A Gente vai se Vê de novo
Sandra
Outro dia eu sonhei
Com uma casa que a gente morava
Onde você, desde pequena
Acordava, fazia sorrir e sorria
Mas sempre havia um dia
Em que você estava brava
Eu ria, chamava a Patrícia
E a gente brincava
Outro dia eu passei lá em frente
A alegria se foi
Nem vale mais à pena passar lá
Os jardins estavam mal cuidados
A pintura desbotada
A casa não lembra em nada
Aquilo que foi um dia
Quem vê nem imagina
Os dias de alegria
Qua a gente viveu por lá
A vida sempre prossegue
A gente fica assim
de coração vazio
Como ficou vazia a casa
Hoje em dia
Acho que a gente nem mais consegue
Voar com aquelas asas
Mas, meu Deus...como eu queria
Brincar com a menina em fraldas
E ver brilhar
Aqueles olhos cor de esmeralda
Que quando me lembro, eu rio
Diferente daquela casa
Só de lembrar
Meu coração não é mais vazio.
Cansei de gente ingrata
Que enxerga somente na gente
O brilho da prata
Quando brilha
Entrega a alma ao demônio
Em troca de algum trocado
Vou deixar de lado
Essa gente que não se preza
Pra quem
A gente vale o quanto pesa
Aquilo que eu quero
É o que pouca gente espera
A mais sincera amizade
Por muito pouco vocifera
Se for pra conviver com feras
Eu prefiro as de verdade
Em vez daquelas
Que não me devoram
Por mera formalidade
Um dia
A vida vira uma miragem
Que a gente mira e não atinge
O tempo inexistia
Enquanto a vida passava
É quando a gente pára e olha
Que vai se dar conta
Que eles passaram de mãos dadas
E eles já vão ao longe
Quando a gente finalmente tem certeza
Que a vida e o tempo co-existem
Meu Deus
Que conclusão mais triste!
Alegrias
Que vivem no passado
São simplesmente
Alegrias tardias
São coisas que a gente não via
Sentia sem sentir
o dia que passa
Simples assim
Não as víamos reluzindo
Enquanto nos sorriam
À luz de cada dia
Alegrias futuras
Não passam de esperança
É confiar em receber uma graça
É não viver a alegria deste dia
Alegrias presentes
Estas sim
Essas são felicidade pura
Alegrar se com o dia que corre
É colher fruta madura
Ser feliz é compreender
Que nem sempre o infeliz
É aquele que morre
O que é a vida?
O que vem a ser a vida?
A vida é um arame
Quase sempre farpado
Mantendo a gente de um lado
da outra parte do mesmo chão
é preciso ter Arte pra entender
Que a vida é uma vela
Quase sempre acesa
Que exibe
Bela, fraca e efêmera chama
Se atentarmos, veremos nela
Algumas lágrimas que rolam
Enquanto o calor à consome
e o tempo lhe apaga o nome
A vida é um poema
Quase sempre lido
Porém, quase sempre compreendido
Somente por quem escreveu
Cada um escreve o seu
e publica em seu próprio envoltório
A vela se apaga
Se parte o arame inglório
Misturam-se as palavras
do transitório poema
Escrevê-lo
É nossa pena.
Tem horas em que a gente
Simplesmente olha em volta
e percebe que perdeu tudo
Perdeu o tempo, que não volta
E a posse temporária
da própria vida
e vive a realidade
de nem mais possuir
o direito à uma revolta
Sente somente a dor aguda
Daquelas
que te fazem ficar mudo
Tem dias em que a gente
Finalmente percebe
Que foi tudo uma ilusão
E que na verdade
Nunca teve nada
Portanto, ilusória foi a perda
Derrotas, vitórias
É tudo somente questão
de ponto de vista
Nada é de verdade
Alegrias ou dificuldades
O êxtase da conquista
A Luz que te iluminava
O amor ao qual se apega
A única verdade
À luz da realidade
É que toda a gente é cega
Olhando pela janela
Contemplo a paisagem parada
da viagem que prossegue
A gente não consegue parar o tempo
Não adianta querer e nem tentar
Escolher o próprio destino
O caminho já estava traçado
Pode parecer que não
E alguém dizer que havia escolha
As folhas não escolhem
A direção dos ventos
Seguindo meu coração
Pois não sou folha
Acabei por seguir a direção
Que alguém traçou
Levou-me pelas mãos
Talvez estejamos todos perdidos
ou os trilhos traçados
estejam seguindo, enfim
pelos caminhos
Que o tempo vai traçando assim
Enquanto passa por mim
Pode ser que eu
traga aqui, nesse coração despedaçado
desde o início
O caminho por onde passa o tempo
mais nada
E é por isso que olho pela janela
e vejo a paisagem parada
Há dias em que parece
Que a gente amanheceu
e levantou
Com dois pés esquerdos
não há nada e nem há flores
Que impeçam
Um amor de acabar mais cedo
Malograda a esperança
O Jeito
é colocar o pé na estrada
Larga ou estreita
E a gente não entende
Só aceita
Há dias em que mesmo sob o Sol
Tudo é cinza, tudo é triste
A gente nem mesmo tenta
Só desiste
E se pergunta
Se um dia haverá
de sorrir novamente
Não aceite,
Não desista,
Nem pergunte
Apenas tente.
"A nossa meta agora é a renúncia ou o impeachment da Presidente Dilma: Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta."
EdsonRicardoPaiva
Aonde foram parar
Onde será que estão
Será que algum dia existiram
Aquilo que a gente pensou
Que pra sempre existiria
Ou será que desde aquele tempo
A gente estava
tão somente
Se iludindo
A vida foi pura e simplesmente
um rio fluindo
Fluiu para um lugar
Onde a ponte ruiu
A ilusão
Para sempre partiu
Nossos sonhos
pra sempre perecem
No fundo do rio.
Por mais que a gente viva, haverá sempre coisas que deixamos de fazer.
Por mais que a gente acerte, haveremos sempre de deixar erros.
Por mais que a gente ame, sempre tem alguém que não gosta da gente.
Por mais que a gente explique, haverá sempre quem não entendeu.
Por mais que a gente tente, não é tudo que a gente consegue.
Pois por mais que sejamos nós mesmos, sempre haverão de nos comparar a outras pessoas.
Mesmo com todas as imperfeições que possui, a vida continuará sempre sendo a melhor coisa que recebemos de Deus. Aprendamos então a agradecer por ela e a desejar mentalmente que este Mundo encontre o caminho da Paz e da Perfeição. O caminho consiste em não desejar que as coisas e as pessoas sejam sempre aquilo que esperamos delas e aceitá-las como são.
Nem tudo a gente sabe
aonde é que se inicia
Porém, todo mundo sabe
Que tudo um dia chega ao fim
A vida te dá o que pedires
Pede então, a parte que te cabe
Peça o que houver
Lá no fim do Arco-íris
Pois antes que a vida se acabe
Muita coisa chega ao fim
Simples assim
Termina pra você
Excede também pra mim
Resta apenas a Luz da Lua
Iluminando a nosso casa
Que ficava no fim da rua
Hoje a gente nem mora mais lá
Chegamos ao fim do caminho
Hoje, estou aqui sozinho
Melhor que seja mesmo assim
Enfim, vou-me embora
do mesmo jeito que um dia vim
enfim
Tudo um dia chega ao fim.
Tem gente que diz que sou louco
Não gosto e também não discordo
Sua opinião resulta
do muito pouco que entende
Eu creio que a gente
não depende de muitas coisas
que nos ensinaram: Estava errado.
mas a imensa maioria
as abraça hoje em dia
Como a Verdade Universal Iluminada
Desde que não lhes tirem nada
Que disseram que era nosso por direito
Mesmo assim eu creio que ainda é possível
haver Perfeição no Mundo e na Humanidade
Acredito que a Verdade nunca esteve oculta
Ela está nas palavras ditas exatamente
Nas horas e lugares em que todos estavam
Pensando em outra coisa, olhando pro lado
ou... não raro e normalmente
Preocupadas com o próprio umbigo
Admirando a sí mesmos
diante dos seus espelhos
Agradecendo a Deus por Tê-los feito
Tão espertos, tão bonitos, tão perfeitos
...tão senhores de si
sabedores de todas as respostas.
Que chegam a comentar intimamente
com seus egos,
"É de mim que Deus mais gosta
olha o resto, veja esta gente:
Eu sou muito mais bonito e inteligente"
Tem gente, então que me acha louco,
por crer piamente que isso tudo
é perfeitamente dispensável
A qualidade essencial de uma vida
É aprender a ouvir a voz que sopra o vento
Conversar com a Lua
ler mensagens nas estrelas
Sentir o carinho nas gotas de chuva
Quando a chuva cai.
Enxergar as irradiações positivas
de energia telúrica
emanando da Terra em direção ao Sol
Toda tarde quando o Sol se vai
reconhecer o olhar de um passante
Transmutado em andarilho
buscando um lugar
pra dormir na rua
compreender que ali vai meu Pai
e aqui está seu filho
É assim que enxergo a vida
é nisto que eu creio
Esta é a minha crua opinião
e, sinceramente
tampouco importa-me a sua
Uma vez e apenas uma vez
nesta longa vida
Repleta de sentimentos mundanos
a gente acaba por conhecer alguém
uma vez e apenas uma vez
nesta curta vida
a gente acaba por amar
uma pessoa, que outra igual, não tem
uma vez e apenas uma vez
o que restava da minha, eu quis dividir
meus próximos cinquenta
talvez, sessenta anos
ela se chamava Nadir
Me fazia feliz
Me fez chorar e me fez rir
Me fez sentir
Vontade de ficar
Quando era hora de partir
Vontade de voltar
Sempre que precisava ir
E uma saudade
que ficava além de qualquer vontade
Uma vez e apenas uma vez a gente ama
e sente vontade de dividir tudo que tem
dá vontade de nem ter nada
dá vontade de trocar tudo
pelo som de uma risada
Que há de ecoar
Na lembrança e no coração
por anos e anos e anos
Ficar longe
é algo que não estava nos planos
uma vez e apenas uma vez
nesta tão ingrata vida
Acaba aquilo que a gente tentou
e a gente tenta de novo
e tenta e tenta e tenta
tenta quarenta, talvez cinqüenta
mas, se mesmo assim algo se acaba
o coração se fecha
E ali ninguém mais entra
O mundo desaba
vem a dor
vem a saudade
mesmo assim
Nunca se acaba o amor
Quando ele é de verdade.
Hoje eu vou
Passear com meu amor
do jeito que a gente queria
Vamos rir e nos divertir
esquecer um pouco
dos problemas desta vida
e vivê-la
Vamos caminhar na praia
Antes que o Mar se esvaia
Ver o nascer o e pôr do Sol
Se Sol houver
Se não tiver praia e nem Sol
Não tem nenhum problema
Estaremos na companhia um do outro
e isto, na vida
é tudo que vale à pena.
Não é todo dia que se ri
Nem todo dia é dia de chegada
Há dias em que a gente chora
Tem dias em que esse dia é agora
Há momentos presentes
Que de alguma forma
Nunca mais haverão de estar ausentes
Pois tudo muda em nossa vida
Quando vemos, infelizes, a partida
De quem no fazia sorrir
e também ria
Adeus, Maria
Tudo muda de repente
Mesmo que não seja repentinamente
O que não muda e não mudará jamais
Será o modo de viver aquele momento
Que eu te via, em movimentos lentos
Me lembro de todos eles
Mesmo que pra ti eu parecesse desatento
Pois eu sei que não mais chegará
Eu fico aqui
E peço que essas palavras voem ao vento
e te alcancem e te abracem
E te digam que o que eu mais queria
Era que você ficasse
Adeus, Maria
Até um dia!
Tem coisas que vem com o tempo
e chegam exatamente
No momento que a gente nem lembrava
Acontece naturalmente
Deve ser coisa da idade
Saudade das pessoas
Vontade de dizer e de fazer e de viver
Somente coisas boas
Isso tudo havia no passado
Mas no presente
Todas elas chegam assim
Acompanhadas do saber consciente
Que simplesmente são impossíveis
A gente pode sim, escrever uma canção
Que traga uma certa alegria ao coração
Mas pra ser feliz, plenamente
É preciso ser criança
Ou egoísta
Se a pujança fosse coletiva
O Mundo seria uma festa
Haveria muita alegria
Haveria dança
Haveria harmonia
Mas não há
Não me pergunte por quê
Tudo que nos resta
É esperar
E não perder a esperança
É não deixar de ter vontade
Tudo isso é possível
Mas é impossível
Tem coisas que a vida esconde
E que a idade não responde
Enquanto esperamos uma chance de viver
Vamos vivendo
Não precisamos
Nunca precisaremos
A gente, definitivamente, não precisa
Chorar por amor
no calor de uma tarde indecisa
Precisamos apenas
Daquela cor maravilhosa
Meio vermelha, meio azul
e meio cor-de-rosa
Que aparecem nos ocasos
E precedem as noites mais amenas
Que já vimos nesta vida
Mentimos pra nós mesmos
Quando dizemos que não podemos
Dividir e compartilhar
Pois todos vivemos neste mundo
e não passamos um segundo
Sem respirar todos, sem exceção
O mesmo ar e dividir os mesmos mares
a mesma Lua e o mesmo Sol
O tempo voa
O vento gira em caracol
Mesmo quando
Não precisamos de mais
de nada mais
Que uma simples brisa
Acho que todos precisamos
De uma parede pintada de água e cal
e ser criança brincando
Com chapeuzinhos de jornal
Num lindo quintal de terra batida
e samambaias penduradas
em vasos de velhas latas
Não precisamos de mais nada
Além de pássaros nos ares
E frutas nos pomares
Não precisamos
A gente não precisa
Prosseguir contrariando a natureza
à guisa de alguns trocados
Não preciso e nunca precisei
de muitas camisas
e mais que um par de luvas
Eu preciso, eu quero e eu espero
Poder novamente
dançar na chuva de dia
e à noite olhar estrelas
Viver com simplicidade
Não preciso chorar por amor
Preciso viver bem
ao lado de alguém
Que me queira de verdade
Desde quando a gente nasce
tudo vai matando a gente
um pouco e todo dia
As palavras ruins
As fofocas da tia
O mosquito que morde em mim
Os ouvidos moucos
Que o mundo oferece
enquanto a gente cresce
e se não mata
pelo menos deixa rouco
Desde quando a gente nasce
desde que não morra no parto
esta vida é um infarto constante
é a fumaça das velas
o barro nos pés
os gases invisíveis e inodoros
os pontapés que a vida dá
quase sempre leva ao chão
a cara amarrada do patrão
o quase nada que eu trago pra casa
a demência lenta e galopante
a que somos condenados
pois quando nascemos gente
nascemos, então
sem asas
Amputados da delícia de voar
vamos vivendo de más notícias
Maus olhados e olhares ruins
e casos de polícia
ou cobiça do ladrão
desde quando a gente nasce
tudo vem matando a gente
lentamente, desde então
