Aline eu te Amo
Desilusionismo
Eu estou criando uma nova religião que se chama desilusionismo, pois a cada vez que eu ou alguém, adquire um desilusão, ou seja, eu perdi a confiança em quem confiei, eu estou mais próximo da verdade.
Prático Cotidiano e Nítido
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto
É com saudades de mim
E o que podia fazer de mim, não o fiz
Nessa vida em que sou meu sono
Não sou meu dono
Paganismo
Eu estive ausente e morto por toda uma eternidade, agora estou fazendo os preparativos para o funeral: estou convidando alguns parentes e amigos, mas antes é preciso conhecê-los, estou criando memórias e lembranças alheias para que sejam usadas como prova de minha breve visita, e estou, acima de tudo, esboçando um epitáfio: "vivi para convidar alguns conhecidos para lamentar minha ausência, porém, desta vez, uma ausência que se fará a frente de testemunhas."
O que quer que eu fosse, fui desde o começo. Não queria que ninguém mexesse com isso, e ainda não quero. É a visão do próprio desespero, perdido na própria imobilidade. É o instante em que o medo poderia ser para sempre, e para a montanha, o homem crispado correndo.
Entendo
As crianças
Porque
Eu tenho a mesma
Idade mental que elas
E comemos
Como
Se não sentíssemos
Fome
O Caos e a Simbiose
A maioria pensa
Com a sensibilidade
E eu sinto com o pensamento
Para o homem vulgar
Sentir é viver
E pensar é saber viver
Para mim
Pensar é viver
E
Sentir não é mais
Que
O alimento de pensar
Todas as manhãs
Somos abençoados
Com a sublime
Dádiva do recomeço
Quisera Tanto
Não é querendo
Me gabar
Mas
Hoje eu chorei
Numa explosão
Milhões de vezes
Maior que a força
Contida no ato
Agitam docemente
Os cabelos da rocha
Entre a linha móvel
Do horizonte
Sincronia
O eu
Lírico
O eu
Do poema
O eu
Que
Não sou
Eu
Intrigante
Instigante
O eu
Do tempo
Singular
Lírico
Eu
O eu
Do poema
Que
Não sou
Eu
Eu
Que não sei
O que sou
Humilhação e Habitar
Eu queria me acabar
Quando
O desespero virar
Lugar comum
Ora direis
Ouvir
Estrelas
Sequer
Pra lá
Olhar
Dizia
O pobre
Diabo
Garrado
No
Celular
Menos é Mais
Quanto mais coisas eu vejo
Muito mais eu quero ver
Quanto mais coisas eu ouço
Muito mais eu quero ouvir.
Quanto mais coisas eu sei
Muito mais quero saber
Quanto mais coisas eu sinto
Muito mais quero sentir.
Quanto mais estrada eu ando
Mais estrada quero andar
Quanto mais vivo na vida
Muito mais quero viver.
Sempre mais sou viciado
Nesse muito mais querer.
Minhas poesias são reflexos das minhas dores, talves se não as tivesse, eu seria um escritor encéfalo.
A vida sempre me bateu muito, fez eu adquirir calos. Ao longo de anos, fui mudando, me moldando e me blindando. Hoje sou apenas alguém que não possui sentimento algum.
Aqui eu ouço os que assim como eu, já caminharam entre a dor e a fé.
Assim como eu, tiveram a infância roubada, mas que ainda à esperança e que persistem.
E a todos os que, mesmo em silêncio, continuam lutando para existir.
Não se trata de mudança de humor constante, trata-se de, às vezes, eu não conseguir fingir que estou bem. Sem perceber, às vezes sou verdadeiramente eu, e isso incomoda.
Ao não conseguir mascarar a verdade interior, sinto-me exposto à própria fragilidade, como se deixar que meu “eu” verdadeiro apareça fosse admitir que tenho falhas e medos que fogem ao controle. Essa transparência, ainda que
dolorosa, revela que a força que me sustenta vem de aceitar minhas quebras em vez de fingir perfeição.
A escuridão não é a ausência de luz. É algo muito mais complexo. Eu já estive lá várias vezes, aliás, ela, de vez em
quando, vem ao meu encontro. Mas, mesmo nas sombras, eu sei que Deus está sempre comigo, nunca me
desamparou. Mesmo na escuridão completa, segura a minha mão e me mostra o caminho. A ausência física de claridade simboliza apenas a fração visível do que sinto, há uma densidade sombria que engole sentido e esperança. Porém, a percepção de uma presença divina me faz acreditar que existe, mesmo no ponto mais escuro, uma mão invisível capaz de me guiar quando minhas forças falham.
A hipocrisia está em todo lugar, em todos. Eu a carrego também, de certa forma, mas, ao perceber, tento injustificadamente me alinhar aos princípios que alguém hipócrita nos deu de herança. Vejo hipocrisia nos olhares que disfarçam repulsa de compaixão, e reconheço traços dela em minhas próprias ambições frustradas, querer ter um dia de paz, mas manter
meu rancor como combustível. Tento me policiar, mas sou parte desse ciclo, recebi valores enviesados de gente que, ao pregar bondade, agia de maneira oposta.
Chorar não adianta mais. Eu e meu choro fazemos companhia um ao outro.
Já chorei até não sentir mais nada, as lágrimas se esgotaram, deixando apenas um vazio duro. Hoje, o choro é como um amigo que visita minha face sem quase derramar gota, ele lembra o tanto que tentei e falhei em encontrar alívio na própria tristeza.
