Abismo
RELEVO SENTIMENTAL
Às vezes, sou um abismo tão profundo,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Sinto vertigem – caindo-me nas entranhas do mundo.
Às vezes, sou uma planície tão extensa,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Perco-me num horizonte vago – sem fim.
Às vezes, sou um deserto tão escaldante,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Não sei se paro ou sigo adiante.
Às vezes, sou um planalto tão irregular,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Embrenho-me em depressões cheias de espinhos e cipoal,
Cercadas de montanhas difíceis de escalar.
No mais das vezes, apraz-me ser este relevo,
Pois, ao olhar para dentro de mim,
Sou nova paisagem a cada dia,
Não conheço monotonia:
Se hoje sou depressão;
Amanhã, sou majestosa montanha,
Com meu olhar otimista,
Olhando o mundo a perder de vista;
Depois de amanhã, sou verdejante colina.
Com flores, pássaros e rios de água cristalina –,
Sou vida que não conhece rotina.
Meu sorriso esconde um abismo que não indico a ninguém
Minhas palavras são doces mesmo em dias frios
Quem me perguntar como estou sempre saberá a resposta
Mas quem me conhece como sou, nem me dirige a palavra sobre essa história
As brincadeiras escondem dores
Os carinhos escondem ódio
E o silêncio esconde pensamentos...
"Tanto no moral como no físico, sempre tive a sensação do abismo, não só do abismo do sono, mas do abismo da acção, do sonho, da lembrança, do desejo, do arrependimento, do remorso, do belo, do número. Cultivei a minha histeria com prazer e terror. Agora, continuo com a vertigem e hoje (...), sofri uma singular advertência : senti passar por cima de mim o vento da asa da imbecilidade"
A vida é tão imensamente vasta e profunda quanto este abismo estrelado acima de nós. Só se pode atirar um olhar a ele através desta minúscula abertura que é a nossa existência pessoal. E, por esta abertura, sentimos mais do que vemos. Por isso temos de nos certificar de que esta abertura está sempre limpa.
"Toda vez que necessitar pular em um abismo, pule, mas amarre uma corda em uma árvore de raizes fortes na beira do penhasco e outra ponta da corda amarre em você.... pelo simples motivo, todo abismo tem um chão e se tiver seguro em uma corda, você não cairá até o final dele, mas conhecerá o fim qe o levará”
"Não é o abismo que nos assusta, mas a vertigem de perceber que nossas asas ainda estão na embalagem."
"A música não acontece nas notas, mas no breve abismo de silêncio que impede uma nota de atropelar a outra. A vida precisa dessa mesma pontuação."
"O abismo que você vê à frente pode ser apenas o espaço que a vida abriu para caber o tamanho das suas novas asas."
O homem pode se tornar seu próprio abismo quando, por opção, renuncia aos valores humanos e morais: e, em conseqüência, de tudo o que ele se apodera transforma em destruição
Dei atenção para melancolia.
Desabei em abismo de tristeza.
Deixei a depressão invadir minha sede...
Esqueci a serenidade ao te pedir seu amor.
Desgastei meus pesares com tanto custo..
Que queria não mais existir...
Defloro o simbolismo do amor...
Tantos problemas com a vida
Que reconheço minha morte melhor destino.
Embora lhe reconheça meu amor...
Olho as luzes da luxúria... Me engana me
No crepúsculo até o doce fel argumenta.
Inóspita cuja existência são foto palavras
Neste estranho momento que olho o vazio.
Minhas palavras são desconectas...
De seu vasto acervo politico sem clareza...
Pois somente lhe digo sobre minha solidão.
Sinto que no meio de um abismo silencioso, tem um som ensurdecedor que ninguém consegue ouvir. Ele é um alguém especial !
Você percebe que chegou ao fundo do poço quando, ao estar na beira do abismo, você se pergunta como seria pular.
“Hoje é tudo o que temos: morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança”.
(Em “Sobre o otimismo e a esperança” – Concerto para corpo e alma. Página 160 – Editora Papirus – Campinas – São Paulo, 2012).
OLHOS DA ALMA
E bebo o silêncio que rodeia
a minha alma. Nesse abismo fundo
tem dias que esse fogo me incendeia
e de tropeços em pedras me inundo.
A brisa sopra leve e assim semeia
toda angústia da qual minha alma inunda.
Lá dentro, em meu ser, é que alardeia
o tanto de espinho que me traz o mundo.
Assim, repiso as pedras do caminho,
mantendo a rota, vou seguindo em frente
e no lugar da flor recebo espinho.
A fé, na vida sim, é que me acalma
e sinto que sou grande, que sou gente.
Vejo o mundo com os olhos da alma!
Eliza Gregio
