Agora
Passei minha vida olhando a vida de fora, mas com você agora estou no centro de tudo.
Meu coração voou em sonhos por muito tempo. Agora ele pisa firme no chão. Não quero nenhuma ilusão para fazê-lo sorrir, quero apenas o simples e o verdadeiro.
___Lene Dantas.
Enxugue essas lágrimas, se as pessoas só colhem o que plantam não faz sentido agora reclamar de solidão.
Sabia, ainda que não soubesse, que habitava agora o lugar de mais difícil existência: a vida – ou tinha, de longe, consciência de que ela logo lhe chegaria. Por ter muito medo da vida, nunca teve medo da morte. E por isso morrera muitas vezes.
a dor do outro você rir a sua você chora i agora respeite a dor do outro ninguém sabe o dia de amanhã
Larga desse Papo!
Pra que vir com esse papo agora
De você só quero um beijo
Me abraça larga disso, me namora
Vem matar o meu desejo
O tempo parou, vem aqui que é a hora
Quero extrair seu mel
Como uma flor, uma declaração suave, bem sonora
Mas você insiste nesse fel...
Só quero ser feliz
Simplesmente sentir prazer
Não me interessa o que me diz
Vem, se entrega e vem me fazer...
Meu corpo minha vida
Não quero anel
Quero viver e ser vivida
Não quero promessa nem véu
Me faz alcançar o céu
Sem essa de me julgar
Nem me colocar como réu
Só vem... e vem me beijar
A estabilidade da paz no mundo de hoje, é quase como um bolsa de valores.
Agora, em alta; passados milésimos, em baixa profunda.
(IN) SOSSEGO
Vá,
Sossegai
Agora e já...
Dormi muito
Muito,
Sem acordares jamais
Ó Parca terror dos mortais!
Parca das três Parcas fatais
Se já tendes vosso bicho roedor
Dentro de mim
Dilacerando-me as carnes em furor
Que quereis vós, afinal, em fim!?...
Para quê, ó Parcas porcas da má sorte
Não vos basta já o vosso nome de Morte
Porque me quereis tanto assim!?...
Se tendes tudo já de mim, em vida
Porquê desejar-me tanto a morte!?...
(Carlos De Castro, em Sonhos Lindos, Argoncilhe, 15-06-2022)
M A R T Í R I O
Que doloroso é este passar das horas.
Agora que a lei dos homens a desoras,
Me deu o estatuto de puto de velho,
Sem honras, nem merecimento
Porque alquebrado e relho
Estava há muito em sofrimento.
Agora, nem me conheço,
Quanto mais me esqueço,
De quem era eu
No apogeu.
Tudo era quente,
Mesmo quando enregelava
O ponteiro mestre
Que indicava à gente
Que amava,
O norte duma lura ardente
No corpo de um ser terrestre.
Tudo se esvai e se esfuma na vida,
Quando um velho abandonado
Chora o tempo que foi passado,
Na alvorada vivida.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 13-10-2022)
A N D A
Anda comigo agora:
Mulher de chicote em riste.
Anda comigo agora:
Vaca senhora,
Que de mim te riste.
Anda comigo agora:
Cruel destino,
Que me torturas desde menino.
Olhai:
Vinde comigo agora,
No pouco que me resta
Nesta gesta
Pela curta estrada fora.
Andai:
Que lá ao fundo
Está o cutelo
Que há de decapitar
O imundo
Que fez chorar
Um poeta singelo.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 18-10-2022)
TRISTEZA INFINITA
Que triste este sol
Hoje, neste outono.
Vede como chora
Agora,
O vento cerol
Colado a mim como dono.
Que triste é ser tão tristonho,
Como árvore que dá flor
Sem amor,
No outono,
Fadada a não medrar.
Que angústia vai neste olhar
Nesta sempre tristeza minha,
Infinita,
Que mesmo amordaçada grita
Pela liberdade de amar.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-10-2022)
OLHOS SEM LÁGRIMAS
Ai, se eu tivesse lágrimas para chorar...
Mesmo agora a brotar
Como duas fontes fortes, sem parar:
Eu inundaria os leitos
Secos dos rios,
E os peitos
Sem leite para amamentar
Os filhos com fome, já frios.
Ai, se os meus olhos
Sem escolhos,
Quisessem agora chorar
Copiosamente,
Amargamente,
Como ondas de fúria que brotam do mar:
Eu, regaria as flores do meu coração
Da paixão,
Tão tristes, tão coitadinhas
Cada vez mais a mirrar,
A secar,
Pobres tristinhas.
Ai, se eu tivesse outra vez lágrimas,
Já nem sabia chorar!
Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 05-12-2022
FOTOGRAFIAS
Ó linda musa das minhas fotografias,
Por onde andas agora, amor silvestre?
Bati em ti tantos flashs de alegrias,
Mesmo quando na objetiva me bateste.
Lembras-te quando do ângulo me fugias,
A correr atrás da cansada borboleta?
Nem notavas que eu depois por outras vias,
Batia a câmara a captar melhor careta.
E neste vai e vem de fotos de gaveta,
Só me lembrei de ti, infeliz, ao ver-te
A chorar, em nova, com cara de pateta.
Se do mundo ainda fores um ser vivente,
E te restar alguma faúlha de vergonha,
Lembra-te de mim, sempre, mulher peçonha.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-01-2023)
