A Gente se Entende
Há dias em que a dor é só uma marola... suave, quase mansa.
A gente até acredita que aprendeu a lidar. Mas então vem outra onda, maior, e nos engole por inteiro.
Percebi que o adeus começa muito antes da partida… quando o outro já não se importa que a gente fique.
Falar do que a gente vive é fácil. Difícil é ter sensibilidade pra perceber que nem sempre estamos bem.
O luto, no fundo, é o amor que continua existindo... só que agora de um jeito que a gente ainda está aprendendo a lidar.
Às vezes, a gente carrega um peso que ninguém vê.
Tenta explicar, abrir o coração, mostrar quem realmente é… mas parece que o outro só escuta o que já decidiu acreditar.
A gente não se perde por acaso… se perde quando começa a viver tudo para fora e deixa de ouvir o que ainda sussurra por dentro.
Deus cuida da gente através de presenças que amam sem esforço e permanecem sem precisar de explicação.
Perdoar não é se colocar de volta no lugar onde a gente continua sendo ferida. Perdoar é mais sobre libertar o nosso coração do peso, do que dar acesso ilimitado pra quem ainda não sabe amar sem machucar.
Dizem que o tempo cura tudo, mas ele não apaga os lugares onde a gente não foi. Eu ainda te vejo em cada esquina que a gente planejou visitar e em cada letra de música que parece ter sido escrita sobre nós dois.
Nosso final não foi feliz, porque, no fundo, ele nem parece um final. É uma interrupção. Um nó que não desatou. Eu sinto que deixamos pegadas profundas demais para serem sopradas pelo vento. Hoje, você é uma saudade que eu visito em silêncio. Fica aqui o meu registro do que não foi dito: você ainda mora no meu peito, mesmo que a vida tenha nos levado para direções opostas.
