A Medida que o Tempo Passa
Quando as relações florescem ou partem
Algumas relações vêm como semente.
Pedem terra boa, sol na medida e tempo, muito tempo.
Outras chegam como vento.
Mexem tudo, levantam folhas secas, e depois seguem.
Nem por isso são menos importantes.
A vida nos ensina que, nem todo laço é nó, e nem todo nó precisa apertar.
Há vínculos que nos libertam, há distâncias que aproximam, há despedidas que salvam.
Revisar uma relação não é falta de amor, é amor por inteiro, por si, pelo outro, pela verdade que se impõe quando a alma já não cabe no silêncio.
Relações vivas não pedem perfeição, mas presença.
Não exigem que sejamos sempre os mesmos, mas que sejamos verdadeiros
naquilo que estamos nos tornando.
Porque, no fim, a beleza das relações não está em durarem para sempre,
mas em florescerem com sentido enquanto duram.
Felipe Felisbino, em maio de 2025.
Me sinto um camaleão.
Tendo que aprender com o ambiente e disfarçando meus passos pela estrada tortuosa.
Jogando entre os campeões, sabendo que cada um deles entende que este mundo é competitivo e que o segundo lugar é inaceitável.
Mas eu prefiro passar despercebido. Competindo apenas contra a minha face que fica ali encarando dia a dia em frente ao espelho.
Nem sempre vão me entender e nem pretendo que me entenda.
Talvez eu seja aquela pergunta que irrita, com múltiplas respostas.
Mas eu gosto assim.
Quero ser aquela surpresa que chega sem avisar.
Que vem a noite e quando o dia chega já faz parte da paisagem.
E se novamente perguntarem quem sou eu. Eu direi...Meu nome é ninguém!
De sobrenome Cunha e Nascimento.
Sem limites.
Aquele para o qual o mundo não oferece desafios inalcançáveis.
O cara que jamais conheceu o impossível. Alguns podem até achar arrogância e até seria se eu tivesse usado todas as chances que tive de subir esquecendo das minhas raízes.
Mas meu sangue carrega o peso de ser parte de uma história que foi construída no velho continente e que chegou ao Brasil para sobreviver no centro oeste deste país.
O tempo jamais apaga os laços que unem o primeiro e o ultimo membro desta familia. Acredito que agora estou preparado pra ser o que a vida me preparou pra ser.
Afinal se a águia viesse a este mundo para viver na terra, não teria nascido com asas. Não sonharia com as nuvens. E seus olhos não veriam muito além do que se pode imaginar. Conseguindo antever o tempo de cada ação a quilômetros de distancia.
Um movimento que teria que durar 35 anos planejado por um rapaz de 18 anos.
Que escrevia seus passos em um caderno, guardado no fundo de um armário e que era ilustrado por nomes que ele respeitava. Retratos e recortes de jornais. Algo que virou musica em 1997, " Jornais da vida" e que acordou um viajante do tempo.
Que saiu pelo mundo para aprender a cair e levantar quantas vezes fosse possível. E que andou entre Reis e plebeus com a mesma classe. E se tornou um deles na medida que seu instinto camaleão aflorava. Tempo necessário para traçar metas e estratégias. Tempo necessário para angariar aliados. Para tecer teias ou fios que se tornaram roupas visíveis aos que precisavam enxergar o sinal da nova tribo. E se cheguei até aqui, daqui pra frente vou seguir o meu mapa, pois desenhei o caminho entre as pedras e construí o atalho que visualizo quando estou sozinho na montanha. Acreditar é uma palavra forte, mas que só funciona quando não é dita apenas da boca pra fora. Pois a realização começa no seu interior. Uma meta só tem um destino quando você sabe onde quer chegar. E eu sei bem onde quero e vou chegar!
Outono
Outono! As folhas douradas, em queda livre,
Espalham-se dançando com o vento,
Num frenesi de liberdade.
São cores, formas,
Vida que se vai,
Mas que não perde a beleza em seu movimento.
As árvores despem-se lentamente,
E o chão se torna um mosaico
De formas e cores.
Um tapete dourado de memórias e saudade,
Ecoando em cada passo
Do caminhante sonhador.
As folhas que caem
São como páginas de livros,
Que contam histórias de um tempo que se foi,
Sussurradas no ouvido
Pela brisa outonal.
Com suas folhas amarelecidas,
O outono lança seu convite à reflexão:
A se despir das certezas,
E olhar atentamente para os ciclos da existência,
Para a impermanência da vida.
E encontrar, no chão,
A beleza da efemeridade da essência.
(Outono)
Nós mulheres passamos tempo demais nos preocupando com a idade, mas não deveríamos. Incorporamos uma rotina de skincare e outros procedimentos estéticos caros, cansativos e às vezes até doloridos numa tentativa desesperada de tentar parar o tempo, como se isso fosse possível. Isso não quer dizer que devemos relaxar e descuidar da aparência e da saúde, muito pelo contrário. Nessa busca inalcançavel pela juventude eterna deixamos de aproveitar momentos preciosos e únicos típicos de cada idade. Não perca seu tempo tentando voltar a ser jovem. Cada fase é única e tão peculiar que é até injusto comparar uma com a outra. Preocupe-se em ser feliz, em fazer escolhas que te permita viver cada período da vida com lucidez, equilíbrio, liberdade, sabedoria e leveza aproveitando tudo que essa fase proporciona. Seja real e inteira em cada uma delas e orgulhe-se da transformação inerente a passagem indômita do tempo.
Em quê o tempo nos ajuda?
O que ele pode nos deixar.
Uma saudade profunda, uma ferida a se curar;
Nos deixa experiências;
-Amor? Afeto? Sei lá .
Talvez lembranças bonitas,
E um jeitinho carinhoso de se apegar.
Mas um dia se acabará o meu tempo,
E como todos se perguntam.
Como eu irei me acabar?
Sozinho, abandonado? -Com amigos a me rodar.
Sabe, espero que o tempo seja justo.
Seja paciente e devagar.
Aliás o tempo é infinito, e jamais irá se acabar.
“O tempo, esse escultor silencioso de instantes, devora nossa felicidade toda vez que a mente se deixa algemar por pensamentos indomáveis, e assim perdemos eternidades
em simples segundos que nunca mais regressam.!
TEMPO REMOTO (soneto)
É bom que eu prose ao léu, assim acostumo
na solidão, da privação de um amor passado
pois a lembrança surrara no pesar suspirado
perdendo no versejar aquele rítmico prumo
Terá, e virá, um certo dia, então, presumo
um sentido para o verso, o mais sonhado
talvez o que mais mime, o mais encantado
que anuncie juras, e sensação para o rumo
E, se ao chegar a hora de um verso absorto
que não se apague o ardor, seja conforto
poético, velando a minha aflitiva soledade
Ouvidos não darei a inspiração sem alento
pois, poesia de saudade tem padecimento
mesmo que de boa lembrança, a saudade.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14 junho, 2025, 15’09” – Araguari, MG
Sorte que existe o Senhor do Tempo, que não cura nada, mas transforma a realidade. Mas Cassie não acredita em sorte; só compreende as astúcias do tempo e sabe que ele não é um vilão. Tempo é um intermediário: entre o que se sabe hoje, aquilo que precisa saber e o que ainda saberá.
Se o tempo não se encarregar de oportunizar a estrada, crie possibilidades com trabalho, inteligência e disposição.
Se molhar e se encharcar pode ser o bom caminho para o florescimento. Feche o guarda-chuva da proteção e deixe a água fazer seu trabalho (se curar, se cuidar). D-us sempre envia chuva em tempo hábil, mas pode faltar por algum tempo. As sementes podem demorar a florescer, mas florescerão.
Pare de acreditar que o tempo vai te esperar. Ele não para. Ele não volta. Ele não perdoa. As oportunidades nascem e morrem num piscar de olhos. E você nunca sabe quando será a última vez que a vida vai bater na sua porta. O agora é tudo o que existe. Abrace a causa. Encare a vida. Lute pelos seus sonhos com toda a força, antes que o tempo arranque de você tudo o que poderia ter sido. Não adianta chorar pelo que deixou passar. Levante. Corra atrás. Você não sabe quanto tempo ainda tem. Faça valer enquanto pode. A hora de agir é AGORA , porque talvez amanhã já seja tarde demais.
O problema do tempo não é o limite que ele impõe, mas a forma com que tratamos o que temos antes que ele o leve ou mude; e isso pode nos fazer chorar ou nos pacificar.
A ilusão é uma fumaça passageira; ela persiste somente até a caída da máscara; com o tempo as cortinas do circo se desfazem, quando se descobrem a fanfarrices abjetas do caráter.
E se o amanhã não chegar?
É um pensamento que, por vezes, nos assombra, não é mesmo? A ideia de que o relógio pode parar a qualquer momento e que o sopro de vida pode se esvair antes que o sol nos convide a um novo dia. Mas, paradoxalmente, é justamente essa incerteza que deveria nos impulsionar a viver.
Se amanhã eu não estiver mais aqui, o que terá restado do dia de hoje? Foram risos genuínos? Palavras de afeto ditas em voz alta? Um abraço apertado que transmitiu mais do que mil frases? Terei olhado para o céu e me deslumbrado com suas cores, ou estive com a cabeça baixa, distraído nas trivialidades que no grande esquema das coisas, pouco importam?
A vida é um presente embrulhado em mistério. Não sabemos quando a fita será desfeita. Por isso, cada respiração deveria ser um lembrete para estar presente. Para sentir o vento no rosto, o sabor da comida, o calor de uma mão amiga. Para olhar nos olhos de quem amamos e dizer, sem reservas, o quanto são importantes.
Não se trata de viver em desespero, mas em consciência. Consciência de que cada momento é único e irrepetível. De que o tempo não volta. De que as oportunidades de amar, perdoar, aprender e se arriscar são finitas.
Que, se amanhã eu não estiver mais aqui, o hoje tenha sido um dia onde eu fui eu mesmo. Onde minhas ações tenham refletido meus valores. Onde eu tenha deixado uma pequena marca de gentileza, de compreensão, de amor. Que eu tenha vivido, de fato, em vez de apenas existido. E que essa reflexão nos sirva não como um lamento, mas como um convite urgente à vida.
Ecologias de Mim
Sou feito de círculos concêntricos,
onde o eu se forma na dança do outro,
na casa, na rua, na pele dos dias,
na palavra que me disseram
e naquela que nunca ouvi.
No primeiro círculo, tocam-me os olhos,
as mãos que me embalam e moldam;
no segundo, cruzam-se caminhos,
ecos de vozes e silêncios de quem passa.
Mais longe, decisões sem rosto
alteram o chão onde caminho —
leis, rotinas, ausências e horários,
tudo aquilo que não vejo,
mas que me constrói por dentro.
No mais vasto dos mundos,
vive o tempo, o espírito, a cultura,
as ideias que nos formatam o sentir,
as crenças que pesam sobre o corpo
como uma herança invisível.
E entre cada camada de mim,
há um fio que me costura: a história.
O tempo a escorrer-me nos ossos,
a infância que volta,
a mudança que nunca cessa.
O tempo e o vendaval
O tempo vem com um vendaval, e leva-se tudo...
Tudo se destrói...
Algumas coisas se constroem.
E o tempo é amiga da perfeição
E se voltássemos ao passado,
Apenas, atravessando uma esquina.
De um lado, os nossos sonhos.
Em outro canto, uma estação...
As nossas lágrimas desgarram em nossos olhos.
É como uma paixão que não envelhece...
Mesmo que permaneça algumas semanas,
O vendaval veio para ficar...
Ficaremos bem, meu amor?
E eu não quero ficar sozinha.
E diante do espelho, não quero mais chorar...
O tempo, geralmente, é cruel conosco.
Não chora, meu amor! O mundo nos dará recompensas.
Essas lágrimas são perdidas...
O tempo é cruel conosco.
É capaz de transformar o paraíso em cidades...
E sobre a mesa de bar...
As nossas lágrimas são os goles intermináveis.
O vento é o tempo...
Que nos corrói por dentro.
E a ideia de envelhecer sem você, não me satisfaz.
Então, ser mais um no meio da multidão, também não satisfaz.
Mesmo que os nossos passos sejam diferentes,
Encontrara-me no mesmo bar...
Só o tempo seria capaz de modificar tudo...
O vendaval destruiu os nossos sonhos.
E é por isso,
Que eu estou recomeçando, como a Chuva ensinou-me.
Titânico Mello
Deus entende tudo: a pausa necessária, o tempo exato, aquela intensidade bonita que a gente só entende depois que passa.
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