A Gente se Entende
CRÔNICA:
QUEM DERA...
BY: Harley Kernner
Às vezes, a gente só quer fugir. Não para um lugar distante no mapa, mas para um canto onde o tempo se dobra e a realidade se dissolve. Era uma tarde dessas, o sol ainda alto, mas já com um tom alaranjado que prometia o fim do dia. Sentei-me no banco da praça, observando o movimento miúdo das pessoas, cada uma imersa em sua própria urgência. E, de repente, veio aquela vontade: de trocar o asfalto pelas estrelas, de sentir o calor de um amor que, de tão intenso, quase sufoca, mas de um jeito bom, sabe? Um amor que quebra o silêncio do universo com o barulho de dois corações que se entendem sem palavras.
Quem me dera se, naquele instante, alguém me raptasse. Não um rapto de filme, mas um arroubo de carinho, um abraço apertado que desenhasse no meu peito a certeza de um sentimento. Um desses encontros que a gente sonha, onde o olhar diz mais que mil discursos. Mas a vida real é feita de sutilezas, de quase-encontros, de olhares que se cruzam e se desviam. E a gente fica ali, no banco da praça, com a melodia de um desejo que não se concretiza, mas que pulsa forte.
Já que não há rapto, nem beijos que aprisionem, a gente se permite sonhar. Sonhar com braços que acolhem, com a chance de beijar a alma de alguém, de inalar um perfume que acalma e faz esquecer o mundo lá fora. Adormecer no colo, mesmo que seja apenas na imaginação, é um consolo. É a beleza do efêmero, do que poderia ser, do que se anseia.
E a gente pensa: "Por favor, que esse rapto venha logo. Que esse doce cativeiro do coração se concretize." Quem dera fosse hoje, nesse exato momento, antes que o sol se ponha de vez e a noite traga apenas a lembrança do que não foi. Mas, por enquanto, a crônica da vida segue, e a gente continua sonhando, esperando o dia em que o "quem dera" se transforme em "um rapto real".
Harley Kernner
Arquitetura de Poesias e Crônicas
Escritor Particular.
Se o corpo humano é perfeito, então por que existe tanta gente que não usa o cérebro? Como, por exemplo, os crentes, os direitistas e os terraplanistas.
Melhor deixar pra lá.
A gente insiste, insiste e não dá em nada.
O que tem que ser, apenas é.
Melhor deixar pra lá e esquecer.
Andorinha só não faz verão.
Acho que fiz tudo o que pude.
É. Eu fiz. Mas não há resposta. Não há feedback.
Se é verdade que "o interessado dá um jeito", então todos os jeitos se esgotaram.
Haveria diálogo quando apenas uma das partes insiste em falar?
Então já não é um diálogo. É um monólogo.
E quem fala só, arrisca-se a ser tido como falto de juízo.
E se não vale mais a pena tentar falar, pela falta de resposta, logo penso que também é melhor não mais ver.
(Fabi Braga, 04 jun 2011. Editado.)
A gente se perde em nossas próprias opiniões, em nossos próprios desejos, confundimos emoções e tratamos elas como certeza.
Não compreendemos nossos anseios, dispensamos a razão, jogamos sorte aos ventos, pegamos o quê não é predestinados a nós, na ânsia de respostas culpamos o destino, mas não somos maduros o bastantes para assumir que erramos que falhamos, quando percebemos talvez seja tarde demais, devemos ser sadios mentalmente pra enxergar nossos próprios erros e mais ainda pra assumir e pedir perdão.
O cérebro pode até formular a lógica da nossa existência, mas é no peito que a gente decide se vale a pena acordar amanhã. A razão sem paixão é apenas um relógio que marca as horas de um funeral.
O inferno não assusta; o que assusta é perceber que muita gente age como se estivesse tentando administrá-lo na Terra.
Até que ponto a gente é realmente livre pra ser quem é?
Não é uma pergunta simples, é algo complexo de se pensar, mas no meu ponto de vista, nós nunca somos nós mesmo, somos apenas um reflexo de como lidamos, com o ambiente, com as pessoas, com as situações felizes e tristes, e principalmente com a nossa família. Tudo o que nós somos, é aquilo que nós aprendemos a ser.
Agora falando sobre o “Até que ponto a gente é realmente livre para ser quem é?”, bem nunca somos, por que não somos um só, todas as pessoas são “duas caras”, por que quando estou sozinha eu sou uma pessoa, com a Gabriela eu sou outra, com a Julia outra, com a minha família outra, e é por isso que eu considero muito difícil reunir todos os meus amigos (de diferentes grupos) e a minha família em um só lugar.
Também abordaremos os principais assuntos sobre ser livre para ser quem é, até por que vivemos em uma sociedade recheada de críticas, onde tudo é criticado, se eu sou bom uns vão dizer que sou gentil, outros dirão que sou trouxa, e outros ainda que eu sou falsa, mas isso não diz muito sobre mim, diz mais sobre quem eles são, não acha? E nessa minha idade, não só, mas principalmente, tudo é julgado, muitas vezes pelo fato de que a tecnologia está expondo muitas coisas. Então tudo o que fazemos é seguir, não o que consideramos certo, mas aquilo que consideramos que todas as pessoas, ou boa parte delas, acharam certo, por que temos medo das críticas.
Respondendo finalmente à pergunta, “Até que ponto a gente é realmente livre pra ser quem é?” simples, nunca somos livres para ser quem somos, por que nunca somos apenas uma pessoa, somos tudo e ao mesmo tempo nada, com cada um somos diferentes, e sempre somos criticados, sempre, mas isso diz mais sobre o outro do que sobre nós.
O tempo não negocia.
A gente sempre fantasia que depois faz:
depois descansa,
depois viaja,
depois ama,
depois muda,
depois cuida de si,
depois realiza.
Só que o “depois” não vem com contrato assinado.
Às vezes, a gente olha para a lua e percebe que ela nunca está igual. Uma noite está cheia e brilhante, noutra é só um risquinho fino no céu, mas ela continua lá, firme.
O amor da gente é meio parecido com ela. Tem fases em que tudo parece transbordar de claridade, e outras em que a gente se esconde um pouco, só para se entender melhor. Mas o desejo de amar é o que faz a gente olhar para cima, mesmo no escuro, sabendo que a luz vai voltar.
DeBrunoParaCarla
É quando a gente já não sabe onde um termina e o outro começa. É o meu passo seguindo o teu ritmo, o teu suspiro completando o meu silêncio. Uma simbiose que não se explica, só se vive, como se nossas histórias tivessem sido escritas na mesma folha, com a mesma tinta.
DeBrunoParaCarla
Tem fases da vida que chegam sem aviso.
A gente não espera. Não se prepara. E, inevitavelmente, sofre.
É a dor da partida de um pai.
O aperto no peito diante da perda de uma mãe.
A incredulidade quando um amigo se vai de repente, sem tempo para despedidas.
Mas nem toda perda vem em forma de luto.
Às vezes, ela aparece numa mesa vazia no trabalho, numa equipe que se desfaz, na insegurança sobre o amanhã.
Você olha para os lados sem saber para onde vai… ou até mesmo se continuará ali.
E é nesse vazio que muita gente tenta se anestesiar.
O álcool vira companhia.
Beber para dormir. Dormir para esquecer.
Esquecer as dores, os problemas, as conversas que nunca terminaram e as relações mal resolvidas.
Os dias começam a se repetir como um looping infinito.
Um igual ao outro.
Sobreviver passa a ocupar o lugar de viver.
Mas todo ciclo acaba.
Até os mais escuros.
E, às vezes, acabam rápido demais.
Talvez a vida seja justamente isso:
um sopro entre perdas, recomeços e silêncios que ninguém vê.
E mesmo quando tudo parece pesado demais, o tempo continua andando.
Porque a vida… gostando ou não… nunca para para esperar a nossa dor.
Às vezes é difícil falar de Deus.
A gente olha pra própria vida e só vê erro, mágoa e tristeza. Parece até errado tentar se aproximar assim. Mas, de repente… num dia comum, sem aviso, algo muda. Não é barulho, não é espetáculo é uma sensação, uma clareza, uma paz estranha. E aquilo que a gente não acreditava… começa a fazer sentido. Talvez Deus não espere você estar perfeito. Talvez Ele apareça justamente quando você está quebrado. Porque é ali que a gente para de fingir. E, às vezes, um único momento de verdade
muda tudo
A gente pisa nesse chão como se fosse só mais um caminho, sem pensar no que ele realmente guarda. Cada passo é leve agora, quase sem importância, como se o tempo nunca fosse cobrar nada. Mas no fim, é esse mesmo chão que vai estar acima de nós, cobrindo tudo que fomos, tudo que sentimos. E o que antes era movimento, voz e presença…vai virar silêncio e peso.
DeBrunoParaCarla
