A Gente Aprende com as Decepções
Às vezes, a busca pela profundidade exige que a gente pare de aceitar o que é apenas superficial. Se a relação não te atravessa, ela só te ocupa.
Às vezes a gente acha que alguém se afastou, mas a verdade é que fomos nós que, com o desleixo, apagamos a existência dela na nossa vida.
Talvez muita gente tenha uma ideia prévia de mim.
Eu também sou assim.
Previamente olho para mim mesma,
para saber quem eu sou agora.
O tempo todo eu me acho uma casa
que precisa estar sendo reformada,
todo dia por dentro.
Um dia eu já fui um quarto sem luz, sem vento.
Hoje, eu já não sou assim!
Quem me conhece no passado
precisa saber mais de mim.
Nildinha Freitas
Tem gente...
Que semeia bondade
Que abraça com palavras
Que espalha amor, e mansidão
E faz esperançar...
O nosso coração!
Tem gente que treina infidelidade. Gente que não se importa, que não luta por nada que nunca quis ser respeitador, verdadeiro. Nunca quis descobrir a verdade de suas escolhas dentro de si.
E esse é o pior infiel.
Não é leal nem a si.
Sei lá, a vida é tão curta.
Precisamos tirar o máximo proveito dela. E que seja positivo.
O que tem de gente querendo nos derrubar é absurdo. O que tem de gente querendo te levantar surpreende.
Deus aje no absurdo e nos surpreende. Amém
O pior tipo de gente não é a que sangra.
É a que transforma o próprio sangue em licença para fazer os outros sangrarem.
Toda tragédia merece memória. O Holocausto merece memória. Não para fabricar santos, mas para lembrar do que o homem é capaz quando decide que existe uma raça, uma religião ou um povo que vale menos que ele.
Mas a memória apodrece quando vira escudo.
Quando um crime de ontem passa a ser usado como salvo-conduto para justificar o sofrimento de hoje, a história deixa de ensinar e começa a servir de álibi.
Não existe povo imune à crueldade.
Quem sobreviveu ao horror não recebe, por isso, um certificado de inocência eterna. O poder corrói qualquer bandeira. Corrói qualquer governo. Corrói qualquer fé.
Se alguém grita pela morte de outro povo, pouco importa o idioma, a religião ou a bandeira que carrega. O ódio continua sendo o mesmo animal. Apenas muda de uniforme.
Os mortos não escolhem lados.
São os vivos que escolhem transformar cadáveres em propaganda.
E talvez essa seja a maior obscenidade de todas: usar os fantasmas de ontem para impedir que o mundo enxergue os cadáveres de hoje.
A poesia nunca foi um lugar para gente limpa.
Os que procuram perfume nas palavras deveriam comprar flores de plástico. Duram mais e não fazem perguntas.
Um poema de verdade chega cheirando a cigarro velho, sangue seco e cerveja derramada sobre um balcão onde ninguém acredita em finais felizes. Não nasceu para ser recitado em auditórios cheios de gente elegante. Nasceu para estragar o jantar de alguém.
As pessoas querem versos educados. Querem metáforas que façam carinho na culpa, rimas que embalem o sono, autores que peçam desculpas por existir.
Que se danem.
A poesia não veio ao mundo para ser simpática. Veio para arrancar o verniz das coisas. Para lembrar que existe mais ódio escondido atrás de um sorriso do que em um punho fechado. Mais luxúria atrás de uma oração do que em muitos quartos de motel. Mais mentira em um discurso bonito do que na boca de um bêbado.
Os melhores versos não conversam.
Eles entram sem bater.
Sentam na sua sala.
Bebem a última cerveja.
Acendem o último cigarro.
Olham nos seus olhos e dizem aquilo que você passou a vida inteira tentando esconder de si mesmo.
É por isso que incomodam.
Porque toda boa poesia é uma acusação escrita com tinta.
E toda acusação verdadeira deixa cicatrizes.
Se um poema termina e você continua exatamente a mesma pessoa, então aquilo era só tinta sobre papel.
Não poesia.
Humanos não agem por lógica. A gente acha que sim, e até quer, mas, no final, nós somos só guiados por instinto e emoção. E depois nos justificamos para nós mesmos.
"Às vezes, a gente se desgasta tanto tentando ajudar ou reparar o caminho dos outros que acaba esquecendo de olhar para o nosso próprio chão."
O problema da humanidade é sempre o mesmo:
gente que sabe pouco, fala demais, faz quase nada e quando faz, faz muita merda.
Ei, já parou pra pensar que a vida e a morte não são inimigas, mas parceiras de dança? A gente vive correndo atrás de eternidade – academia, dieta, apps de meditação –, como se pudéssemos enganar o relógio. Mas olha só: sem a sombra da morte, a vida perde o brilho. É ela que dá urgência aos nossos amores, faz a gente rir alto num pôr do sol no Arpoador, ou escrever aquela poesia que queima no peito. A morte não é o fim cruel; é o que torna cada respiração preciosa. Argumento assim: se fôssemos imortais, procrastinaríamos pra sempre, desperdiçando o agora. Epicuro já dizia que a morte não nos diz respeito, porque enquanto existimos, ela não está aqui. Então, por que temer? Viva intensamente, abrace o efêmero. A vida ganha sentido justamente porque acaba.
