Agora
O Ponto Fixo do Trânsito
O Agora é a minha única morada, o ponto exato,
a quietude que o caos me permite reivindicar.
Se o defino, ele já é Presente-Passado,
a matéria de memória, a substância de tudo que o riso dos deuses levou.
Não é um vazio findo, mas o volume da minha história,
a textura viva da cicatriz que me torna necessário.
Mas o Agora é também, e sem trégua, Presente-Futuro,
a tensão que me impede o ócio inabitável.
É o vetor da força que move o Ser para o devaneio lúcido—
a criação de um paraíso possível,
mesmo quando a lucidez me diz que ele é breve.
Pois sei que as coisas transitam ao meu redor
e a minha perspectiva é o único centro real.
Se o mundo gira e a folha cai,
minha presença é o ângulo irrepetível
que dá forma e cor à velocidade do trânsito.
Os Deuses, lá no alto, podem rir da minha seriedade,
rindo da minha busca por um sentido,
zombando da pequena chama da minha vontade.
A gargalhada deles é a confirmação:
A vida é regida pela ironia lúdica, não pelo mérito.
Mas a síntese é a minha resposta:
Eu não preciso de um plano perfeito.
Eu sustento a minha existência apesar do riso,
criando o meu próprio éxtase no intervalo.
Eu sou necessário para completar a canção,
e mesmo sabendo que o futuro é incerto,
eu carrego a coragem indiferente de quem sabe:
O ato de estar aqui, no Ponto Exato do Agora,
já é o maior e mais belo de todos os propósitos.
A Vertigem da História e o Sussurro do Amanhã
Vivemos sob o despotismo do Agora, mas ele é um tirano feito de instabilidade. A História, que antes avançava a passos largos de eras e impérios, hoje corre em um galope tecnológico, medido em ciclos de software e manchetes. Esta é a velocidade da História: não uma linha, mas uma espiral que se comprime, obrigando-nos a processar o século em uma década, o ano em um mês. O passado não se afasta; ele se torna obsoleto com uma rapidez vertiginosa.
É dessa aceleração que nasce o espanto do tempo.
O espanto não é apenas a surpresa, mas a vertigem existencial de quem se sente estrangeiro na própria contemporaneidade. O que era firme e fundamental ontem — a estrutura de um mercado, o modo de uma comunicação, a certeza de uma fronteira — desmorona sem aviso. O espanto é o choque entre a brevidade da vida humana individual e a violência da transformação coletiva. Sentimos o futuro nos ultrapassando antes mesmo que tenhamos compreendido o presente. É a sensação de que o chão da realidade é feito de areia movediça.
Mas a História, apesar de sua pressa, não é totalmente cega. Ela deixa sinais pelo caminho.
O futuro não chega com trombetas, mas como um ruído discreto nas margens do presente. Os sinais estão nas tecnologias marginais, nas ideias políticas consideradas radicais, nas fraturas sociais que ainda parecem pequenas demais para importar. São os precursores, as tendências incipientes que, ignoradas hoje, serão a regra amanhã.
O futuro não é algo que virá, mas algo que já está aqui, encapsulado como potencialidade dentro das fissuras do nosso Agora. Ele se manifesta como o paradoxo: quanto mais acelerado o tempo, mais urgente se torna a nossa capacidade de pausar e escutar os sussurros do amanhã no meio do turbilhão.
A sabedoria, portanto, não está em tentar parar o galope, mas em desenvolver a lucidez para identificar esses sinais quietos. É aceitar o espanto do tempo, reconhecer o trânsito veloz, e ainda assim, encontrar a âncora no presente para ler os avisos que o futuro, por pura necessidade lógica, é obrigado a deixar para trás.
DA ÁGORA AO ALGORITMO: RETÓRICA PERSUASIVA E O FLAGELO DAS REPUTAÇÕES.
A linguagem persuasiva tem seu pedestal no século 21. Ela tem a retórica com várias caixinhas, distribui cancelamento gratuito. Todavia, não é algo novo: reis, rainhas, presidentes e pessoas comuns passaram e irão passar por este flagelo mental, tendo reputações atingidas.
A retórica como arte da persuasão sempre existiu para mobilizar emoções, simplificar narrativas e construir ou destruir reputações. Na Grécia Antiga, os sofistas ensinavam técnicas para convencer multidões, muitas vezes priorizando o verossímil e o efeito prático sobre a verdade absoluta. Platão os criticava duramente por manipular opiniões sem compromisso com a essência das coisas (nos diálogos *Górgias* e *Fedro*). Aristóteles, por sua vez, sistematizou a disciplina de forma mais equilibrada em sua *Retórica*, definindo-a como “a faculdade de descobrir, em cada caso, os meios de persuasão disponíveis”. Ele separou a retórica da dialética (busca pura da verdade) e identificou os três pilares fundamentais que ainda hoje orientam a análise persuasiva: *ethos* (credibilidade e caráter do orador), *pathos* (apelo às emoções do auditório) e *logos* (razão, argumentos lógicos e evidências).
A retórica antiga era essencialmente; oral, praticada na ágora, nos tribunais e nas assembleias políticas. O orador enfrentava um auditório presente, concreto e limitado. A entrega (gestos, tom de voz, presença física) era crucial, e havia espaço para réplica imediata. O objetivo ideal era a adesão racional e emocional a favor do bem comum, embora abusos sofísticos fossem comuns.
Retórica Antiga × Retórica Moderna: diferenças, continuidades e evolução
A retórica não morreu com a modernidade — ela se transformou. No século XX, Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca resgataram e atualizaram a tradição clássica com a "Nova Retórica" (Tratado da Argumentação, 1958). Eles expandiram o conceito de persuasão para além do discurso oral, enfatizando a “adesão do auditório” em qualquer contexto argumentativo.
No contexto; digital do século 21, a retórica ganha escala, velocidade e complexidade inéditas:
- Meios e formatos: De oral para multimodal (texto, imagem, vídeo curto, meme, stories, algoritmos). A presença física deu lugar à “presença virtual” e à edição cuidadosa.
- Escala e velocidade: Um argumento (ou ataque) pode alcançar milhões em minutos, sem filtro de auditório físico. Algoritmos das redes sociais privilegiam *pathos extremo* (indignação, raiva, empatia rápida) porque gera mais engajamento do que um logos equilibrado.
- Accountability e anonimato: Qualquer pessoa pode participar da persuasão ou do “cancelamento”, mas com menor responsabilidade pessoal. O *ethos* torna-se frágil e volátil — construído ou destruído por snippets fora de contexto ou narrativas emocionais simplificadas.
- Continuidades claras**: Os três pilares aristotélicos permanecem centrais (ethos, pathos e logos).
- Diferenças principais: A antiga era mais contida pelo contexto cívico e pela possibilidade de debate direto. A moderna é mais democratizada, mas também mais manipuladora em potencial, pois ignora contexto profundo, favorece o emocional imediato e opera em bolhas algorítmicas.
Em resumo: a retórica antiga era uma arte ensinada com responsabilidade cívica (mesmo com abusos). A moderna é uma força amplificada pela tecnologia — mais rápida, acessível e poderosa, capaz de distribuir “cancelamento gratuito” em massa, mas também de expor injustiças que antes ficavam ocultas.
Ao longo da história, reis e rainhas também sofreram esse flagelo. Um exemplo clássico é o caso de Maria Antonieta, rainha da França na época da Revolução. A ela é atribuída a famosa frase “Que comam brioches” (Qu’ils mangent de la brioche), como se, ao saber que o povo não tinha pão, ela tivesse respondido com indiferença luxuosa. Na verdade, não há registro histórico confiável de que ela tenha dito essas palavras. A frase aparece primeiro nas *Confissões* de Jean-Jacques Rousseau, quando Maria Antonieta ainda era criança. Anos depois, foi usada como propaganda revolucionária para destruir sua imagem e despertar indignação popular. Mesmo sendo uma lenda, a narrativa emocional simples funcionou como arma retórica poderosa — um lembrete de como uma história bem contada pode superar os fatos.
No século 21, o fenômeno assume contornos partidários, com narrativas seletivas, trechos fora de contexto ou amplificados que atingem reputações antes mesmo de provas concretas.
Como podemos seguir em frente?
O cancelamento é uma forma moderna de ostracismo coletivo, muitas vezes ineficaz para mudanças reais e duradouras. Ele promove medo, autocensura e polarização. Para navegar nesse ambiente com mais resiliência:
1. Não dê poder excessivo ao tribunal da internet — Ignore o barulho inicial e responda com fatos quando necessário.
2. Seja honesto, consistente e contextual — Use ethos forte e logos claro para evitar distorções.
3. Quando errar, admita com humildade e ações concretas — Evite desculpas vagas.
4. Construa reputação resiliente — Foque em contribuições reais, valores claros e diálogos fora das bolhas.
5. Use a retórica com responsabilidade — Prefira verdade + empatia em vez de manipulação emocional pura. Evite “cancelar de volta”.
6. Mantenha perspectiva histórica** — A retórica sempre foi neutra. O antídoto está em priorizar razão sobre emoção coletiva e contexto sobre trechos isolados.
No final, a linguagem persuasiva é neutra. Quem segue com integridade (mesmo imperfeita) tende a resistir melhor ao flagelo.
Leituras recomendadas
- Aristóteles — Retórica
- Platão — Górgias e Fedro
- Chaïm Perelman — Tratado da Argumentação
- Jon Ronson — Humilhado
- Greg Lukianoff & Jonathan Haidt — The Coddling of the American Mind e The Canceling of the American Mind
Ysrael Soler
#DaÁgoraAoAlgoritmo #CulturaDoCancelamento #RetóricaPersuasiva #CancelamentoDigital #LiberdadeDeExpressão #PensamentoCritico #ÉticaDaPalavra
O vazio que em outrora era aconchego permaneceu intacto à sombra da tua ausência, agora, embora tão perto, adormecido descansa.
"A pior decisão que você pode tomar é não começar agora." — Laerson Endrigo Ely em Método R.E.N.D.A. de Investimentos
Criar uma ilusão sobre uma pessoa é o cúmulo da imbecilidade;
agora, acreditar nesta ilusão já é tolice total.”
— Urbano Cardoso
Podem rir agora e duvidar do meu potencial, mas esperem o dia em que Deus vai me tornar quatrilionário e mostrar para o mundo que Ele faz o impossível virar realidade.
Hoje não quero nada além do que a vida me oferece agora. Que este momento permaneça inteiro dentro de mim, porque viver isso, sem pressa e sem excessos, já é tudo o que preciso.
Se a tristeza é a falta da realização de um desejo, eu estou extremamente triste.
Agora vou fumar um haxixi pra esquecer um pouco o que me fez triste.
Na alegria das dores vividas, onde as causas causei, o essencial agora é a paz que reina,mas sempre surgem tempos a querer expulsa lá.
O agora me mantém.
Feliz família.
"O tempo passou...
E, agora procuro...
Cadê meu pai? - partiu!
Cadê minha mãe? - partiu!
Cadê meus irmãos? não sei!
Cadê os gozos de família?
- se foram...
-Oportunidades tidas e agora as percebo perdidas...
Fui! - cuidado você, prá não ser...
-Feliz família à todos!"
☆Haredita Angel
Hoje fiz tudo do meu jeito.
Mas, sempre dando o melhor de mim.
Agora vou dormir em paz.
☆Haredita Angel
Tia Rita
Enquanto seu coração batia,
eu a chamava Tia...
E ela só/ria...
Agora seu coração bate do outro lado
e quando chamo... Tia,
quem responde é a saudade!
Mas, a senhora ainda está aqui!
Pois ninguém parte assim,
deixando tanto de si!
Estarei aí com todos em pensamento e oração.
Socorro Oliveira Vieira
(Haredita Angel)
06.11.21
