33 anos
Tenho 19 anos e um talento especial: vacilar com estilo. Não é qualquer vacilo, é aquele vacilo bem pensado, bem executado e, claro, repetido. Porque aprender na primeira vez é coisa de gente comum, e eu claramente me acho acima disso.
Eu olho pra trás e penso: “não, dessa vez eu fui gênio”. Não fui. Fui emocionado. Confundi intensidade com conexão, drama com profundidade e achei que minha presença resolvia instabilidade alheia. Olha a audácia. O ego de um garoto de 19 anos é uma coisa linda e perigosa ao mesmo tempo.
O melhor é que, mesmo errando, eu erro confiante. Eu entro nas situações achando que sou o ponto de equilíbrio, o cara lúcido, o diferentão. Resultado? Saio com mais histórias pra contar e menos certezas sobre mim mesmo. Mas calma, faz parte do charme.
Eu ignoro sinais óbvios com uma elegância impressionante. Bandeira vermelha pra mim não é aviso, é decoração. Eu vejo tudo, entendo tudo… e sigo mesmo assim. Porque, na minha cabeça, “comigo vai ser diferente”. Nunca é. E ainda assim, eu insisto.
O sarcasmo vem depois, quando eu finalmente percebo que fui o palhaço da própria narrativa. Aí eu rio, balanço a cabeça e penso: “ok, pelo menos rendeu caráter”. Vacilo vira aprendizado, aprendizado vira ego inflado, e o ciclo recomeça.
No fim das contas, eu me acho incrível até quando erro. Não porque o erro foi bonito, mas porque eu sobrevivi a ele com consciência, ironia e uma autoestima teimosa. Errar faz parte. Errar do mesmo jeito várias vezes já é personalidade.
E no fim, sou só um jovem de 19 anos, especialista em vacilos, dono de um ego questionável e totalmente convencido de que, no próximo erro, vai fazer melhor. Ou não. Kkkkkkk
— Cyrox
“Debaixo da Casca”
Bom dia.
Acordei com um desejo que pede voz há anos:
organizar o mundo que carrego dentro.
São ideias demais, caminhos demais, emoções demais —
como se minha mente fosse um cruzamento onde ninguém obedece o sinal.
Ser escritor, ou algo próximo disso, é caminhar com excesso.
Às vezes as palavras correm;
às vezes param todas, como se fizessem greve.
Eu falho, assumo, e recomeço — sempre.
Hoje declaro meu querer mais sincero:
reunir minhas crônicas, dar forma ao que sinto e penso,
e transformar tudo isso num livro dedicado aos meus alunos,
meu verdadeiro conteúdo.
Digo sem medo: não dou conta sozinho.
E aceitar ajuda também é política —
a política da humildade, da construção, da responsabilidade.
Quero romper minha própria casca.
Deixar sair o que é frágil e forte,
íntimo e público,
poético e indignado.
Quero transformar minhas aflições em páginas
e minhas páginas em memória viva.
Bom dia a quem tenta não viver só por fora.
Bom dia a quem insiste em ter miolo num país de cascas polidas.
Bom dia a quem escreve, tropeça, levanta
e segue —
porque a palavra sempre encontra seu destino.
Tolice é acreditar que o tempo nos envelhece. Os anos não são velhos nem novos — são apenas ciclos que se repetem, máscaras diferentes sobre o mesmo rosto da existência. O calendário muda, mas a essência da vida continua presa ao mesmo tabuleiro, onde muitos jogam sem perceber que não há vitória final.
Vivemos como peças de uma engrenagem invisível, fiéis ao paradoxo de existir sem propósito, repetindo gestos, sonhos e derrotas. A matrix que nos envolve não é feita de códigos, mas de hábitos, ilusões e certezas que nos mantêm no mesmo campo de batalha. Lutamos contra inimigos que não existem, enquanto o verdadeiro combate deveria ser contra a apatia que nos consome.
O tempo não é prisão, é espelho. Ele não nos dá futuro, apenas devolve o reflexo do que escolhemos ser. Quem espera que o próximo ano traga milagres sem mudar a própria postura, continuará rodando no círculo vicioso, acreditando que envelhece, quando na verdade apenas repete.
Que os anos que chegam sejam meus,
não apenas contados, mas vividos.
Com a alma aberta ao vento,
e o coração repousando tranquilo.
Cada erro que me feriu,
cada acerto que me ergueu,
são degraus que me trouxeram
até este instante verdadeiro.
Quero o tempo como companheiro,
não como dono ou carcereiro.
Quero a vida inteira em versos,
mesmo nos dias mais dispersos.
E se o futuro me chamar,
que seja para dançar com ele,
com paz nos olhos,
e esperança nas mãos.
Depois de anos, uma lágrima escorre no meu rosto, solitária. Meu coração aperta, vejo uma foto dela, aquela que um dia foi meu sol, meu tudo. Aquela que eu traria a lua, mas que agora não existe mais, a cada dia que passa eu vou perdendo minha sanidade, meus olhos sem expressão, sem mais vida, são opacos, não consigo mais esboçar um sorriso por mais que eu tente, fico em um canto do meu quarto perdido em meus pensamentos olhando pra foto dela, lembrando dos momentos felizes que tivemos. Nisso vem uma imagem de um futuro em que nos casamos e tínhamos uma linda família, que tudo podia ter sido diferente. Se eu fosse mais forte, podia ter segurado sua mão e não tê-la abandonado.
Passei por um longo ano de silêncio e introspecção. Hoje percebi que fui calada por tantos anos, a ponto de, nos últimos tempos, ter estado apagada. Mas a reflexão explosiva que reside em mim voltou; talvez ela seja eu. E isso é bom. A potência, a verdade e a inquietude circulam em meus vasos para que eu floresça onde a vida me plantar, pois, por dentro, sou perfume no bailado livre do meu próprio respirar. Pulso entre o barulho da metrópole e o canto dos passarinhos, nas árvores guerreiras que sobrevivem, muitas vezes solitárias (e invisíveis), enquanto tantos correm de um lado para o outro, robotizados pela automatização da selva de pedra. Agradeço por ver as árvores, ouvir os passarinhos e, por vezes, parar em frente ao espelho, respirar fundo e olhar para mim.
Se hoje você questionasse: 'como minhas amizades, meus estudos e o passar dos anos transformaram meu relacionamento e eu mesmo?' — não acharia que a resposta é a prova de que você está sempre crescendo?
Com o passar dos anos, foi ficando claro um papel que nunca foi escolhido, apenas assumido. Existir para servir quem passa. Ser riso quando falta leveza, ser escudo quando aparece o perigo, ser distração nos dias vazios. Ser o apoio, o ombro, o abrigo. Estar ali para tudo e para todos, sempre que precisarem.
O tempo vai passando , horas, minutos, segundos, dias, anos , e a ficha cai de um jeito que machuca. Parece que o propósito é ajudar os outros a crescerem, enquanto o próprio crescimento fica em pausa. A felicidade até aparece, mas nunca fica. É sempre temporária, como se não fosse feita para durar.
E dói perceber que o final quase sempre é o mesmo. Correr, se doar, insistir… e acabar voltando para o mesmo lugar. A estação zero. Aquele ponto onde tudo recomeça, mesmo quando nada mudou de verdade.
Ali, o silêncio pesa mais que o cansaço. Não tem reconhecimento, não tem despedida. Só fica a sensação de ter sido útil e, ao mesmo tempo, esquecido. As marcas do esforço ficam pelo caminho, invisíveis para quem seguiu em frente.
O ciclo se repete. Ajudar, proteger, sustentar quedas, emprestar luz quando o outro escurece. Depois, ver de longe essas pessoas seguindo mais fortes, mais inteiras, enquanto quem ficou continua no mesmo lugar.
Mesmo assim, a espera continua. Não por esperança, mas por costume. A estação zero já não assusta tanto — vira algo conhecido, quase confortável na dor que se repete. Aprende-se a sorrir sem motivo, a oferecer sem receber, a seguir mesmo quando não existe um novo caminho.
Os dias passam como trens que não param. Levam sonhos que não eram seus, histórias que não ficaram. Sobram apenas lembranças soltas e a certeza de ter cumprido um papel que nunca foi pedido.
No fim, parece que algumas pessoas existem para ser ponte, nunca destino. Para sustentar o mundo em silêncio. Não para serem vistas ou lembradas, mas para garantir que outros cheguem mais longe. E enquanto todos seguem viagem, permanece quem sempre esteve ali — invisível, cansado, recomeçando outra vez do mesmo ponto.
O sentimento
Mais de trinta anos de silêncio aparente,
Mas o desejo nunca aprendeu a dormir,
Ficou à espreita, indomado, latente,
Esperando o instante certo de ressurgir.
Quando nos vimos, o tempo perdeu a voz,
O ar ficou denso, difícil de respirar.
Não eram palavras — era a pele entre nós
Gritando tudo o que evitamos lembrar.
Teu olhar ainda sabe me despir devagar,
Sem tocar, já provoca, invade, domina,
Me faz sentir mulher nas lembranças ainda menina
Meu corpo reconhece antes mesmo de pensar
A fome antiga que em ti se inclina.
Não é romance ingênuo, é fogo experiente,
É desejo que conhece o ritmo exato.
Somos dois corpos maduros, conscientes,
Sabendo onde o toque deixa o outro insano.
O passado não morreu — só ficou em abstinência,
E agora exige presença, calor, verdade.
A conexão é a mesma, cruel na evidência:
O sentimento nunca perdeu intensidade.
Se o tempo tentou nos tornar memória,
Falhou… porque o que arde é paixão verdadeira.
Depois de décadas, voltamos à história
Com a mesma chama só que bem mais inteira.
Vivi
Que diferença faz, alguns anos a menos ou mais, diante da eternidade? Creio que a partir da concepção surgimos para a eternidade.
O que ninguém sabe?
Ninguém sabe que há anos penso em me matar.
Quem sabe assim eles parem de me julgar?
Se não fosse a minha fé, talvez já estaria lá.
Só de pensar que sem mim talvez finalmente felizes eles poderiam estar, não posso lutar. Muitas das vezes meus sentimentos vêm como facas afiadas.
Que tentam me parar, mas sei que meu Deus morreu para me salvar e esses pensamentos deixo para lá.
Brodowski, 112 anos.
E, de repente, o vento bate e o primeiro trompete toca.
Todos esperam frenéticos o que há por vir.
O pôr do sol que por nossa volta, se põe calmamente pois sorri.
Ao ver as crianças que pra ti apontam
Ele ganha uma vida sem muito sentir.
Pessoas entusiasmadas se sentem nostálgicas e pertencentes.
As crianças começam a desfilar enquanto o primeiro baile toca.
Os girassóis que há muito vimos giram nos olhos de todos.
É tanta beleza que nos torna um só povo.
As cores dançam, vibrantes na luz, cada traço é a vida, cada sombra é a cruz.
Os celestes vão no trem da alegria,
Demonstram seus balões como se tivessem vida.
Senhores flibusteiros sopram a tuba como nunca imaginaria.
As senhoras de vestes italianas se elevam como jovens enriquecidas.
A representação dos brutos e dos artistas,
Do pintor e do mineralista,
Da obra e do projeto,
Do rascunho e o completo.
Isso se faz a cidade, e ela é quem somos.
E no despertar da noite, sob o céu estrelado, celebramos a arte, o amor, o legado.
Os longos anos que passei na dispensa lapidando uma herança de vitórias
No armário um velho conhecido, legado sem memórias
No presente ela não o reconhece apenas pega o que pode.
Ao passar dos anos, percebi que me fortaleci, depois passei a ver os desafios ou problemas da vida como etapas a serem superadas, independentemente de sua natureza, ainda que sejam duríssimas!
Realize atividades físicas; esta é a sugestão que dou aos meus 56 anos. Lembre-se de que nossos corpos não foram projetados para a inatividade, assim como um automóvel, que pode se deteriorar se ficar estacionado.
LIBERDADE
Após anos, a porta da gaiola, enfim, abria-se.
-- Liberdade para todos! -- disse, de fora, uma voz imponente.
Pularam com decisão. Caíram no abismo.
As asas estavam atrofiadas.
(Ito pedragrande)
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