Aline eu te Amo
Talvez eu seja transgressor da minha mente, sendo infesto com minha existência. Sinto-me invadido por pensamentos que me repelem, como se minha própria consciência fosse inimiga, uma traidora que me enche de dúvidas sobre o direito de continuar existindo. Essa sensação de infecção mental corrói meu senso de identidade, questionando se ainda há algo de puro em mim para resgatar.
Tem uma coisa que eu sou muito bom, sou bom em não ser bom em nada... Ao admitir minhas incoerências e falhas, percebo que me curvo a uma verdade dolorosa, minha identidade se fragmentou quando meu corpo e minha mente falharam. Reconhecer essa “incapacidade” sem me ressentir é um ato de amor próprio que ainda carrego como ambiguidade, saber que posso “não ser bom” em qualquer coisa, mas ainda assim mereço existir.
Talvez eu jamais descubra o que vim fazer no mundo, mas enquanto tento me achar, vou errando, me decepcionando e sempre tentando, cada tentativa de redescobrir um propósito me levou a beiras do abismo, onde a incerteza corrói a confiança, no entanto, admitir que
posso errar e decepcionar-me revela que ainda estou vivo e aprendendo, mesmo que a cada passo eu tema desabar de novo.
Sempre fui melancólico, como Chopin. Ele chorava em teclas, eu, em palavras. Sua dor virou partitura, a minha, tinta nos ossos.
Nesse espelho triste, reconheço a linhagem dos que sentem demais
e transformam a dor em arte.
A velhice virá, eu sei. Temo tornar-me um piano velho, desafinado, emudecido num canto qualquer. Assusta-me a ideia de que minha voz, já tão frágil, possa um dia secar… Até desaparecer como um som esquecido. Por isso, escrevo. Antes que meu instante de voz se apague, quero deixar, em palavras,
os últimos acordes da minha história.
Houve momentos em que um abraço era tudo que eu precisava… mas ninguém estava lá. A solidão se torna um grito mudo, um vazio que aperta o peito, quando o corpo implora por calor e só recebe o frio implacável das paredes gélidas. Nessas horas, a ausência do toque se torna tortura, e o abraço que nunca veio rasga ainda mais a minha alma já despedaçada.
Talvez meu destino seja esse: ser ombro, mesmo quando eu desabo por dentro. Curar dores alheias enquanto carrego as minhas em silêncio. Ouvir choros… quando tudo o que eu queria era alguém pra ouvir o meu. Minhas lágrimas são segredos guardados, mas ainda assim… faço das minhas mãos cansadas um abrigo para quem precisa. Mesmo que o alívio… nunca venha pra mim.
Não importa o caminho, o desfecho é sempre o mesmo. Eu, naufrágio de mim. É como se o erro estivesse gravado em minha essência, antes mesmo de eu nascer. Cada escolha apenas uma variação do inevitável. Luto, insisto, me debato, mas há algo maior, invisível, que já decidiu meu lugar, é à margem, entre os que tentam e nunca chegam.
Minha vida virou preto e branco, tudo é cinza, opaco, sem contraste. Enquanto falam de arco-íris, eu me perco num horizonte desbotado
que nunca vou tocar. O mundo segue colorido, mas eu sou estrangeiro nessa paleta que não me pertence.
Penso nos dias bons, mas a dor me puxa pelos tornozelos, como se eu tentasse nadar em cimento. Cada pensamento feliz é afogado por um espasmo, um aperto, um sopro de tristeza cravado no corpo. Quero ver luz, mas há sempre uma sombra colada aos meus passos, sussurrando que sonhar dói mais do que desistir.
Como posso amar alguém verdadeiramente, sendo que nem amor próprio eu tenho?
Talvez o amor ao outro comece quando eu aprender a olhar para dentro, com a mesma paciência e cuidado.
O amor-próprio não é um ponto de partida, mas uma construção que cresce, a cada gesto de cuidado e compaixão comigo mesmo.
O mundo lá fora desaba em água e cólera, e eu aqui, sob este teto de vidro, vestígio translúcido daquilo que um dia chamei de proteção, permaneço imóvel, vulnerável, suplicando em silêncio para que sua fragilidade não ceda antes da minha. Como se houvesse hierarquia no colapso.
A terra treme e não é o chão, sou eu. Cada rachadura no solo parece ecoar uma falha em mim, somos feitos da mesma matéria instável.
volte antes que o mundo acabe
se você voltasse
se me amasse
sabe o que eu faria?
primeiro shiatsu com a língua na tua alma
depois beijaria suavemente a costura do teu pensamento
até revirar o teu terceiro olho
eu te levaria pra Itararé tomar suco de seriguela
ou caipirinha Jorge Amado ou na Avenida da Beija Flor
dançar salsa ou banho de cachoeira ouvindo Luiz Melodia
voando na magrela sob o espelho d'água a luz do dia
eu te faria cafuné e bolo de nozes aos domingos
eu leria livros em voz alta e amaria seus filhos
eu faria jantares e prepararia seus banhos com óleos e ervas
weffle com sorvete de creme e doce de leite quente com tee
eu cantaria baixinho em seu ouvido frases românticas em alemão
eu transaria com você na grama na frente do Baú e pediria pra
guardar com chave nosso amor e nossa felicidade
pediria pra Deus paz e união
eu te amaria até o fim e meu ultimo dia sobre a Terra e depois e depois
eu sambaria um samba triste em cima do seu caixão
no seu funeral e recitaria todos os
poemas que escrevi Paraty
Sublime Presença
Eu sinto você,
mesmo na distância,
tão indiferente,
longe,
artista da vida,
menino homem, poeta.
Você é a noite mais escura,
o dia mais claro,
poeira de estrelas,
chuva de pedra,
nuvem e brisa,
sussurros do universo.
venta e inventa entro de mim,
você é meu céu e meu abismo,
sua boca meu batismo,
a fonte do saber
sou sua casa, você meu lá fora
onde florescem chuva de amoras
Toda noite, meu bem,
beijos no seu céu estrelado,
entrelaçando almas,
como constelações,
navegando juntos,
na vastidão do amor eterno.
APENAS COMECE
Querida eu,
Se você está lendo isso, é porque, em algum momento, o cansaço tentou te convencer de que hoje não dava. De que não levantar da cama seria a melhor escolha.
Quero te lembrar de algo simples: você não precisa estar motivada para começar. Você só precisa começar. Uma linha. Um parágrafo. Cinco minutos. O ânimo não vem antes do movimento ele nasce durante o caminho.
Sei que sua mente às vezes corre demais. Pensamentos se acumulam, preocupações aparecem sem pedir licença, e de repente o livro está aberto, mas você não consegue ler uma linha sequer. Isso não significa incapacidade. Significa humanidade. Significa que você está cansada.
Respire. Volte para o agora. O que está diante de você é só uma página. Só uma ideia. Só um pequeno passo. Você não precisa entender tudo hoje, nem ser perfeita, nem dar conta do mundo. Precisa apenas ser fiel a esse pequeno compromisso com você mesma.
Você mesma
NADA EU SEI DO AMANHÃ...
O tempo fala de eternidade, idade...
O tempo não perdoa jamais...
Se buscas a felicidade...
É o que disseres é que vai valer...
Nada eu sei do amanhã...
Sei que não sei continuar...
Na minha fome de andar...
Não quis saber onde a estrada levava...
E vou...
E vou percorrendo...
E vou percorrendo...
E vou percorrendo CAMINHOS...
