A Culpa é minha me Perdoe
“O que um dia causou culpa e vergonha não define quem você é hoje.
Quando o nível de consciência se eleva, a alma enxerga com clareza aquilo que já superou. Diante do Divino, não pesa o erro passado, mas a transformação presente.”
Mágoa de Irene
A raiva te dominou...
por muito tempo.
E a culpa —
nele colocou...
Mas...
você é responsável
pelo que entregou,
não pelo que retornou.
Suas lágrimas molharam a areia,
se misturaram à água do mar,
e seus soluços...
ao barulho da maré cheia.
O sofrimento foi grande.
Foi intenso.
Mas — não foi sua culpa.
Você escolheu o amor,
não a dor.
Mas veja, por outro lado...
o amor dele era real.
E tudo o que você penou,
ele sofreu — em dobro.
Pela sua ausência...
deve ter morrido um pouquinho por dia,
pelo amor,
pela saudade — tão intensa.
Sabendo que ele mesmo se sacrificou,
um tiro no próprio pé...
um morto-vivo.
E assim ficou.
Mas você também errou.
Desistiu da vida...
e tudo aceitou.
Já não vivia,
quando de novo — se casou.
Era jovem.
Linda.
Poderia ter escolhido um marido maravilhoso...
Mas sem forças,
pegou o que a família ofertou.
Quem sabe, se não tivesse morta por dentro,
teria virado uma Chica da Silva,
fazendo seus bailes lá...
na Corte.
Com o tempo —
vieram dois finais infelizes.
Mas quem sou eu...
para julgar?
Eu sou você —
agora, no presente.
Tentando esse passado consertar,
com dúvidas...
e medo de errar.
Pois me conheço —
e por amor...
faria a mesma coisa.
Não vemos nada
quando bate o desespero.
Mas pensando bem...
o Universo me conhece mais que eu.
E no seu lugar —
teria ido atrás dele
mil vezes.
E enquanto não lembrasse de mim,
de vez...
não desistiria.
Que lembrasse
do nosso contrato,
das nossas vidas passadas,
do nosso amor...
sobrenatural.
Por isso — nesta vida...
dele, nada sei.
Sou orgulhosa...
mas ainda não aprendi
a perder.
Só os grandes pedem desculpas,
não para assumirem a culpa,
mas para manterem a paz,
porque a paz tem mais valor,
que qualquer razão!
Entre um passo e outro, aprendi a me olhar com mais ternura e a me escolher sem culpa.
- Edna de Andrade
O diabo é o bode expiatório mais eficiente da história: leva a culpa enquanto deus mantém a reputação.
Parece que odeio a religião, mas, na verdade, apenas amo a lógica. Não é minha culpa se as religiões não a possuem.
A religião a transforma culpa em virtude e depois cobra para aliviar a culpa que ela mesma inventou.
A dor e a derrota expõem não apenas fraquezas, mas a facilidade com que transferimos a culpa para evitar reconhecer os próprios erros.
Não aproveitou
Enquanto pôde
O tempo acabou
Cuidado
A culpa é sua José
Não tem mais segredo
Só medo e furor
Não tem mais amigo
Empatia e amor
Cuidado
A culpa é sua José
O vento passou
A edificação ruiu
A noite solitária
O café esfriou
O deja vu- vu uao
Voou
O e-mail chegou
O cético viu
Refletiu questionou
A guerra surgiu
Cuidado
A culpa é sua José
A senha expirou
O mouse fugiu
Na fita está mal
Eh o gás acabou
Cuidado
A culpa é sua José
O povo chegou
Torneira pifou
O ar adentrou
A água acabou
Cuidado
A culpa é sua José
A boca secou
O cuspe engoliu
A sede não cede
Cuidado
A culpa é sua José
O eco ecoou
O poder emergiu
Busca água José
José submisso
Sem pestanejar partiu
Tentares tentou
O descuido
Existiu
Tudo acabou
Cuidado
A culpa é sua José
A mensagem você viu
Avisar não avisou
A rena saiu
Noel atrasou
Cuidado
A culpa é sua
Somente sua José
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