menor do amor vitorioso
e da vida em tom maior,
eles não parecem crer em sua própria felicidade,
e suas canções se misturam com o luar,
com o tranquilo luar triste e belo,
que faz sonhar os pássaros nas árvores
e chorar de êxtase os jatos d’água,
os grandes jatos d’água esguios entre as mármores.
Sou um renascentista
Talvez eu tenha nascido fora do tempo,
mas minha alma caminha pelas ruas de Paris.
Não as ruas apressadas do turismo,
mas aquelas onde a madrugada ainda cheira a vinho, tinta e papel.
Onde os músicos tocam como se o destino dependesse de um acorde
e os poetas bebem a lua em silêncio.
É ali que existo — entre o som e a palavra,
entre o piano e o abismo.
Sou um renascentista: músico, poeta, pianista.
Vivo entre o sagrado e o profano, entre o vinho e o verbo.
Cada nota que toco é um pedaço de mim tentando renascer,
cada verso, uma confissão que o tempo não conseguiu apagar.
Não bebo para esquecer, bebo para lembrar —
que a vida, como a arte, é feita de breves eternidades.
Quando sento ao piano, sinto Paris me ouvir.
Os fantasmas de Debussy e Ravel espiam por sobre meu ombro,
e o Sena, lá fora, parece repetir minhas notas nas águas.
O poeta em mim escreve o que o músico sente;
o músico traduz o que o poeta pressente.
É uma comunhão silenciosa entre o som e o pensamento —
a forma mais bela de loucura.
Ser renascentista é não aceitar a indiferença dos tempos modernos.
É crer que a beleza ainda pode salvar,
que o corpo é templo e o amor é arte.
É brindar com o vinho e com o caos,
com a esperança e o desespero,
porque tudo o que é humano é divino quando há música no coração.
Sou um renascentista.
Poeta, músico, homem que vive nas ruas de Paris —
onde o tempo se curva diante de um piano,
e o vinho se torna prece nas mãos de quem ainda acredita
que a vida é, acima de tudo, uma sinfonia inacabada.
CLARIDADE DO INDIZÍVEL
Tua alma é um pátio antigo onde o silêncio respira,
e por onde passam figuras que não sabemos nomear,
ecos de vidas que ficaram presas na memória,
sussurros que dançam entre luz e penumbra.
Ali, o homem que és se desfaz do mundo,
larga o peso, a pressa, o roteiro imposto,
e caminha como quem toca na própria sombra
com a delicadeza de quem sabe que tudo pode ruir.
O vento te ensina gestos que esqueceste,
a chuva te devolve a inocência da água,
e a noite te veste com a claridade que não fere,
essa luz que não ilumina, mas revela.
E no fundo desse jardim escondido,
onde nenhum ruído do mundo te alcança,
há uma fonte que insiste em murmurar verdades —
verdades que não se dizem,
mas que o teu silêncio entende.
É ali que te reencontras:
entre o eco do que foste
e o lampejo do que ainda virá,
sob o luar que não consola,
mas que te devolve a ti mesmo.
Tudo o que amei, amei sozinho. A solidão é o estado original da alma quando ela não negocia consigo mesma. É nesse espaço sem plateia que o amor existe inteiro, sem função, sem utilidade, sem promessa. Só somos nós quando estamos sós. O resto é adaptação ao olhar alheio, ruído social, sobrevivência simbólica.
Sou um completo desconhecido para os outros. O que chega até eles são fragmentos, gestos toleráveis, versões aceitáveis. O essencial não atravessa. A identidade real não circula, não se presta, não se oferece. Ela permanece recolhida, densa, silenciosa. A alma humana não se deixa tocar sem perder forma.
Minha canção nasce no silêncio. No silêncio onde se cria o absurdo. Onde o impossível se organiza. Onde a palavra não explica, apenas existe. No silêncio onde se esconde o medo. O silêncio sustenta aquilo que não pede tradução, aquilo que não aceita clareza.
Essa é a autópsia da alma humana. Amar sozinho. Pensar sozinho. Existir sem testemunha. Permanecer inteiro longe da compreensão. O que importa não se anuncia. Não se justifica. Não se resolve. Fica. Em silêncio.
Sou apenas uma alma presa na melancolia de um passado inflamado, tentando pôr em palavras traumas que jamais conseguiria verbalizar senão por meio de textos.
Carrego comigo a leveza dos ventos,
que sussurram para a alma: há beleza
na espera e na quietude.
Que possamos ser como as flores do
campo, simplesmente florescendo
e deixando para trás o que
não nos serve mais.
- Edna de Andrade
Que a alma encontre abrigo...
Há dias em que não precisamos de grandes respostas,
só de um pouco de silêncio, um pouco de céu,
e a certeza de que estamos sendo cuidados, mesmo sem ver.
Que hoje você sinta Deus soprar esperança
nos cantinhos onde a dúvida ainda mora,
e florescer fé, mesmo onde tudo parece demora.
A vida tem seus mistérios,
mas o amor d'Ele...
sempre chega no tempo certo.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Quando a alma repousa…
Nem sempre a força está no que gritamos,
às vezes, ela mora no que silenciamos.
Na calma que escolhemos ter,
no amor que seguimos oferecendo,
na esperança que, mesmo ferida,
ainda floresce em nós.
Que hoje a gente confie um pouco mais…
e sinta que, enquanto caminhamos,
Deus cuida de tudo que a gente já entregou.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
