Você Nasceu pra Mim
Sou como um canto que nasceu livre, mas aprendeu cedo o peso invisível das próprias grades, não as que se veem, mas as que se sentem no fundo da alma. Há em mim um desejo antigo de voo, desses que não pedem destino, apenas horizonte, mas que se desfazem toda vez que a lembrança me puxa de volta. Minha liberdade mora longe, talvez no tempo em que o peito ainda não conhecia o silêncio imposto pela dor. E mesmo assim, continuo cantando baixo, como quem tenta não esquecer a própria essência, ainda que tudo ao redor insista em aprisioná-la. Porque existem almas que nasceram para o céu, mas aprenderam a sobreviver dentro de gaiolas feitas de saudade.
- Tiago Scheimann
A vida não ficou mais leve, eu que aprendi a carregar o peso com uma dignidade que nasceu do sofrimento.
Minha escrita não nasceu dos dias fáceis. Nasceu do abandono, das perguntas sem resposta, das noites longas e das memórias que insistiam em permanecer. Talvez escrever seja apenas a forma mais humana que encontrei de resistir.
Existem feridas que não cicatrizam porque foram feitas exatamente no lugar onde nasceu a nossa maneira de amar.
LUZGIRASSOL
No sertão da Paraíba,
onde o mandacaru vigia,
nasceu uma linda donzela
feita de encanto e poesia.
Chamaram-na Luzgirassol,
nome de ouro e claridade,
mistura de flor e estrela,
de beleza e suavidade.
Tem os olhos da manhã
quando o sol vem despontando,
e um sorriso tão sereno
que faz a seca ir passando.
No jardim onde ela mora,
entre rosas e alecrins,
parece um girassol vivo
enfeitando os seus caminhos.
As abelhas a cortejam
com seu canto laborioso,
vendo nela o doce néctar
de um destino venturoso.
Os passarinhos do campo,
do canário ao corrupião,
fazem festa em sua volta
como num grande mutirão.
Obra da mão da natureza,
mas também do Criador,
que moldou sua presença
com ternura e muito amor.
Quando passa pela estrada,
o vento muda de tom;
até a sombra das árvores
quer seguir seu caminhar bom.
Privilegiado será
aquele que ela escolher,
pois em seu jardim de afetos
há sementes a crescer.
E dos frutos desse encontro,
regados por devoção,
florescerão novas vidas
como espigas no sertão.
Luzgirassol é assim:
sol que nunca perde o brilho,
flor que transforma a paisagem
e ilumina cada trilho.
No sertão paraibano,
entre a terra e o firmamento,
vive essa deusa de luz,
girassol do sentimento.
A PELEJA DA ABELHA COM A MOSCA
I
Num jardim nasceu a peleja,
Que o destino foi traçando;
Abelha, rainha das flores,
Seu trabalho cultivando.
Mosca vinha do outro lado,
Cada qual seu rumo andando.
II
Disse a Abelha, muito altiva:
— Eu vivo do puro mel,
Faço cera, gero vida,
Cumpro um nobre e bom papel.
Quem visita flor perfumada
Nunca perde seu troféu.
III
Respondeu logo a Mosca,
Sem baixar sua cabeça:
— Cada ser tem seu caminho,
Sua sina e sua peça.
Não escolhi meu destino,
Nem a vida que me cerca.
IV
A Abelha retrucou ligeiro:
— Gosto bom é o da flor!
Quem procura coisa limpa
Leva paz, perfume e cor.
Quem vive entre imundícies
Não conhece o verdadeiro amor.
V
A Mosca falou sorrindo:
— Prazer muda de pessoa;
O que é doce para uns,
Pra outros não se entoa.
Cada qual segue o costume
Que a existência lhe abençoa.
VI
A Abelha fez ferrão,
Defendendo seu reinado;
A Mosca bateu as asas,
Sem mudar de seu traçado.
Cada qual julgando a outra,
No seu mundo fechado.
VII
Uma buscava o néctar
Nas campinas coloridas;
Outra rondava os caminhos
Das sobras já esquecidas.
Duas formas de viver,
Duas rotas tão distintas.
VIII
Mas o tempo, velho mestre,
Ensinou sem humilhar:
Nem só flores dão sustento,
Nem só lixo há de ficar.
Toda vida tem seu ciclo,
Seu nascer e seu findar.
IX
Disse então a Natureza:
— Parem já de discutir!
Cada qual cumpre um serviço
Que não pode se medir.
Quem condena a escolha alheia
Pouco aprende a refletir.
X
Abelha produz o mel,
Mosca limpa o que apodrece;
Uma encanta os jardins,
Outra evita o que fenece.
Mesmo sendo tão diferentes,
Cada qual à vida tece.
XI
Gosto, hábito e costume
Nem sempre são iguais;
Cada um faz sua estrada
Entre erros e ideais.
Não existe um só caminho
Para todos os mortais.
XII
Terminou-se a velha peleja
Com lição de igualdade:
Quem despreza o semelhante
Só cultiva a vaidade.
Abelha e Mosca, no fim,
São iguais nas diferenças da humanidade.
REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DA CAATINGA
No coração do Nordeste
Nasceu um novo esplendor,
República da Caatinga,
De coragem e de valor.
Onde a honra faz morada,
E a fé floresce em flor.
Nação de bravos guerreiros.
Sua bandeira tremula
Com orgulho e tradição;
Azul do céu que protege,
Branco da paz em união,
Laranja é força e coragem,
Que aquece cada coração.
Nação de bravos guerreiros.
São nove Estados unidos
Num destino verdadeiro,
Como nove sentinelas
Guardando o chão caatingueiro;
Cada povo é uma estrela,
Cada filho um guerreiro.
Nação de bravos guerreiros.
No alto brilhou no infinito
Uma nova constelação;
Nove estrelas reluzentes
Desenhando a região,
Fez do céu da Caatinga
Seu eterno pavilhão.
Nação de bravos guerreiros.
À esquerda vive o sertão,
Mandacaru altaneiro;
O sol poente se despede
Pintando o chão por inteiro,
Mostrando que a resistência
É o brasão do sertanejo.
Nação de bravos guerreiros.
À direita canta o mar
Com seu azul cristalino;
Coqueirais fazem reverência
Ao nascer do sol divino,
E as ondas beijam a praia
Num espetáculo genuíno.
Nação de bravos guerreiros.
Do couro nasce a coragem,
Do barro nasce a missão;
Da seca brota esperança,
Da chuva a celebração;
Cada espinho é uma escola,
Cada luta uma lição.
Nação de bravos guerreiros.
O vaqueiro e o jangadeiro,
Cada qual no seu labor,
Um domina a terra firme,
Outro enfrenta o mar bravio;
Ambos levam no semblante
A grandeza do valor.
Nação de bravos guerreiros.
A sanfona abre caminhos,
O aboio encontra o mar;
O coco dança com o vento,
O xaxado faz lembrar
Que a cultura desta terra
Nunca deixa de cantar.
Nação de bravos guerreiros.
Que esta pátria imaginada
Seja exemplo de união,
Onde o povo seja livre,
Respeitando o irmão;
Sob as nove estrelas brilhe
Uma eterna construção.
Nação de bravos guerreiros.
PROFESSOR DE POETA
No sertão nasceu um mestre
Que ensinava sem cartilha,
Com a viola e a palavra
Fez da rima uma família;
E mostrou que a poesia
Também nasce na partilha.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Patativa do Assaré,
Ave sábia do sertão,
Transformou sua poesia
Em denúncia e oração;
Fez do verso uma ferramenta
De cultura e reflexão.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Seu cantar veio da roça,
Da enxada e do terreiro,
Da pobreza, da esperança,
Do vaqueiro e do roceiro;
E ensinou que o pensamento
Não precisa de dinheiro.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Em “Cante Lá, Que Eu Canto Cá”,
fez do canto profissão,
mostrando que cada terra
tem seu modo e tradição;
E que a voz de quem trabalha
também merece atenção.
Quando falou do “Caboclo Roceiro”,
deu ao campo dignidade,
fez da vida do agricultor
um retrato da verdade;
E levou para a poesia
a voz da comunidade.
Em “Triste Partida”,
fez a dor se levantar,
retratando o nordestino
obrigado a migrar;
E fez muita gente longe
do sertão se emocionar.
Não é apenas um poeta
que o tempo pode guardar;
Patativa é professor
que continua a ensinar:
quem conhece sua obra
tem mais força pra pensar.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Os poetas o admiram
pela força do seu dizer,
pela forma tão simples
de fazer o povo entender;
pois sabia transformar
o sofrer em aprender.
Negreiros Neto assim diz,
com respeito e clareza:
“O poeta é um título
da mais alta nobreza,
dado ao matuto analfabeto
e aos doutores da letra.”
Patativa nos mostrou
que a escola pode ensinar,
mas também existe a vida
com seus modos de educar;
e o poeta que a observa
tem lições pra revelar.
Foi professor de poetas,
sem cobrar mensalidade;
sua sala era o mundo,
seu diploma, a humildade;
seu quadro era o sertão,
sua matéria, a verdade.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Hoje, quando um poeta
pega a pena para escrever,
leva um pouco de Patativa
sem sequer perceber;
pois quem bebe dessa fonte
aprende também a viver.
Patativa, velho mestre,
teu legado é imortal;
tua poesia permanece
feito estrela no quintal;
Nordeste que vira verso,
sertão que vira jornal.
E aos doutores da palavra,
aos poetas do sertão,
fica viva a grande lição
do mestre da inspiração:
a maior sabedoria
é ter voz e coração.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Se Patativa foi mestre,
nós seguimos a lição:
fazer da poesia ponte,
da palavra, comunhão;
e colocar nosso verso
a serviço da nação.
'Hoje abri meu portão, dei provimento à alegria...
O dia nasceu sem nenhuma anomalia.
Pela janela a paz se fez evidente.
Agradeci a Deus por estar tão presente.
Obrigada Senhor! Por ser o Curador da minha vida e de todos os meus.
Sempre em oração aos que estão comigo.'
"Quando você nasceu, já trouxe consigo a passagem de volta; falta apenas definir as circunstâncias, a data e o horário da partida."
O Zonismo nasceu primeiro como uma ideia. A partir dela, Willian incorporou o termo ‘Zon’ ao próprio nome, formando Willian Zon, nome pelo qual passou a ser conhecido como criador do Zonismo.
“Hoje eu segurei nas mãos um sonho que começou em silêncio. ‘Gotinhas de Amor’ nasceu para acolher emoções, fortalecer vínculos e transformar rodas de conversa em espaços de escuta. Que essa obra seja instrumento de cuidado.”
Projeto Gotinhas de Amor
Rosana Figueira
O Legado do Petico
O Significado do Petico
O nome Petico nasceu de uma história real, marcada pela sensibilidade, pelo cuidado e pela empatia.
Seu verdadeiro nome era Maximiano, mas era chamado carinhosamente pela família de Petico.
Mesmo ainda criança, Petico demonstrava um coração acolhedor e um olhar atento ao próximo. Durante um período delicado de sua vida, vivendo longos dias no hospital, criou um vínculo especial com outra criança internada, oferecendo companhia, carinho e pequenos gestos de cuidado mesmo diante da própria fragilidade.
Sua forma de acolher e se preocupar com o outro deixou uma lembrança profunda em todos que conviveram com ele.
A inspiração do Espaço Petico surge justamente desse sentimento: acreditar que o cuidado, a empatia e o afeto podem transformar a infância e criar memórias importantes na vida de uma criança.
Mais do que um nome, Petico representa acolhimento, respeito, escuta e amor ao próximo — valores que fazem parte da essência deste espaço.
Apresentação
Meu nome é Rosana Figueira, sou pedagoga, escritora de livros infantis e atualmente estou concluindo uma pós-graduação em Psicologia Infantil.
Ao longo da minha trajetória, ouvindo principalmente mães solo e famílias que trabalham no comércio, percebi uma dificuldade muito comum: a falta de um espaço seguro e acolhedor para deixar as crianças no período da tarde e noite.
A partir dessa escuta e da minha experiência com a infância, nasceu o Espaço Petico — um ambiente lúdico, afetivo e sem telas, voltado ao cuidado, desenvolvimento e bem-estar infantil.
O projeto busca oferecer às crianças um espaço de acolhimento através da música, literatura, natureza, brincadeiras e convivência, permitindo que as famílias possam trabalhar com mais tranquilidade e segurança.
Espaço Petico — um lugar para crescer, sentir e ser cuidado.
A Escuta
Durante minha atuação em creche e no convívio com famílias, ouvi muitas mães relatarem a mesma dificuldade: a falta de um espaço seguro e acolhedor para deixar seus filhos no período da tarde e noite enquanto trabalhavam.
Grande parte dessas mães atuava em mercados, padarias, shoppings, comércio e serviços essenciais, enfrentando diariamente a preocupação de não ter uma rede de apoio nesse horário.
Essas conversas despertaram em mim uma escuta mais atenta e sensível para essa realidade. Como pedagoga, escritora infantil e apaixonada pela infância, comecei a sonhar com um espaço que pudesse acolher essas crianças com carinho, segurança e atividades lúdicas, respeitando seu tempo, emoções e desenvolvimento.
Assim nasceu o sonho do Espaço Petico — um ambiente pensado para oferecer acolhimento, cuidado, cultura, natureza, música, literatura e convivência afetiva no período da tarde e noite.
Na pedagogia Waldorf, as estações do ano são importantes porque ajudam a criança a sentir o ritmo da natureza, do tempo e da vida de forma viva e afetiva. 🌿
Cada estação traz:
cores
cheiros
músicas
texturas
histórias
mudanças no clima e na natureza
E tudo isso ajuda no desenvolvimento emocional, sensorial e imaginativo da criança.
VERÃO — Turma do Petico
No verão o sol sorriu,
a água fresca reluziu.
Com barquinhos a navegar,
a Turma do Petico foi brincar.
OUTONO — Turma do Petico
Folhinhas dançam pelo chão,
o vento canta uma canção.
No cestinho, pinha e flor,
o outono chega com amor.
INVERNO — Turma do Petico
No inverno o céu é mansinho,
Théo chama pro aconcheguinho.
Cobertor, história e chá,
o frio também sabe abraçar.
PRIMAVERA — Turma do Petico
Na primavera nasceu cor,
borboleta, canto e flor.
Malu espalha pelo jardim
sementinhas de amor sem fim.
O Legado do Petico
O nome Petico nasceu de uma história real, marcada pela sensibilidade, pelo cuidado e pela empatia.
Seu verdadeiro nome era Maximiano, mas era chamado carinhosamente pela família de Petico.
Mesmo ainda criança, Petico demonstrava um coração acolhedor e um olhar atento ao próximo. Durante um período delicado de sua vida, vivendo longos dias no hospital, criou um vínculo especial com outra criança internada, oferecendo companhia, carinho e pequenos gestos de cuidado mesmo diante da própria fragilidade.
Sua forma de acolher e se preocupar com o outro deixou uma lembrança profunda em todos que conviveram com ele.
A inspiração do Espaço Petico surge justamente desse sentimento: acreditar que o cuidado, a empatia e o afeto podem transformar a infância e criar memórias importantes na vida de uma criança.
Mais do que um nome, Petico representa acolhimento, respeito, escuta e amor ao próximo — valores que fazem parte da essência deste espaço.
Apresentação
Meu nome é Rosana Figueira, sou pedagoga, escritora de livros infantis e atualmente estou concluindo uma pós-graduação em Psicologia Infantil.
Ao longo da minha trajetória, ouvindo principalmente mães solo e famílias que trabalham no comércio, percebi uma dificuldade muito comum: a falta de um espaço seguro e acolhedor para deixar as crianças no período da tarde e noite.
A partir dessa escuta e da minha experiência com a infância, nasceu o Espaço Petico — um ambiente lúdico, afetivo e sem telas, voltado ao cuidado, desenvolvimento e bem-estar infantil.
O projeto busca oferecer às crianças um espaço de acolhimento através da música, literatura, natureza, brincadeiras e convivência, permitindo que as famílias possam trabalhar com mais tranquilidade e segurança.
Espaço Petico — um lugar para crescer, sentir e ser cuidado.
“Dois mil e cem jardas separavam o sniper do alvo. Um tiro impossível. Executado por quem nasceu pra não errar. O nome dele: Chris Kyle.”
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