Vou Morrer
Luz Própria
Não vou apagar a minha luz porque existem pessoas que fogem do que brilha.
Vou brilhar mais, até incomodar, até que a opinião do outro já não seja necessária.
Vou apenas brilhar.
Por mim.
Para mim...
Porque cama de hospital e caixão são individuais.
Somos responsáveis pelo que entregamos, não pelo que recebemos de volta.
Não vou me diminuir para caber no mundinho de ninguém.
Quem ama não limita os seus passos; ao contrário, corre para alcançar.
Antes, eu escrevia textos, declarações apaixonadas e recebia um simples “joinha”.
Hoje, os textos viraram poesias, músicas, crônicas — e são postados para todos.
Não vou parar de escrever.
Vou escrever mais.
Vou escrever melhor.
Quem sabe, em algum lugar, alguma palavra minha possa tocar o coração de alguém.
E, quem sabe, possa ajudar.
Porque, se a minha luz incomodar alguns, que ela, pelo menos, possa iluminar o caminho de outros.
“Dizem que o amor é a resposta… enquanto você decide a pergunta, eu vou enchendo a taça com o vinho Casillero del Diablo.”
A Liturgia dos Milênios do Coração Gelado
Vou contar-te o segredo que a madrugada me sussurrou:
Em meio ao gelo do meu peito imóvel, minha alma verteu novecentas e noventa e nove lágrimas de sangue, chorando a tua ausência.
Lembrei-me da fome dos novecentos e noventa e nove beijos que guardei e não te dei,
Condenado a vagar por novecentos e noventa e nove momentos sombrios, longe do teu domínio.
Escrevi teu nome com tinta de cinzas em novecentas e noventa e nove páginas sagradas,
Enquanto novecentos e noventa e nove sorrisos pálidos desabavam de minha face nas madrugadas sem fim.
Vivi novecentas e noventa e nove horas de eclipse em que o tempo se recusou a passar,
E por novecentas e noventa e nove vezes jurei meu amor, num pacto que nem a sepultura pode quebrar.
Novecentas e noventa e nove noites passei aprisionado em sonhos contigo,
Onde meu coração, há muito adormecido, vibrou novecentas e noventa e nove vezes ao sentir o teu calor.
Foram novecentos e noventa e nove versos de adoração dedicados ao teu culto,
Enquanto cruzei novecentas e noventa e nove ruas de asfalto e névoa, farejando o teu rastro nesta vida mortal.
Lembra-te das novecentas e noventa e nove vezes em que teu olhar bebeu a minha alma e me deu o paraíso...
Pois agora, enquanto a luz das néons cede ao sol que ameaça nascer,
Restam-nos apenas as novecentas e noventa e nove eternidades que governaremos juntos,
Quando a noite nos acolher para sempre além do túmulo.
John Rabello de Carvalho
Não sei se te aceito ou se vou sofrer
Volta e vem me machucar, é o que você quer?
O coração dividido, dúvida cruel
Se abrir ou se fechar, qual é o papel?
Medo de sofrer, medo de amar
Mas o desejo de ter você é maior
Vai que é linda a dor de amar
Ou vai que é só mais uma forma de se perder.
(Saul Beleza)
*Pra te olhar*
Pra que vou fechar os olhos
Em nossos momentos de prazer
Se é tão bonito te olhar
E no teu olhar me perder
Se tua boca me chama
Teu riso me desmonta
E cada suspiro teu
É poesia que me conta
Fechar os olhos é fugir
E eu quero ficar aqui
Testemunhar teu rosto
Quando é só pra mim
Então fica assim: olho no olho
Pele na pele, sem medo
Que o amor também se vê
Não é só segredo
Romântico, intenso e entregue. Do jeito que tem que ser.
– Não faz mal, eu vou matar ele.
– Que é isso menino, matares teu pai?
– Vou, sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.
*Olhos que Merece*
Não vou te olhar com ódio e nem com ternura
Vou te olhar com os olhos que merece
Olhos de quem entendeu a lição
De quem aprendeu a se escolher na mesa
Não é vingança, não é carinho
É limite, é nome, é ponto final
É fechar a porta sem bater
E seguir em paz, sem fazer mal
Porque quem ama de verdade não machuca
E quem machuca nunca soube amar
Então te devolvo pro teu destino
Com os olhos que você me ensinou a usar.
(Saul Beleza)
*Ocupar a cama*
vou pra cama hoje
e vou ocupar todos os cantos,
o lado direito, o esquerdo
o meio, o frio onde você não está.
Vou deitar em diagonal,
esticar braços e pernas,
até não sobrar espaço vazio
pra saudade não caber junto.
porque se eu não te tenho aqui,
que eu a tenha pelo menos
no tamanho inteiro da cama,
cheio de você em volta.
(Saul Beleza)
*Preparando o jardim*
Chegou a hora.
De enxada na mão e coração em paz.
Vou preparar o jardim
pra receber uma nova flor.
A outra...
foi plantada com água e reza.
Mas não floriu.
Só nasceu espinhos
a ferir dedo,
e furar a esperança.
Vou tirar os espinhos com calma.
Um por um.
Sem raiva.
Só com cuidado de quem aprendeu.
E nesse chão limpo,
vou plantar de novo.
Dessa vez não espero milagre.
Espero tempo, sol,
e flor que queira ficar.
(Saul Beleza)
Vou navegar na crista da tua onda,
lindo enquanto dura,
alto enquanto me deixas.
Pois sei...
quando a maré baixar,
serei esquecido na areia da praia.
Como espuma.
Como rastro.
Como se nunca tivesse amado tanto.
*- Saul Beleza*
Vou fazer um rango aqui...
Não vai ser um banquete,
sem toalha de linho,
sem taça cara.
Mas vai ter cheiro de casa,
panela chiando,
arroz soltinho.
Será o suficiente
para que eu me sinta um rei.
Rei do meu cantinho,
do meu prato simples,
da minha paz.
(*Saul Beleza*)
*Vou dizer o que eu acho da vida:*
A vida não é longa demais,
nem curta demais.
Ela é do tamanho exato
do espaço que nos foi dado pra caber.
Ela não é o que deixamos de fazer.
Se fosse, todo mundo era fracasso.
Ela é o que fizemos com o que tínhamos, com o que sobrou de dinheiro no fim do mês.
E se a vida é amar,
por que tanto ódio?
Porque amar dá trabalho, Gente.
Ódio é fácil, é preguiçoso.
Amar é levantar cedo, perdoar, dividir o pão, ouvir de novo a mesma história.
Muitos escolhem o ódio porque cansou.
E gente cansada morde.
Mas eu não.
Eu com quase 65 anos ainda pergunto sobre amor.
Isso já é resposta.
Escrevo assim, então:
"A vida é o espaço que me deram,
e o amor que coube nele."
(Saul Beleza)
“O que o governo fez por você?
Vou te responder com a minha própria história. As políticas sociais me ajudaram, e o programa Minha Casa Minha Vida foi uma delas. Aos 30 anos de idade, consegui conquistar a minha casa própria. Sim, ela é financiada, mas isso não diminui a minha conquista. Consegui um subsídio significativo que facilitou a realização desse sonho.
E vamos pensar um pouco: você acha que é fácil, aos 30 anos, conseguir comprar uma casa neste país? Quem trabalha, corre atrás e conhece as dificuldades da vida e sabe o quanto isso representa.
Eu não estou dizendo que devo tudo ao governo, porque também houve meu esforço, meu trabalho e minha responsabilidade. Mas seria injusto negar que uma política pública me ajudou a realizar algo que talvez fosse muito mais difícil sem esse apoio.
Reconhecer quando uma política pública beneficia a nossa vida não é passar pano para político, nem defender partido. É reconhecer os fatos. Eu sei o que vivi, sei o que conquistei e sei o quanto esse apoio fez diferença na minha vida e faz na vida de muita gente.”
#politicaspublicas #proletariado #Brasil #democracia #Esquerda #BoraLula
E olha… eu vou te contar uma coisa que a gente só entende depois de apanhar emocionalmente igual tapete em dia de limpeza pesada… amor que marca é barulhento. Faz escândalo, quebra prato invisível, deixa cicatriz que a gente até mostra com um certo orgulho, tipo troféu de guerra que ninguém pediu pra disputar. Já o amor que permanece… ah, esse quase não faz barulho nenhum. Ele chega de mansinho, senta do seu lado e, quando você percebe, já está ali há anos, dividindo até o último pedaço de pão e o último suspiro de paciência.
Eu já fui dessas que confundia intensidade com destino. Achava que quanto mais difícil, mais verdadeiro. Quanto mais lágrimas, mais profundo. Basicamente uma novela mexicana ambulante, só faltava a trilha sonora dramática e uma câmera dando zoom no meu rosto enquanto eu olhava pro nada pensando “por quê?”. E o pior é que a gente romantiza isso. A gente acha bonito sofrer. Olha que perigo.
Mas aí a vida, essa professora sem paciência e sem filtro, vem e fala “minha filha, senta aqui que você ainda não entendeu nada”. E foi aí que eu comecei a perceber que o amor que fica não precisa te convencer de nada. Ele não te deixa em dúvida, não te faz virar detetive emocional, não exige interpretação de texto às três da manhã.
O amor que permanece é quase sem graça… e é justamente por isso que ele é extraordinário. Ele não te dá frio na barriga todo dia, porque te dá algo muito melhor: paz. E paz, minha querida, não viraliza, não rende história caótica pra contar pras amigas, não dá engajamento… mas sustenta uma vida inteira.
Entre o amor que marca e o amor que permanece, eu também fico com o que fica. Porque o que marca às vezes só prova que doeu. O que permanece prova que deu certo. E no final das contas, depois de tanto drama desnecessário, tudo o que a gente quer é alguém que fique. Que fique quando o encanto dá uma cochilada, quando o dia é comum, quando a gente não está interessante, quando a gente só é… humana.
E é curioso, porque o amor que fica não grita “eu sou o amor da sua vida”. Ele só… fica. E nisso, ele vence.
Agora me diz, você ainda está escolhendo emoção ou já está escolhendo permanência?
Eu vou te dizer uma coisa que ninguém gosta de ouvir, mas todo mundo já sentiu na pele em algum momento: não é o silêncio que machuca, é o que a gente imagina dentro dele. Porque o silêncio, por si só, é só ausência de som… mas na cabeça da gente ele vira roteiro de filme dramático, com trilha sonora triste e direito a prêmio de sofrimento interno.
Tem gente que olha pra vida como quem olha pra um espelho quebrado e pensa assim, vou deixar um pedaço meu espalhado por aí, quem sabe assim eu não sumo por completo. Aí faz filho como quem planta uma placa escrita “eu estive aqui”, como se o tempo fosse um porteiro educado que respeita avisos. Mas o tempo não respeita nada, minha filha. O tempo entra sem bater, apaga luz, leva os móveis e ainda sai assobiando.
A gente cresce ouvindo nomes de família como se fossem heranças eternas, como se aquele sobrenome fosse uma espécie de colete à prova de esquecimento. Só que aí você para pra pensar com calma, numa terça-feira qualquer, lavando uma panela ou dobrando roupa, e percebe que mal lembra o nome dos seus bisavós. Às vezes nem foto tem. Viraram um vulto, uma história mal contada, uma frase começando com “dizem que...”. E pronto. Foi assim que uma vida inteira virou rodapé.
E não é falta de amor, não. É excesso de tempo mesmo. O tempo vai empilhando gerações como quem guarda caixa em cima de caixa no fundo do armário. Uma hora ninguém mais abre. E lá dentro ficam risadas que ninguém mais escuta, medos que ninguém mais entende, sonhos que ninguém mais sabe que existiram. Tudo guardado, tudo esquecido, tudo tão humano.
Aí me vem essa ideia de imortalidade através de filho, e eu fico meio assim, meio rindo, meio pensativa. Porque não é sobre permanecer no mundo, é sobre ter feito sentido enquanto esteve aqui. Não adianta querer eco eterno se a própria voz nunca foi ouvida de verdade nem por si mesma. Não adianta deixar descendência se a existência foi vazia de presença.
No fim, a gente não fica. O que fica é um gesto, um jeito, uma frase repetida sem saber de onde veio. Fica um costume, um traço no rosto de alguém, uma mania de rir em hora errada. A gente vira detalhe. E talvez isso seja até mais bonito do que virar monumento. Monumento ninguém toca. Detalhe vive sem pedir licença.
Então talvez o segredo não seja tentar não ser esquecida. Talvez seja viver de um jeito que, mesmo esquecida, tenha valido cada segundo. Porque a verdade, meio sem glamour nenhum, é essa: o esquecimento não é o contrário da importância. É só o destino comum de quem passou por aqui.
E eu, sinceramente, acho libertador. Dá um alívio danado saber que não preciso carregar o peso de ser eterna. Já basta ser inteira enquanto dura.
No dia 28 de julho de 2024, vivi uma situação que jamais vou esquecer.
Eu estava em casa, muito doente, sem imaginar que meu corpo estava entrando em colapso. O que mais tarde descobri era que eu estava com septicemia, uma infecção generalizada gravíssima, que já estava levando meus órgãos à falência.
Procurei atendimento na UPA de Barra do Corda, Maranhão. Mostrei os exames que tinha em mãos, expliquei o que estava sentindo e deixei claro que havia uma suspeita séria do meu quadro. Mesmo assim, recebi uma injeção e fui mandada de volta para casa. Disseram que o que eu tinha era ansiedade.
Mas não era ansiedade.
Enquanto eu tentava sobreviver, meu organismo estava travando uma batalha silenciosa contra uma infecção que avançava rapidamente.
Voltei para casa sem a cirurgia que precisava e sem a urgência que a situação exigia. Passei aquela noite em uma condição extremamente grave, sem saber se veria o dia seguinte.
Foi então que Deus usou outras pessoas para mudar o rumo da minha história.
No dia seguinte, meu sogro entrou em ação. Através de um contato que ele possuía, conseguiu mobilizar ajuda para que eu finalmente recebesse a atenção necessária. Graças a essa intervenção, fui encaminhada para uma cirurgia de emergência.
A cirurgia aconteceu a tempo.
Os médicos constataram a gravidade do meu estado. Eu estava com septicemia e falência de órgãos. Quando penso em tudo o que aconteceu, não consigo deixar de refletir sobre o quanto estive perto da morte naquele período.
O mais impressionante é que, algum tempo depois, retornei à mesma unidade de saúde. Durante o atendimento, me perguntaram quais eram minhas alergias. Respondi normalmente e informei tudo com clareza.
Ao receber a receita médica, resolvi ler antes de sair.
E ali estava prescrito justamente um medicamento ao qual eu havia informado ser alérgica.
Naquele instante, um filme passou pela minha cabeça.
Se eu não tivesse lido a receita, o que poderia ter acontecido?
Esses acontecimentos me ensinaram que ninguém deve abrir mão de acompanhar o próprio tratamento. Ler receitas, conferir exames, fazer perguntas e buscar esclarecimentos não é desconfiança. É cuidado com a própria vida.
Hoje, olhando para trás, sinto gratidão por estar viva. Gratidão a Deus, ao meu sogro e às pessoas que cruzaram o meu caminho naquele momento tão crítico. Porque a verdade é que, sem essa ajuda, talvez eu não tivesse a oportunidade de contar esta história.
E isso é algo que nunca esquecerei.
