A Juventude tem Pressa
Eu lutei sem barreiras, sem pressa, até chegar a você.
Então, vi um muro dividindo o nosso mundo, como uma névoa triste.
O teu mundo é um mistério que não conheço — camuflado, invisível, tão perto e, ao mesmo tempo, distante de nós.
Se eu não posso conhecer o teu mundo, como poderei ser feliz contigo.
Não é preciso correr — pra quê tanta pressa?
Meu coração nunca foi ameaça, e sim abrigo.
Não é necessário fugir de mim, porque nunca te pedi o impossível,
nem te cobrei o que tua alma não podia entregar.
Eu te dei minha palavra — sincera, inteira,
a promessa de que não te feriria,
de que meu afeto seria leve como brisa
e firme como a verdade que carrego no peito.
A empreitada chegou ao fim,
não por falta de sentimento,
mas porque o destino às vezes nos move
por caminhos que não podemos deter.
Assim, com serenidade e sem mágoas,
deixo um pouco de mim onde você fica,
e levo um pouco de você para onde eu for.
Migro para outro lugar, sim,
mas não levo pressa, nem fuga, nem dor.
Levo apenas a gratidão por ter sentido você.
Que a vida te seja suave.
Que seu riso encontre novas manhãs.
E que, se o vento um dia sussurrar meu nome,
você apenas sorria — porque fomos verdade enquanto durou.
Com carinho e poesia,
Raimundo Santana
A verdadeira comunicação nasce da humildade. Humildade para ouvir sem pressa, para reconhecer que o outro pode ter algo a nos ensinar, para perceber que compreender não é concordar, é simplesmente abrir espaço para o diálogo.
Eu não tenho pressa. O que me interessa não me avexa, não me estressa: é o aqui e o agora, a Graça e a Glória. Essa é uma importante lição que aprendi com Mamãe Terra e Papai Céu. Aprendi a aproveitar o abraço de Carminha, a sombra do Juá cor verde-juazeiro, no meio da secura branco cinzenta da Mata, a fervura grata dos olhos de brasa do Gravatazeiro. Aprendi observando que obviamente toda vida e estrutura natural é construída, desenvolvida, atingida, depois de tempo muito sem fim, com bastante calma e paciência. Consciência. Não vejo a Natureza com pressa. Então por que eu teria? Criando coisas "do zero", transformando ou regenerando, Ela faz sempre o seu melhor, mas faz devagar, como canta Bob Marley. É como se a calma fosse requisito necessário para atingir o estado de perfeição e completude. Por isso, eu digo às vezes que "a pressa é inimiga da Natureza". E ainda posso dizer "se avexe não, que amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada", ou o mais tradicional: quem tem pressa é ambulância. Ela é assim, faz o melhor hoje, agora, apenas com aquilo que ESTÁ disponível, para sobreviver, gerar Vida e espalhar abundância que só cabe no coração de uma Mãe.
Jovens saem correndo quando chega um velho contador de histórias. Têm pressa de não escutar o que talvez venham a viver.
Espero a poesia chegar,
No tempo dela,
Sem pressa.
Horas, dias e meses
Sentado no sofá,
Na expectativa do momento certo
Para escrever
O sentimento da alma,
Que transpassa o corpo
E vai além da mente.
❝ ...Você me lê sem pressa, como se lê uma carta antiga, Descobrindo a história em cada linha, cada dobra. E eu sou em você a poesia que não se fatiga, A semente da paz que a cada novo dia se desdobra.
Somos o encaixe perfeito da imperfeição que acalma, Do riso que quebra o gelo e a dor do que passou. Você é a melodia que embala a minha alma, Onde o simples de amar é o nosso maior louvor...❞
------------ Eliana Angel Wolf
❝ ...O amor que sinto não tem pressa, nem tem barreira, É a quietude que se instala após o longo caminhar. É saber que a sua mão é a trilha mais certeira, Onde eu posso ser frágil e, ainda assim, amar.
Você me ensina que a paixão é fogo, mas o amor é luz constante, A bússola que aponta o norte quando tudo está em vão. E é por este sentimento gigante e, ainda assim, tão elegante, Que o meu coração repousa seguro em sua direção...❞
----------------------------------- Eliana Angel Wolf
Nada grandioso nasce da pressa. Perseverar no propósito é aceitar o processo, aprender com os erros e seguir firme mesmo sem garantias. O destino é construído por quem não abandona os próprios sonhos.
Os dias e os meses passavam depressa enquanto eu cursava a escola normal. Havia uma pressa no tempo, como se a rotina puxasse os ponteiros para frente sem pedir licença. Quando percebi, já era época de provas finais — e que provas! Pareciam ter sido sopradas diretamente da cabeça do capeta. Uma mais difícil que a outra, exigindo não só conhecimento, mas nervos firmes e fé.
No último dia de prova, acordei mal. O corpo pesado, o estômago embrulhado, a cabeça latejando. Tudo em mim pedia cama, silêncio e descanso. Mas era o último dia. Faltar significava recuperação, e eu não queria, não podia. Levantei-me como quem se arrasta contra a própria vontade, vesti-me no automático e fui.
Naquele dia fiz três provas. Cada questão parecia sugar o pouco de energia que ainda me restava. Quando eu já enfrentava a última, tentando manter a letra firme no papel, a inspetora apareceu à porta da sala. Chamou a professora e as duas começaram a conversar em voz baixa, num cochicho que gelava o ambiente. De repente, da porta, ela ergueu a voz:
— Ana, falta muito para você terminar a sua prova?
Olhei para ela como quem encara um inquisidor. A sala inteira parecia prender a respiração comigo. Com a voz trêmula, respondi:
— Não, senhora… faltam três questões.
Ela assentiu, ainda da porta:
— Pois bem. Quando acabar, vá até a minha sala e leve suas coisas.
Um silêncio pesado caiu sobre a turma. Todos me olhavam com olhos de compaixão. Nós sabíamos — quando alguém era chamado daquele jeito, algo sério havia acontecido.
Terminei as três questões com cautela, respirando fundo, lutando contra o enjoo e o aperto no peito. Entreguei a prova, recolhi meu material e segui até a sala dela, exatamente como havia sido orientada. Bati à porta. Ela nem esperou que eu falasse.
— Ana, pode ir embora. Aconteceu algo na sua família. Como hoje é o último dia de prova, fique tranquila. Eu mesma ligo para avisar sobre o resultado.
Minhas pernas viraram bombas. Um zunido tomou conta da cabeça. O que tinha acontecido? Saí da escola sem sentir o chão. O ônibus demorou mais do que o habitual, e o motorista dirigia tão devagar que tive a impressão de que, se fosse correndo, chegaria antes. Na minha mente, só vinham pensamentos ruins. Ninguém nunca tinha ligado para a escola pedindo para eu ir embora.
Quando cheguei em casa, o portão estava aberto. Minhas tias estavam lá, meus primos também. Choravam. Choravam muito. Meu tio falava ao telefone, mencionando algo sobre uma van. A casa, que sempre fora abrigo, estava tomada por uma dor densa.
Minha mãe veio da cozinha, caminhou até mim e disse, com a voz quebrada, a notícia que eu não queria ouvir:
— O vovô Jorge faleceu.
Na mesma hora, um filme começou a passar na minha cabeça. Lembrei-me do avô maravilhoso que ele era. Aquele avô garotão, pra frente, que ria alto, contava histórias e bebia uma cervejinha com os netos como se fosse um deles. A minha memória fez uma retrospectiva apressada dos nossos melhores momentos, e eu me recusei a aceitar que ele tinha ido, que nunca mais nos veríamos.
Meu Jorge.
Meu Jorge Amado.
Ele tinha partido — e, com ele, uma parte inteira da minha infância também se despedia.
Perdi a pressa de ser perfeito, passei a valorizar o trabalho bem feito, a perfeição é agora um sinal, não prisão.
Nunca tive infância. Fui lançado à pressa do mundo, obrigado a crescer antes de compreender a vida, envelheci de dentro para fora. Sonhei com uma infância que nunca existiu, um abrigo inventado para suportar a ausência do que jamais vivi. Cresci depressa demais, e no lugar dos risos ficaram apenas os ecos de um tempo que nunca foi meu.
