A Cartomante Machado de Assis Poemas

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mexa com meu brilho


Helaine Machado


Nunca fui metida, muito menos invejosa.
Luto porque acredito.
Sou simples. Sou apenas alguém na minha caminhada.
Não meça quem sou pelo que valorizo.
Não é nada material que me faz destacar.
O que carrego comigo não posso negar:
minha integridade, minha identidade,
meu sorriso e minha mente.
Eu sou assim:
simples, delicada, amável —
jamais santa.
Não gosto de brigas.
Prefiro viver na paz.
Mas quando mexem com meu brilho,
as coisas não costumam terminar bem.
Relevo muitas vezes,
dou chances quando posso.
Mas não mexa com meu brilho,
pois poderá encontrar
uma fera adormecida.
Helaine Machado

Tributo: 15 anos de Manu (Emanuelle Alves Costa)
Autora: Helaine dos Santos Machado Alves
Menina,
Tudo era promessa
quando o seu nome foi escolhido.
E, de repente, você cresceu,
como uma bela flor em meio ao jardim.
Floresceu.
Veio ao mundo muito tímida,
mas tudo em você se tornou transparente:
sua essência,
sua beleza desabrochando.
Aquela pequena menina
que, suavemente,
diante dos nossos olhos,
transforma-se em uma linda mulher.
Neste momento, menina,
crie asas e voe!
Deixe sempre a janela do coração aberta
para que o novo possa entrar.
Não permita que a escuridão
ou as dúvidas que surgirem pelo caminho
confundam seus passos.
Tente sempre arrancar da vida
o mais belo sorriso.
Em todos os instantes, realize-se.
Jamais coloque seus sonhos na gaveta —
siga em frente.
Aventure-se sempre que for possível.
Suba alto,
o mais alto que puder.
Depois disso,
feche os olhos...
abra-os novamente.
Sem medo,
toque as estrelas.
Conte até quando for necessário,
respire fundo
e dê um salto bem alto.
Salte para o futuro.
Porque essa é a sua estrela.
Você é linda.
Você é corajosa.
Você é extraordinária.
Com amor:
Família Alves Costa
Família dos Santos Alves e amigos
Homenagem: Família Machado Alves
Idealizadora do projeto Tributo 15 anos de Manu:
Helaine dos Santos Machado Alves

Pétalas do Coração
Helaine Machado
As senzalas ainda parecem fechadas,
mesmo depois que uma jovem princesa
tentou romper seus ferros.
O tempo passou,
mas a crueldade da sociedade
ainda insiste em fechar os olhos,
como se por trás da pele negra
não existisse um coração que pulsa,
um ser humano que sonha.
Esquecidos ao céu aberto,
em praças, esquinas e vielas,
muitos caminham carregando
as marcas silenciosas da história.
Libertaram correntes,
mas esqueceram de libertar destinos.
Negaram a muitos
o direito simples de existir com dignidade.
Esqueceram que a cor da pele
é apenas tinta da criação,
e não medida de valor.
Transformaram vidas em força bruta,
mãos calejadas servindo ao mundo,
como se fossem apenas braços
e não almas.
Mas eles são pérolas da cor da terra,
filhos do mesmo chão,
raízes profundas de resistência.
E ainda hoje choram
pétalas do coração,
vermelhas como a dor
que atravessa o tempo.
Porque a memória não esquece
os dias de açoite e silêncio.
E nas calçadas, nas favelas, nas vielas,
caem lágrimas invisíveis,
como flores feridas
que o mundo insiste em não ver.
Helaine Machado

Ninguém acredita na gente: nenhum cartomante, nenhum pai-de-santo, nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma reza, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente. (...) Amo você, mesmo sem você me amar. (...) amo o nada que sempre vem depois disso.

⁠eu estaria mentindo se dissesse
que você me deixa sem palavras
a verdade é que você deixa minha
língua tão fraca que ela esquece
a linguagem que fala

⁠Certa vez escutei de alguém:
"Se quiser o amor, terá que suportar a dor envolvida" Então eu pensei que o amor causaria essa dor. Demorei tanto para entender que a dor que eu teria que suportar, vinha de tudo aquilo que se parecia muito com amor, mas que não era.
@fer_machado_escritor

É melhor, muito melhor, contentar-se com a realidade; se ela não é tão brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir.

Machado de Assis
A Mão e a Luva (1874).

A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas, capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

Capitu, apesar daqueles olhos que o diabo lhe deu... Você já reparou nos olhos dela? São assim de cigana oblíqua e dissimulada. Pois apesar deles, poderia passar, se não fosse a vaidade e a adulação. Oh! a adulação!

Machado de Assis
Dom Casmurro

Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar; tinha orgias de latim e era virgem de mulheres.

Machado de Assis
Dom Casmurro

A respeito do amor, amo loucamente, como se pode amar aos vinte e dois anos, com todo o ardor de um coração cheio de vida. Na minha idade o amor é uma preocupação exclusiva, que se apodera do coração e da cabeça. Experimentar outro sentimento, que não seja esse, pensar em outra coisa, que não seja o objeto escolhido pelo coração, é impossível.

O amor não é mais que um instrumento de escolha; amar é eleger a criatura que há de ser a companheira na vida, não é afiançar a perpétua felicidade de duas pessoas, porque essa pode esvair-se ou corromper-se.

Machado de Assis
Helena (1876).

⁠Éramos dois e contrários.
Ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).

Capitu era também mais curiosa. As curiosidades de Capitu dão para um Capítulo. Eram de várias espécies, explicáveis e inexplicáveis, assim úteis como inúteis, umas graves, outras frívolas; gostava de saber tudo.

Machado de Assis
Dom Casmurro

A notícia de que ela vivia alegre, quando eu chorava todas as noites, produziu-me aquele efeito, acompanhado de um bater de coração, tão violento, que ainda agora cuido ouvi-lo.

Machado de Assis
Dom Casmurro

Os sonhos do acordado são como os outros sonhos, tecem-se pelo desenho das nossas inclinações e das nossas recordações.

Machado de Assis
Dom Casmurro

Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro.

No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado, ainda que orgulhoso.

Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Typografia Nacional, 1881.

A imagem de Capitu ia comigo, e a minha imaginação, assim como lhe atribuíra lágrimas, há pouco, assim lhe encheu a boca de riso agora: vi-a escrever no muro, falar-me, andar à volta, com os braços no ar; ouvi distintamente o meu nome, de uma doçura que me embriagou.

Machado de Assis
Dom Casmurro

Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.

Machado de Assis
ASSIS, M., Dom Casmurro