Agradecimento aos Mestres de Direito

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“O Direito não existe porque Deus deixou de julgar os homens, mas porque nenhum homem deveria receber o poder de ser Deus sobre outro.”

“O Direito é uma humilde invenção humana contra a antiga tentação de homens se comportarem como deuses.”

“Talvez a grandeza do Direito esteja em proteger o homem justamente quando Deus é invocado como razão para abandoná-lo.”

“Onde ninguém pode falar em nome de Deus para retirar a liberdade de outro, o Direito encontrou talvez sua forma mais humana de transcendência.”

“O Direito começa onde a existência deixa de ser apenas fato e passa a exigir reconhecimento.”

“O Direito não concede existência ao homem; concede à sua existência uma linguagem contra o arbítrio.”

“Onde a existência é tratada como coisa, o Direito começa a perder sua própria razão de existir.”

“O Direito é a memória institucional de que nenhuma existência deve depender inteiramente da vontade de outra.”

“A lei organiza a sociedade; o Direito, quando é justo, impede que a sociedade desorganize a dignidade da existência.”

“Existir precede o Direito; ser reconhecido pelo Direito transforma a existência em presença civil.”

“O poder pergunta quem pode existir; o Direito deveria perguntar por que alguém poderia decidir isso sozinho.”

“A fronteira mais perigosa do Direito é aquela que separa uma existência protegida de uma existência descartável.”

“Quando o Direito esquece a existência concreta, a justiça pode sobreviver nos códigos e morrer nas pessoas.”

“O Direito nasceu para limitar o poder, mas sua obra mais difícil é impedir que o poder determine quem merece existir plenamente.”

“A existência não pede licença ao Direito para acontecer; pede ao Direito que não a destrua quando acontece.”

“Direito é a arte de transformar a vulnerabilidade da existência em limite ao poder.”

“O Direito não torna a existência eterna; sua grandeza está em impedir que ela seja arbitrariamente diminuída enquanto dura.”

“Entre o nascimento e a morte existe o território do Direito: o espaço onde a existência procura não ser injustiçada.”

“Quando uma existência precisa gritar para ser reconhecida pelo Direito, alguma coisa silenciosa já fracassou na justiça.”

“No fim, talvez todo o Direito possa ser reduzido a uma pergunta: o que devemos uns aos outros pelo simples fato de existirmos?”