Voce Precisa Confiar em Mim

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Enquanto você estiver esperando alguém te emprestar o barco, já há outro no seu lugar lançando a rede.

Deixe que te chamem de louco, pois amanhã sentarão debaixo da tua árvore, onde só você fez sombra.

Mesmo que ninguém enxergue nada em você, não tente mudar; seja aquilo que você sempre foi.

A vida só te larga se você largar dela.

Se você nunca subiu num pé de manga, não tente consertar um telhado, altura é para quem sabe voar.

Se você não tiver a coragem, e a ousadia de enfrentar seus medos, você será mais um, a dizer depois, eu podia ter tentado mais.

Nenhuma borboleta voará teu quintal, você não colhi uma rosa.

Você não tem ideia do poder que você tem nas mãos, uma flor que você oferece a alguém, você ajuda a consertar meio mundo, isso é amor.

Ande de bolso vazio e você verá quantos são os seus amigos.

Terei que parar de te olhar, porém eu sei, não vai ser fácil, você era aquela lua que eu amava.

Que seja você o sábio, eu gosto das burradas da vida, e tropeçar.

O bom de ganhar dinheiro é que, se você não tiver o bolso na sola do pé, você faz um estrago danado e consegue fazer muita gente feliz.

Você não será valorizado até que consiga ganhar os seus primeiros milhões, pois o tempo de somos amigos...isso nunca existiu.

Brinca uma hora que você ficou rico, e você verá o tanto de amigos que irão te abraçar.

À última vista


Quero parar de sofrer agora,
mas não quero deixar de sofrer por você.
Lá fora, o barulho arde, as luzes fisgam
um passado que não dói só em mim.
Eu sou como o beija-flor posto à seiva
que beija a flor que o alimenta.
Me alimento desse sofrimento?
Bobagem. Apenas sofro em paz o momento divino,
Em que verei seus olhos junto aos meus.
Olho no olho, pele na pele.
Que tristeza é o ser humano:
Sofre porque é só.

Não contribua para a sociedade para que façam um filme sobre você, mas para que dê sentido à busca de alguém.⁠

Deus sabe como fazer você se aproximar dele.

Você é necessário

No tear do tempo, antes que o primeiro fio se tecesse,
o tear já rangia à tua espera.
Não eras o tear, nem o fio, nem a mão;
eras a tensão que faz o pano ser pano,
o silêncio que permite à música doer.

O universo não te pediu licença para explodir,
mas, ao explodir, deixou um vazio com o teu formato exato.
Como a órbita guarda o lugar do planeta ausente,
o cosmos inteiro é uma elipse que só se fecha
quando tu, enfim, entras em cena.

A estrela queima porque sabe que alguém, um dia,
levantará os olhos e dirá: “Há luz”.
O mar revolve-se em espuma porque pressente
que alguém pisará a areia e chamará isso de praia.
Até o nada precisou de ti
para poder chamar-se nada.

Teu coração não é um músculo que por acaso pulsa;
é o contrapeso que impede o mundo de tombar
para o lado do esquecimento.
Cada batida é um “sim” que o real dá a si mesmo
para continuar existindo.

Se amanhã tu não estivesses,
o sol nasceria, sim, mas ninguém saberia
que aquilo era o sol.
A rosa abriria suas pétalas, mas o vermelho
ficaria sem nome, órfão de testemunha.
O universo inteiro se tornaria
um imenso cadáver sem certidão de óbito,
porque faltaria quem dissesse:
“Isto foi”.

Você é necessário
não como peça que falta à máquina,
mas como o olhar que faz a máquina
reconhecer-se máquina.

Você é o álibi do Ser.
Sem ti, a existência seria um crime perfeito:
ninguém para denunciá-lo,
ninguém para perdoá-lo,
ninguém para sofrer ou alegrar-se com ele.

Respira.
Esse ar que entra agora
já estava te esperando há quatorze bilhões de anos
dentro de uma folha qualquer,
dentro de um peito de pássaro,
dentro do sopro de alguém que morreu
para que tu, hoje, possas dizer:
“Estou aqui”.

Você é necessário
como o ponto final é necessário
para que a frase saiba que acabou
e, sabendo, possa recomeçar.

Você é necessário.
E isso não é consolo.
É sentença.
É ferida.
É coroa de espinhos
que o próprio tempo se colocou
para lembrar que dói existir
e que, mesmo assim,
vale a pena.

Quando a vida não der mais prazer,
Quando o sol não brilhar para você,
Quando tudo chegar a dizer não para você...
Quando uma lágrima rolar
E o seu pranto alguém escutar,
Se lhe pedirem para estender a mão, é só ir...
Eu vejo o mundo ao meu redor,
Eu olho as nuvens que passam no céu.
O tempo, como fumaça, se vai
Para não mais voltar.
Quem dera eu e você,
Uns dias destes, andando por aí,
Pudéssemos encontrar o amor
Para nos fazer feliz.
E o nosso pranto secaria,
Solidão não mais haveria,
A alegria estaria em nós.
Quem dera eu e você
Se importasse mais com o amor...

MEU PURGATÓRIO É VOCÊ


Meu purgatório é você...
Meu inferno astral é tudo aquilo que pressupõe meu desejo.
Tudo e todos estão incutidos em mim:
As palavras, as ações, as aspirações e inspirações, tudo se volta como redemoinhos causados por inquietudes.
Porém, há algo novo dentro de mim.
Descobri minhas limitações e sorri de forma que deixei escapar um sorriso nervoso e triste, por saber que o super-homem que habita em mim falha todas as vezes que tenta salvar-me de perigos iminentes.
Desta forma, ando entre o certo e o duvidoso, só para saber se estou equilibrado. Mas cá entre nós: o que é e como equilibrar-se entre o tortuoso e o reto?
Eu já nem sei; só caminho e deixo-me pagar as dívidas cobradas pelo tempo.
Meu purgatório não é mais você; descobri ser eu mesmo, uma dualidade que não tem fim. Mas, insistindo em segurá-la para construir um paraíso só nosso, desvelando um inferno que se tornou só uma faísca no tempo perdido que resultou do contato de almas, eu me refiz.
Agora, almas que buscavam equilibrar-se na mesquinhez do ego saltam e dançam, ouvindo a música que toca em algum lugar fora do eixo dual de ambas!
Joguei fora para fora toda experiência de luz. Confrontei minhas trevas e não saí vencedor, mas descobri que em mim havia um lugar que não conhecia, um lugar sombrio, um limbo que descobri ter vários eus.
O purgatório se desfez, o inferno se foi e o paraíso não alcancei. Porém, segui meu caminho sabendo das novidades que existiam dentro do meu eu, e fui me equilibrando estrada afora. Sobre o quê?
Não sei. Só sei que fui, vou, estou e voei!