Alma
ENVERGADURA DA ALMA
Aninho os meus sonhos no peito
e envergo a alma para que se encaixe
neste corpo que, aos poucos, perde
a elasticidade da juventude.
Na penumbra do quarto,
escorrem pensamentos borrados
que pintam vitrais disformes
do tempo.
As pálpebras, levemente cansadas, estendem-se em cortina de voal esvoaçante,
que me levam ao útero materno onde, em posição fetal, adormeço.
Lu Lena / 2026
MISTÉRIO EM OFFLINE
Coleciono fragmentos do que ninguém vê
— assim como você.
Sou alma antiga reconstruindo versos em novos capítulos,
onde o mistério habita em offline para dar vazão às letras.
Elas se esbarram e se confundem no infinito;
tímidas, mas ao saírem do casulo, de mãos dadas,
dão pulos de alegria ao formatarem mais uma poesia.
Lu Lena / 2026
PEDAÇOS DE MIM. SOU ASSIM.
Através de inspirações sussurradas na alma, eu me desmorono, me reconstruo e vou renascendo das cinzas dos pedaços que ainda insistem em ficar em mim.
Escrever este livro foi um profundo mergulho em um período constante de desconstrução e renascimento.
Foi quando as frases afloraram e me fizeram ver que temos uma força superior que nos move a seguir em frente. O caminho tem muitos atalhos; basta seguir a bússola que Deus nos deu.
A força de se refazer em cada pedaço 📖
Lu Lena / 2026
INQUILINOS DA ALMA
(Não permita que pensamentos intrusivos morem de graça no seu espaço sagrado.)
Quando os pensamentos intrusivos teimam em fazer morada em sua mente, faça com que paguem o aluguel. Afinal, não são eles os proprietários de tua cabeça, mas sim inquilinos. E tu, tendo a legitimidade plena, faz o despejo e dá a tua sentença.
Lu Lena / 2026
Quando mudamos por dentro, a escuridão que se encontrava a alma, se veste com a roupagem de luz e a aparência resplandece.
Lu Lena / 2026
O TATUAR DA ALMA NO ESCURO
(O medo também pode levar à luz)
O medo é, muitas vezes, apenas o sintoma da nossa própria incompreensão. Ele nasce do vazio do nada, mas basta enfrentar a escuridão de olhos vendados até encontrar o interruptor da luz.
Lu Lena / 2026
FAXINA DA ALMA
(Onde o caos termina, a prece começa.)
Organize seus pensamentos mais aleatórios e intrusivos, tranque-os num baú fechado e coloque-o no porão do esquecimento. Sacuda as mãos e eleve, em prece, seu suspiro ao céu.
Lu Lena / 2026
MORADA TEMPORÁRIA
(A jornada da alma através do veículo físico)
O corpo é perecível e em breve se desfaz; a alma se perpetua na imortalidade. Mas devemos, sim, cuidar do corpo, pois ele é a base para nutrir a alma. Quando esta se desprender da matéria, sentirá a leveza de retornar à sua origem: o sopro da vida.
Lu Lena / 2026
Viver o luto de entes queridos é como ser uma alma flutuante em um corpo oco
— totalmente sem direção.
Lu Lena / 2026
UM MUNDO INTANGÍVEL
(No tempo que a alma teima em processar)
Meu desejo é o espelho do que aguento ser. A vida não me limita; ela apenas me protege de carregar um mundo que ainda não cabe nas minhas mãos. Às vezes até alcanço, mas ele desliza, em fração de segundos.
Lu Lena / 2026
LIMITES DO DESEJO
(A resiliência como marcador da alma)
Às vezes a vida oferece aquilo que podemos suportar. E, por isso, os desejos são filtrados.
Lu Lena / 2026
FRAGMENTOS NA MASMORRA
(Onde a alma se perde no esquecer)
Ao dormirmos, partimos em viagem por domínios indecifráveis e invioláveis. Se despertamos sem a lembrança do sonho, é porque a alma permaneceu cativa em alguma muralha do castelo medieval. Ao retornar à matéria, o ser percebe o vazio: deixou fragmentos de sua própria essência em alguma masmorra do esquecimento.
Lu Lena / 2026
PERFUME DE AMIZADE
(A diferença entre marcar uma época e permanecer na alma.)
Amizade é como deixar uma flor num livro velho; se o perfume permanece, é porque deixou sua essência. Caso contrário, é apenas um marcador do tempo.
Lu Lena / 2026
ALMA DE PLUMA
(A arte de se tornar leve para ser conduzido pela vida)
Refunda tua alma nesse barro chamado Terra, em formato de uma pluma, para que tenha leveza e possa flutuar no céu e Deus soprar aos ventos o teu nome quando a tempestade for anunciada...
Lu Lena / 2026
Às vezes, atravessamos o deserto de nossa alma, que se perde num silêncio ensurdecedor… de vermos nossos filhos autistas sem saber, compreender e entender o seu ser… Aí Deus nos coloca no oásis de sua magnitude e benevolência e sussurra: — Caminhe, mesmo sem direção, eu seguro tua mão!
