Agradecimento aos Mestres de Direito

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Quanto mais invisível é o algoritmo, maior deve ser a luz do Direito.

O futuro do Direito não será homem contra máquina, mas homem decidindo que máquinas jamais poderão decidir.

O Direito não deve temer máquinas inteligentes; deve temer homens que as utilizem sem limites inteligentes.

A máquina calcula consequências; o Direito pergunta quem pagará por elas.

A inteligência artificial amplia o poder humano; o Direito existe para impedir que poder ampliado se transforme em poder absoluto.

Se o algoritmo pode negar um direito, deve existir um homem capaz de perguntar por quê.

O Direito é a fronteira entre o poder de prever e o direito de escolher.

Quanto maior o poder preditivo da máquina, maior deve ser o direito humano ao imprevisto.

O Direito não deve ensinar a máquina a ser humana; deve ensinar o humano a permanecer humano diante da máquina.

A máquina pode herdar os dados do passado; o Direito deve proteger a humanidade de herdar suas injustiças.

A tecnologia aproximou os corpos, mas o Direito ainda procura uma linguagem para proteger as distâncias da alma.

O Direito protege a pessoa contra a violência dos outros; no mundo digital, terá também de protegê-la contra a violência da própria ausência.

O algoritmo conhece nossos hábitos; o Direito ainda precisa aprender a reconhecer nossas fragilidades.

O Direito do futuro não protegerá apenas aquilo que fazemos na rede, mas também aquilo que a rede aprende sobre nós quando não fazemos nada.

O algoritmo calcula nossa relevância; o Direito deve recordar que dignidade não é uma métrica.

O direito à intimidade será cada vez menos o direito de esconder segredos e cada vez mais o direito de conservar partes de si que nenhuma máquina deveria conhecer.

O Direito começa a envelhecer quando confunde conexão com convivência.

O Direito protege a dignidade porque nenhuma pessoa deveria precisar provar seu valor para merecer proteção.

O direito à desconexão não é o direito de desaparecer; é o direito de continuar sendo alguém quando deixamos de aparecer.

O algoritmo pode reconhecer padrões em milhões de pessoas; somente o Direito pode insistir que nenhuma delas seja reduzida ao padrão que a descreve.