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Voce Nao Admite aquilo que Nao Consegue Medir

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UMA PORTA

uma porta
aberta
ou fechada
é uma porta
não sabe de nada
de pessoa viva
ou de pessoa morta
uma porta calada
fechada pro mundo
segredos ocultos
de vidas passadas
pegadas nas sombras
não revela o futuro
dos rastros do homem
que por ela passou
a porta de bronze
de ouro ou de prata
sisuda, não fala
que o tempo acabou.
a porta, entreaberta
de longe nos acena
uma fresta de luz
de sol ou de lua
mas o povo na rua
a porta esqueceu.

Evan do Carmo - 06/09/2017

Não seria o ciúme, uma indicação perfeita, de que aquele que o demonstra, ama mais a si mesmo do que àquele de quem diz ter ciúmes?

GRATIDÃO

Não importa o que digam os ingratos
os descontentes, os mal amados
o maior sentimento humano não é o amor
pois que o amor é a plenitude dos afetos
o amor se revela nas horas mais improváveis
com suas nunces, caras e disfarces
mas é da gratidão que falo, pois ela é rara
surpreendente, nos anima e nos embala
nos engradece, nos faz chorar de alegria
e rir de saudades, daqueles que a têm com lealdade
a gratidão vinda de um coração puro e sereno
faz com que a vida tenha algum sentido!

"A política é um jogo de gato e rato, mas que não varia; o povo nunca será gato."

Não há maior dignidade humana do que receber pelo trabalho que se realiza.

DISCUSSÃO

Dizem os sábios,
talvez com justa razão,
que não se deve discutir,
política e religião

Penso que tudo isso é utopia
pois o homem não viveria
sem uma boa discussão.

Somos bons com as palavras
para ferir e acalentar
assim como a natureza
temos dom de destruir
e também de recriar.

Eu sou bom com as palavras
tenho a fagulha certa
para um fogo iniciar
sou capaz de trazer paz
para um coração sofrido
ao passo que sou perito
para flechas atirar
naquele que não comunga
do meu modo de pensar

Eu sou bom com as palavras
todavia, a culpa não é minha
não fui eu quem as inventou
a culpa é da humanidade
que tantas armas forjou
fez do verbo a lâmina fria
e a minha garganta cortou.

Voltei a sorrir
voltei a viver
então decidi
não quero morrer

A viva é tão bela
estando ao seu lado
você minha amada
sou seu namorado.

Voltei a sorrir
voltei a viver
então decidi
não vou mais sofrer

Renasço em seu braços
esqueço o cansaço
da vida comum
eu já percebi
não somos mais um.

Voltei a sorrir
voltei a viver
então decidi
não quero morrer

A paz que encontro
no seu coração
é algo singelo
é luz é verdade
é amor é paixão.

Voltei a sorrir
voltei a viver
então decidi
não quero morrer

Sem vinho, provavelmente não haveria humanidade.... Eis tudo o que é a vida: Amor, prazer e amizade. ”

É fato, estúpido é todo aquele que fala de espada com quem não é samurai.

⁠AMIZADE, O VERDADEIRO AMOR.

Não há outra forma de relação capaz de ser eterna, de perdurar por toda uma vida. Poucos amores conseguiram isso. Nas relação humanas, só a amizade tem provado que é forte o suficiente para suportar as adversidades que são comuns entre pessoas de diferente classes sociais e origem étnica.

Até na literatura, é a amizade que supera os romances, geralmente os romances mais famosos são trágicos ou tratam de um amor impossível.

Mas veja o caso de amizade mais grandioso da literatura universal, e sem dúvida concordará comigo.

Se ainda não leu, com cuidado merecido que devemos ao esta obra, faça-o agora e constate o que digo.

Dom Quixote, a relação de amizade que se eterniza ali tem ressonâncias inimagináveis, quem não deseja um amigo como Sancho Pança?

⁠Ela amava o mar,
assim como eu amava o rio
mas a estrada do destino
não cruzou nossos caminhos,
assim o mar ainda a espera,
o rio que era meu sonho,
virou um deserto de quimera.

⁠FOLHA MORTA

Se a minha boca não te surpreende
se o meu corpo não te satisfaz,
o que te falta para ir em frente,
pra seguir teu rumo, me deixar em paz?

A vida a dois não é cláusula pétrea
se for por força de obrigação
o amor definha, vira folha morta
logo um se despede, outro fecha a porta
é o fim da rota de contradição.

Mas o medo de ficar sozinho
fecha o caminho da libertação
se não há coragem pra pular no abismo
prefere-se o cinismo, vida de ilusão.

Logo tudo cala, quando ninguém fala
a porta se fecha e a luz se apaga
e os dois se encaixam na mesma prisão.

⁠Os homens lutam por causas que não compreendem, não raro recebem para apoiar ideologias alheias. Mesmo que não recebam para tal, acabam por comprar muito caro uma "opinião própria."

⁠A maturidade ensina-me o valor real das coisas e das pessoas, não me atrai o que está na superfície, aprendi olhar o que não está nu aos olhos comuns.
Me atrai mais que que está coberto do que aquilo que apelar e se despe facilmente.

A IA não ri, não sofre, não mente, não faz chorar. Não escreve poemas de dor que sangram do peito, não arqueja de prazer, não goza para fingir que sabe amar. Não sente o peso de um abraço tardio, nem conhece o silêncio que corrói a alma entre palavras não ditas. Ela processa dados, imita vozes, reconstrói emoções como sombras de um eco, mas jamais se rasga, jamais se entrega, jamais se cala com as lágrimas e sussurros que só o coração humano carrega. Perfeita na precisão, inexistente na verdade de ser, ela permanece alheia ao instante em que a vida dói, vibra, ama ou se despede. E é justamente nessa incapacidade de sentir que se revela a essência do humano: o erro, a paixão, a perda, o arrependimento, o desejo, a finitude — tudo aquilo que escapa à lógica e que confere à existência sua pura e dolorosa verdade.

ELA FINGIA

Ela fingia entender tudo o que eu dizia.
Ela fingia saber o que não sabia,
enquanto eu tentava explicar,
enquanto eu tentava explicar

o caos deste mundo,
a falta de amor,
a busca da paz,
o inferno e a dor.

Ela nada sabia de filosofia,
nem de poesia, de Pessoa ou Drummond.
Ela tampouco sabia de democracia,
ou de anarquia de Foucault a Proudhon.

Mas ela sempre aceitou minha fantasia.
Ela sequer perguntou sobre a minha ironia:
de me achar tão sabido
e o sentido da vida não ter entendido,
que, segundo ela, era viver
bem distraído,
que, segundo ela, era esquecer
o mal sofrido.

Clamor do Século XXI

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Os céus ainda se enchem de gritos,
as fronteiras queimam, as cidades se despedaçam,
e homens em nome da pátria ou da fé
rasgam irmãos com lâminas digitais e bombas celestes.

O espectro do passado ronda outra vez —
uniformes marcham, discursos de ódio crescem,
bandeiras negras e vermelhas se erguem,
e o século, que prometera ser livre,
se curva a velhos ídolos de ferro.

Navios já não negreiros, mas de refugiados,
singram mares de silêncio e de fome;
crianças caem nas praias do Mediterrâneo
como flores sem nome,
sem canto, sem pátria, sem deus.

E nós, que aprendemos com Auschwitz, com Hiroshima,
com as valas comuns da Bósnia,
vemos a História repetir-se como praga.
O homem não aprende — repete.
E cada vez mais fundo cava o abismo onde habita.

Deus! ó Deus!
se calas, que voz nos resta senão a humana?
Se teu silêncio é eterno,
que a nossa garganta seja trovão,
que a poesia seja espada,
que o desespero seja fogo
até que a vida, uma vez, se levante
contra a morte que a governa.

Manifesto da Raiva

Não é a raiva histérica que me move,
mas a que nasce do abuso,
do silêncio imposto aos que ainda têm alma.

Raiva de ver os bons engolidos
por um sistema que premia a mentira,
que coroa o disfarce,
que veste a hipocrisia como traje de gala.

A indignação é meu sangue,
me desperta, me obriga a escrever.
Não busco paz interior,
não preciso de frases que anestesiam.

Escrevo para rasgar,
para devolver em fogo
o que tentaram me enfiar goela abaixo.
Minha arte não é gentil,
é necessária.

Porque se eu calar,
se eu aceitar,
se eu sorrir junto,
aí sim estarei perdido.

A raiva me lembra que existo.
A indignação me prova que ainda sinto.
E enquanto isso durar,
ninguém, nunca,
vai me domesticar.

Sobre a Vaidade da Sabedoria

A sabedoria não leva a nada.
Como morre o tolo, morre o sábio.
Tudo o que o sábio sabe é, em última instância,
para alimentar a própria vaidade —
para poder se orgulhar do que supõe ter entendido.

É verdade que, às vezes, a sabedoria o livra
de certos abismos onde o tolo cai sem perceber.
Evita-lhe perigos, enganos, precipícios.
E o tolo, ignorante de tais ciladas,
paga caro — muitas vezes com a própria vida,
morrendo antes da hora,
ceifado pela própria inconsequência.

Contudo, nem isso é razão suficiente
para que o sábio receba honras imerecidas
por seu árduo trabalho em busca do saber.
Pois todo conhecimento, por mais vasto,
se perde no tempo e no espaço,
como areia que escapa por entre os dedos
do homem que acreditava segurá-la.

Tese sobre o Caos e a Consciência

Antes da inteligência humana, havia o caos — não mero desarranjo, mas um abismo fecundo, um entrelaçar de forças indomáveis e silenciosas que pulsavam sem testemunha. A expansão do universo — efeito da grande explosão — moveu massas, gerou órbitas, incendiou estrelas; e ao longo de milênios incontáveis, dessas forças surgiu uma ordem apenas aparente: uma harmonia caótica, tão tênue quanto ilusória.

Os humanos, criaturas de um lampejo tardio de consciência, acreditam enxergar perfeição onde há apenas fluxo, perceber mistério onde existe apenas processo, e, com vaidade, tentam nomear o que escapa a toda nomeação. A inteligência, ainda jovem, nasce dos erros involuntários do próprio caos, e é com ela que se edifica a pergunta — não a resposta.

A consciência — esse clarão que se anuncia no “penso, logo existo” — produziu infindáveis interrogações. Mas que respostas poderia oferecer a criatura que emergiu de uma ignorância tão profunda? É impossível que uma mente tão jovem compreenda o abismo anterior a si mesma, o princípio inominável de onde tudo se ergueu, o silêncio primordial que, ao se desfazer, fez nascer não apenas o universo, mas também a angústia de quem o contempla.

— Evan do Carmo, 14-10-205