A Inteligencia Nao se Mede
CICLO DA RAZÃO (III — Razão)
Agilson Cerqueira
E então surge a razão.
Não como pedra fria,
nem como montanha isolada,
mas como um horizonte
que se abre no pensamento.
Ela ilumina o que foi sentido,
revela o que foi pensado,
e costura o mundo
à consciência.
Na razão,
as coisas encontram forma,
e o pensamento encontra direção.
O ser humano percebe
que compreender
é também uma maneira
de tocar o infinito.
Pois cada ideia
é uma ponte invisível
lançada entre o eu
e o universo.
E assim,
o mundo continua
a nascer todo dia
com sentidos, mente e razão.
Vida!
Epoché
Agilson Cerqueira
Recolher-se não é simplesmente afastar-se do mundo, mas suspender, ainda que provisoriamente, o regime de evidências que o mundo impõe. É um gesto de interrupção. Um desacordo silencioso com a pressa das coisas, com a necessidade constante de responder, agir, significar.
Ao voltar-se para dentro, não se encontra um refúgio estático, mas um campo em permanente elaboração. A consciência, longe de ser um recipiente passivo, revela-se como um espaço onde o pensamento se forma e se desfaz antes mesmo de adquirir linguagem. Escutar esse movimento exige mais do que atenção: exige desaceleração.
O ruído exterior — vozes, tempo, acontecimentos — não desaparece;
ele apenas perde centralidade. O que se desloca é o eixo da experiência. E nesse deslocamento, o silêncio deixa de ser ausência para se tornar condição. Não um vazio, mas uma presença não ocupada.
É nesse ponto que algo decisivo se insinua: a percepção de que a interioridade não é um lugar, mas um processo. Um caminho que não se percorre avançando, mas suspendendo. E que só se revela à medida que o sujeito abdica da urgência de compreender.
Assim, o recolhimento não conduz a respostas, mas a uma outra forma de relação com o desconhecido — mais próxima da escuta do que da interpretação, mais próxima da presença do que da definição.
E talvez seja nesse estado, rarefeito e atento, que a maturidade racional — se assim podemos nomeá-la — encontre não um destino, mas a possibilidade de continuar se desvelando.
O Estado de ser e os problemas do Ser
Agilson Cerqueira
Inebriar-se ou embriagar-se não é fugir — é um método.
Um experimento contra a tirania da inconsciência.
Pois existir, quando plenamente percebido, não é um dado — é um privilégio.
A lucidez não ilumina: ela expõe.
E o que ela expõe não é o mundo, mas a impossibilidade de habitá-lo sem fissuras.
Há, portanto, uma tensão irreconciliável:
entre o esquecimento, que dissolve o ser, e a consciência, que o torna insuportavelmente nítido.
Não se trata de escolher entre dois estados, mas de reconhecer que ambos falham.
O esquecimento falha porque não sustenta.
A lucidez falha porque sustenta demais.
O sujeito, então, não é algo estável —
é um movimento de oscilação.
Um pêndulo sem centro.
Aquilo que se chama “eu” não passa de um intervalo entre percepções, uma tentativa precária de continuidade num fluxo que não admite permanência.
Conhecer-se torna-se impossível,
não por falta de profundidade,
mas por excesso de instabilidade.
O ser não é oculto — é inconsistente.
E talvez por isso o outro se torne intolerável: não por diferença, mas por revelar que também ele sustenta, com igual fragilidade,
a ficção de existir.
Recusar-se a ser o outro
é, no fundo, recusar a evidência
de que não há saída fora dessa condição.
Ser é estar preso numa estrutura sem fundamento, onde o instante é tudo o que há — e, ainda assim, não se sustenta.
O agora não é presença: é ruptura contínua.
Assim, as palavras “loucura e lucidez”
perdem o sentido.
Porque ambas partem do mesmo erro:
acreditar que há um estado correto do ser.
Não há.
O que existe é apenas a consciência
tentando justificar o fato bruto de estar aqui.
Sem motivo.
Sem centro.
Sem garantia.
E talvez o pensamento mais radical
não seja compreender isso
— mas continuar, mesmo assim.
Dúvidas do viver
(Ensaio de Prosa Poética em golpes secos)
Agilson Cerqueira
Não sei.
E não importa.
Penso.
E não sai do lugar.
Produção,
Nome bonito pro vazio.
Sinto.
Não explica.
Razão falha.
Sentimento também.
Sem saída.
Cético —
De quê?
Prático —
Pra quê?
Nada sustenta.
Nem povo,
Nem Intelectual.
Ciente inconsciente.
Nem isso.
Não ser —
Sem drama.
Querer ser —
Erro.
O ser não falta.
Nunca houve.
Inquietude corrói.
Insatisfação gasta.
Nada constrói.
Tudo desgasta.
Resta —
Nem resto.
Nem nada.
Açaimei-me
Agilson Cerqueira
Não me acontecem epifanias.
Não há clarões, nem súbitas compreensões que reorganizem o mundo.
O que há é a permanência — sólida, repetida — da estupidez.
Ela se infiltra nas falas, nas certezas, nos gestos automáticos.
Diante disso, não argumento, não confronto, não elaboro.
Reduzo-me ao essencial: calo.
Não por sabedoria, mas por economia.
Não por virtude, mas por recusa.
Na democracia representativa, a vontade representada é do representante. Logo, não há representação e nem democracia.
O Brasil de hoje está muito dividido. Há os que querem mudar o Brasil via redes sociais e os que não querem que o Brasil mude e usam para isso as redes sociais. Duro embate!
O homen por natureza não gosta das mudanças, mas é fruto delas - inelutável é que sem mudança não há evolução possível.
Acredite, você pode tudo. Não valorize demais as dificuldades. Muitas vezes, é no fundo de um grande buraco que encontramos água limpa e fresca
Não estou me preocupando mais com meus acertos, pois são muitos os meus erros e com eles sigo em frente
Não se enganem com as verdades recebidas dos sábios, pois são os loucos que nos fazem refletir de verdade
Se suas forças interiores não estão lhe impulsionando o suficiente para o sucesso, e se sente perdido numa floresta, pare, reflita, olhe ao seu redor e, principalmente, entenda que há uma fortaleza em você. Só não está conseguindo acessá-la e usá-la. Busque conforto em uma rota onde se sinta feliz e minimize suas inseguranças. Não mergulhe nas frustrações de agora, mas lembre-se das vitórias já obtidas. Recupere-se e estabilize-se entre o íngreme e o plano. Agora caminhe, com passos firmes e prudentes.
A gente Não Quer Só Pão e Circo
O governo Lula criou recentemente o Sistema Nacional de Cultura, ampliando a estrutura, os recursos e a influência política da máquina cultural no país. Ao mesmo tempo, professores da educação básica seguem sem aumento real de salários, enfrentando escolas sem estrutura, falta de material didático, carência de merenda adequada e ausência de investimentos consistentes em formação e condições de trabalho.
Diante desse contraste, a pergunta inevitável surge:
O que o Brasil mais precisa hoje: cultura ou educação?
A resposta não é complexa.
Educação constrói nações. Cultura expressa nações que já se desenvolveram.
A educação forma médicos, engenheiros, cientistas, professores, empreendedores.
A educação eleva a produtividade, reduz desigualdades reais, gera inovação, atrai investimentos e constrói autonomia nacional.
Sem educação forte, não há crescimento sustentável. Há apenas ciclos de dependência.
Já a cultura, embora tenha valor simbólico e identitário, não substitui a base estrutural de uma nação. Quando governos priorizam grandes eventos, espetáculos e financiamentos artísticos enquanto escolas carecem do básico, não estamos diante de uma política cultural — estamos diante de uma escolha política de prioridades.
E aqui surge outra pergunta, talvez ainda mais incômoda:
O que ajuda mais o país a crescer ou o que ajuda mais o governo a se manter politicamente forte?
Shows reúnem multidões. Palcos amplificam discursos. Artistas influenciam opinião. A máquina cultural gera visibilidade e mobilização imediata.
Já a educação é silenciosa. Seus resultados levam anos. Ela não gera aplauso instantâneo, não cria palanque, não mobiliza militância em curto prazo. Mas ela constrói o futuro de verdade.
Quando um governo investe pesado na cultura militante enquanto a educação permanece precarizada, a escolha não é técnica. É política.
O Brasil não deixará de crescer por falta de shows.
Mas continuará estagnado enquanto faltar ensino de qualidade.
Sem professores valorizados, não há formação sólida.
Sem formação sólida, não há produtividade.
Sem produtividade, não há prosperidade.
E então a velha metáfora ressurge, incômoda e atual:
Pão e circo.
Não no sentido de desprezar a arte, mas no uso político dela para gerar distração, emoção e engajamento enquanto problemas estruturais permanecem sem solução.
A cultura deveria florescer sobre uma base educacional forte.
Quando se inverte essa ordem, o país não avança — ele apenas se entretém enquanto fica para trás.
O Brasil precisa de menos palco e mais sala de aula.
Menos espetáculo e mais estrutura.
Menos aplauso imediato e mais investimento no futuro.
Porque nenhuma nação se desenvolveu priorizando o entretenimento acima da educação.
E nenhuma jamais se desenvolverá assim.
Mauricio C. Cantelli
@ensinandoemfrases
No caldeirão do sucesso, a virtude é a poção mágica; mas o milagre não se completa sem uma boa pitada de esforço.
